Fazendo minha parte

Essa semana começou a “bombar” na (minha) web uma coisa muito legal e que merece ser divulgada:
trata-se de uma série criada por veteranos meus, do AV2006, chamada 3%.
Não vou entrar no mérito do “que trata de” porque fica bem claro logo nos primeiros minutos dela e recomendo fortemente que matem a curiosidade assistindo!


Eles têm toda a temporada escrita e o piloto produzido, estão agora na correria, buscando apoio pra produzir e veicular a série completa; o que seria mais do que justo e merecido! Pra ajudar nessa etapa, divulgamos!


Aqui está o piloto no youtube – divido em três partes – pra você verem (preferencialmente em HD, pois o cuidado com os detalhes merece!)









Acho “engraçado” (de um jeito preocupante)  que a maioria  dos comentários de quem gosta é a surpresa ao constatar que a produção é brasileira… Parece que a galera vai ter que assistir muito mais coisa desse tipo pra começar a acreditar de verdade e largar de vez esse preconceito velho e ultrapassado… rs

Portanto, se assistiu e gostou, ajude a divulgar, ok? O audiovisual brasileiro agradece!!! hehehe

Aqui vocês os encontram:


Ah! Sem esquecer, é claro, dos parabéns pros colegas que mandaram muito bem!!!


Besos e bom fim de domingo pra todos!


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"Românticos são limpos e pirados"

Alguém no twitter postou esse vídeo hoje:





Apesar do pânico e da vontade de desligar várias vezes por causa da voz e do jeito bizarro da mulher falar (hahaha, eu sei, sou má…), achei o texto bonitinho e concordei com várias partes dele… Mas fiquei pensando…
Tolinha! Tá colocando na balança, comparando e escolhendo de forma excludente paixão X amor porque não sabe a delícia que é ter os dois juntos!!


Há pouco tempo reparei que virei uma romântica, não sei bem como ou quando… mas agora vídeos de pedidos de casamento fofos me fazem chorar, histórias de amor da vida real me emocionam e histórias de separações próximas a mim rompem um pouquinho meu coração também! 
Vou então abusar dessa nova característica:


Na rotina do dia a dia fica difícil lembrar com frequência da sorte que se tem por todos os dias acordar do lado do seu grande amor; mas sentir friozinho na barriga todo fim de dia quando ouve a chave na fechadura – depois de 6 meses de casados e 6 anos de namoro – aaaahhh…. isso é impagável!!!


Ter a tranquilidade e a certeza do amor te fortalecendo, dando ganas e vontade de viver mais e mais pra poder experimentar tudo que é tipo de experiência juntos, mesmo as mais rotineiras… Isso foi o amor que eu descobri, que construi com meu querido e que não troco por nada!


Mas sentir o coração acelerar com bobeiras como atender um número desconhecido no celular e ouvir o “alô” dele…aaahhh isso é paixão pura e deliciosa!


A moça do vídeo diz que não quer alguém que lhe tire o chão, mas alguém com quem compartilhar o chão…bom, ela não sabe o que está perdendo da experiência de perder juntos o chão e construir seu piso particular no lugar que bem entender!




Eu era cética e não acreditava nesse papo dos românticos, tinha medo de me iludir demais e quebrar a cara, então evitava a entrega. Mas aprendi – depois de alguns anos, sofrimentos, análise, brigas, conversas, reconciliações, etc – que amor e paixão existem sim e podem caminhar juntos! Não idealizados como nos filmes ou nas novelas; não a receita pronta até o “viveram felizes para sempre”. Bom mesmo é tudo que vem depois dessa parte, as partes fáceis e divertidas e as mais trabalhosas também. Aprendi que “construção” é a palavra chave, e que quatro mãos trabalham melhor que duas!






Agora chega de romantismo virtual que eu vou ali namorar meu marido!!!

Pra cumprir

Semana que vem começo o Pilates!
Uhu! Tô animadona!


Principalmente depois de hoje, quando uma mulher me perguntou – enquanto acariciava a própria barriga – como está indo o bebê!
Hahahaha
É verdade que fiquei com mais vergonha alheia por ela do que qualquer outra coisa, mas sabe como é, né… exercício físico JÁ!!!!
Hehehe


Além disso, estava lendo sobre os benefícios e vi que eles prometem menos manchas roxas no meu corpo – ou mais equilíbrio, consciência e controle corporal! rs


Vamos lá! Promessa de “segunda feira eu começo” daquelas que não pode voltar atrás! Depois conto sobre a experiência..




Cariños,



Portunholando

Algumas coisas peculiares vêm sendo observadas nas nossas conversas por aqui: em casa deveríamos conversar em português, mas o que acaba saindo são umas falas tortas e muito entretenidas! 
O que  passa é uma mescla que acontece tanto com o emprego de palavras em espanhol no meio da conversação, quanto de palavras em português com o sentido ou o emprego que ela normalmente só teria em espanhol.


Quando vou cumprimentar alguém (escrevendo, num encontro pessoalmente ou numa chamada) não sei mais dizer “oi, tudo bem?”; sempre escapa um “oi, como está?”. Acho muito mais prático botar alguma coisa do que jogá-la no lixo. Soa um pouco demasiado educado dizer perdão ao invés de desculpe, mas é assim que ocupo agora. Estamos buscando departamento pra comprar. Bebida é só refrigerante. No meu caderno (que é escrito todo em português) o sonido é elemento fundamental para o desarrolho da narrativa. Fui numa tenda buscar jalecos de frio, mas não alcancei elegir nenhum bom. E sigo tenendo muito mais frio que todos os chilenos e me destacando entre ellos por toda a roupa que ponho!













Sim, sim…


Essas questões de linguagem tem sido minha maior diversão ultimamente!
E teria mais exemplos pra dar, mas quis só fazer uma brincadeirinha rápida mesmo…


Boa noite e ótima semana à todos!

Cumprindo promessa

Eu tinha prometido que os manteria informados sobre esse assunto, então vamos lá:


Há umas semanas atrás fui conversar com a secretária da Escuela de Cine sobre minha vontade de fazer teatro e ela me recomendou que conversasse com o professor de “Interpretação e Direção de Atores” lá, porque ele é ator, e apesar de trabalhar ultimamente só com televisão e cinema, conhece bem a área e tal..


Pois bem, demorei umas duas semanas ou mais pra encontrar o tal cara na Escuela, mas segunda feira agora consegui encontrá-lo correndo pra ir embora. Eu e a secretária explicamos meio por cima do que se tratava e ele pareceu atencioso, mas como estava com pressa, pegou meu email e telefone pra que a gente “marcasse um café pra conversar”. Ele falou qualquer coisa sobre marcarmos pra quarta ou quinta, mas pelo que já conheci dos chilenos, estava preparada pra na segunda feira seguinte ter que procurá-lo de novo pra cobrar o tal café…
Mas acontece que eu estava enganada! No dia seguinte – ontem, portanto – ele me ligou no final da manhã pra marcar logo o café prometido! Nos encontramos num shopping relativamente perto aqui de casa. 


O nome dele é Fernando Gomez-Romira e, só fui descobrindo ao longo da conversa, ele é um ator bastante importante aqui no país, fez várias novelas, alguns filmes importantes – entre eles o 03:34, que é sobre o terremoto que teve aqui no ano passado (aqui está o Trailer do 03:34) e está em cartaz atualmente, e foi reconhecido por algumas pessoas enquanto conversávamos! rs

Confesso que estava super nervosa quando cheguei no shopping…iria sentar com um cara que não conhecia, pra falar de um tema super pessoal e difícil pra mim e torcendo pra que ele pudesse me ajudar…

A conversa começou bastante objetiva, contei um pouco resumidamente minha história, a relação e o passado no teatro, o porque de estar querendo voltar agora…
Ele fez várias perguntas, entre elas algumas meio “técnicas” sobre qual tipo de teatro estudei, qual tipo gosto, o que eu li de peças, etc…


Ele tem um ponto de vista que achei muito interessante; nas palavras dele: “quando, aos 15 anos pedi pro pai pra finalmente começar a estudar piano – uma vontade antiga – ele demorou 6 meses pra encontrar um professor pra mim, porque pra ele era importante que as aulas de piano me fizessem amar ainda mais a música e o instrumento e nunca me cansar ou desmotivar, e achava que isso dependeria do professor. É pra isso que estou te fazendo todas essas perguntas, pra pensar bem e te indicar um lugar que cumpra com o que você está buscando, mas que cumpra também esses outros requisitos, porque pra mim qualquer um pode atuar – por hobby ou profissão – contanto que tenha amor!”.
Não preciso nem dizer que o cara me ganhou aí, né?! hehehe
Bom, ele me indicou um curso noturno em uma escola conceituada aqui, que segue o mesmo método com o que estava acostumada – e gostava – do Macunaíma, que cabe na minha agenda, enfim…  Chegou a ligar pro diretor do curso, falar um pouco de mim e perguntar quem me daria aula, pra saber se eram professores bacanas de verdade!
Fiquei com o telefone desse diretor e vou marcar de ir lá conhecer a escola e tal…as aulas começam só em agosto, então ainda daria tempo de ver isso com um pouco de calma.
Outra indicação bacana do Fernando foi que eu voltasse a ler peças e coisas de teatro, mesmo antes de começar qualquer curso, pra entrar novamente em contato com a linguagem e tal…


Bom, o nervosismo passou rápido, ficamos um tempão conversando sobre essas questões do teatro mas sobre tudo um pouco também. Ele tem uma história super interessante: nasceu no dia 01/09/73, dez dias depois foi o golpe militar aqui no Chile e a mãe dele foi presa – com ele junto (com 10 dias de vida!)! Depois ficaram 15 anos exilados na França, mas sem nunca deixar de serem Chilenos, cultivar a cultura do país. O pai dele parecia ser incrível, trabalhava em um teatro grande de Paris e tinha contato com tudo que era artista internacional importante da época, mas era grande fã de música brasileira – paixão herdada pelo filho que me disse que a música mais linda que já foi feita no mundo é “O que será” do Chico!!! Me mostrou fotos e vídeos das filhas dele, conversamos sobre nossos países de origem, sobre vida de expatriado, sobre cultura em geral, sobre nacionalismo….


Depois de umas duas horas em que estávamos conversando o Lucas chegou no shopping – tínhamos combinado de jantar lá – e sentou pra conversar com a gente. 
Como é de costume, ele levou a conversa pra um lado mais prático, levantou questões importantes que eu tinha esquecido e/ou não mencionado e foi bem bacana! O Fernando nos deu dicas também de outras faculdades pra procurar, ou outras pessoas pra conversar… 


Se mostrou o tempo todo super interessado e disposto a ajudar! Ficamos de marcar um almoço um dia desses num lugar aqui em Santiago onde, segundo ele, podemos encontrar livros usados, bem mais baratos que os normais das livrarias aqui…


Foi super legal o encontro e a conversa: Útil pro que eu precisava que fosse, além de ter sido uma oportunidade de conhecer uma pessoa super legal!!!


Voltei pra casa com um milhão de coisas na cabeça, sobre essa minha busca tão difícil, sobre as possibilidades que estão se mostrando, sobre meus desejos (aliás, estou ansiosa pela crônica de amanhã do Contardo Calligaris) e mal-e-mal dormi a noite passada…
Pra ajudar estou podre de gripe+sinusite, então, como eu dizia nas cartas que escrevia pras minhas amigas na sétima série: vou parando por aqui!
Hahaha


Só queria compartilhar a empolgação com vocês! Continuem torcendo e cobrando… pra eu continuar funcionando…rs


Cariños, 

As três etapas do desenvolvimento

Um dos primeiros passos da preparação pra mudança de país foi o aprendizado do novo idioma.

Minhas primeiras aulas foram com uma chilena recém chegada ao Brasil e que, no Chile, dava aula pra crianças pequenas. Ela me ensina um espanhol que permitisse que eu virarasse bem quando chegasse por aqui. Ou seja, eram aulas de quase pura conversa, onde eu aprendia vocabulário não só de espanhol, mas principalmente de “chileno”. Eram bastante úteis essas aulas, mas não eram muito suficientes: Eu tinha sede de aprender a gramática do espanhol. 

Em 2004, quando fiz cursinho no anglo, tive aula com o melhor professor de gramática que já conheci. Ele fazia com que as tais regras chatas fizessem sentido e, mais do que isso, fossem úteis! Eu não teria mais dúvida de como pronunciar uma palavra se fosse capaz de indificá-la enquanto oxítona, paroxítona ou proparoxítona. Eu não precisaria mais ficar chutando onde vai ou não a crase, ou a vírgula, se soubesse exatamente pra que elas servem e pudesse escolher quando as queria com tais funções ou não. Foi super revelador e apaixonante estudar nossa língua portuguesa por esse ponto de vista!

Pois bem, era assim que eu queria conhecer o espanhol. Não me bastava decorar quando é com c, z ou s, eu sempre queria saber o porquê das coisas. Por que essa palavra tem acento? Por que nessa conjugação surge essa letra i? Por que? Por que? Por que?
Era uma questão de curiosidade pessoal, mas também uma busca por autonomia; se entendesse as regras, podia tirar sozinha as conclusões e saber o espanhol.
E por um motivo ou por outro fui alimentando minha curiosidade, pesquisando na gramática ou na internet as respostas que a professora não sabia dar, me encantando quando algumas coisas muito básicas de repente faziam todo sentido, me deliciando com as explicações que tornavam mais possíveis minha relação com o idioma… Sentia-me um pouco criança, analfabeta, aprendendo quase que do princípio básico o be-a-ba, mas buscando meu modo construtivista de aprender espanhol.

Quando cheguei no Chile os primeiros contatos com o país seguiram na linha do encantamento: além de achar a Cordilheira linda, eu achava fofo as pessoas falando “chileno”, os movimentos de boca super articulados, a língua que não fica parada nem um segundo… Me divertia com algumas versões em espanhol que encontrava no rádio de músicas velhas conhecidas em português!

Por volta do segundo mês, quando começaram minhas aulas e passei a “viver em espanhol” de fato, entre todas as mudanças efetivas (e afetivas) que ocorreram, mudou também minha relação com a língua. Logo comecei a achá-la pobre – como assim vocês não conhecem mais preposições? Como assim vocês dizem “a lo pobre” e não “ao pobre”, custa tanto assim uma contração? E assim por diante… Várias coisas que os pobres estudantes de colégios odeiam, se matam pra decorar, e consideram as mais difíceis do português eu fui descobrindo como grandes “evoluções lingüísticas, sofisticações que tornam a comunicação muito mais fácil e bonita. Nesse período passei a ter que escrever e falar formalmente o espanhol – não mais “me virar”com ele, e chegava a sentir, literalmente, saudade das conjunções e de alguns tempos verbais. 
Claro que nesse momento não era só disso que sentia saudade, mas essas coisas “bobas e inúteis” engrossavam a lista das “coisas do Brasil que não sabia que me fariam tanta falta”.


No último mês comecei a fazer aulas de espanhol por aqui e essa semana eu estava pensado que vou criar um novo idioma: com as facilidade e coisas fofas que tem o espanhol, mas com as utilidades e sofisticação que tem o português! Simples, não?! rs

Simples ou não, esse desejo me diz um coisa: se, como disse o Caetano, “minha pátria é minha língua”, ao completar hoje três meses de Chile posso dizer que sou agora “bi-patriada”.
Não me sinto mais turista, encantada com tudo que encontro pelas ruas. Não me sinto mais “expatriada”, só sentindo falta e saudade de todas as coisas do meu país.
Finalmente estou em “lugar” que me permite ver as coisas boas dos dois lados e pensar em criar meu próprio mundo com o que eu escolher – visto que tenho as duas experiências e posso avaliar o que prefiro e o que renego. 
E acho que essa é uma das melhores partes não só da experiência de morar em outro país por um tempo, mas da escolha de não viver em seu país de origem!

E viva os 3 meses!!!

Ps.: Ontem fomos na despedida de um FuD brasileiro que, depois de 2 anos e meio de Chile, está indo pra Espanha. A reunião foi em um restaurante brasileiro e aproveitamos pra nos entupir e matar toda a vontade de comer coxinha!!!! Delicioso gostinho de “lá em casa”!


(Obs.: Post escrito ontem, dia 12, quando completamos 3 meses aqui; mas postado só agra porque ontem o blogger ficou fora do ar o dia todo!)

Quem dera Kundera

Os trechos abaixo pertencem ao livro “A insustentável leveza do ser” (ou “La insoportable levedad del ser”), do Milan Kundera. Estão em espanhol porque só tenho esta versão aqui e não ouso traduzir um livro desses! rs




“Ésa es la imagen de la que nació. Como dije ya, los personajes no nacen como los seres humanos, del cuerpo de su madre, sino de una situación, una frase, una metáfora en la que está depositada, como dentro de una nuez, una posibilidad humana fundamental que el autor cree que nadie ha descubierto aún o sobre la que nadie ha dicho aún nada esencial.
Acaso no es cierto que el autor no puede hablar más que de sí mismo?
Mirar con impotencia el patio y no saber qué hacer; oír el terco sonido de las propias tripas en el momento de la emoción amorosa; traicionar y no ser capaz de detenerse en el hermoso camino de la traición; levantar el puño entre el gentío de la Gran Marcha; hacer exhibición de ingenio ante los micrófonos secretos de la policía; todas esas situaciones las he conocido y las he vivido yo mismo, sin embargo de ninguna de ellas un personaje como el que soy yo, con mi curriculum vitae. Los personajes de mi novela son mis propias posibilidades que no se realizaron. Por eso los quiero por igual a todos y todos me producen el mismo pánico: cada uno de ellos ha atravesado una frontera por cuyas proximidades no hice más que pasar. Es precisamente esa frontera (la frontera tras la cual termina mi yo), la que me atrae. Es más allá de ella donde empieza el secreto por el que se interroga la novela. Una novela no es una confesión del autor, sino una investigación sobre lo que es la vida humana dentro de la trampa en que se ha convertido el mundo. Pero basta. Volvamos a Tomás.””


(…)


“Y se le vuelve a ocurrir una idea que ya conocemos: la vida humana acontece sólo una vez y por eso nunca podremos averiguar cuáles de nuestras decisiones fueron correctas y cuáles incorrectas. En la situación dada sólo hemos podido decidir una vez y no nos ha sido una segunda, una tercera, una cuarta vida para comparar las distintas decisiones.””




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Estou em pensando em começar a escrever ficção…

Cordilheira

Não, esse não é aquele prometido post sobre a beleza onipresente da Cordilheira dos Andes em Santiago. Não!
Essa é só uma metáfora boba, pra ver se alivia…


Perdi meu sono hoje umas 2 horas mais cedo do que planejava acordar. Estava preocupada com um trabalho que tenho que fazer pra aula de “Post-Producción”, que já adiei muito tempo mais do que deveria. Bom, levantei super cedo pra um domingo, fiz minhas coisas pessoais, e 1h30 depois sentei na frente do computador.


O trabalho foi passado pelo professor já faz quase duas semanas e consiste em criar um vídeo com efeitos de animação feito no After Effects. Enquanto eu apanhava pra conseguir baixar o programa não pensei sobre o que seria meu trabalho, achei que ele sairia naturalmente….
Pois aqui estou eu, mais de 8 horas depois de ter “começado”, sem na verdade conseguir começar nada. Já iniciei uns três projetos, mas ou ficaram ruins, ou bobos, ou insuficientes, ou não iria adiante…enfim… Não sai nada!


Eu diria que não se trata de um bloqueio criativo, mas de uma cordilheira imensa entre mim e a capacidade de criar esse trabalho.


Já tentei mudar o foco, fazer outra coisa pra me distrair um pouco (como dar banho na Maní)  e depois voltar e tentar. Já desliguei internet, liguei de volta, fucei nos meus arquivos e em outros coisas da internet procurando ideias…e nada!!! Nada flui, nada aparece, nada vem…


Acho que eu nunca tinha travado desse jeito num assunto tão prático. Não é nenhuma grande decisão da vida, é só um trabalho a ser entregue!


O Lucas já me perguntou: “você tá com medo de que não fique bom?”
(Hahahaha. Tá querendo me interpretar, o rapaz! Acho que é porque ontem nós compramos e assistimos “A Máfia no Divã”! hehehe)


Pois então…eu sei que não vai ficar bom, After não é pra mim, e nem ligo.






Na verdade talvez eu até entenda um pouco desse bloqueio todo…


Mas não acho que meu professor vai se importar com isso… hahaha


Conclusão: tô pagando. Alguém quer fazer pra mim??? hahahhahahaha



Referenciais

Ainda me impressiona a quantidade de chilenos que encontro que adoram o Brasil!
Aliás, soube que é muito comum, quando estão saindo do colégio, os chileninhos escolherem como destino da viagem de formatura nosso querido país: eles vão pra Búzios, onde acabam encontrando mais chilenos de outros colégios fazendo a mesma viagem…hehehe
Sério, eles adoram MESMO o Brasil!!! Vários já veram me falar sobre como as cores das paisagens são encantadoras, ou como o mar é quentinho… uma mulher que conheci num pet shop chegou a me dizer que já escolheu o lugar em que quer morrer: Búzios!


Admito que fiquei curiosa pra conhecer o tal lugar mágico e que reconheço que nosso país tem belezas naturais incríveis, mas fiquei pensando nessa questão de “referenciais”…


Hoje fiz uma viagem de carro até San José de Maipu, uma região interiorana aqui perto de Santiago. Fui com mais três companheiros da Escuela a procura de uma locação pro curta metragem que estamos produzindo, que se passa em uma linha de trem abandonada.


Pra quem não conhece, esse é o mapa do Chile: 


O que significa que ir pro interior é, necessariamente, entrar no meio de um monte de montanhas!
E, meu, que montanhas incríveis!!!
Nós brasileiros estamos acostumados a chamar de montanha uns montinhos bem verdes. Pois aqui montanhas são umas coisas imensas, feitas de pedras – e nada mais que pedra – de uma cor muito característica (eu diria que o Flicts ficaria bem feliz aqui) e uniforme, com uns “riachuelos” azuizinhos que os cortam ao meio – e que também são cheios de pedras – e quase nenhuma vegetação…
Resumindo: passei umas três horas olhando pela janela que nem cachorro feliz quando anda de carro!
É de uma beleza não exuberante, como a nossa, mas absolutamente grandiosa. É a natureza mostrando toda sua força, sua dureza, sua capacidade de ser muito maior do que nós míseros seres humanos!

(Não pude tirar fotos porque já tinha consumido toda a bateria do meu celular me distraindo na aula chata, irritando e humilhante da manhã…Uma pena! Mas devo voltar lá um dia, aí faço uns vídeos pra ver se consigo passar um pouquinho dessa sensação toda que dá esse lugar)

E digo que é uma questão de referenciais porque os dois chilenos e um equatoriano que estavam comigo não estavam impressionados…
Ok, é verdade que eles comentaram uma ou outra vez sobre a beleza…e que um deles quis descer do carro pra contemplar romanticamente o rio – coisa que os outros dois não deixaram…hahaha…. Mas aquilo não era nada perto do meu encantamento!

Minha mãe, quando estava aqui no Chile me perguntou: “Será que os chilenos esquecem que tem na paisagem essa Cordilheira linda?”.  Eu acho que sim…
Por enquanto eu continuo me encantando e parando pra admirá-la todos os dias em que ela resolve aparecer!

Olha ela aí, no fundo da vista de uma das minhas salas de aula!

Acho que a gente que é de São Paulo talvez ainda consiga algum encantamento quando nos deparamos com as belezas naturais brasileiras – fora de São Paulo… Mas hoje comecei a me perguntar: será que esse nosso encantamento é mínimo quando comparado com o de alguns estrangeiros??

E falando em São Paulo e referenciais: andei comentando com alguns chilenos uma percepção interessante: quando me perguntam o que eu acho de Santiago sempre elogio, entre outras coisas, a alta qualidade de vida, como o pouco trânsito ou o transporte público que funciona…
Pois eles não se conformar que eu possa achar essas coisas boas!!! Estão sempre reclamando do taco – trânsito e se queixando do metrô e da TransSantiago (empresa de ônibus daqui).
É verdade que tem vários motoristas de ônibus que são uns fdp, que não param nos pontos, correm feito sei lá o quê…(aliás, outro dia sofri uma acidente de trânsito! Meu ônibus bateu num outro! Nada grave..rs)
E é verdade também que o trânsito parece que piora um pouquinho mais a cada dia…

Mas se os Chilenos passam um mês em rotina em São Paulo – não em turismo – iam voltar pra casa bem mais felizes e satisfeitos com o que tem!!!
(Acho que Santiago ainda tem um tempo de “vantagens de grande metrópole, sem o caos da grande metrópoli”, mas só um tempo…então corram!!)



E pra finalizar, morar longe do Brasil também mudou meus referenciais, claro. Sinto saudades de coisas com as quais nem sabia que me importava…
Aquele velho blablabla de que damos valor pras coisas quando perdemos… O que alivia a tal sensação é a certeza de que eu não “perdi” nada… só escolhi viver longe de algumas coisas que me fazem falta, mas que ainda estão lá me esperando pros momentos de visita, certo?! hehehe