“Risonho e terno”

Segunda feira dessa semana a Grazi , secretária da escola do Dante veio me contar que, sem querer, tinha descoberto (e adorado! ❤ ) esse blog!

Hoje a Pati, uma amiga querida, me disse que as coisas que eu escrevo plantam sementinhas que reverberam em forma de muitas coisas positivas… ah, que amor, gente!!!

E esses dois acontecimentos me deram força (e cara de pau) pra reaparecer aqui como se não tivesse sumido por tantos meses, sem me desculpar, justificar nem nada do tipo…

Vim continuar esse papo sempre tão bom que temos, como se ele nunca tivesse sido pausado… Vamos?!
E vou retornar contando que tenho usado esses tempos sombrios que estamos vivendo pra ter umas conversas muito lindas e importantes com a Cecília.

Enquanto eu acompanho os bafafás acabo abrindo vídeos barulhentos que chama a atenção dela. Ela vem correndo se pendurar em mim pra ver junto e, claro, as perguntas surgem: “porque ela está cantando “ele não”?”, “porque essas pessoas estão gritando?”

“o que é protesto?’ , etc…

E eu tenho tentado explicar pra ela o que está acontecendo…

Já disse que estamos em período de eleição, expliquei que estamos escolhendo presidente (entre outros), mas que está bem difícil porque há muita briga e muitas opniões opostas em jogo. Também contei que tem um homem querendo ser presidente e que tem muita gente – eu inclusive – achando que ele não deveria ser, porque ele fala coisas muito, muito erradas.

Claro que ela quis saber quais coisas (por sorte as perguntas vão chegando aos poucos e dá pra ir conversando devagar, explicando uma parte por vez…rs).

Conversamos então sobre racismo, sobre homofobia , sobre feminismo!

Sim, ela não tem nem 5 anos. E, sim, estou tendo essas conversas com ela.

Uso, claro, argumentos e vocabulários que caibam no seu entendimento e na sua experiência (aproveitando pra expandir um pouquinho onde dá) e tenho o apoio de um livro maravilhoso:

 

 

 

E sabe o que é mais legal?! Cecília adora esse livro, vive escolhendo histórias pra ler, mulheres pra conhecer… às vezes chega com várias de uma vez marcadas, ansiosa pra saber quem são…

E é ela mesma que está fazendo as associações das histórias dessas mulheres com os preconceitos que eu vou explicando, não eu, juro! Às vezes surge quando estou explicando um tema como as questões LBTQ+  (“sei, sei..tipo aquela menina que era um menino mas se sentia menina então era menina”). Às vezes é lendo a história à noite que ela se lembra da explicação da manhã…

É uma delícia ver a cabecinha dela funcionando, entendendo o mundo, entendendo o que é (ou deveria ser) justiça, igualdade, honestidade…

Hoje eu disse pra ela com todas as letras: “a coisa mais importante que eu quero te ensinar é respeito! Que vc respeite aos outros e que respeite a si mesma – pra também ter direito de ser respeitada!” ( tudo bem que foi depois de ela dar umas pancadas no Dante…ética é um negócio que a gente vai ensinando mil vezes ao dia, né?! hehehe)

 

Enfim, esse texto sou eu respirando fundo, encontrando força, comendo chocolate (como bem orientou a maravilhosa Eliane Brum nesse texto aqui, tão, tão necessário), dando um jeito de não ser engolida pela desesperança e pela tristeza!

As conversas com a Cecília (e em breve com o Dante) são um grande de jeito de fazer também algo pelo mundo, espero!

Esse blog é um jeito de fazer algo por mim. É o meu refúgio, mas também meu ativismo.

É meu lugar de gritar #elenão.

 

É minha casa e é uma delícia estar de volta ao lar!

 

 

 

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“Flores e espinhos”

Hoje eu tive uma manhã difícil.

Gritei, briguei, bufei, saí de perto, tive vontade de chorar, senti muita, muita raiva.

Dos meus filhos. Por motivos totalmente questionáveis, tipo uma bagunça que dois dias atrás eu deixei ser feita e não arrumada. Uma bagunça que não me causou nada há dois dias, mas que hoje me tirou do meu “normal”.

Hoje eu explodi.

Gritei, briguei, bufei, “saí de perto”, tive vontade de chorar, senti muita, muita raiva.

De mim.

Hoje eu explodi.

Às vezes acontece. Cada vez menos já, ufa!

Essa explosões – por motivos questionáveis – começaram quando o Dante era bebezico.

Até hoje suspeito de uma depressão pós parto.

(Na verdade, com o tal bebezico beirando os 2 anos (sim, juro, ele tá beirando os 2 anos!) eu me pergunto se ainda dá pra chamar de “pós parto” esses “ataques de nervos” que me acometem às vezes.)

Estou me tratando, acho que já contei aqui que voltei pra análise há um tempo, lá atrás, quando percebi que as tais explosões eram minhas e não “por causa dos outros”. Desde então elas diminuíram muito, mas às vezes ainda acontecem.

E às vezes ao invés de vir como raiva, vêm como falta de energia ou como tristeza mesmo.

Quando ele vem, ainda é difícil sair do turbilhão. Por mais que eu perceba no meio da gritaria que não é com/pelas crianças que eu estou gritando, ainda não consigo respirar fundo e virar a chavinha, sair daquilo e voltar a ser mais “normal”. Sair do caos é lento, envolve muita respiração e uma mudança gradual de humores. Normalmente consigo chegar pra deixá-los na escola exausta e triste, mas já sem toda aquela raiva me revirando.

Hoje foi assim.

Quando me vi sozinha na rua, soube que não queria voltar pra casa, pra “cena do crime”; saí andando, precisava passar a tarde sozinha e longe da (minha) realidade. Acabei parando num café e fiquei lá lendo, terminei meu livro e me debulhei em lágrimas. Senti meu peito mais leve a cabeça latejando. Senti uma vontade louca de ir correndo abraçar a Cecília (a mais atingida pela tempestade matinal). Mas me segurei até a hora da saída. rs

Então, quando me viu de longe ela veio correndo com gosto, se pendurou no meu pescoço e me agarrou, parecia até que ela sabia do meu desespero! Que alívio! Que emoção!

Voltamos pra casa e passei o resto da tarde/noite pedindo – e ganhando sem pedir – muitos abraços e beijos dela.

Mais tarde, antes do banho eu precisava cortar sua franja e ela começou a insistir pra que eu cortasse o cabelo todo. Fui cortando e Cecília pedindo pra cortar mais e mais curto! Ela queria na altura da orelha e eu dizendo que não conseguia, que não confiava, mas ela continuava pedindo.
E aí me caiu a ficha: ela confia! Em mim! Totalmente!

Mesmo quando eu explodo. Mesmo quando “eu chovo” nela. Ela confia seu cabelo Chanel nas minhas mãos, como confia seu abraço no meu e sua vida inteira em mim!

Ufa!!!

Caramba!!!

Que forte isso! E que lindo e que rico e precioso e gratificante!
E que baita responsabilidade!

Escrevendo agora percebo que é porque ela confia que eu posso querer ser – e sou – melhor! Ufa!

O mínimo que posso fazer é tentar merecer e retribuir essa confiança, né?!

Por ela. Pra ela. Por nós. E por mim.

Que importante é ser amada e acreditada com tanto coração, não é?!

❤️

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O cabelo novo – que mesmo com muita confiança dela, não tive coragem de cortar na altura da orelha..rs

“Um retrato antigo”

Hoje eu fiz minha unha. Eu mesma fiz. Lixei, lustrei, tirei cutículas, passei base and pintei de vermelho! Tudo eu. E tudo hoje!

Eu tava com uma saudade danada de fazer isso. Sozinha. E em um só dia. E terminando o dia com as unhas vermelhas brilhosas! Sem precisar dividir essa tarefa entre todos os dias da semana, uma coisa por vez, nas poucas horas que podiam ser separadas pra isso, sem as crianças por perto (e terminando tudo quando a primeira parte já tá precisando ser refeita..rs).
Hoje consegui fazer tudo enquanto eles brincavam – primeiro sozinhos e depois com os tios.

Como eu disse antes, esse ano é ano de reencontro com a minha identidade. E fazer minhas próprias unhas é parte desse caminho. Pode parecer fútil, mas é parte de quem eu era antes de ser mãe.

E enquanto escrevia essas palavras aí em cima me dei conta de que tudo isso talvez esteja marcando, enfim, o final dos meus puerpérios! 
(Pra entender mais sobre esse final “tardio”, recomendo esse episódio aqui do podCast “GNH – Gerando Novas Histórias”)

Recentemente notei que há muito estou desconectada da minha maternidade, do caminho que comecei a construir lá atrás, das escolhas que fui fazendo e da mãe que eu gostaria de ser. Percebi também que essa desconexão é o principal motivo das travas que nos últimos tempos (anos?) bloqueiam textos deveriam ter estado aqui no blog.

Mas aí o tal puerpério veio chegando ao fim, eu fui me reencontrando comigo mesma. Os dois filhos estão passando as tardes na escola e eu estou “sobrando” com 3 horas “livres” quase todos os dias.

E é muito curioso: ser mãe de dois, pra mim, significou me afogar na maternidade. Estar O TEMPO INTEIRO sendo mãe de alguém – e de “alguéns”, no plural – me sufocou. Foi pesado. Foi difícil demais!

Mas foi esse mesmo tsunami que me trouxe a necessidade de voltar a ser outras coisas, além de mãe.

E agora que os dias estão mais fáceis – mesmo quando os pequenos estão aqui!  – que posso me reencontrar e me redescobrir outras coisas… Agora que eu estou voltando a caber no meu próprio tempo e no meu próprio espaço – mesmo que eu ainda não saiba muito bem o que fazer com eles …

Agora posso voltar a olhar pra eu-Mãe, olhar pra minha maternidade! Posso me reconectar com meus desejos, meus princípios, meus “planos maternos”!
Posso até voltar a escrever sobre isso tudo, vejam só!

Posso fazer minha própria unha AND ser uma mãe melhor AND escrever sobre ser mãe AND escrever sobre (AND) ser outras coisas! (o que, gente?!?!?!? voltei pra esse buraco antigo! hahahaha)

Que delícia de momento!!!

ps. importante:  esse texto foi totalmente inspirado pelo incentivo de um amigo querido, escritor (e empreendedor e pai) que eu admiro DEMAIS e que voltou a me colocar nesse lugar de “escritora”, que eu tinha também perdido nos meus caminhos dos últimos tempos … Ferdi, acho que nunca vou poder te agradecer o suficiente por isso, mas, serião: Obrigada!!!!!

“Um sentimento muito mais servil”

Hoje às 12:15 eu estava esbravejando o quanto estou cansada e não aguento mais brigar, ensinar, repetir, pedir, tirar, separar, gritar…

Tava naquele estado em que me arrependo dessa escolha maluca de ser mãe em tempo integral, em que me arrependo de ter tomado pra mim essa responsabilidade tão grande de botar (DUAS) gente(s) do bem no mundo…

Tava exausta, com vontade de deitar em posição fetal e ficar quietinha ao invés de ter que seguir tocando o dia…

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Aí às 12:22 eu tava vomitando arco-íris, não me aguentando de tanta fofura com essa cena:

E depois de novo às 12:51

Cecília morrendo de orgulho.

Dante “morrendo de diversão”.

E eu olhando de longe e pensando: que sorte eu tenho! Que bom que posso estar aqui vendo de camarote essa relação se construir e essas pessoinhas pentelhas virarem gente que sabe viver junto, sentir e expressar afetos (e tantas outras emoções), ensinar, aprender, brigar, se entender…

Que sorte a minha ter sido maluca e tomado essa decisão que no dia a dia é tão difícil!

Um sorriso deles ou um abraço deles não me fazem esquecer todo o cansaço e toda dificuldade – faço questão de frisar!

A vida anda punk e eu não acho que pequenos charminhos compensem tudo.

A escolha é muito maior, o buraco é muito mais embaixo e o “objetivo” é muito mais complexo.

O caminho é esburacado, cheio de “chorar em posição fetal”, tanto quantos arco-íris vomitados por aí… tem dias que a balança pende mais primeiro lado, em outros dias, pende pro outro…

Existem momentos de equilíbrio, nunca dias de equilíbrio.

Mas essa é minha escolha! E eu achei que tava precisando vir aqui me lembrar dela por escrito!

Por eles:

E por ela:

“Pra você dormir”

O Dante quando passa por qualquer crisezinha, doencinha, dentinhos insuportáveizinhos nascendo, saltinho de desenvolvimento…enfim, qualquer mudancinha, gigante ou banal, faz quase como todos os outros bebês e recorre à sua base mor, a mamãe!

Disse “quase” porque o bichinho aqui leva essa história de base ao pé da letra e nessas fases eu viro, literalmente, colchão dele!

O que é tão delicioso quanto cansativo! Dia e noite, soneca ou sono profundo: só duram em cima de mim !

E eu deixo mesmo! Deixo e aproveito! Fico lá cheirando, acariciando… às vezes fico lá olhando no relógio e pensando nas outras coisas que eu podia estar fazendo (tipo dormindo..rs), mas sempre que posso, deixo!

Normalmente quando não posso a causa tem nome e sobrenome (Irmã Mais Velha) e o que acontece é que ele fica sem dormir o suficiente e aí é caos e chororô na certa… por isso se eu posso:

Minha conclusão dessa semana é que preciso aprender uma técnica pra mergulhar em sono profundo e não ficar acordando cada vez que ele rola de volta pra cama pra em seguida acordar outra vez dois minutos depois quando ele acorda pra subir de volta no colchão aqui…Aí acho que conseguiria até quase ter uma noite de sono mais ou menos dormida…rs

“E (quase) tudo que eu queria fazer”

O termo "menas main" deve ter surgido junto com a blogosfera materna "de raiz" há alguns anos e certamente se beneficiou do boom das redes sociais pra fincar o pé nesse nosso imaginário maternal compartilhado.

Mas apesar do termo ser recente, tenho certeza que o sentimento não é. Qualquer mãe, de qualquer tempo, conhece bem essa sensação de que podíamos estar fazendo mais e melhor, de que já fizemos melhor antes, ou de que estamos fazendo TUDO ERRADO MESMO!

Quando eu tinha só a Cecília, me sentia assim de vez em quando… mas eu tinha tempo e energia pra ler, blogar, conversar, melhorar o que eu achava que estava ruim… e eu sempre conseguia mandar a danada da sensação embora!

Mas depois da chegada do Dante eu e o "Espírito da Menas Main" viramos muito amigos! Visitas frequentes, altos papos, muitas noites insones… não dá nem pra estimar a frequência dos questionamentos próprios e das críticas enormes em relação a minha própria maternidade que o tal amigo me trouxe. Mas ok, vamos seguindo assim…

Acontece que hoje esse espírito de porco não me acompanhará à noite! Hoje eu vou passar a noite feliz! Vou passar a noite me sentindo foda!

Porque o dia foi uma belezinha!

Apesar de o Dante ter acordado mais de 20 vezes a noite (literalmente, não é jeito de falar, mais de 20!) Apesar de a Cecília ter dormido mal, acordado cansada, chorado, esperneado e gritado comigo muitas vezes ainda de manhã. Apesar de hoje ter de novo pintor e sujeira aqui em casa. E do frio e das doenças de todos no impedindo de sair por aí pra respirar ar fresco.

Apesar de mil circunstâncias, mil gatilhos que poderiam ter me esgotado, me feito explodir e gritar e chorar e me descabelar… apesar de tudo isso, o dia foi uma belezinha!
Eu contornei os pesares e fui a melhor mãe que eu poderia ser – que não é perfeita, tem muitos defeitos, mas é muuuuuuito melhor do que a mãe que eu venho sendo na maior parte dos dias! Fiz as coisas como eu gostaria que elas fossem feitas!
Não me perdi de mim!
E até consegui sair pra "correr", trabalhar no meu projeto (surpresa!) e blogar, vejam que dia completo! 🙂

Que delícia essa sensação de terminar o dia redondinho, com tudo no lugar e se sentido foda!!!!

Mas não tô escrevendo sobre aqui por ser um acontecimento super extraordinário ou por ser a primeira vez.
Apesar de não ser a realidade de todo dia, não é lá tão excepcional assim…

É que algumas postagens que acompanhei hoje me deram vontade de me exibir, me ensinaram a importância de me valorizar, de me comemorar!!!
E por isso vim aqui dizer que hoje estou me sentindo uma mãe foda!!! Vim deixar registrado! Vim chamar outras mães pra comemorar e compartilhar esse sentimento! Incluindo eu mesma, quando o dia não for tão redondo e eu correr o risco de me esquecer disso! 😉

“Pivete”

Eles (nós) dormiram hiper mal a noite. Não dormiram (mimos) a soneca de sempre durante o dia. Tentei aproveitar o dia escuro e curto pra colocar todo na mundo na cama bem mais cedo. Janta, dente, pijama, história, mamá… Tudo parecia correr bem, mas, aparentemente, Dante resolveu não dormir NUNCA MAIS NA VIDA dele. E, claro, incita a irmã a se rebelar junto! Olhem as caras de meliantes!

Eu sei que deve ser um daqueles saltos de desenvolvimento dos brabos, o bichinho tá aqui andando pela casa inteira, enrolando a língua tentando imitar sons, aprender novas palavras, uma belezinha e tal… E eu sei que vai passar! Mas oh, eu bem que chorei de desespero hoje, viu?! e não foi só uma vez! rs

 

Depois de ser abandonada na cama pelos dois que fugiram do quarto às gargalhadas, me rendi, vim aproveitar pra blogar (e saber das novidades bombásticas da política brasileira! rs) enquanto os dois não conseguem decidir se estão animadões correndo pela casa ou exaustos chorando em cima de mim! (tudoaomesmotempoagora, claro!)

 

Ah! Pelo menos, apesar do caos aqui dentro, hoje o dia foi decisivo e produtivo nas pendências dessa vida de recomeçar outra vez…

 

 

“Vou excluir você do meu facebook”

Já perdi a conta de quantas vezes, desde que engravidei, respondi perguntas sobre o ciúmes da Cecília…

Costumo dar uma resposta meio padrão (mas verdadeira…rs) tipo “ah, ela tem, né?! Normal.. nada grave..”
Mas deixa eu contar uma coisa aqui pra vocês: eu descobri que muito mais do que ciúmes do irmão, Cecília tem “ciúmes” é do meu celular, das redes sociais, dessas coisas que insistem em nos roubar do aqui e agora!


Notei que 90% das vezes em que Cecília fazia arte pra chamar a atenção eu não estava – como espera o senso comum – me derretendo de amor e atenção pro caçula… não! As melhores estratégias dela de “para o que tá fazendo e olha pra mim” vinham (vêm, na verdade) quando eu estava/estou é muito da distraída no celular!

Fiquei mal quando percebi! rs

Comecei a olhar de vez em quando a cena de longe e ver que muitas vezes eu estava lá com meus filhos,  mas sem estar ali na verdade, sabem?!
Comecei então um processo de (tentativa) de desintoxicação!

Mas, olha, não é fácil se livrar desse vício! Rs

No começo eu vivia me enganando que tava funcionando, mas não tava! Aí tomei medidas drásticas (hahahaha) e na ida pro Brasil apaguei o facebook do meu celular! (porque no fundo o facebook é o que toma mais tempo e me prende numa atualização de feed sem fim)

Foi ótimo, foi fácil, não senti (muita) falta… mas nas férias é fácil ficar desplugada, né?!

Em uns 10 dias de volta pra casa e eu já tava entrando, várias vezes por dia, no facebook pelo Safari do celular, mesmo sendo uma porcaria! rs
Enfim, percebi que tinha recaído (reconhecer o problema é sempre um primeiro passo, né?! rs) e por isso agora tô aqui me comprometendo publicamente (hahahaha) a ficar limpa de novo! 😝

E fazendo essa provocaçãozinha: quanto tempo de convivência real sua vida virtual tá roubando de você e das pessoas a sua volta???

“Disfarçando as evidências”

Continuando a linha de sincericídeo à qual este blog foi introduzido aqui, hoje venho publicar um dos textos mais difíceis que já escrevi.

Um texto que está entalado faz um uns bons meses. Extremamente honesto, doído, que tem boas chances de ser visto com maus olhos por algumas pessoas – e eu lido mal demais com esse tipo de coisa, gente, morro de medo do que os outros vão pensar, sou franga, odeio discussões e etc ..rs

Então peço algumas coisas: que tenham paciência pro textão, que leiam com o coração (ou não leiam) e que sejam delicados nas “avaliações” e possíveis comentários …
Dito isso, vamos pro lado feio da força (rs):




Eu sempre ouvia e lia as mães de dois ou mais filhos falando sobre como a maior dificuldade do segundo pós parto era a saudade do mais velho e a culpa por não poder dar a ele a atenção que gostaria de dar, portanto era isso que eu tava esperando que acontecesse por aqui…Mas não foi o que aconteceu.
Quando o Dante nasceu o Lucas não estava trabalhando e minha mãe veio passar umas semanas com a gente. O plano era que os dois ficassem focados  na Cecília, pra que ela fosse super acolhida e eu pudesse me dedicar bastante ao bebê.

E a inocente aqui super acreditou que seria simples assim, que Cecília ia querer aproveitar muito a vó e o pai e ia esquecer que tinha mãe. Mas, óbvio, não foi.
Nos dois primeiros dias até que ok… mas logo acabou a graça da novidade e ela passou a exigir e precisar de mim normalmente, como sempre tinha sido até então.

Acontece que eu estava vivendo naquela bolha linda e maluca com meu recém nascido e eu não queria sair dela! Queria ficar ali, aninhada com ele e não precisar fazer mais nada da vida.

Só que as demandas da Cecília me faziam constantemente ter que sair da bolha. E quase toda vez que isso acontecia eu sentia raiva.

R-a-i-v-a !

Da minha filha de menos de 2 anos e meio que só queria a mãe dela.
Pah! Toma essa!
A raiva trazia também, claro, culpa. E vergonha.

Eu me sentia um monstro!

Nunca ninguém tinha me contado que eu poderia sentir isso! Eu me perguntava: “porque ninguém me avisou de um negócio tão forte assim?? Será que só eu sinto??Cadê a saudade de que todo mundo falava?? Cadê a vontade de ficar lá com a mais velha??”

Não tinha! Eu só queria meu bebezinho! Eu só queria ser deixada em paz com ele.

Era, claro, uma coisa nada racional. Tô falando aqui de um sentimento profundo, de um negócio meio de bicho mesmo, instinto de preservar o mais indefeso, sei lá…

Racionalmente eu sabia que a Cecília precisava de mim, então eu saía da tal bolha para atende-la, mas a raiva ia comigo, a empatia não chegava e eu me sentia um lixo.

Acho que o Dante já tinha mais de um mês quando, conversando com uma amiga, descobri que eu não era a única mãe a sentir isso. E, putz, que alívio!!!

Essa descoberta me fez poder aceitar tal sentimento como ele vinha, até pra poder processa-lo e lidar com ele de outra forma. Depois fui conseguindo falar um pouco sobre isso com outras pessoas e assim fui descobrindo que é um sentimento meio comum, mas muito tabu – provavelmente por isso ninguém tinha me avisado, né?!
Tão tabu que eu fiquei meses com esse texto entalado, precisando sair – mas sem encontrar coragem pra soltar …

Porém eu tenho certeza que o “ninguém me avisou sobre isso” foi um fator de muito peso em tudo o que eu vivi. Então sinto que agora eu preciso compartilhar. Preciso avisar (a quem interessar possa..rs) que isso pode acontecer e que sentir-se assim não te transforma em um monstro!

Afinal, sentir “tá liberado”. É no agir que a gente deve se cobrar, né?!
Aos poucos as coisas foram se ajeitando por aqui, eu fui me reapaixonando e me reconectando com a Cecília… eu conseguia sair da bolha ou conseguia encontrar espaço na bolha pra ela também!

Não que a gente viva agora num mar de rosas diário…rs Como diz a querida Daiana, puerpério é mar de lama – e o meu ainda não acabou… E maternidade é um negócio difícil à beça…

Mas estou aqui, diariamente buscando o equilíbrio nessa nova dinâmica de familia maior. Alguns dias encontro mais, outro menos. O importante é saber que há espaço pra todo mundo – e digo “espaço”, porque do amor pra todos eu sempre soube e nunca duvidei! 😉

 

“Te vejo dormir”

Estava aqui me perguntando o que raios acontece dentro da gente quando nossos filhos dormem.
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Não deve acontecer só aqui em casa…

 

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Eu olho pra esses olhinhos fechados, escuto a respiração profunda e sou arrebata (ainda mais) por um amor visceral! Uma coisa louca! Uma vontade, física, irresistível, de cheirar, de acariciar, de beijar (sim, mesmo correndo o risco de acordar os pobres coitados), de ficar ali olhando, namorando, velando o sono… uma força de amor tão forte, que vem como uma onda da qual eu não posso (e nem quero) escapar. Todos os dias. Quando eles dormem.
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Cheguei a conclusão de que deve ter uma explicação.
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Uma explicação muito maior do que o óbvio “quando eles estão dormindo não dão trabalho, não choram, não se fazem de desentidos, não fazem cocôs explosivos…” rs

 

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Acho que deve ser uma coisa evolutiva. Assistir nossas crias dormindo deve ativar esse gatilho de amor louco pra garantir que esses filhotes descansando tão lindamente não ficarão sozinhos e abandonados, expostos aos perigos da natureza enquanto a mãe está caçando o almoço ou tomando um banho de espuma!
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Aposto que Carlos Gonzalez concordaria comigo! 😉

 

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