“Só nos resta aprender”

Não sei se vocês viram, mas está rolando nas redes sociais a campanha “#SetembroAmarelo” pela Valorização da Vida, campanha de conscientização sobre o suicídio.

Um dos movimentos dessa campanha foi a seguinte “corrente” do facebook:

Comente um “💛” e eu te falo algo que acho bonito em você. 

#SetembroAmarelo
Eu não costumo entrar nessas brincadeiras de “corrente”, mas essa eu já achei fofa logo de cara!  Achei bonita a proposta de oferecer um elogio. Achei lindo e acolhedor isso de oferecer ao outro um olhar gentil sobre si!

Aí minha curiosidade falou mais alto e acabei comentando o 💛 lá no post de uma amiga.. e foi tão gostoso receber a resposta e acompanhar as outras respostas que ela tava dando…que fiquei com vontade de postar também!

Demorei ainda um dia pra postar porque fiquei com medo de não ter controle sobre quem viria comentar, medo de não conseguir responder pra todos…

E então percebi que ter que procurar algo bonito nos outros seria também um excelente exercício pra mim… abrir nosso olhar pra beleza é tão importante quanto desafiador, afinal!!
E, gente, que delícia que está sendo!!!

Ontem e hoje terminei meu dia respondendo os 💛 postados! Olhando pra cada pessoa que comentou e colocando em palavras o que admiro nelas! E como se o exercício em si já não fosse bom o bastante, ainda estou recebendo respostas cheias de carinho e gratidão!!
Isso está me fazendo um bem tão grande que vocês nem imaginam!!!

Tanto que me deu vontade de fazer mais disso!!!

Me deu vontade de fazer disso um projeto, mas ainda não sei bem como…

me lembrei do que o Pedrinho fazia no “A Olho Nu“, quando além de fotografar, fazia aqueles textos maravilhosos sobre as mulheres retratadas…

Pensei em algo do tipo: te mostro em imagem e em palavras o que vejo de bonito em você! O que vocês acham da ideia???  Aceito e preciso de opiniões e sugestões !!!rs E, quem sabe, parcerias!!

Ah!! E deixo, claro, o convite pra vocês também fazerem esse exercício por aí! 

“Não espere por mim de dia”

Um negócio que me angustia é querer escrever e não conseguir… Outro é não conseguir manter esse blog ativo como eu gosto…

Tô devendo (pra mim) o post de despedida do Chile. E o post da chegada em São Paulo. E vários outros que estão “pendentes” (na minha cabeça..rs) faz tempo…
Tô perdendo um monte de posts de blogs amigos que adoro.. alguns até consigo ler sem parar pra comentar, outros nem vejo que saiu post.. 😦

Acontece que em meio ao turbilhão INTENSO de emoções e de bagunças que está sendo essa mudança há também um monte de compromissos que nos esperavam no Brasil e, principalmente, uma bebéia no auge dos seus quase 9 meses, em plena crise de “angústia de separação” mesclada com uma vontade imensa de ser independe e sair explorando o mundo por aí (contanto que eu esteja do lado, sem encostar muito, mas sem dar atenção pra mais nada, sabe como?! Dia e noite, dia e noite…sem parar!!!

Honestamente, não sei como outras mães (ou babás) fazem pra dar conta de tudo sozinhas! Admiro cada dia mais quem consegue! Eu, já está claro, não consigo!

Tenho recebido ajuda no resto, ainda bem, mas esse canto aqui é só meu… Parece que preciso me reinventar, descobrir uma nova forma (acho que outra HORA, na verdade) pra voltar pra cá…!
Preciso E VOU!!! (óia eu já escrevendo quando deveria estar dormindo…rs)
Prometo! pra mim e pra quem mais estiver com saudades nossas 😉

“Me espera”

Ando meio blerg, meio nhé, meio argh, meio blá, meio…

Me perdi das palavras, me afoguei em intensidade.

Vivo alterações bruscas de humor.

Amo intensamente, mas ja fui visitada algumas vezes por aquela vontade de fugir para as montanhas (que aqui, aliás, estão lindamente na janela me convidando).

Talvez seja sintoma de gripe. Ou de saudade. Ou de amor. Ou de maternidade. Ou de cansaço.

Acho, na verdade, que estou vivendo um puerpério tardio. Sentindo e experimentando agora, e com força, tudo aquilo que sempre li que atropela as novas mães – mas que por aqui passou tão batido à sua época.

Há que se provar o gosto pra saber…

Mas eu volto.
Talvez seja preciso um resgate, mas eu volto. “De novo e sempre, feito viciada”.

“Me espera”

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“Eu quis dizer:”

Ainda naquele papo de “conversas sobre parto que rolaram no Brasil”, uma coisa me chamou a atenção: eu tenho essa mania de ficar aqui, escrevendo do lado de cá da Cordilheira e pouco conversar sobre meus textos, de maneira que acabo esquecendo que à palavra escrita falta o tom e sobra brecha pra interpretações…

E aí que, curiosamente, em mais de uma dessas conversas me surpreendi com o que algumas pessoas absorveram do meu relato de parto
Houve quem disse ter ficado com mais medo de parto normal, quem ficou mais satisfeita com a própria cesáreas eletiva e quem leu “muito sofrimento” no meu texto!
Não achei ruim ouvir essas opiniões, mas fiquei MUITO surpresa, mesmo!, e até fui reler o relato pra procurar o que essas pessoas tinham visto e eu não…
(aceito novas opiniões e pontos de vista, aliás, sempre!!rs)

Eu achei que tinha ficado claro nas vezes anteriores que falei sobre o assunto. Eu acho, aliás, que já disse isso aqui.

Mas depois das surpresas dessas conversas, me deu vontade de repetir, com todas as letras, sem deixar espaço pra mal entendidos (se é que isso é possível na comunicação humana! rs).

E não é que eu queira convencer ninguém de nada, não! O que eu quero é esclarecer mesmo como é minha relação com o fato de ter tido um parto natural!

Assim, oh:

– Eu não sofri no meu trabalho de parto, nem no parto!
– Não sofri! Nada!
– Não me arrependi da escolha nem por um segundo, nem durante nem depois do evento!
– Foi lindo, lindo, lindo!!
– Foi a experiência mais transformadora da minha vida!
– Foi a experiência mais intensa que já vivi, a mais cheia de sensações e emoções!
– Não vejo a hora de passar por isso de novo (apesar de não ter nenhuma pressa em ter o próximo filho – vai entender…rs)
– Gostaria que todas as mulheres pudessem passar por isso!
– Gostaria, aliás, de poder vivenciar esse momento junto a algumas queridas que vão agora por esse caminho [sim, quero estar presente no parto de tod’azamiga! Hahahahaha Ja falei que sou a louca do parto, né?! (Se eu virar doula e criar um blog e uma empresa com esse nome, será que faz sucesso? “Gabi, a louca do parto”?! Hahahaha)]

Será que ficou claro agora? rs

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Quando entrar novembro…*

E novembro chegou chegando!
Ufa!
Depois de um outubro de paralisação interna, de bloqueio total e daquela sensação de “nunca mais na vida vou ser capaz de escrever” ou de sair de onde estou, chegou novembro!
E em apenas dois dias já deu pra sentir que ele trouxe consigo um pouco de fluidez, na vida pessoal, acadêmica e, por que não, profissional!
Acordei hoje borbulhando, vazando idéias! Tanto que, só hoje, já escrevi três textos! Sim, três, que transbordaram de mim, a mão, no meu caderno, porque precisavam sair naquela hora e pronto!
Ufa!

Um já está publicado aqui: Sob que máscara
Corre lá!

Beijos e um novembro de muito movimento pra todos!

*O título de hoje não está copiado, mas sim parafraseado…rs

"Me cansei de você"

Minha escrita anda travada.
Acho que cansei de bater tanto na mesma tecla… e as últimas coisas que escrevi – que fugiam do assunto de sempre – ficaram bem mal escritas!

Escrever estava sendo minha maneira de esclarecer, de limpar a cabeça, enxergar melhor os pensamentos (literalmente, já que aí eles estavam na tela pra serem “vistos” e lidos).

E estou em um momento de não querer pensar. Um momento em que minha vontade é simplesmente sentir, sem ter que entender o porquê.

Eu disse que briguei com o Freud, e é bem isso esse momento. Depois de tanta tempo de análise é difícil se desvencilhar desta forma de pensar. Sempre procurando um significado mais profundo, um motivo escondido, uma razão obscura, um porquê antigo, uma repetição sintomática…

Cansei!

Tô com vontade de levar a vida mais leve! De querer uma coisa só porque estou com vontade dela. De não saber de coisas grandes da vida, simplesmente porque eu não sei. De odiar um lugar porque o lugar me dá motivos, não porque eu sou problemática.

Queria ser mais simples, mais normal, mais comum… Cansei de ser assim, confusa, complexa

Será que é possível? Será que dá pra girar um interruptor na cabeça?
Não pra desligar de vez – até porque sinto bastante falta de escrever – mas pra tirar os ruídos e deixar a parte bonita e sossegada…Será?

"e a sociedade não gosta, o pessoal acha estranho…"

Durante alguns anos de minha adolescência estudei teatro e tinha muita vontade de seguir a carreira de atriz. Atriz de teatro!
Muitos dos amigos da escola e a maioria dos familiares não entendia muito bem essa última parte. Se eu dizia que estudava teatro a resposta era sempre: “e quando vou te ver na globo???”
Eu achava engraçadinha tal postura, dava risada e respondia alguma coisa que agradasse o lado de lá da conversa –  e que não me desse muita dor de cabeça!
Nesse período não me incomodava “perder” os sábados inteiros no Macunaíma, pelo contrário, eu amava aquilo e se pudesse ir mais vezes, ensaiar mais dias, ficar mais tempo lá..melhor!


Quando estava no final do terceiro colegial um professor da escola de teatro recomendou que eu procurasse uma agência, porque ele achava que eu tinha uma “cara muito boa para televisão”… sem levar aquilo muito a sério, fui atrás da tal agência, fiz uma espécie de book e alguns testes para publicidade; até que fui aprovada para fazer uma propaganda (não me lembro de quê)! 
Mas tinha um detalhe: a gravação seria no mesmo dia que a apresentação de um trabalho final do colégio, que valeria nota x2 para todas as matérias. 
Nesse momento fiz uma escolha e acho que só agora entendo o tamanho e a importância dessa escolha. Estamos cansados de ouvir as histórias dos atores mirins ou jóvens que perdem aula e ficam mudando de escola para poder dar conta da carreira… Eu não sabia exatamente o que viria na minha vida depois daquela propaganda, mas decidi que abriria mão disso para poder apresentar o trabalho no colégio e me formar.


Quando fui pro cursinho ganhei mais responsabilidades, mais amigos, mais “juventude” e aí sim passei a ver os sábados de Macunaíma como “perda”… me irritava não estar na aula super especial do Zé Emílio ou perder o churrasco na casa do tal amigo porque tinha que ir pro teatro e aí tomei a segunda decisão importante da minha vida profissional: saí do Macu com pouco mais de um semestre faltando para a conclusão do curso…


E a junção dessas duas decisões formaram o molde do passo seguinte: mudei de idéia também sobre prestar vestibular para Artes Cênicas. 
Instaurei em mim uma espécie de preconceito que eu já conhecia dos outros: na hora do vestibular eu teria que escolher uma “profissão”, alguma coisa mais acadêmica, com horários fixos, que não me roubassem o fim de semana, que não me confundisse a rotina… De repente, pra mim mesma, o diálogo de “O que você faz?” – “Sou atriz” ganhou aquele ar de estranheza que tantas vezes senti nos outros.


Aí escolhi estudar Terapia Ocupacional. Suspeitava que a TO teria a parte acadêmica – e socialmente bem vista – de “profissão na área da saúde”, me possibilitando ainda explorar e trabalhar a parte artística que tinha descoberto anos antes no teatro… Mas me deparei com o diálogo do “O que você faz?” piorado à sétima potência!
Ninguém nunca soube do que se tratava a Terapia Ocupacional e a sina do profissão – e a maior crise de seus estudantes – era ter que ficar se explicando, se justificando, reforçando a própria identidade e importância.
Me deixava louca aquele chororô de “ninguém sabe o que é isso que eu faço” e mais de uma vez fui mal educada com respostas do tipo:”então explica, mostra sua importância e pára de chorar!”


Aos poucos fui descobrindo que a TO não tinha espaço para minha “veia artística”(hahaha), mas sim para a expressão terapêutica dos pacientes… e isso não era suficiente! Assim como ter pacientes, por si só, não era nem um pouco fácil pra mim. 
Acho que tive que entrar numa profissão com crise de identidade para voltar a questionar a minha própria identidade…


Bom, se teatro era alternativo demais e TO acadêmico demais… qual seria minha alternativa?
Ainda não sei muito bem explicar o porque, mas encontrei no Audiovisual o meio termo… e outra crise!


Acreditava que no AV existiriam alternativas: pode-se ser muito “artista”, mas tendo a possibilidade de ter um contrato com contra-cheque no final de todos os meses. 
Só que, de novo, cai em outra profissão em crise. Crise “pessoal” (se é que se pode dizer isso de uma carreira), não só de mercado.
No AV além de ninguém de fora entender muito bem o que você faz (aqui volta a pergunta do “E quando vou te ver na globo?”), o chororô é quase uma exaltação da escolha: “a vida de profissionais dessa área é ingrata, inconstante, pobre e etc; mas nada disso me importa, porque faço isso com amor”!


Pois é, audiovisual era minha alternativa possível, meu meio termo…nunca meu amor… talvez por isso a crise do “preciso encontrar algo que eu ame fazer” bateu tão forte em mim durante esse percurso!


Aí eu comecei a escrever sobre essa crise, a escrever sobre a vida, a escrever sobre as mudanças, sobre os sonhos, as saudades, as novidades… Escrever muito, além de passar uma porcentagem muito grande do dia lendo.


E assim descobri, ou redescobri, um encantamento enorme por essa forma de expressão. Descobri facilidade, satisfação, críticas positivas (crítica de família e amigo conta nessa etapa..hahahaha)… Descobri até uma simplicidade em me expor que nunca antes tinha imaginado que poderia ter!


À ponto de pensar mesmo em levar a sério essa nova brincadeira de escrever!
(quando estávamos arrumando as coisas para ir pra Portillo e Mendoza eu disse pro Lucas que não sabia se levaria meu computador e ele, muito fofo, respondeu: “leva, claro…vai ficar sem seu instrumento de trabalho?” =D )


E nesse momento vem aquele monte de questionamentos meus: o que que eu estudo pra ser escritora? Preciso de diploma? Se sim, o que eu já quase tenho ou outro? Como posso querer ser escritora sem ter lido tantos clássicos importantes? (estou providenciando a compra de alguns…rs) Como vou fazer pra ler tanto? De onde vou tirar tempo pra levar a escrita a sério? Dá pra ser só isso na vida?


Roubando palavras da amiga Mandy, “ser escritora” combina com o estilo de vida que quero ter – no meu espaço, no meu tempo, do meu jeito – sim, sim…respeitando alguns prazos e regras e tal, eu sei! (rs), mas na minha!


Parece promissor!








E hoje minha mãe me indicou um texto muito bacana sobre a profissão de “escritor”, leiam: Traje para a jornada de trabalho: calça de moletom
Ele traz, na figura do outro, a maioria das indagações que eu mesma faço sobre essa nova possibilidade, o que já seria suficientemente interessante. 
Mas depois dessa leitura não consigo deixar de pensar: estou de novo entrando num caminho profissional que tem crises com “a visão do outro’?!?! OMG! hahaha


Freud explica….
hehehe




Beijos!

"Veja as coisas como elas são"

Ontem escrevi inteiro e, mais importante do que isso, publiquei meu primeiro texto de ficção!


Já faz alguns meses que vinha sentindo vontade de levar esse desejo de escrever sobre tudo pro campo do imaginário, do i-real e su-real, e apesar de ter uma ou outra vez sentado pra começar a escrever algo assim, só ontem isso realmente se concretizou.


Antes um texto meu de ficção era só ficção, era um desejo que eu não sabia onde ia dar…
Mas ontem eu sentei, comecei a escrever e a coisa simplesmente saiu! Fácil, simples, natural, como se ela já estivesse lá pronta há muito tempo, só esperando pra sair!
Usei nele umas duas pequenas idéias que me acompanhavam nesses meses, mas a grande maioria foi saindo naturalmente, parecia que cada palavra ia puxando a outra como se não tivesse outro jeito de ser…
E, gente! Que delícia que é essa sensação!!!


Não que nunca tivesse escrito coisas “inventadas” antes. Não. Na faculdade mesmo escrevi alguns roteiros, mas sempre com limitações (técnicas, de produção ou de professor tapado que não entende nada!).
Mas o texto de ontem… não tinha que seguir regra nenhuma (as gramaticais já fazem parte de mim naturalmente…rs), conceito nenhum, nada!
Ele só precisava nascer, passar a existir.. e PUM! Lá está ele! Incrível! Gostoso! Meu!!!


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Como disse aqui ontem, criei um novo blog pra publicar essa ficção – que gosto de chamar de fixão – então peço que dêem um pulinho lá, leiam o “Primeiro Capítulo” texto introdutório e de apresentação do blog e da própria escrita, e depois chequem o tal filho que produzi – dado importante: sem dor de parto! hehehe
Ele se chama “Olívia“, nome também da minha primeira personagem!, e pede pra ser lido!
Se gostar, divulgue! =)


E obrigada pela atenção de leitor agora comum, não mais apenas querido, curioso ou paciente!


O blog: “Sob que máscara”- www.sobquemascara.blogspot.com




Beijos com cheiro de livro antigo

"Noite dos mascarados"

Depois de muito prometer, muito rascunhar, muito apagar… finalmente chega pra vocês meu blog de ficção/fixão: www.sobquemascara.blogspot.com


O nome dele é “Sob que máscara?” e já adianto que será um blog de textos menos realistas e menos escancarados, mas – como bem aprendi com o Kundera – não menos sinceros ou pessoais.


Ainda não sei o que sairá desses textos, ou como eles sairão, mas a idéia e escrever pra ser lida! Por isso peço, desde já, que leiam e divulguem, recomendem aos queridos de vocês, queridos. Se gostarem e sentirem vontade, claro… não estou forçando ninguém a nada! hahahahaha. 
Sintam-se à vontade também pra opinar, dar sugestões, comentar, e essas coisas todas de texto públicos em blogs…rs




Já tem um comecinho de personagem por lá…
Espero que gostem e aproveitem!!!




(Ah! Os que recebem as potagens deste aqui por email podem entrar no “Sob que máscara?” e optar por cadastrar seu email pra receber as postagens dele também…)


Um beijo grande e à todos, bom início de semana!





"Para ver e mostrar o nunca visto; o bem e o mal, o feio e o bonito"

Alguns dias atrás pensei com um pouco de raiva, confesso, sobre essa mania que o cinema adquiriu de adaptar tudo que é livro que sai e faz sucesso.


Disse há uns meses que estava num período de leitura louca; pois o “período” virou quase permanente. Continuo lendo loucamente, um livro atrás do outro e do outro, do outro, do outro…
Independente dos motivos e interpretações disso, tem sido uma experiência ótima, acho que nunca li tanto e tenho aproveitado bastante.

Fui pro Brasil agora com uma mala grande um pouco vazia pra ter espaço pra trazer pra cá um monte de livros. Alguns que meus pais têm e que li durante toda a vida, achei que mereciam ser meus agora; fiz uma super compra num sebo, somei estes com alguns outros meus que já estavam lá e a mala veio cheia!

Pois bem, eu gosto de ler e eu gosto de ir no cinema. Mas as duas coisas separadamente!
Quando fui assistir o Budapeste, adaptação pro cinema do livro do Chico Buarque, dirigido pelo Walter Carvalho, lembro-me de ter sofrido fisicamente, de verdade!
Li o livro umas 8 vezes ou mais e ver na tela a “realização” de tudo que eu tinha construído e imaginado sozinha tantas vezes, foi literalmente doído. Tava tudo errado! Tudo! As imagens não batiam, os personagens não eram aqueles… nem os lugares (que eram reais no filme) eram os certos!!! Foi uma experiência horrível!

Hoje fui no cinema assistir “X-Man first class” e vi antes dele o trailer do último Harry Potter que está pra sair… As imagens de ambos são de tirar o fôlego, as produções muito boas e redondinhas, mas não pude deixar de pensar no esforço que o cinema faz pra colocar em imagem imagens que somos totalmente capazes de construir sozinhos. Pra quê?

Tantos efeitos, maquiagens e o caramba a quatro… pra quê?

A gente estuda no cinema aqueles filmes “clássicos”, naturalistas que querem, mais do que tudo, representar o mundo “exatamente como ele é”. 
Vi hoje na tela o cinema “fantástico”, se aprimorando mais e mais pra tornar “reais” nossas imaginações, pra fazer “palpável” as fantasias “de cada um”.
Aí tem o cinema simbólico, onírico, subjetivo… o que não quer reproduzir a realidade, mas sim expressar as partes “profundas do ser humano”. Mais uma vez, tornar “concretos” na tela grande os sentimentos e situações que todo mundo tem dentro de si.

Sério, pra quê???

Sabe aquele discurso de que as pessoas estão mais burras e menos inventivas, já que as tecnologias de hoje em dia entregam tudo mastigado pra todos e ninguém tem que pensar muito?
Pois bem, acho que o cinema tem contribuído com a “planificação” de nossas mentes! Se está tudo lá, materializado, pra que sonhar? Pra que criar? Pra que gastar tempo lendo e imaginado, se depois alguém certamente vai colocar na tela tudo aquilo que você iria pensar sozinho antes (e desfazer suas imagens, colocando as que seriam a expressão da realidade)?

Pois é. Pra quê?

Claro que eu entendo a vontade que os cineastas têm de contar suas histórias e entendo que o cinema seja mais um meio de comunicação e expressão…
Mas ultimamente aquilo que seriam os grandes êxitos do cinema me dão uma preguiiiiiçaaaa….

Porque aquilo que “dá trabalho” nos meus amigos livros é tão mais estimulante! rs


Eu sei, eu sei…estou em crise com a escolha da profissão no audiovisual e isso explicaria a briga com o cinema… Eu sei, eu sei, é difícil separar as coisas… 
Mas falo sinceramente como leitora e espectadora, mais do que como “realizadora”; até porque tenho me saído melhor em pensar do que em realizar….


Desculpem o gostinho de amargura. Boa noite e ótima semana a todos!

(ps.: Título retirado de um discurso do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, musicado pela Adriana Calcanhotto com o nome de “Por que você faz cinema?”)