“Que é pra me dar coragem”

Maní me ensinou a ser mãe.
Me ensinou a ter filha. Me ensinou a educar respeitando as particularidades do outro indivíduo que ela é. Me ensinou que tem coisas que a gente faz com o coração apertado, mas que tem que fazer.
Fez as minhas voltas pra casa sempre mais divertidas e as saídas sempre doloridas.
Me fez ver que casa arrumada é balela, que importante mesmo é casa feliz.
Me fez perder um monte de nojinhos. Me ensinou que quando filho não come é a mãe quem chora.
Me mostrou que meu marido é também um excelente pai, que pode ser firme (às vezes só ele consegue fazer ela comer), que sabe brincar, que sabe educar e que sabe amar muito!
Maní me ensinou o que é o amor entre mãe e filha.
Foi minha adaptação no Chile; me resgatou pra que eu me mantivesse eu mesma nessas terras extrangeiras.
Me ensinou a olhar profundamente no olho de outro alguém e deixar sair tudo que há dentro do meu coração.
Me ensinou a amar sem vergonha e com intensidade.

Maní foi o primeiro pedacinho chileno do meu coração!

O primeiro de muitos, porque o Chile não parou nunca de me conquistar!

A paixão pela Cordilheira logo virou amor e muitos outros amores surgiram depois disso…

O Chile foi o lugar onde nossa recém formada família floresceu – chegamos cheios frescor e curiosidade e fomos logo fisgados!

Foi onde cheguei cheia de inocência e sonhos, onde quebrei um pouco a cara e aprendi a reconstruir… foi também onde vi sonhos se tornarem melhores na realidade.

O Chile foi o primeiro lugar em que o Lucas era tudo o que eu tinha (antes de ganhar os amigos e o resto da família) e onde nossa relação se fortaleceu e fincou bases sólidas e profundas.

Foi onde brincamos pela primeira vez de dar nossa cara pra nossa casa. Foi onde vivemos um presente repleto de novidades, onde sentimos saudades do passado e onde fizemos tantos planos pro futuro.

Aliás, o Chile me trouxe o gosto mais profundo da saudade, de um lado ou do outro da Cordilheira. Portanto, o Chile me derreteu e me ensinou a viver de coração dividido.

Lá eu aprendi a conhecer outra cultura, a respeitar as diferenças; a admirar o novo e a reconhecer o comum entre (meus) dois mundos.

No Chile descobri uma outra vida, diferente da que eu vivia e diferente da que eu imaginava que viveria.
Eu fiz amigos-irmãos que levarei pra vida toda!

Foi onde tantas vezes eu me perdi e me reencontrei.
Onde renasci.
Onde pari.
Onde “morri” menina e despertei mulher, depois mãe.

O Chile foi meu Lar com letra maiúscula.

Mudar pro Chile me ensinou o significado de “desapegar”, de “deixar ir” e de amar à distância. Mudar do Chile foi tipo “exame final” nessa matéria.

Do Chile levei os dois melhores presentes que a vida poderia me dar: minha filhas!

E é por isso tudo, e tanta coisa mais, que os dois estarão pra sempre comigo – agora literalmente!!
Gravados na pele, do lado de fora, como já estavam na minha alma!

“Pra me dar coragem pra seguir viagem”

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“O traçado da Cordilheira como eu via da minha janela terminando no nome da minha amendoizinha!”

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(mandei a ideia e umas fotos pro Luiz e ele fez a arte e a tatuagem! Clicando no nome você será redirecionado pro facebook dele! )

E um ps. importante:

Apesar de a tatuagem não ser diretamente pra eles, eles também estão nela: Cecília está no colorido – antes dela existir eu não aceitava cores nem na minha casa (nada que fugisse no branco, preto e vermelho), quanto mais pra sempre na minha pele! Pica pau sem dúvida trouxe colorido pra minha vida!
E o Lucas foi quem me deu isso tudo aí em cima, né?! O Chile, a Maní, a Cecília… Tudo fruto da existência dele na minha!
=)

"Consta nos mapas"

Parece clichê essa história de que “meu marido é minha base, meu suporte, minha segurança, minha estrutura”.
É clichê mas é verdade, né?!

E no meu caso não é só porque ele tem 2,03m de altura. Nem só porque quando ele me abraça tudo volta ao lugar certo. Ou porque ele é o prático e racional da família.

É por tudo isso, sim, mas é ainda mais literal! Porque, é impressionante: TODAS as vezes que ele vai viajar e eu fico sozinha em casa com a Maní o chão treme!! Literalmente “todas” e literalmente “treme”!!!




É batata: é só estar sozinha que tem um temblor mais fortinho (ou fortão)!!!
E eu já sei disso… tanto que sempre fico na dúvida entre trancar a porta (afinal, estou sozinha) ou não (afinal…e tremer??) rs
Eu já sei, mas não deixa de me impressionar: eita conexão, hein?! Conexão entre nós dois e conexão de cada um de nós com esse país!
O Chile simplesmente sabe, ele sente a ausência dele e minha solidão… e fica tão vulnerável em sua própria estrutura quanto eu fico na falta dele… 
Acho lindo! rs
(pelo menos enquanto não vier não vier um terremoto fortão de verdade! E enquanto as viagens do Lucas forem curtinhas! hahaha)

"Consta nos mapas"

Parece clichê essa história de que “meu marido é minha base, meu suporte, minha segurança, minha estrutura”.
É clichê mas é verdade, né?!

E no meu caso não é só porque ele tem 2,03m de altura. Nem só porque quando ele me abraça tudo volta ao lugar certo. Ou porque ele é o prático e racional da família.

É por tudo isso, sim, mas é ainda mais literal! Porque, é impressionante: TODAS as vezes que ele vai viajar e eu fico sozinha em casa com a Maní o chão treme!! Literalmente “todas” e literalmente “treme”!!!




É batata: é só estar sozinha que tem um temblor mais fortinho (ou fortão)!!!
E eu já sei disso… tanto que sempre fico na dúvida entre trancar a porta (afinal, estou sozinha) ou não (afinal…e tremer??) rs
Eu já sei, mas não deixa de me impressionar: eita conexão, hein?! Conexão entre nós dois e conexão de cada um de nós com esse país!
O Chile simplesmente sabe, ele sente a ausência dele e minha solidão… e fica tão vulnerável em sua própria estrutura quanto eu fico na falta dele… 
Acho lindo! rs
(pelo menos enquanto não vier não vier um terremoto fortão de verdade! E enquanto as viagens do Lucas forem curtinhas! hahaha)

"Sem vergonha e sem juízo"

Não sei se é preconceito velho, romantismo exagerado ou territorialismo bobo, mas esse ano estou muito mais sensibilizada com a data de 14 de fevereiro do que sempre estive com o 12 de junho…

 Não, meus caros, dia 14 de fevereiro não é só “o dia dos namorados no Estados Unidos”…
Aqui, por exemplo, hoje é día de San Valentín, é día de los Enamorados, día de la Amistad y del Amor!

Pode ser que seja só uma estratégia comercial mais inteligente, mas eu simpatizo bem mais com esse dia mais “abrangedor”.

Diferente do dia dos namorados no Brasil, hoje não é dia de os solteiros cortarem os pulsos (ou encherem a cara fingindo que não estão nem aí..rs) porque estão sozinhos. Hoje é dia de celebrar o amor em todas as suas formas!
Na minha timeline do facebook, por exemplo, já vi declarações de amor pra marido, namorado, amiga, gato, cachorro, porco (rs)…e apareceu até uma ilustração fofinha de duas poltronas namorando (?!) hahahaha





Hoje é dia de dizer pros amigos o quanto eles são amados, dia de apertar os peludos da casa e dar um beijo mais especial (mesmo que o peludo seja seu pai ou marido! hahaha), dia de comprar flores, comer muito chocolate e mandar cartões fofos pra quem quiser!

Ano passado meu Día de San Valentín foi estragado por um babaca que resolveu roubar meu celular. Humpf!
Esse ano nada parecido vai acontecer! 

Por isso tô aqui, pra desejar pros meus amados amigos um lindo día de la amistad!
E, não contem pro Lucas, tô também preparando uma noite gostosa e romantiquinha!

Aproveitem aí o dia pra adoçar a vida um pouquinho! Todos nós merecemos um dia desses! =)



Besotes!




"(não) somos números – uhú, ahá"

Pode chamar de boba, babaca o lo que sea…

Mas acabo de ficar mó feliz por ter sido “censeada”!!!

Pensa: o último censo feito no Chile foi em 2002 – que parece que foi outro dia, mas já faz 10 (sim, DEZ) anos!
Nós só vamos ficar nesse país por 2 anos.

E por alguma manobra do destino (exagero? hahaha), o novo censo caiu justo nesse 2012 nosso – do Chile e do casal aqui! 
Fora que a moça resolveu passar no meu prédio justo numa quarta feira (único dia da semana em que fico fora o dia todo), mas tocou minha campainha exatamente 3 minutos depois que eu cheguei em casa!


Não posso deixar de considerar que exista algum tipo de “sorte” no fato de que, apesar da nossa rápida passagem pelo “país tripa”, não vamos passar em branco, estaremos oficialmente nas estatísticas chilenas – pelo menos até o próximo censo!

Não é lindo?! hehehe






"Vai chover, de novo"

Uma das coisas que eu mais gosto em Santiago é a quase inexistência de chuva.

Porque dormir com barulhinho de chuva é uma delícia, mas acordar e ter que ir pra faculdade debaixo dela, passando o dia todo com o pé molhado e tendo que “nadar” pra atravessar certas ruas, além de ser desagradável, já fez parte do meu dia a dia por muitoooos anos! Chega, né?! rs

Pois bem, neste fim de semana Santiago está em “alerta amarilla” pela quantidade de chuva que se espera.
Em abril tivemos um dia chuvoso – em que choveu 15 milímetros – e foi meio caótico, com vários lugares alagados, comunas sem luz, trânsito maluco… essas coisas quem em São Paulo fazem parte da rotina….

Pra esse fim de semana se estava esperando 60 milímetros de água! O povo estava meio em pânico…rs
A cidade não é nada preparada pra chuva! Nada! Os pisos não tem inclinação pra água escorrer (nem na rua, nem nos shoppings, nem em lugar nenhum, arrisco..rs), os bueiros não tem quase vazão nenhuma – e estamos no outono, o que significa milhões de folhas no chão!!! Ou seja, mesmo que chova muito menos, quando acontece, o caos é igual ao das tempestades aí…

Mas o que me impressionou nesse fim de semana foi a mobilização da cidade pra esperar os 60 milímetros!
O governo estava soltando uns pedidos pra que a população só saísse de casa se fosse necessário, colocou equipes de resgate e “desentupimento” em alerta e plantão, fez limpeza e prevenção nos lugares que mais alagaram em abril, montou num estádio um albergue que vai acolher, durante todo o fim de semana, o contingente de moradores de rua que não conseguirem vagas nos albergues já existentes…
Achei tudo muito legal!!! Espero que funcione na realidade e não só nas notícias, né?!

Ah! Quando chove o coração aperta ainda mais pelos milhares de “perros callejeros” que existem nesse lugar… =(
 
Hoje o dia todo ficou feia e chovendinho, nada de tempestade… Pelo que eu li, eles esperam o pior pra essa madrugada, o que eu acho ótimo… no quentinho da minha cama, com a trilha sonora perfeita!

Vamos acompanhar….rs




ps.: enquanto eu escrevia esse post a luz acabou e demorou horas pra voltar, atrasando a postagem…rs

"do lado de baixo do Equador"

Já descemos mais de 1.800km (de carro) e amanhã começamos a subida de volta…

Até agora temos 1.240 fotos!

Saímos de Santiago na segunda feira, dia 02, fizemos nossa primeira parada em Temuco, no dia seguinte Los Angeles e Valdivia, depois Osorno, Entrelagos, Vulcão de Osorno, Puerto Varas, Frutillar, Puerto Montt…hoje atravessamos pra Ilha de Chiloé e já conhecemos Ancud, Cucao e Castro!

É tanto lugar que vamos confundindo os dias, as ordens dos passeios, o que tinha em cada lugar, etc…
Essa é a vantagem de estarmos em grupo (somos 4) fazendo uma viagem longa: ela nem acabou ainda e já estamos relembrando os passos…rs

Muita paisagem bonita e diferente, muita gente simpática, várias experiências novas, muito calor, muitos insetos (malditos Tábanos!!!!!!!!!), muita comida boa – especialmente peixe, muito peixe! – agora um pouco de chuva, MUITA estrada… e um Chile todo novo e diferente do que eu considerava “chileno”!
Experiência mega importante nessa vida de expatriada, explorando mais e mais da tirinha querida que é esse país! (pena que é uma tira muito comprida e difícil de percorrer de ponta a ponta…rs)



Por enquanto vou ficar devendo fotos porque o wi-fi do hostel aqui em Castro está muito ruim…
Aos mais curiosos deixo um convite: dêem um pulinho lá no GoogleMaps pra ver o traçado da nossa rota enquanto esperam nossos pontos de vista!


Beijos e ótimo 2012!

Derrubando com assombro exemplar

Parece que hoje o Planeta Terra acordou com o mesmo humor que eu.
A diferença é que ele descarregou, eu ainda não!


http://www.latercera.com/noticia/nacional/2011/11/680-406712-9-sismo-de-56-grados-richter-afecta-a-zona-centro-sur-del-pais.shtml


http://www.latercera.com/noticia/mundo/2011/11/678-406857-9-fuerte-sismo-de-67-grados-richter-afecta-el-centro-de-bolivia-y-norte-de-chile.shtml

http://www.emol.com/noticias/nacional/2011/11/22/513901/sismo-de-mediana-intensidad-se-registro-en-la-region-de-coquimbo.html


"És mãe gentil"

Qualquer um que tenha irmãos, especialmente mais novos, já sentiu; e os que não sentiram, já viram nos filmes:
“meu irmão me irrita, é uma praga na minha vida, castigo eterno que meus pais me deram, etc, etc, etc… Mas ai de quem se atrever a fazer algum mal pro meu irmão!!! Não sobra nem pedacinho pra contar história, acabo com ele! Falar mal e agredir irmão meu, é privilégio MEU!!!”

Essa semana tive algumas brigas feias com o Chile e tive vontade de voltar correndo pros braços do Brasil. Quem diria, depois das intermináveis comparações de como minha vida é melhor por aqui…

Claro que nos momentos de raiva nem pensei que o Brasil tem uma burocracia terrível, que a violência em São Paulo é medonha, que o trânsito é um pesadelo…
E se nesses momentos alguém se atrevesse a tentar me lembrar alguma dessas coisas, tomaria na cara! Sem dó! Onde já se viu, falar assim do meu país?
Porque nessa semana o Chile é todos os nomes mais horríveis que eu conheço e o Brasil é minha lembrança boa, meu irmão que precisa ser protegido pra que possa me proteger.

Eu e o Lucas não temos planos de voltar a morar no Brasil e me ocorreu, durante essa semana de ódio ao Chilito, que esse plano carrega uma vantagem que eu nunca havia notado. 
Morar fora do Brasil preserva em mim um país “lar”, um colo pra eu ter pra onde voltar em momentos de briga, uma imagem bonita, nostálgica até, desse nosso país tropical, imagem que pode ser despida dos medos, preconceitos e críticas.

Acho que é parecido com quando a gente sai da casa dos pais. Já estamos na vida adulta, cada vez com menos espaço pessoal na casa que parece que não comporta tanta gente grande, irritados com o espaço e cansados das pessoas… 
Nesse momento a melhor parte de sair é poder querer voltar depois. Não voltar de vez, mas voltar pra visitas específicas, pra matar a saudade repentina da comida da mamãe, da camisa bem passada pela empregada, do cheirinho de amaciante na cama limpa, das músicas escolhidas pelo pai…
Saber que ali não é mais seu lar de verdade, mas que é onde sempre estará uma parte da sua história e uma fatia imensa do seu coração.

Imagina então quando essa “casa dos pais” fica justamente nesse “Brasil”?

É bom ter vontade de voltar, é maravilhoso saber que você pode voltar (não consigo nem imaginar a angústia dos exilados), mas talvez, nesse momento, o mais importante seja não precisar voltar. Ter a segurança de que tudo isso está lá me esperando pra quando eu quiser ou precisar e continuar sendo forte pra resolver meus problemas (e minhas raivas) por aqui mesmo, sem correr e desistir de tudo e ficando muito bem com o abraço do marido e o skype com a mãe – colos deliciosos, diga-se de passagem!

"e remove as montanhas com todo cuidado, meu amor"

Estou devendo dois post’s pra vocês e vou sanar a dívida em ordem cronológica, portanto, hoje vou contar um pouco sobre a viagem para Portillo e Mendoza!

O passeio começou com um pequeno estresse pois as coisas se confundiram e perdemos o horário que havíamos marcado com o veterinário para deixar a Maní… depois da irritação, da solução, do trânsito e do aperto no coração na hora do tchau, a Maní ficou e eu e o Lucas saímos ao encontro dos outros companheiros de viagem. Eram eles:
– Duilio: também FuD, da mesma edição que o Lucas. Chegou no Chile um mês depois de nós e tem sido companheiro por aqui (a mãe dele até fez um strogonof delícia pra gente quando veio visitá-lo!!! hehehe)
– Ceschin – trabalha no Santander aí no Brasil e veio aproveitar o Chile pra fazer muito snowboard
– Raquel – amiga do Duilio, venho conhecer o Chile e aproveitar a hospitalidade do amigo….rs

Os três saíram de Santiago um pouco mais cedo e portanto puderam nos dar um pouco de instruções do caminho e conhecer antes de nós o excelente hotel que nos esperava!

Claaaarooo que o GPS tentou nos matar, mandando seguir reto numa ribanceira. E claro que nos perdemos algumas vezes! Em uma delas aproveitamos um pedágio pra pedir instruções, a moça super simpática nos disse que poderíamos fazer o “retorno” passando no meio de uns cones poucos metros à frente… o bizarro foi que depois de “retornar” voltamos, claro, pro mesmo pedágio, a mesma moça saiu na janela do outro lado e nos cobrou mais uma vez, com a maior naturalidade no “buenas noches”! hahaha

Em determinado momento falamos com o Duilio, que tinha acabado de chegar no hotel e, à nossa pergunta de “como é aí?” nos respondeu com um “só vendo!”.

Ok, quando chegamos lá vimos e entendemos! Tínhamos reservado dois chalés em um hotel na parte baixa da montanha de Portillo, pra passar a noite por lá e chegar na manhã seguinte bem cedinho pra esquiar. Segundo o site do hotel, estaríamos nuns chalés super charmosos, com aqueles telhados inclinados cheios de neve e tal…
Qual não foi nossa surpresa quando, chegando lá, demos de cara com isso:



Sim, um container!!! Esse telhadinho que você vê na foto e de uma casa de trás; o nosso “chalé” era literalmente um container!!!! Era divido em dois então eu e o Lucas ficamos no da esquerda e os outros três no da direita.
Se alguém andava em um “quarto” sentia-se no outro! O frio que fazia ali era absurdo, mesmo com um ar condicionado que deveria aquecer até os 31 graus ligado! E o banheiro??? Dentro do box tinha uns fios de cabelo dos últimos hóspedes – juro!!! hahaha Fora a água fria, o vento que entrava sei lá eu de onde…enfim… esse começo de viagem foi tão emblemática que qualquer coisa que viesse depois seria vista com bons olhos!

Mas, ainda bem!, tudo que veio depois mereceu muito mais que bons olhos!

Conforme planejado, na manhã seguinte terminamos de subir a montanha e chegamos em Portillo. E, putz, que lugar lindo!!!


É uma das primeiras (senão a primeira, não estou segura) estações de esqui do Chile. É também uma das mais sofisticadas! Tem um hotel super bacana, onde váááários gringos de vários lugares diferentes se hospedam exclusivamente pra esquiar e as pistas são muito melhores do que aquelas que tem aqui pertinho de casa. Dizem os que esquiaram lá…rs

O Lucas foi todo preparado, comprou todo o equipamento de snowboard e estava cheio de energia! Eu… bom, eu até fui disposta a esquiar, mas quando cheguei lá e vi aquelas pessoas andando com aquelas botas desconfortáveis lembrei do aperto no meu pé, da dificuldade pra calçar e descalças a bota, pra andar e claro, pra esquiar..acabei desencanando…rs
(Aliás, desencanei tanto que resolvi comprar uma bota pra ficar passeando e brincando na neve nas próximas vezes que as outras pessoas forem esquiar, porque eu adoro o visual, adoro o frio, adoro a neve…mas odeio o “sofrimento” da minha incapacidade…hahahahha)

Como neste dia não estava com um sapato propício, acabei ficando fazendo companhia pra Raquel, que não podia esquiar…
Meio que, um pouco sem querer (só um pouco…hehehe) invadimos uns espaços do hotel que seriam só pra hóspedes e passamos a tarde curtindo a paisagem, o wi-fi, o conforto, o aquecedor…Delícia!!!

Por volta de umas 4 da tarde, os meninos já acabado de tanto esquiar, arrumamos as coisas e pegamos nosso caminho pra Mendoza!

Pra quem não sabe, Mendoza fica na Argentina e Portillo no meio do caminho pra fronteira. E falando em fronteira… ficamos quase 3 horas no carro pra conseguir entrar na Argentina! Muita fila, muito carro, muita gente, muuuuitaaa burocracia..carro revistado e tudo!
Como a estrada que nos esperava era mais perigosa, deixamos nosso carro lá em Portillo e fomos os 5 no carro do Duilio, que tem poderes especiais pra andar em gelo e neve e montanha e subida! rs
E fizemos uma baguncinha enquanto esperávamos tanto, né?!



Com toda a demora da Aduana, chegamos em Mendoza meio tarde, mas ainda precisávamos sair pra jantar e Duilio, Raquel e Ceschin ainda estavam animados pra uma balada.
Saímos pela cidade pra escolher um dos tantos RestoBar que tem por ali (restaurantes que depois de certo horário recolhem as mesas e viram uma balada)… até que descobrimos que aquele sábado era véspera de eleições na Argentina – no dia seguinte eles escolheriam os candidatos para as eleições do final do ano – e não só os lugares iam fechar todos cedo, como estava proibida a venda de bebidas alcoólicas! Os animados do grupo ficaram muito frustrados! Fala sério, isso lá é jeito de conhecer a noite de uma cidade, com todo mundo indo dormir cedo pra exercer a democracia no dia seguinte??? hahaha
Havia um RestoBar, que não tinha uma cara muito boa, mas que era o mais cheio da cidade..logo descobrimos o motivo: estavam vendendo cerveja escondido! hahaha Paramos pra jantar ali, claro! No final tivemos uma noite muito agradável e divertida! E esfomeada, porque a comida demorou infinitas horas pra chegar na mesa! Desconfio que mais de duas horas, juro! Mas ok…rs

No dia seguinte tomamos um café da manhã super charmosinho na calçada do hotel, com direito a muita media luna con dulce de leche argentino!!! Hmmmm!!!
E fomos prum passeio em uma vinícola que o Duílio tinha deixado reservado…

O passeio em si não foi nada demais… conhecemos uma forma mais industrial de fazer vinho, diferente das que nos mostram quando vamos por exemplo, aqui na Concha y Toro.





Mas especial mesmo foi o almoço de depois!! 
No restaurante da própria vinícola, comemos absurdamente bem!!!
Era uma espécie de rodízio de carnes típicas argentinas, acompanhada por sopa e salada de entrada, sobremesa e vinhos de fabricação própria! Além da grande variedade e quantidade, era tudo muito bom!!! Fora o charme que era o lugar!



Dizem que Mendoza é um ótimo lugar pra comprar roupa de couro (melhor que Buenos Aires), mas infelizmente tudo estava fechado por causa das benditas eleições, assim que nos contentamos com umas comprinhas normais no shopping mesmo.
No meu caso, “comprinhas” quis dizer isso: 



Hehehe!!! Não dá nem pra dizer que é sorvete de doce de leite, tá mais pra doce de leite congelado mesmo! Delícia!!!

Por lá conhecemos também o parque super lindo, andamos por umas ruas charmosas e pronto!


Na manhã seguinte acordamos cedo pra pegar a estrada de volta.


Um importante detalhe sobre essa estrada: ela passa pela Cordilheira dos Andes e as paisagens do caminho são as coisas mais lindas!!!!

Você vai andando…vendo a montanha chegar…


E se deparando com uns lugares maravilhosos assim:

Aí uma só curva e, puff!, neve!!


Já tinham me dito isso, e eu re-digo com toda certeza: a estrada é a parte mais legal da viagem!! É lindo ver as montanhas mudando de cor e de forma, várias manifestações surpreendentes da natureza, paisagens tão diferentes em um só caminho! A cada curva uma nova surpresa e emoção! Demais mesmo!!!



E foi assim que voltamos pra casa e terminamos nossa primeira grande aventura pelo território chileno!!! hahaha


(pra quem se interessar – e não tiver facebook – muito mais fotos da viagem nesse link aqui)

Foi ótimo conhecer mais desse país querido, o país vizinho, conhecer a Raquel e o Ceschin, passar mais tempo com o Duilio, e aproveitar esses lugares lindos com meu amore!!! Os lugares eram lindos, a comida muito boa e companhia uma delícia!
Deu vontade de viajar bem mais e já estamos planejando uma coisa super legal pra comemorar o aniversário de casamento!!!

Por hoje é isso..
Agora estou com preguiça até de revisar o que acabei de escrever, portanto, perdoem pequenos erros, me avisem sobre os grandes e esperem, que o post sobre a noite Chilote vem logo!
Beijos a todos!