“E (quase) tudo que eu queria fazer”

O termo "menas main" deve ter surgido junto com a blogosfera materna "de raiz" há alguns anos e certamente se beneficiou do boom das redes sociais pra fincar o pé nesse nosso imaginário maternal compartilhado.

Mas apesar do termo ser recente, tenho certeza que o sentimento não é. Qualquer mãe, de qualquer tempo, conhece bem essa sensação de que podíamos estar fazendo mais e melhor, de que já fizemos melhor antes, ou de que estamos fazendo TUDO ERRADO MESMO!

Quando eu tinha só a Cecília, me sentia assim de vez em quando… mas eu tinha tempo e energia pra ler, blogar, conversar, melhorar o que eu achava que estava ruim… e eu sempre conseguia mandar a danada da sensação embora!

Mas depois da chegada do Dante eu e o "Espírito da Menas Main" viramos muito amigos! Visitas frequentes, altos papos, muitas noites insones… não dá nem pra estimar a frequência dos questionamentos próprios e das críticas enormes em relação a minha própria maternidade que o tal amigo me trouxe. Mas ok, vamos seguindo assim…

Acontece que hoje esse espírito de porco não me acompanhará à noite! Hoje eu vou passar a noite feliz! Vou passar a noite me sentindo foda!

Porque o dia foi uma belezinha!

Apesar de o Dante ter acordado mais de 20 vezes a noite (literalmente, não é jeito de falar, mais de 20!) Apesar de a Cecília ter dormido mal, acordado cansada, chorado, esperneado e gritado comigo muitas vezes ainda de manhã. Apesar de hoje ter de novo pintor e sujeira aqui em casa. E do frio e das doenças de todos no impedindo de sair por aí pra respirar ar fresco.

Apesar de mil circunstâncias, mil gatilhos que poderiam ter me esgotado, me feito explodir e gritar e chorar e me descabelar… apesar de tudo isso, o dia foi uma belezinha!
Eu contornei os pesares e fui a melhor mãe que eu poderia ser – que não é perfeita, tem muitos defeitos, mas é muuuuuuito melhor do que a mãe que eu venho sendo na maior parte dos dias! Fiz as coisas como eu gostaria que elas fossem feitas!
Não me perdi de mim!
E até consegui sair pra "correr", trabalhar no meu projeto (surpresa!) e blogar, vejam que dia completo! 🙂

Que delícia essa sensação de terminar o dia redondinho, com tudo no lugar e se sentido foda!!!!

Mas não tô escrevendo sobre aqui por ser um acontecimento super extraordinário ou por ser a primeira vez.
Apesar de não ser a realidade de todo dia, não é lá tão excepcional assim…

É que algumas postagens que acompanhei hoje me deram vontade de me exibir, me ensinaram a importância de me valorizar, de me comemorar!!!
E por isso vim aqui dizer que hoje estou me sentindo uma mãe foda!!! Vim deixar registrado! Vim chamar outras mães pra comemorar e compartilhar esse sentimento! Incluindo eu mesma, quando o dia não for tão redondo e eu correr o risco de me esquecer disso! 😉

“Se há dores tudo fica mais fácil”

Há pouco mais de duas semanas, Cecília “rachou” a testa.

Estávamos terminando de brincar no bosque aqui do lado de casa quando ela resolveu correr até o bebedouro, mas no caminho tropeçou na raiz de uma árvore e foi de testa na mureta de cimento do tal bebedouro.

Ouvi de longe o “cloc” do osso batendo contra a pedra dura! Enquanto acolhia o choro (e colocava Dante e Maní no carrinho) tentava avaliar o estrago e escolher as providências…

Vi o risco roxo, no formato da mureta, abrir num corte sangrento enquanto embaixo dele um galo enorme subia. Não consegui decidir se era caso de hospital ou não, então pedi a opinião do Lucas (que tava no trabalho..rs) e achamos melhor levá-la!
No processo de voltar pra casa, limpar o machucado, colocar gelo e fazer o caminho até o hospital já vi que a coisa não era grave e chegando lá só precisamos de um curativo mesmo (ponto falso, talvez?!)

Mas, óbvio que com o susto, o sangue, a dor, os curativos e etc, teve muuuuuuitooooo choro também! E muita história sofrida pra ela contar pra todo mundo! rs

Agora já está tudo bem e não vejo a hora de ela virar fã de Harry Potter pra amar o raio que passou a ter na testa! 😉


Mas, tô aqui escrevendo esse post pra contar outra parte dessa história:

Depois do dia desse acidente ficamos muito tempo sem conseguir voltar no bosque, porque veio pintura da nossa casa, internação do Dante (pois é, depois volto pra contar!), nossa mudança chegando (pois é, depois volto pra contar!x2! Hehehe)…

Enfim, ontem foi o primeiro dia que pisamos lá. E quando chegamos no portão eu pensei em dizer “filha, cuidado pra não tropeçar, lembra que vc caiu aqui”. Eu quase disse. Cheguei a abrir a boca pra dizer. Me contive por um milésimo de segundo. Ainda bem!!!

Porque ela entrou sem hesitar nem um pouquinho! Entrou e me desafiou pra uma corrida. E foi, correndo, na minha frente. Se sentindo em casa, se sentindo livre!

E eu senti um alívio enorme por não ter colocado nela um trauma que ela não tinha. E por não ter tirado dela a coragem e a leveza que lhe caem tão bem! Ainda bem!!!

“Together we’ll survive”

De vez em quando me bate uma saudade brutal de vir aqui escrever amenidades, de vir contar meus planos, escrever meu diário, dividir com vocês meu fim de semana, nossas, conquistas, etc.

Só que do jeito que a vida está, tem faltando tempo pra isso aqui, infelizmente… Às vezes, aliás, me sinto bem incompetente de não conseguir direito dar conta do blog “só porque agora tenho dois filhos”… tanta gente por aí tão cheio de filho e dando conta de tanto mais coisas do que eu, parece…rs

Mas a verdade é que essa coisa do “agora tenho dois filhos” mexeu comigo de uma maneira muito intensa. Me desestabilizou de um jeito que eu não esperava. E o trabalho de botar tudo de volta no (novo!)  lugar está sendo árduo e longo. Sigo nele, claro!

 

Já contei um pouco aqui das dificuldades dos últimos meses e outra hora venho contar mais… Porque pode não parecer por esse começo melodramático de post (rs), mas hoje o texto é pra falar de leveza e encontros!

Lucas acabou de passar duas semanas do outro lado do mundo, lá na China! Duas semanas em que morremos de saudades do papai e em que eu fiquei sozinha com as crias por aqui!

E, não vou mentir, eu estava bem assustada com essa perspectiva! Com medo do cansaço,  claro, mas mais do que tudo com medo da intensidade desses dias que seriam 24h intermináveis emendando em outras 24, depois outras 24, sem nenhum respiro, sem nenhuma mão extra… Tava com muito medo de pirar (mais ou de novo? rs), de perder o estoque de paciência logo nos primeiros dias e tudo virar de cara uma grande merda, enfim…

Mas agora que sobrevivi a esses 13 dias infinitos deu vontade de vir aqui contar que foi bem menos difícil do que eu tinha imaginado – tudo nessa vida é uma questão de perspectiva, né?! hehehe)

Foi cansativo pra caramba! Foi intenso demais!

Tivemos crises alérgicas com amigos precisando correr na farmácia pra mim as 11 da noite. Tivemos (ainda temos, no caso) bebê doente passando algumas noites praticamente em claro. Tivemos brigas e muito choro. Mas tivemos também amigos acolhedores – obrigada!! E tivemos uns momentos lindos de calmarias entre nós 4 (Maní incluída!). Uma coisa de eu de repente olhar em volta e perceber uma paz no ambiente, com cada filho “lendo” um livro num canto, ou brincando na sua – às vezes até juntos mesmo! ❤ E de muitas vezes encontrar a paz estando simplesmente junto deles três! ❤ ❤

 

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Nesses dias teve um Dante, diretamente do seu posto de rei da fofura, conquistando novos feitos, me mostrando como está crescendo, saindo de um hiper salto de desenvolvimento mais maduro, mais capaz e, como pode?!, mais fofo!! rs

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Teve uma Cecília sentindo muito a falta do pai, muito carente de colo de mãe. E que também deu um salto incrível nos últimos dias! Uma coisa linda de conseguir nomear sentimentos, de conseguir pedir colo ao invés de jogar qualquer coisa no chão (sim..teve muito disso tb..rs), de pedir seu lugar de “bebê da mamãe” enquanto estava também toda trabalhada em ser companheira, me ajudar muito, cuidar do irmão…tão crescida! Tão figura! Tão gostosa!

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No final do sábado, enquanto Lucas já estava no avião chegando por aqui, saí com os dois pra tomar um lanche e fiquei admirando o que tinham sido esses dias… Orgulhosa demais dos meus dois amores!

 

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E orgulhosa demais de mim, também! Porque um negócio que tenho cada vez mais claro é esse: quem dita o clima aqui de casa sou EU! Mesmo que um esteja doente e o outro impossível, ou um com sono e o outro com fogo no rabo, ou os dois chorões… quem dita o caminho para qual essas coisas vão caminhar, sou eu! Eu posso entrar no clima péssimo e deixar o caos se instaurar ou posso conseguir contornar a bagunça (nem que seja só a emocional às vezes) e terminar o dia com um pouco de paz! Óbvio que não tenho assim tanto controle de tudo o tempo todo – especialmente o controle de mim mesma, acho…hehehe – mas tenho estado mais consciente dos meus sentimentos e das minhas reações  e notado uma diferença enorme no rumo das coisas com os pequenos!
Espero conseguir trabalhar e evoluir mais nisso!!

E espero voltar mais nesse blog! Mesmo!

Aliás, tenho duas novidade enormes no forno… mas por enquanto vou deixar todo mundo curioso!!! ;P

Beijos e obrigada pela leitura sempre carinhosa e paciente!

“Te vejo dormir”

Estava aqui me perguntando o que raios acontece dentro da gente quando nossos filhos dormem.
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Não deve acontecer só aqui em casa…

 

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Eu olho pra esses olhinhos fechados, escuto a respiração profunda e sou arrebata (ainda mais) por um amor visceral! Uma coisa louca! Uma vontade, física, irresistível, de cheirar, de acariciar, de beijar (sim, mesmo correndo o risco de acordar os pobres coitados), de ficar ali olhando, namorando, velando o sono… uma força de amor tão forte, que vem como uma onda da qual eu não posso (e nem quero) escapar. Todos os dias. Quando eles dormem.
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Cheguei a conclusão de que deve ter uma explicação.
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Uma explicação muito maior do que o óbvio “quando eles estão dormindo não dão trabalho, não choram, não se fazem de desentidos, não fazem cocôs explosivos…” rs

 

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Acho que deve ser uma coisa evolutiva. Assistir nossas crias dormindo deve ativar esse gatilho de amor louco pra garantir que esses filhotes descansando tão lindamente não ficarão sozinhos e abandonados, expostos aos perigos da natureza enquanto a mãe está caçando o almoço ou tomando um banho de espuma!
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Aposto que Carlos Gonzalez concordaria comigo! 😉

 

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“Que sejas ainda mais vivo”

Filha:

É muito curioso como algumas coisas parecem que nos atingem do nada, quando na verdade nós convivemos com elas diariamente, mas simplesmente não as notamos – ou escolhemos ignorá-las, sei lá…

Hoje me aconteceu uma dessas, deixa eu te contar:

Testando uma coisa qualquer na minha câmera, tirei uma foto sua, bem rápido, sem nem muita atenção… Uma foto qualquer, que não é nem de longe uma das minhas favoritas das tantas que tiro de você. Mas quando olhei pra ela: BLAM – fui atingida!!!

Atingida pela passagem do tempo. Atingida por uma sensação maluca de que ao mesmo tempo que você já tem “doisi aninhos” (como você bem gosta de repetir por aí), você tem SÓ dois aninhos!

Olhei pr’aquela imagem e vi (mais uma vez) que você não é mais uma bebê. Você é minha menina! (sim, sim..sei que já falei bastante disso..)

Acontece que também tive ali, naquele BLAM, um vislumbre do que você será… Como se eu olhasse pra uma Cecília que ainda virá. E como se ela estivesse ali pra me lembrar de ter calma, de ter paciência, mas acima de tudo, pra me lembrar de manter os olhos bem abertos, pra não perder o caminho que trará aquela Cecília pra mim.

 

Porque que você está crescendo eu já sei bem! Ontem eu até fiz essa brincadeirinha aqui:

 

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É bem óbvio que o tempo está passando, né?!

Mas acho que às vezes eu ainda me esqueço de que existem o ANTES, o AGORA e o DEPOIS, sabe?! E que de alguma forma eles convivem em nós e nós convivemos com cada um deles…

Enfim, foi bom ser atingida, foi bom ser lembrada… foi emocionante! E eu adoro emoções que vem de pequenas coisas! 🙂

Ah! A tal foto?

Foi essa:

 

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“Na tua presença” – 18 meses

Há um ano e meio eu carrego em meus braços o meu bem mais precioso. Há um ano e meio eu o acalento e alimento em meu seio.

Tem como não sentir saudades de tamanha felicidade???

Há um ano e meio ela nascia.

Mas só muito recentemente me caiu uma ficha: apesar da impressão de que 18 meses é um tempo longo que passou rápido demais, a verdade é que um ano e meio é uma porcentagem minúscula da vida que temos pela frente.

E enquanto uma parte minha se impressiona com o quão grande e esperta e independente e mini-gente minha bichinha está, outra parte se assusta um pouco ao se dar conta de que ainda temos muitoooos anos de cuidados e preocupações pela frente e uma terceira parte espera ansiosa por alguns “marcos”.

É mais ou menos assim: acho a coisa mais linda do mundo a Cecília querendo subir e descer TODAS as escadas que aparecem em seu caminho – ela quer explorar a nova habilidade! – mas meio que não vejo a hora de ela ser “mais habilidosa nessa habilidade” (hahaha) e conseguir fazer isso sem tombar tanto pra trás, sem que eu precise estar sempre olhando e penso “hmmm, em quanto tempo será que ela vai conseguir subir e descer verdadeiramente sozinha e eu poderei ficar tranquila?”. Mas depois me lembro que mesmo depois que isso acontecer, ainda teremos muitos tombos e joelhos ralados e queixos batidos por aqui, porque né, criança e tal…rsrs

Deu pra entender a loucura da pessoa? rs

Enfim… penso agora que essas partes todas precisam se juntar e entender que “pressa” e “maternidade” são duas palavras que não combinam. E que a beleza é o caminho, não (só) as chegadas.

Sabe numa viagem longa de avião? Não é boa idéia ficar olhando aquele contador de “tempo até o destino”. É bem mais gostoso se vamos olhando a vista, descansando, vendo um bom filme ou aproveitando a boa companhia, não é?!
Então!

Um ano e meio é muito pouco tempo. (Aos mais jovens, juro que um dia vocês concordarão comigo!rs)

Minha bichinha é só uma bichinha filhote, que ainda tem muito o que aprender e aprontar.

E enquanto ela vai crescendo e aprontando eu quero poder me deliciar. Sem pressa. Degustando cada gota. Sem ansiedade.
Quero aprender a curtir mais o “enquanto ela aprende” e não só esperar pelo aprendizado completo, o “mission accomplished”, sabem?!

Acho que assim fica mais gostoso e até menos cansativo, não é?!

É como dizem por aí: os dias são longos e os anos são curtos!

Me lembrar disso será minha “lição de casa” pelos próximos meses!

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“Com muito esmero”

Chinchila:

Sentir-se em casa não é uma questão de tempo, de forma, de móveis ou de cores… o “quando” e o “como” esse sentir-se chegará não depende de escolha ou de decisão…

Continuo achando que nosso real lar é onde estão as pessoas que amamos – e você logo aprenderá a reconhecer nossos vários lares, tenho certeza! Mas acho também que, apesar dessa nossa vida cigana, ou justamente por causa dela?, é muito importante ter a sensação de pertencimento no lugar físico em que passamos a maior parte do ano. (rs)

Não acredito que exista uma receita simples pra sentir nosso o que antes não era, mas percebo, com certo alívio, que aos poucos vamos tomando o território, nos apropriando do espaço, deixando nossa marca nos lugares e nos deixando ser marcados pelas vivências que compartilhamos ali.

Ainda não tem 3 meses que estamos morando nesse apartamento, mas já temos o pedaço da sala onde a Maní gosta de se esfregar depois de comer, a quina de batente onde a mamãe bate o braço quase toda vez que passa, o cantinho da varanda onde você adora ficar sentada fazendo nada, o espaço só pro seu pai guardar (e namorar) os jogos dele…

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Ontem completamos mais um pedaço do seu quarto (agora já não falta quase nada para a casa estar “pronta”) e enquanto seu pai colava seus adesivos na parede deixei que você se distraísse colando (e descolando, e colando e descolando…) alguns nos móveis também.

Me lembrei de quando me sentei no chão do seu quarto vazio lá no Chile, com você ainda na barriga, e fui “ajudando” seu pai a colar esse mesmo adesivo, vendo o desenho se formar e percebendo em mim a noção de que sua chegada era cada vez mais real! E me emocionei ao notar que dessa vez você já se fez dona do seu quarto e deixou sua marca e sua carinha na decoração dele – com os adesivos colados, a cama meio bagunçada e as marcas de dedinhos e beijinhos no espelho!

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(olha ali, na estante atrás de você)

(olha ali, na estante atrás de você)

Hoje de manhã quase arranquei da parede da cozinha um pedaço de um adesivo que eu colei ali  na primeira semana que moramos aqui, já nem me lembro o porquê. Mas com o dedo no meio do caminho me dei conta de que aquela foi, possivelmente, minha primeira marca nessa casa. De que aquela bobeirinha, aquela graminha torta e sem sentido algum acima do interruptor, faz também com que essa cozinha seja minha. Também por causa dela já posso chamar esse lugar de nossa casa! Portanto, ficou decidido, é aí que a graminha vai morar!

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ps.: enquanto escrevia esse post te vi acordar e ficar quietinha na cama, mexendo – adivinha? – nos seus novos amigos na parede e cheirando as flores! ❤

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“Oração”

“Agradeço ao Santo Sling pela graça alcançada,
Pela louça lavada
Pelo almoço cozido
Pela cachorra passeada
Pelos braços fortalecidos
Pelo coração aquecido
Pelos tímpanos re-estabelecidos
Pela sanidade mantida e
Acima de tudo, pela filhota acolhida!
Amém!”

Agradeço tanto, aliás, que eu estaria disposta a pendurar faixas no portão, a dar 3 pulinhos (ou 30), a caminhar pelos seus 5 metros de tecidos de joelhos e o que mais se faz por outros santos por aí!!

Quem mais reza comigo???

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Quase 1 ano de devoção! 😉

“Pela janela do quarto”

Não sei se é implicância minha ou se é devido à imensa quantidade de gente em volta, mas o fato é que aqui do apartamento onde estou morando ouço constantemente meus vizinhos – muito mais do que se ouvia lá no apartamento de Santiago.

Lá eu escutava as passagens pelo corredor, as chegadas e saídas. Aqui eu ouço a vida “dentro de casa” de cada um.

À noite, quando São Paulo consegue ser um tiquinho mais discreta, a vizinhança vem nos visitar. Temos as senhoras que conversam na cozinha, a família que toda noite, a partir das 23h, arrasta todos os móveis pela casa (me explica, pf???rs), o casal que vai dormir no mesmo horário que eu e agora temos vizinhos novos…

Na primeira vez parei pra os escutar com atenção foi porque parecia uma gata gritando e meu radar ligou, mas não, era um choro de bebê…
Nos dias que vieram depois fui notando essa nova presença em diversos momentos do dia e, principalmente, da madrugada.

A voz que chora parece pertencer a um bebê um pouco mais velho que a Cecília, mas a intensidade e a insistência do choro que não cessa me fazem revisitar a época de pica pau recém nascida e seu choro diário e inexplicável que começava sempre às 19h e podia durar mais de 1 hora!

Noite dessas, sabe-se lá porquê, a Cecília resolveu que precisava mamar de hora em hora e enquanto eu estava lá, meio dormindo, meio acordada, meio sonhando, meio amamentando, eu escutava o bebê vizinho chorar. A noite inteira!
O que começou como uma escuta curiosa, até um pouco julgadora (“gesuiz, o que estão fazendo com esse bebê??”) logo virou angústia! Acho que primeiro pelas lembranças de quando era a minha bebéia que chorava sem fim, depois pelo medo das noites assim que ainda podemos ter pela frente e depois, finalmente!, por empatia!!

Empatia primeiro com o bebê, confesso! Ele chorava tanto, com tanta força, que meu instinto foi ficando louquinho pra ir até lá, tirar a roupa dele, colocá-lo pele com pele, no aconchego de um coração batendo e de um peito produzindo leite – àquela altura, nem que fosse o meu!
Mas depois veio a empatia com a mãe. Eu senti a angústia dela mais forte do que sentia a minha, senti vontade de abraçá-la, de oferecer ajuda… Depois lembrei que se fosse comigo (ou “quando era comigo”) duvido que ajuda estanha seria bem vinda…rs

E então ficamos lá, nos fazendo companhia … Cecília mamando, eu amamentando, escutando, angustiando e o bebê vizinho chorando… Mesmo depois que Cecília dormiu, aliás, eu só consegui fechar os olhos e relaxar depois de ouvir o silêncio vindo do apartamento ao lado…

Agora, escrevendo esse post, me deu vontade de deixar um bilhete anônimo pra mãe vizinha: “Acredite, VAI PASSAR!!! Não só vai passar como você tem grandes chances de se esquecer de verdade dessa fase!” Eu tinha esquecido da minha até ser visitada pela dela!!
A natureza é mesmo sábia, não é?! rs

De qualquer forma, por enquanto vou sempre dormir torcendo pra que nossas madrugadas – aqui, lá e aí – sejam tranqüila, com muito sono bem dormido e sem angústias atrapalhando!
Boa noite!

“É provar o gosto”

Hoje demos uma passadinha numa loja de coisas de bebê (já preciso trocar a bolsa da Cecília) e aproveitei pra dar uma olhada geral…
Fiquei surpresa com a quantidade absurda de coisas inúteis que tentam nos convencer que são absolutamente necessárias – e que na verdade servem pra nos transformar em inúteis e “desnecessários”!
Desde os brinquedos que fazem tudo sozinhos e não deixam nenhum espaço pra imaginação, passando pelos “gadgets” pra tudo (pro carro, pra hora do banho, pra hora da comida, pro berço, etc), as mil e uma opções de mamadeiras e chupetas (e seus acessórios)…
Fiquei meio chocada, juro!

Quando fiz o enxoval da Cecília tentamos comprar só o básico… e eu ja achava que termômetro pra banheira fugia do básico, afinal, posso colocar meu cotovelo na água pra saber se a temperatura está boa.
Mas qual não foi minha surpresa ao conhecer, hoje, toda a variedade de modelos, cores e marcas de colheres que avisam, cada uma a sua maneira, se a comida do bebê está na temperatura certa!
Saí da loja com a sensação de que estamos mesmo cada vez mais dependentes e incapazes – e preguiçosos! Com a sensação de que logo precisaremos inventar uma ferramenta que nos (re)ensine a usar nosso corpo e nossa cabeça por conta própria.

Em época de exo-esqueleto (quase) na Copa do Mundo, meu cérebro de ex-quase-TO acha muito irônico pensar que enquanto uns se desdobram no esforço de recuperar um mínimo de autonomia, outros, que podem se equipar com o que há de mais “moderno e desejado” no mundo das ferramentas inúteis, andam cada vez mais apoiados nessas “muletas tecnológicas”…

Penso, aliás, especialmente no caso dos “gadgets” para pais e bebês: se não conseguimos criar nossos filhos sem depender (nós, pais) desses “facilitadores” , que tipo de exemplo estamos dando e o que podemos esperar desses futuros adultos, que só saberão se podem levar a comida à boca se a colher estiver vermelha?!?!?

Tô exagerando??

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imagem daqui