"pega esse avião"

Existe uma grande diferença entre uma viagem a passeio pro exterior, ir fazer um curso fora, ficar um tempo fora fazendo intercâmbio e morar em outro país.
Além do óbvio, o tempo, outras coisas mudam. A maneira como você vê o lugar, muda; a maneira como você se relaciona com as pessoas e a cultura desse lugar, muda; e o mesmo acontece no caminho contrário, ou seja, em como ficam as coisas entre você e seu país de origem.
Quando você está a passeio tem (no sentido de deve) que aproveitar todo o tempo útil pra ver e fazer tudo de “melhor” que o lugar oferece, bem turistão, achando tudo diferente e, provavelmente, o máximo!

Se você vai pra pra fazer um curso curto, ou a trabalho, é provável que não tenha muito tempo de fazer turismo e acabe lidando com o dia a dia desse lugar, conheça seu trânsito, a vida e a visão corporativa que sua população tem…e meio que vai achar tudo normal, comum…

Se a viagem é pra um intercâmbio mais longo, acho eu, acaba misturando as situações: quer fazer muito turismo, mas sem o desespero, porque apesar de ter um tempo definido, não tem pressa, pode fazer quando quiser, contanto que seja antes do tempo X. Você experimento o novo e o ordinário do lugar, sente saudades “de casa”, mas sabe que o “agora” é pra aproveitar o novo e que o “casa” é pra daqui a pouco.

Mas tenho a sensação de que ir morar fora, com esse “peso do definitivo”, muda tudo!
Não dá pra sentir saudade “de casa” porque sua casa agora é ali, de forma que a saudade fica mais pesada, com gosto de “deixei pra trás”.
Turismo não é prioridade porque você tá muito ocupado com a vida e porque tem qualquer hora que quiser pra fazer (e na verdade tem grandes chances de acabar não fazendo, como acontece com a maioria em suas cidades natais).
O dia a dia do lugar e sua nova rotina são, ao mesmo tempo, normais e muito diferentes!
Você passa por momentos saudosistas – em que daria tudo por um decente e maravilhoso chuveiro “normal”- e por momentos de “brasileirismo”, em que tudo no mundo parece ser melhor – e mais barato – do que no brasil.

Antes de vir pro Chile um dos nossos objetivos era não ter aqui vida de estrangeiros, mas sim de chilenos mesmo; tentar ver e experimentar as coisas sob o ponto de vistas dos daqui… Em muitos pontos acho que nos saímos bem nisso (o que é super enriquecedor), mas em outros acho que não dá muito pra “se misturar” de verdade. (Percebo muito isso nas conversas com minha amiga que está noiva de um chileno e convive diariamente com ele e sua família. Ela sim tem experiências de (quase) puros chilenismos.) Nós não conseguirmos deixar de ser “brasileiros no Chile”, e hoje já nem acho que essa seja a idéia.

E tem mais uma diferença importante: nós saímos do Brasil com o peso do definitivo, mas não foi assim que chegamos aqui, porque uma hora nós vamos embora, vamos trocar de novo o “lá em casa” e ter mais um lugar com sua lista de saudades pra deixar pra trás e todo um “mundo novo” pra descobrir e chamar de nosso! rs
Frio na barriga? Super!

E por mais que uma hora a gente acabe montando definitivo em um lugar, por enquanto é muito legal pensar que logo estaremos começando de novo, montando casa, escolhendo novo bairro, novo piso, nova vista, novo sofá…
Esse “nomadismo” tem um lado divertido e um lado doído (qualquer dia eu escrevo sobre ter a saudade o tempo todo no pé), mas no final, acho que é uma vida de crescimentos infinitos…

ps.: acho que viciei nessa brincadeira e criei um blog novo. Vai lá dar uma olhada: http://www.amarumcaoe.blogspot.com

"palavra de mulher"

Parece que faz um século que não escrevo…

Tô meio travada de novo… precisando de criatividade pra um trabalho da faculdade mas a danada insiste em evitar o tema, como é de praxe quando é solicitada – criatividade aqui só entra sem convite!
E pra não correr o risco de nenhuma escapadinha, ela tá fugindo de mim em todas as áreas…

Ando borocochô, saudadenta, comilona…
Hormônios combinados com o mês de junho e as festas juninas que vou perder esse ano, e o aniversário especial que perdi esse fim de semana, e o feriado que não vou ter essa semana…
E os últimos 50 dias de aula desse semestre, que, provavelmente, vão ser mais infinitos e intermináveis e longos do que o resto do semestre foi…

Curioso: há uns dez dias me deu um faniquito de vontade de cortar o cabelo. Na verdade a peruca já estava gigante, as pontas horríveis, eu super incomodada (deitava na cama e atropelava a mim mesma, passava mais horas do dia com o cabelo preso do que solto…), sabia que precisava e queria cortar, mas não tinha nenhuma idéia.
Até que vi um filme e decidi que queria meu cabelo “curto” de novo. Pesquisa do google imagens e pronto, tinha o corte definido!
Mas e aí? Como esperar até o fim do ano, minha próxima visita ao Brasil pra cortar o cabelo do cabeleireiro de sempre???

Deu faniquito e pensei em pedir indicações de bons peluqueros por aqui…
Mas sabe como é faniquito, né?! Nem deu tempo! A Carol (minha amiga e super companheira de aventuras! rs) lembrou de um salão aqui perto que tem cara boa, entrei no site dele e me convenci…

Terça passada fui lá e cortei o cabelo! Contando que ele estava quase na cintura, cortei bastante, vai?!




Achei o cúmulo da adaptação e do desprendimento: fui num salão x, um cara Y botou a mão no meu cabelo e eu deixei metade dele lá! Super orgulho!

Amei o corte novo! Tava com saudade desse tamanho de cabelo e cansada de parecer Maria-Mijona.

Mas apesar do cúmulo da terça, na quinta veio esse borocochismo… sonhos saudadísticos…bolo de chocolate…

Se eu achava que meu humor flutuava com os hormônios, ainda não sabia que os ares transandinos flutuariam o humor dos hormônios que flutuam meu humor!!!! 
Ferrou, né
?!?!
Hahahaha

Entre manias e melancolias…boa semana a todos!



ps.: aos que leram meu post de pedido de ajuda ao Adote um Gatinho, deixo agora o agradecimento que eles mandaram essa semana:
http://adoteumgatinho.uol.com.br/boletim_maio2012_agradecimento.htm

"Você não gosta de mim"

Já vou logo avisando que não tô pedindo confete!

Mas tava aqui pensando…nessa coisa de amizade, carinho, amor… Como sempre digo, sou chata e anti-social, e gosto muito de ficar sozinha. Mas às vezes bate a solidão e a carência, confesso…

Nessa vida de outro país a distância do Brasil e, principalmente, as voltas ocasionais ao Brasil me fizeram olhar as amizades com outros olhos. Quem são as pessoas que realmente importam? E, mais ainda, quem são as pessoas que realmente se importam???
Nesses 15 meses de Chile eu cansei de escrever emails e mensagens mandando e pedindo notícias, mandando e pedindo abraços… Mas quantos são aqueles que lembram de mim, que sentem minha falta e colocam os dedinhos em movimento pra me procurar e me dizer isso – espontaneamente???
A anti-social aqui nunca se importou de dar o braço a torcer e escrever pedindo encontros virtuais… Mas ela cansou!

Não tenho ciúmes do meu marido e nunca tive dos ex-namorados – nesses eu sempre confiei e sempre me entreguei, mesmo tendo quebrado a cara algumas vezes, isso em mim não mudou.
Mas com os amigos eu sempre fui ciumenta e insegura…
Acho que faz parte da consciência de que sou chata… Justamente por me virar bem sozinha na maior parte do tempo, tenho o maior medo de que nessas minhas ausências meus amigos acabem descobrindo alguém mais legal pelo caminho e/ou acabem se esquecendo de mim, e não estejam lá quando eu precisar ou quiser…

Essa é uma ótima explicação do porque esse blog e porque minha presença tão intensa nas redes sociais desde que vim pro Chile… Deve ser a forma que encontrei de estar longe sem me perder, ou melhor, sem que me percam.
 Mas ultimamente esse método tem me soado fraco e falso… Como disse, cansei de ficar pedindo atenção e saudade! Eu sei que todo mundo por aí segue com suas vidas agitadas, corridas, atribuladas… Mas eu também tenho minha vida cheia aqui e não por isso deixo de sentir e anúnciar minhas saudades e meus carinhos…
Ou melhor, não deixava… porque, agora, cansei!


"Finja que agora eu era o seu brinquedo"

Lembro como se tivesse sido ontem. 
Lembro do arrepio na espinha quando te via de longe, destacado no meio da multidão, se aproximando de mim.
Do frio na barriga que vinha quando sentia seu cheiro mais de perto.
Das festas sem sentido que eu ia só pela companhia. 
Lembro da festa Hawaiana com a nada discreta e bastante provocante brincadeira de me sujar de neon. Da colega “intrometida a cupido” que provavelmente só atrasou o processo todo. Da carona oferecida (mesmo sem espaço no carro) e aceita (pra ganhar um pouquinho mais de tempo).
Lembro da noite, véspera de feriado, de horas infinitas, de jogos infinitos, chocolates saborosos e amigos demais – na sala que já deveria ter sido só nossa.
Do ônibus antes das 6 da manhã, que chegou cedo e rápido demais. E da aflição de, pela primeira vez, me despedir de você e ver da janela o distanciamento…

Lembro do nervosismo do primeiro encontro (sim, sempre fui bobinha!). Da desculpa esfarrapada de ir ao teatro. Da ajuda amiga na “rebolada” pra conseguir chegar naquele cinema no fim do mundo.
Lembro do joguinho de aproximaçãoXdistanciamento nas cadeiras do tal cinema. De ter sido “sequestrada” pro seu carro e conhecido de fora sua casa.
Lembro dos seus amigos muito simpáticos, bastante bêbados e/ou nada discretos.

Lembro do toque no cabelo mais macio que já conheci. Dos piercings no meio do caminho. Das horas de conversa. E das horas e horas e horas do colo confortável e mega paciente. 
Lembro do cafuné carinhoso que gentil e espertamente se transformou no tão esperado Primeiro Beijo.
E me lembro do frio na barriga que veio deliciosamente congelante e das borboletas que vieram definitivamente morar no meu estômago.
Lembro de, mais uma vez, ter que me despedir cedo demais de você, mas com direito, agora, ao beijo de despedida.

Lembro tão claramente das cores e das luzes, tão intensamente dos cheiros e tão perfeitamente dos gostos que chega a ser difícil acreditar que isso tudo aconteceu há 7 anos!

7 anos de história é história pra caramba!

E como todo bom livro, é uma história que começa com as melhores páginas possíveis, pra prender o leitor logo de cara e fazer com que ele não consiga mais largar o livro, esperando sempre saber o que mais vai acontecer. Mesmo que esse livro se proponha ao “viveram felizes PARA SEMPRE” e mesmo que o interessante da história seja o caminho até esse “sempre”.

Vamos lá!


2005


"Hora de ir embora"

“Arte de deixar algum lugar
Quando não se tem pra onde ir”

Minha visão do paraíso é um show eterno do Chico Buarque…

Esse de hoje foi especial demais! Fiz questão de não ler antes a setlist e fui me encantando a cada começo de música. Foi perfeito! Pérola atrás de pérola!
Acho que quem montou essa setlist conversou antes com meu iTunes, ou é alguém que me conhece muito bem e sabe direitinho o que eu gosto… Impossível não chorar ao ouvir algumas “primeiras notas”…
Típicos “agora que ouvi isso ao vivo, já posso morrer”. rs
Na verdade comecei a me emocionar logo que chegamos na mesa…hahaha
Chorei um monte o show inteiro e mais um bocado quando acabou…
E claro que agora faltam palavras pra descrever a maravilha, desculpem!

Fica a pergunta de sempre: “por que tem que acabar???”
Sair da beirada do palco (sim, eu assisti o bis debruçada no palco!!!), virar as costas e ir embora…putz! Chega a ser cruel…

Mas não tem jeito…o show acaba, o palco vai sendo esvaziado e em algum momento preciso sair. Por mais que eu gostaria de ficar lá, fantasiando que posso sentir o perfume do Chico, babando no copo de água babado por ele, procurando algum possível fio de cabelo que tenha caído e me sirva de material pra uma futura clonagem, sei lá (rs), alguma hora preciso ir embora.

Mas ir embora já tá virando rotina pra mim…

Acabou o show como acabou a viagem.

Volto amanhã pro Chile com a alma lavada pelo show apaixonante, o coração aquecido pelos abraços e beijos recebidos, a barriga cheia de todas as delícias saudosas comidas, a mala pesada com alguns presentes ganhados, algumas saudades que ficaram sem solução…
E já volta aquela característica divisão de sempre.

Quero ir mas fico triste por não ficar, sabe como é?



“Hora de ir embora
 quando o corpo quer ficar
Toda alma de artista quer partir…”


Então, como disse o Chico: “Adeeeeuuuussss””




"Ponha a roupa de domingo"

É como se tivesse sido ontem. O frio na barriga. Os abraços apertados. O coração na confusão entre o dolorido e o ansioso.  Ainda consigo sentir tudo isso.


O dia em que eu sabia que minha vida mudaria pra sempre. Que eu deixava pra trás o conhecido pra enfrentar o desconhecido acompanhada do meu amor.

5 malas. Duas grandes e três pequenas. Só. Todas as coisas que precisaríamos pra essa nova etapa couberam em 5 malas.

Fora delas ficaram lembranças, histórias, amores…em forma de fotos, CDs, capas de DVD’s (os dvds eu trouxe soltos! rs), bichos de pelúcia, móveis que fizeram parte da minha vida, cômodos que acompanharam minha história e, especialmente, pessoas.

Porque todos essas coisas (e pessoas) que nos fazem ser quem somos de certa forma sempre nos acompanham, estão presentes na memória, na maneira de agir e de pensar, no coração… mas, querendo ou não, há uma parte de tudo isso que fica. Fica longe e faz falta.

E nesse mesmo dia eu sabia que passaria então a conviver com a falta, a lidar com ela, a crescer com ela.
E aprender que a falta de um pode ser, no final, a abertura pra outro novo; ou simplesmente o fortalecimento do amor àquilo que falta.

Era a segunda viagem internacional da minha vida e era um dos momentos mais decisivos dela.

Como já disse por aqui, foi difícil soltar os abraços, foi difícil dizer tchau, virar as costas e passar pelo portão… 
Mas a sensação de chegar do outro lado do portão, a divisão pela qual o coração passa então…. essa parte é indescritível!
Saber que de um lado ficaram aqueles abraços, sentir ainda no coração o calor que eles deixaram e esperar, numa ansiedade sem tamanho, tudo que vem pela frente…. é uma mistura….bom, indescritível, por isso nem vou tentar…rs


Há exatamente um ano.


Terça feira este blog completa um ano (com 6060 visitas! Uhuuu!!!), o que significa que, segundo a contagem que venho fazendo desde então, hoje completamos 12 MESES DE CHILE!

A vida já está mais calma, as novidades já não são mais tão constantes… O que explica também a lentidão na qual este blog se encontra…
Mas foi um ano de tanta mudança, interna e externa que, como disse em dezembro, foi um ano que durou uma vida inteira!

Os seis primeiros meses têm seu pequeno resumo por aqui: “Pra mim meia dúzia é seis”
O segundo semestre foi mais menos a mesma coisa, mais visitas especiais, mais comilança, mais saudade do Brasil e dos meus queridos brasileiros, mais faculdade, mais santander, viagens (pro Brasil e pelo Chile!), mais queridos por aqui e o aqui ainda mais querido!

Foi um ótimo ano! 

Santiago é uma cidade ótima pra morar, a qualidade de vida é incrivelmente melhor do que a tínhamos em São Paulo, o clima nos agrada, a poluição do ar a gente ignora, já escolhemos nossas pessoas pra ter perto, a faculdade (minha) e o trabalho (do Lucas) estão nos ensinando bastante (sobre nós mesmos, inclusive) e o segundo ano só está começando!
É uma cidade ótima e que vai nos acolher por mais um tempo ainda… 
Já temos aqui a NOSSA casa gostosa e a nossa filha chilena vai ser um pedacinho desse país que vai nos acompanhar ainda por muito tempo…

Sendo assim, o dia tem que ser de comemoração e de agradecimento!

Pra agradecer àqueles que nos apoiaram nessa aventura louca de vir morar no desconhecido outro lado da Cordilheira, que nos desejaram boa sorte e desde então vem torcendo por nós (agora) 3, que nos abraçaram no aeroporto nesse dia tão importante, que nos abraçam on line sempre que podem e aos que vieram nos abraçar pessoalmente aqui mesmo!

Agradecer aos que nos receberam tão bem do lado de cá, que nos apresentaram o lugar, nos ensinaram o que a gente precisava saber, que ajudaram nos asados e assaltos (hahahaha), que ajudam a tornar nossa casa num lar acolhedor com a simples presença por aqui, aos que amam a Maní de verdade, aos que fazem parte do nosso dia a dia e tornam todo o caminho menos árido (mesmo com a abençoada falta de chuva desse país)!

Agradecer ao Chile, porque não, esse país tripa comprida, de cultura suficientemente diferente da nossa, pra me fazer encantar com as descobertas e suficientemente parecida, pra tornar essa primeira adaptação não tão difícil. Aos chilenos tão apaixonados pelo Brasil, sempre nos recebendo bem. (às praias brasileiras, responsáveis por todo esse amor!). Aos que não nos recebem tão bem assim também, porque deles dependem nossas maiores aventuras pelo país…hahaha

Agradecer ao Santander, claro! Gostem ou não desse banco, ele é o maior responsável pela situação atual!

E, sei lá..agradecer à vida, por tudo isso, por todos esses à quem agradeço, por tudo que veio e ainda virá!

Então, um brinde ao primeiro ano de expatriados, no Chile, em família e com a vista mais emocionante da vida!

Beijos especiais a todos os vocês, sempre tão queridos e pacientes, que ainda guardam um pouquinho e curiosidade pra esse blog….











ps.: Sabe como comemoramos 1 ano de Chile?
Fomos almoçar coxinha e feijoada no restaurante brasileiro!!! hahahaha




"Se Anália não quiser ir…"

Ontem fomos em um churrasco na casa de um amigo na praia de Algarrobo, mais ou menos uma hora de Santiago.
Fomos, nesse caso, se refere à família completa! Sim, levei a Maní pra praia! hahaha

Fomos em 7 no carro: na frente o Duilio dirigindo, no passageiro o Lucas e atrás eu, a Constanza e o Marcos (um casal de amigos sobre o qual já falei algumas vezes) e nossas filhas: Maní e Melcoche.

 Melcoche é um doce típico do Equador – terra da Constanza – e tb o nome da cachorrinha nova do casal! Ela é uma fofa, tem só dois meses e é uma mini-bolinha de pelos!

Estava curiosa pra ver as duas, Maní e Melcoche, se conhecendo e me surpreendi.
Maní, moleca de tudo, arteira, energia infinita, filhote eterna….bom, com a pequenininha do lado se transformou! Primeiro que ficou enorme! hahaha
Depois que ficou super adulta e centrada! Não surtou, não baixou a pipoca saltitante nela…parecia até meio ranzinza. 
Essa coisa de instinto natural sempre me impressiona!
Maní não tem nenhuma noção da vida, faz festa pra Rottweiler desconhecido na rua, provoca e convida pra brincar de lutinha, se deixar e ainda me faz passar vergonha querendo ser amiga de todo mundo ao redor.
Pois com a Mel do lado era outra coisa. Ficava quietinha, deixando a pequena literalmente montar nela, sem reclamar e, principalmente, sem revidar. Entrava na brincadeira também, mas de longe, sem pular em cima, sem levantar a pata, tomando o maior cuidado com a nova amiga delicada e petelha… Coisa linda de se ver!

No carro a Maní tava interessada na vista e a Mel interessada em ficar pertinho da Maní, mas sem sair do colo da mãe dela; fez altos malabarismos até que conseguiu se dividir entre os dois colos!

Chegando na casa do Juan ficamos sabendo que eles tinham dois cachorros grandes, não muito amigáveis e que estavam brigando entre si.
Separados os dois grande e passados os primeiros minutos de tensão, apresentamos as pequenas pra eles e não houve maiores problemas…
Isso até a dona do cão dono da casa, um velhinho bonito e rabugento, ir fazer festa pra Maní, a Maní responder a achar que podia, então, fazer festa pro cachorro tb… Aí foi a maior latição (por parte do outro, pq ela continuava de rabo balançando), levar a Maní pra fora enquanto tiravam o outro da sala, enfim…
Foi só um momento, mas deu pra constranger…rs

E aí fomos pra praia!

Tava super curiosa pra ver a reação da minha cã, que agora é fã de água, com tanta areia e com tanta água. Mas essa parte foi bem sem graça! hahaha

Ela chegou lá e parecia estar super familiarizada com a areia, nenhuma novidade….aí levei pra perto do mar e ela reparou que aquela água era infinitamente mais gelada do que qualquer outra…nem quis saber…
Passou a tarde sentada em baixo do guarda-sol, olhando ansiosa pra todos que passavam, esperando que alguém parasse pra conversar com ela, cães, principalmente!



Reparem na quantidade de gente maluca “curtindo” o mar congelante! 
Lucas, Duilio e Juan, aliás, bancaram os malucos, mas não aguentaram nem dois minutos (literalmente 2 minutos) antes de voltar correndo pra areia quentinha! hehehe

ficou faltando foto da dupla dinâmica – Maní e Mel – juntas… =/



Foi uma delícia de domingo, mas serviu, especialmente, pra alimentar minha abstinência de praia (“oi, meu nome é Gabriela e faz dois anos e dois meses que não vou à praia”).
Em março vou pra uma praia descente – entenda-se brasileira, não preciso de nada chique, só comida gostosa, mar quentinho, sorvete…
Nem que tenha que ir sozinha, eu vou pra praia!!! Ah, eu vou!


"Tava indiferente, logo me comovo"

Há exatamente um ano eu estava em Paris, super encantada com o lugar. Mas eu ainda não sabia que ia encontrar meu coração em Edimburgo…

Eu ainda não sabia que chilenos não tem cara de índio; que Santiago é praticamente uma metrópole e que aqui pode até nevar, mas faz calor de verdade!

Há exatamente um ano eu nunca tinha tido um cachorro na vida, mas eu já desconfiava que seria conquistada…

Eu achava que sabia falar espanhol, e achava que estava preparada pra viver num novo país…

Eu não conhecia um monte de pessoas que agora existem na minha vida (com maior ou menor grau de importância).

Eu não sabia que a falta pode ter tantas facetas diferentes e nem pensava que aquele “saudades” sempre no final de alguns emails poderia ser tão mais palpável e real…

Há um ano eu suspeitava que 2011 seria imenso, em todos os sentidos! E suspeitava que MUITA coisa ia mudar…
Acho que eu ainda não sabia que EU mudaria tanto, nem que era possível mudar, sendo ainda a eu mesma de sempre.

Em 2011 eu reclamei muito na internet, nas redes sociais, no blog…
Aliás, em 2011 eu fiquei muito na internet… provavelmente pra vir sem ir de vez, pra deixar alguma marca em vocês aí tão longe e ter a presença de vocês aqui perto…

Parece que faz uns mil anos que estive na Europa, parece que faz só um tempinho que estou casada, parece que foi há alguns anos que sai do Brasil, parece que estou na faculdade há uma eternidade (por que será?? hahaha), parece que a Maní sempre esteve na minha vida, parece que o Chile é minha casa há pelo menos dois anos, parece que me despedi de alguns amigos há poucas semanas, parece que faz séculos que não vejo algumas pessoas (no caso de algumas, faz mesmo)…

O tempo é essa coisa maluca “que mexe com a minha cabeça e me deixa assim”(hahahaha)… mas o que eu andei percebendo é que a força e o peso de algumas experiências alteram bruscamente a sensação temporal sobre elas…

2011 foi uma vida inteira em um ano só!!!! 2012 já chega com mais calma… 
Talvez eu envelheça menos no próximo ano, talvez eu emagreça mais, talvez eu aprenda menos, talvez eu descubra mais…

Toda a sede de novidade misturada com o absurdo frio na barriga que eu sentia há exatamente um ano se acalmaram….
Mas fico contente em perceber em mim, para 2012, a fome de viver mais e, por que não, melhor!

Por isso, não vou desejar feliz ano novo pra vocês, mas sim um ano de barriga roncando, um ano de um apetite insaciável, para que, em um ano mais, possamos nos encontrar satisfeitos, com aquele soninho de depois de um bom almoço, deitar lado a lado na grama – mesmo que virtualmente – e comemorar todas as coisas deliciosas que devoramos no ano que passou!

Aos meus super queridos, simpaticamente curiosos e sempre pacientes, BOM APETITE!!!!!

"Tempo, amigo, seja legal…"

Nos últimos sete dias eu não fiz janta nem sequer uma vezinha; quando quis comer coisa descente, o Lucas que teve que cozinhar.
Até a Maní, que deveria estar comendo só comida caseira, acabou ganhando ração em uma das refeições.
A pia da minha cozinha está medonha nesse momento.
TODAS as unhas da minha mão estão quebrando e/ou quebradas (além de gigantes).
Crises de enxaqueca não faltaram.
Já o funcionamento do cérebro, sim.
Esqueci de pedir água essa semana.
Esqueci de pagar a faxineira na sexta feira.
O corpo, claro, tá sugerindo um resfriado.
E a lista dos afazeres parece que não tem fim…….
Essa semana eu fui uma péssima esposa, péssima mãe e péssima dona de casa! Se a família tivesse fugido eu nem poderia reclamar.


Esse fim de ano não está fácil! 
Milhões de coisas infinitas da faculdade pra fazer; vídeos do Adote um Gatinho atrasados; cachorra semi-doente; mudança ainda não confirmada (apesar da urgência de prazos que temos); todas as coisas de mudança e instalação na casa nova pra ver, escolher, resolver, comprar…idas ao Brasil pra planejar; presentes pra pensar e comprar; todas as coisas da rotina da casa pra cuidar…e eu poderia seguir listando e listando e listando…

Acho que nunca na vida eu precisei tanto de férias! A contagem regressiva oscila entre absurdamente devagar e rápida demais pra tudo que ainda falta fazer… A relatividade do tempo ainda me deixa louca!
Dá frio na barriga de nervoso por pensar em todas as pendências e no pouco tempo que tenho disponível.

Mas no final, o que importa de verdade é que essa confusão toda é confusão de FIM DE ANO! 
Tá acabando!!! Falta cada vez menos!! Aí vem férias, vem Brasil, vem abraços, vem fim de saudades, vem festas de famílias, festas de amigos, vem 2012, vem viagens pelo Chile, vem mais férias, vem show do Chico Buarque, vem mais Brasil, vem um bom respiro pra encarar o (finalmente) último ano de mils faculdades…

Ainda tá apertado e sem-noçãomente corrido, ainda falta, mas…falta pouco! E é esse o recado que eu tô mandando pra gastrite que ameaça aparecer: “A gente dá conta, calma…Segura aí, que falta pouco pra hora do UFA”!



“Só me derrube no final”



"O futuro não é mais como era antigamente"

“Con motivo de su aniversario 25, la copia ha sido digitalmente remasterizada por lo que tanto los fans como las nuevas generaciones, podrán disfrutar de la imágen y sonido en alta definición.”



“De volta pro Futuro” completou 25 anos! E claro que a gente foi assistir no cinema!!!
Foi uma experiência emocionante!

A estréia aconteceu no dia 29/09 e apesar da vontade de ir correndo ver, resolvi esperar um pouco pra evitar a fadiga da multidão. Mas não adiantou muito…rs
Domingo, 19h30 – véspera de feriado, ok – e cinema completamente lotado!! Uma das maiores salas de cinema que eu já estive, cheia de gente de todo o tipo: famílias completas, casais, grupos de adolescentes, velhinhas de muletas, jovens de corpo e jovens de espírito! E até os que eram velhos de espírito certamente saíram da sessão com o frescor das novas primaveras!

A remasterização deixa o filme incrível e combinada com a tela enorme traz à vista detalhes que parece que nunca estiveram lá! E olha que assisti esse filme incontáveis vezes na televisão!!! (acho que foi a primeira vez que vi inteiro sem estar dublado..rs)

Claro que essa dupla também faz saltar aos olhos a tosquices como a da maquiagem que envelhece todos os atores, por exemplo; e que os sons de tiros e dos efeitos do DeLorean em alta definição Dolby chegam a fazer rir… mas notar essas coisas faz parte da diversão!



Re-assistindo agora fica quase óbvio o porque de o filme ter sido tamanho sucesso na sua época e em tantas outras depois (se ele está completando 25 anos, nasceu no mesmo ano que eu e mesmo assim foi um dos marcos da minha infância – vários anos depois!)
O roteiro é super redondinho: primeiros 10 minutos tudo que você precisa saber já está aí e tudo que está aí vai voltar e fazer sentido depois! Fora os atores, o efeito, a idéia gracinha, a quantidade de acontecimentos importantes e cheios de ação…



Marty volta 30 anos no tempo e cá estamos nós, 25 anos depois (55 anos depois do passado dele)… acho incrível ver o que era super moderno na tal década de 80, sinto mais ou menos o mesmo encanto que o personagem tem quando chega em 55, sabe?!



Como eu disse, o cinema estava lotado. Lotado de gente que já tinha visto o filme antes; e muitos que estavam levando alguém pra ver pela primeira vez, porque é o tipo de experiência que traz tanta lembrança e emoção que você quer dividir com “os que não tiveram essa chance maravilhosa na época certa”.
Sabe minha birra com o cinema? Então… esse tipo de experiência me faz lembrar a tal magia do cinema e o quanto ela realmente pode tocar as pessoas…

Pela primeira vez na vida (em uma situação não de festival, não com os realizadores presentes) vi um filme ser aplaudido na sala de cinema! E não foi só no final, não! Era um público realmente envolvido com o filme – pelas emoções antigas que ele carrega, mas também pela emoção que a ação em si ainda consegue trazer! 
Quando o George toma coragem pra salvar a Loreane do Piff, aplauso. Quando eles finalmente se beijam, aplausos. Quando a viagem de volta para o futuro dá certo, aplausos. Quando o Doc não está morto de verdade, aplausos. E no final, então…APLAUSOS!!!




Espero que essa versão remasterizada chegue nos cinemas aí do Brasil tb.. aqui tá fazendo o maior sucesso, certeza que aí daria mais do que certo! E, concordemos, merece, né?!?!!


Como eu disse, foi emocionante ter estado lá. Estar no futuro vendo um filme do passado sobre uma viagem pro passado e a volta pro futuro!!! hehehe
Incrível!!!!