"e cada vez mais cão"

Maní é minha filha há 1 ano, 4 meses e 2 dias. E até hoje (e, honestamente, acho que po muito tempo ainda será assim) eu paro qualquer coisa que estiver fazendo e abro um dos maiores e mais apaixonados sorrisos pra assistir ela sonhando!
Dormindo um sono profundo e gostoso ela começa primeiro a balançar as patinhas, depois a torcer o nariz e fazer caretas, até que chega no auge: os mini-latidos.

A Maní acordada é muda – não de verdade, ela é capaz de emitir sons, tipo latido, ela só não lembra disso nunca e está sempre mudinha pela casa, se expressando só com a cara, o corpo e o rabo (sim, ela é o cachorro que eu pedi aos deuses!)

Mas quando entra no sono REM (hahaha, não sei se isso existe pra cachorro), ela solta as cordas vocais!
Juro, é a coisa mais fofa do mundo essa cã dando os mini-latidos – mini porque são curtos e baixinho!!!!

Só que nunca consegui filmar, pois sempre que acontece, se eu me mexo ela acaba saindo das profundidades oníricas e o espetáculo acaba…

Mas um dia eu consigo! E aí venho correndo mostrar pra vocês!

"Sem a qual a vida é nada"

O Dias dos Namorados traz uma atmosfera diferente e curiosa pra esse mundo virtual: uma divisão muito clara entre os amargos e os derretidos (ao leite, imagino…rs)!


Aproveito a data pra me adoçar e “refletir” um pouquinho sobre os encontros amorosos….

Acho curioso como às vezes parece mesmo que existe aquela história de alma gêmea, metade da laranja, tampa da panela.

Não importa o quanto aquela menina pareça carente, ou aquele menino pareça pentelho, ou aquela mulher pareça cheia de manias esquisitas, ou aquele homem pareça individualista, ou fulano pareça feio e ciclana pareça meio sujinha….hahaha
É legal como uma hora ou outra todas as pessoas – mesmo aquelas em que ninguém botava muita fé – acabam encontrando um pedaço de si em outro.

Às vezes o encontro demora muitooo pra acontecer, às vezes acontece mas não dura muito – gracinhas da vida, imagino… – mas acontece! E quando acontece….é lindo!! E é pentelho, é grudento, é excessivamente  escandaloso… é de cada um!

Saber aproveitar esse momento exige sabedoria e um pouco de arte, porque ninguém sabe quanto tempo vai durar o tal… pode ser que seja uma noite, uns meses, muitos anos, uma vida de momentos…
Hoje, particularmente, eu diria que não importa esse tempo. O importante é saber aproveitá-lo enquanto se está vivendo ou lembrar com carinho dos que já passaram…


Aí no Brasil tem sol hoje? porque aqui, que não é dia dos namorados, nem dia de coisa nenhuma, estamos no quarto dia de chuva do ano! Mas hoje – exclusivamente, talvez – defendo a campanha para que os amargos saiam ao sol, se deixem derreter um poquinho também, seja com as lembranças açucaradas ou com as possibilidades de um doce futuro…
Porque pelo menos uma vez no ano o mundo seria mais bonito se todas as panelas estivessem tampadas, ou se todas as meias-laranjas tivessem a lembrança latente de quando foram inteiras. E se todas as almas tivessem a consciência de que em algum momento do seu vagar vão acabar tropeçando no inesperadamente desejado…ai,ai….!!!


"So, please, please, please"

Basta entrar no meu blog pra dar de cara com o logo do Adote um Gatinho!

Acho que absolutamente todo mundo que me conhece sabe do meu amor pelos gatos e da minha escolha pelo Adote um Gatinho como ONG preferida ever!!! rs

Pois hoje eu vim aqui contar como começou minha relação e minha paixão pelo Adote!

O texto que segue foi escrito por mim em dezembro/2009… um pouco sem saber o que fazer com isso, ele acabou virando um email babão pra Juliana e pra Susan, e foi assim que tudo começou…rs (versão sem edição ou correção)

Relato de uma fã:
Conheci o Adote Um Gatinho algum tempo atrás, pesquisando informações de como cuidar melhor do meu gato e logo me encantei com o trabalho.  Na época eu fazia faculdade no interior e como uma boa universitária de curso integral, não possuia renda, assim, minha contribuição para a ONG ficava reduzida à divulgação do trabalho.

Quando tive que voltar pra São Paulo, trouxe, claro, meu gatinho (Léo) comigo, mas a casa dos meus pais (onde voltei a morar) é praticamente impossível de fechar e por mais que eu tenha me esforçado pra que não acontecesse, o Léo se tornou um amante das ruas. Passava os dias soltos e a noite dormia preso em casa; desta forma ele fez muitos amigos (humanos e gatos), mas também acabou encontrando um final terrível. Em junho de 2008 o Léo foi envenenado. A dor foi imensa, eu me culpei pelo fato, e sinto a falta dele todos os dias, até hoje.
Tive gatos desde criança em casa e sempre ouvi dos meus familiares que gato era bicho livre, que deveria ficar solto e nós, humanos, deveríamos aprender a lidar com a perda que fatal e rapidamente sempre acontecia. E acabei acreditando nisso, enquanto acreditava também na bondade geral do ser humano. A morte do Léo me trouxe uma amargura também, uma sensação de que não poderia mais confiar nos seres humanos (especialmente meus vizinhos) ou na minha casa.
Foi neste momento de dor e decepção que meu vínculo com o Adote Um Gatinho se estreitou ainda mais. Descobri ali uma série de pessoas que amavam esses animaizinhos tanto quanto eu,  que pensavam a relação com eles assim como eu, que defendiam a proteção dos gatos, dentro de cada casa, segura, quentinha, garantida… Percebi que não estava sozinha no mundo dos loucos amantes dos gatos. Pelo contrário, tinha um monte de gente tão louca quanto eu (rs), algumas que se dedicavam de uma maneira incrível para aqueles animais, custasse o que fosse, desse o trabalho que fosse. Ali, naquele site, naquela ong, tinha gente que me mostrava que ainda havia seres humanos que valiam a pena nesse mundo.
Passei então a gastar horas e horas acompanhando o trabalho do Adote Um Gatinho.Lendo tudo que tem no site mais de uma vez, vendo as fotos dos gatinhos disponíveis e dos já adotados, acompanhando o blog (que entrou rapidamente pra minha barra de favoritos), chorando (de felicidade ou não) ao ler as histórias dos boletins ou assistindo os vídeos, enfim,admirando tudo o que essas pessoas faziam pelos gatos, sentindo um pouco de alívio por saber que elas existiam…
Ninguém entendia como eu podia passar tanto tempo vendo um site sobre adoção de gatos, sendo que eu não iria adotar um gato – minha casa continua insegura, e meus vizinhos, continuam uns ogros, e eu não colocarei gatos neste abiente novamente! Em alguns momentos era mesmo dolorido passar vontade daquele jeito, com aqueles  gatinhos lindos… mas na maioria das vezes, eu me sentia confortada pela simples existência daquelas cuidadoras. Continuava como uma admiradora passiva, ainda nao podia colaborar com a ong. Não podia contribuir com dinheiro, pois meus pais não levavam muito a sério a minha vontade, e é deles que vem o dinheiro,então….Pensei em doar o comedouro do meu Léo pros gatinhos carentes, mas tive uma crise de choro horrível quando fui marcar na agenda uma data para entregar o pote, então achei mehor respeitar esse meu limite…
Finalmente, ao longo desse ano, ainda sendo a universitária pobre que sou, decidi que passaria a economizar dinheiro meu, seja lá como fosse, deixando de tomar refrigerante ou sair um fim de semana, enfim… Eu queria participar mais ativamente do trabalho, precisava fazer mais pelos gatos vivos que precisam tanto da gente. Minha forma de contribuição passou então a ser, além da divulgação, a compra das rifas. Nunca pensei no que estava sendo rifado, queria apenas garantir que um mínimo de dinheiro meu seria revertido para a ong! Tanto que fiquei surpresa quando acabei sendo a ganhadora da última rifa do ano que foi pro ar (do kit da tok stok), achei o máximo, me senti mais próxima do AUG, fiquei super emocionada por isso!!!
Aí surgiu o II Bazar de Natal! Marquei na agenda mais de um mês antes e decidi que iria a todo custo! Tentei achar companhia pra ir comigo, chamei amigos, outras gateiras da família, mas nada… Então fui sozinha mesmo! O importante era ir ajudar os gatinhos!!!
Logo que sai do metro Vergueiro (ainda um pouco perdida), vi uma moça com uma sacola na mão, que não sei bem porque, me chamou atenção, em seguida, vi outra com a mesma sacola, mas com a camiste do AUG. Pronto! Me senti em casa!!! Fui, literalmente, seguindo as vibrações, e consegui chegar ao local do bazar. Lá era tudo encantador, fiquei o tempo todo com os olhos cheios de lágrimas. Tive a sorte de chegar perto do momento em que um dos vídeos foi passado e quando estava me sentindo um pouco boba por estar chorando com o filme, percebi que todas a minha volta choravam também!  Ali eram todas como eu, todas apaixonadas pelos gatos, todas loucas gateiras, todas choronas…
Até aí já seria dificil descrever tanta emoção. Mas ainda havia aquele grande quadrado no meio do salão, cheio de moças bonitas  usando camisetas da ong… Até entao meu “relacionamento” com o AUG era totalmente virtual..mas ali estava eu, na frente daquelas pessoas que sem saber me deram tanta força, que eu tanto admirava. Percebi que estava nervosa como uma adolescente quando encotra com seu ídolo, fiquei tremendo, com vontade, mas tb um pouco de medo de chegar perto, rondei a mesa algumas vezes antes de me aproximar, e quando consegui, fui bem rápida, fiz meus pedidos,gastei um dinheiro que eu não tinha (rs), e fiquei olhando de longe mais um pouco. 
Quando vi a Juliana e a Suzan então, que emoção!!! Tive vontade de ir tirar foto e pedir autógrafo, ou dar um abraço de “parabéns e muito obrigada”, mas achei melhor olhar de longe, e me emocionar mais um pouco. Sai de lá chorando, de alegria, de contentamento, sentindo que lá era um pouco meu lugar, com uma vontade enorme de estar mais lá, rodeada de todas aquelas pessoas. Afinal, tinha sido tudo tão lindo! Eu nunca tinha visto tantos gateiros e gateiras unidos de uma vez.
Até que surgiu o concurso da playlist do Sonora! E eu descobri que não tinha visto nada do que podia ser união, dedicação e força em prol do animais! Votei loucamente! Mesmo ouvindo críticas, mesmo com pessoas tirando sarro de mim, votei, votei, votei, votei…incansavelmente. Mais uma vez fiquei mais quieta no meu canto….apareci meio pouco no orkut e nos comentários do blog, mas estava lá, sabia que estava fazendo minha parte, não só pelos animais, mas principalmente, pelas meninas do AUG!!!!
Eram elas quem mereciam isso, são elas que vão fazer mais mágica com seus corações lindos, ajudando esses seres encantadores…e foi por elas que eu votei!!! Era lindo perceber que a cada voto, varios outros também aconteciam, e que, de alguma forma, aquelas pessoas e eu, estávamos conectados!
Se ao fina do Bazar eu tive vontade de gritar por aí que me orgulhava da ong de vocês, ao final das votações, eu transbordava orgulho!!!! Orgulho por vocês terem vencido, orgulho por ter feito parte disso, orgulho por receber os emails de vocês que começam com “queridas amigas”! Porque é assim que eu me sinto, apesar de nunca ter falado com vocês, de só ter olhado de longe, eu me sinto querida, me sinto amiga. Tenho em vocês um conforto, um apoio, uma cumplicidade…
Resolvi escrever então pra contar que não só aos gatinhos o trabalho de vocês faz bem. Eu nem consigo descrever o quanto vocês me ajudaram e ajudam a aquecer o coração!
E, assim como todos os gatinhos, tenho muito a agradecer!
Por isso resolvi escrever esse relato: é minha forma de agradecimento, meu abraço (ou minhas lambidas) de “muito obrigada”!!!!
Muito, muito, muito obrigada por existirem ( e tenho certeza que não falo só por mim)!!!!!!! Mesmo!!!”

Bom, algum tempo passou, algumas coisas mudaram – agora eu conheço essas pessoas, não só como voluntárias ou fundadoras da ONG, mas como seres humanos de verdade. Tive o prazer de trabalhar no Bazar de Natal em 2010 e em 2011 fiz os vídeos de fim de ano e, de alguma forma, estive presente no Bazar também! 

Vejo todos os dias, pela internet, o que é a vida dessas pessoas, tudo aquilo que elas dedicam aos animais (que não é só amor, não!!!), todas as dificuldades e todas as conquistas diárias!

Que eu babo por elas, se vocês não sabiam, agora sabem!
Mas esse post tem um motivo especial…

Adote divulgou hoje um apelo muito difícil (que você pode ler clicando aqui), muito doído… A situação, que não está fácil pra ninguém, está impossível pra eles…
Li, com lágrima nos olhos, e preciso, desesperadamente, fazer alguma coisa pra tentar mudar isso!

Eu sei que meu blog não é super populoso, mas é o canal que eu tenho para fazer o meu apelo! 
Não podemos deixar que um trabalho tão lindo seja engolido por essa onda tão cruel! Os gatinhos não merecem e a ONG não merece!
Por favor, LEIA o apelo, ele é honesto e emocionante!

E é por isso que estou usando este espaço pra pedir que você ajude! Que ajude a divulgar o trabalho do AUG, mas que ajude também com uma doaçãozinha qualquer…sério, QUALQUER quantia faz diferença! Cinco, dez reais…o que você puder doar... Nesse momento de super aperto, mas também no resto do ano, porque o trabalho é infinito!!! 
Nesses anos eu aprendi que o Adote um Gatinho é mágico, mas me doeu o coração ao ler  que ele não é infinito!

Ah! Se você é uma pessoa que não gosta tanto assim de gato (ou sei lá qual a justificativa que você pode pensar), lembre-se que existem milhares de outras ONGs no Brasil, que ajudam gatos, cachorros, crianças, não importa…
Peço sua ajuda especialmente pro Adote um Gatinho agora, mas sugiro que você coloque na sua agenda (no seu celular, no seu outlook…) que todos os meses possa dar uma pequena ajuda pra alguma instituição dessas! Porque enquanto você está atolado na sua vida cheia de coisas, tem gente que abriu mão dessa vida pra cuidar da vida dos outros…

Outra coisa que eu aprendi no contato com o Adote é que o que pode ser uma migalha pra você (um simples gesto, poucos 5 reais, um pouquinho de tempo pra ir até o banco) pode ser o milagre pra outros…

E esse ato de bondade faz bem pra alma; vários atos de bondade juntos fazem bem pro mundo!!!


Para fazer depósitos pro AUG existem duas contas:

Razão Social: Adote um Gatinho
CNPJ: 08.858.329/0001-08

Itaú: 0341
Agência: 2970
C/C: 12869-6

Bradesco: 0237
Agência: 3334
C/C: 6253-7 


Entrando no site vocês podem encontrar várias outras maneiras de ajudar também! Dêem uma passadinha lá: http://adoteumgatinho.uol.com.br/ajuda.htm
(elas são super sérias e certinhas, então vocês podem mandar um email para susan@adoteumgatinho.org.br avisando o valor e a data do depósito, pra que seja colocado na prestação de contas do mês, ok?!)

Bom, por hoje é isso…rs
Agradeço muito a paciência de quem chegar até o final desse post e, agradeço MUITO e de coração, quem dedicar alguns minutos extras pra ajudar de verdade essa causa…

Beijos de coração apertado…


"Pedaços de mim"

Ser mãe é ensinar a coragem, incentivar as ousadias, reforçar a auto-estima, curtir as novidades e comemorar as novas conquistas.
Saber acertar a distância: longe o suficiente pra deixar o filho e ir e se virar, e perto o suficiente pra poder segurar em caso de queda.
Minha mãe “me deixou” vir pro Chile e sabe estar sempre pertinho de mim (pelo coração e pela internet). 

Minha filha acaba de descobrir esse novo mirador na casa e claro que a babona aqui ficou orgulhosa, achou lindo e registrou o momento…rs



A homenagem pra minha mãe eu fiz outro dia, aqui no blog, pelo aniversário dela, e hoje só posso repetir o parabéns pelo seu dia e muito obrigada por, literalmente, TUDO! Com ela estarei agora sempre, pendurada em seu  pescoço! =)

A homenagem pra minha filha está em cada amasso e nos beijos infinitos que posso dar todos os dia nela e em cada carinho e chamego que recebo de volta! Privilégio que eu sei aproveitar direitinho!

Às outras mães, desejo um feliz dia, com o coração cheio de amor e os abraços cheios de carinho – desse jeito que, como todo filho sabe, só as mães sabem ter!

Beijos  à todas!


"Tô lhe contando que é pra lhe dar água na boca"

“Chico é como um parente distante, que chega de repente e penetra na intimidade do nosso lar.”



A frase é no Nelson Rodrigues, o livro é da Regina Zappa, a biografia é do Chico Buarque, o presente eu ganhei do Lalo.

Mas quem se delicia sou eu. Quem está ainda mais apaixonada, sou eu!
Sério, dá vontade de ler esse livro infinitamente, pra sempre, todos os dias…

Ele traz a sensação de que estou do ladinho do Chico, escutando ele e amigos muito próximos a ele narrarem lindas histórias sobre uma vida que eu queria ter vivido; ou pelo menos acompanhado de perto.
(como eu sempre digo, nasci na época errada!)

É só a sensação, mas já é tão gostoso!!!Acho que isso é o que todo livro deveria proporcionar ao seu leitor…
Esse acertou na mosca!

No final, as histórias são do Chico e sobre o Chico, eu não estava lá pra ver e contar, a Beneton não gravou tudo e a globo só passou umas partes…mas o bom é poder abrir o livro e tê-las ali, pra hora que eu quiser relembrar, como se elas quase fossem minhas!





Ah! Não preciso nem dizer que nos dias em que estou lendo não consigo ouvir nenhuma outra coisa, né?! 

"Pra quem você tem olhos azuis?"

Talvez porque por um bom tempo éramos as duas e só.
Talvez porque sempre estivéssemos as duas – com ou sem mais alguém.
Talvez porque nós, de alguma forma, crescemos juntas.
Talvez porque eu não seja muito boa de amigos novos.
Ou talvez simplesmente porque sempre foi assim.
De qualquer jeito, assim é o melhor jeito!


Legalmente ela virou “adulta” exatamente 15 dias depois que eu nasci. Imagino que na prática tenha sido um pouco diferente… Antes ou depois ou durante… ou os três.

Outro dia, num cartão de aniversário ela fez a matemática de quanto, na porcentagem da vida dela, eu estive presente.
Pois pense bem, se eu estou com você a mais de um terço da sua vida, o que dizer da minha, que tem 100% de você?

Não precisa me conhecer muito a fundo pra reconhecer em mim seus pedaços. Seja no nariz de tomada, na maçã do rosto que tá mais pra manga, no Chico Buarque, no Lô Borges, no Gênesis, no Trem de Pirapora, no Balão Trágico… Na jeito de pensar, de chorar, de dirigir… Na dificuldade de enxergar ou nas trapalhadas do dia a dia…

O blábláblá de “eu não existiria sem você” é bastante redundante no caso filha-mãe; e eu sei que sou suspeita pra falar, mas realmente acho que nossa relação é mais especial do que as que estão por aí…

Correndo o risco de ser repetitiva – ou melhor, já sendo – nas datas especiais é mais difícil estar longe; e o coração dividido dessa vida de expatriada fica ainda mais apertado em dias como hoje…
Queria estar aí, dando e ganhando colo, comendo comidas gostosas, fazendo programa de “nós 4”. Queria dar todos os beijos e abraços que estão faltando e mais vários especiais pelo dia.

Eu não posso te responder a última pergunta que você me fez quando nos despedimos da última vez, porque eu não sei a resposta. Mas uma coisa eu garanto: por mais feliz que eu esteja longe, um pedaço do meu coração sempre vai estar dolorido (de saudade, de culpa, de amor…)
E mais: por mais longe que eu esteja, não importa os quilômetros de cordilheira ou os infinitos litros de mar que possam tentar nos separar… Eu sei que sempre estaremos juntas!
Você está sempre no meu coração e na minha cabeça – e no meu iPod, e no meu fogão…

Te amo porque você é minha mãe, porque você é minha amiga, porque é uma pessoa incrível, porque tem os olhos mais azuis e mais expressivos que eu já conheci, porque tem o sorriso mais “iluminador de ambientes” da história (tá, vai…acho que só não ganha do Gael Garcia Bernal…hahaha), porque é uma profissional impressionante, porque é um ser humano especial… Te amo porque você é você – em mim, nos outros e em você!

O dia já tá acabando, mas durante todo ele eu te desejei um feliz aniversário. E desejo – todos os dias, mas hoje especialmente – que cada dia da sua vida seja melhor, que as dificuldades tenham uma razão de ser, que os motivos pra comemorar sejam infinitos, que o coração esteja sempre inundado e que você seja cada dia um pouco mais feliz!

Te amo, mãe! Parabéns!!!




"canções de amor se parecem" ?

Não consigo muito explicar poque, mas costumo desconfiar de declarações exageradas de amor.

Outro dia tinha alguém reclamando no facebook sobre esse povo que vira e meche tá atualizando o “status de relacionamento”, sempre afirmando que “agora é pra sempre” com a nova pessoa… Pode ser que isso seja uma grande fé infinita no amor, ou o contrário…

Que o facebook é uma ferramenta narcisista onde cada um faz questão de dilatar a própria felicidade pra divulgar a vida perfeita que leva, isso tem sido muito dito ultimamente.
Meu pensamento de agora passa pelo facebook mas vai um pouco além.

Desconfio, sim, do amor de quem tem que ficar postando com um frequência esquisita o quanto está apaixonado.
Mas desconfio, principalmente, da necessidade de declarações intermináveis, enfeitadas demais, frequentes, demais, floreadas demais…seria falta de romantismo da minha parte?

Sei não…

Eu prefiro o amor sutil, o amor sabido e seguro que não precisa de flores ou posts semanais. O amor que se percebe em um toque, em um ataque de riso, em uma bufada de “ai, isso é tão típico de você”.
 O amor que compartilha um olhar que diz tudo e não precisa de um milhão de linhas (num cartão ou numa rede social).

Sim, sim. Eu sei que andei postando por aqui longas e melosas declarações. Mas foram declarações comemorativas,  porque eu sou sim muito a favor de celebrar o amor!

O que me deixa com o pé atrás é a sensação que algumas declarações me passam de pura insegurança, necessidade de autoafirmação por puro medo… Especialmente no caso de relacionamentos mais novos…
Sei lá, pode ser preconceito meu (e provavelmente é..rs), e pode ser um pouco de inveja também (será?).

Mas o fato é que os pequenos gestos me encantam infinitamente mais do que os grandes “eventos”. Especialmente porque eles preservam a proximidade e a pessoalidade dos envolvidos!

Talvez por isso eu goste tanto da rotina da vida de casada…
🙂

"Finja que agora eu era o seu brinquedo"

Lembro como se tivesse sido ontem. 
Lembro do arrepio na espinha quando te via de longe, destacado no meio da multidão, se aproximando de mim.
Do frio na barriga que vinha quando sentia seu cheiro mais de perto.
Das festas sem sentido que eu ia só pela companhia. 
Lembro da festa Hawaiana com a nada discreta e bastante provocante brincadeira de me sujar de neon. Da colega “intrometida a cupido” que provavelmente só atrasou o processo todo. Da carona oferecida (mesmo sem espaço no carro) e aceita (pra ganhar um pouquinho mais de tempo).
Lembro da noite, véspera de feriado, de horas infinitas, de jogos infinitos, chocolates saborosos e amigos demais – na sala que já deveria ter sido só nossa.
Do ônibus antes das 6 da manhã, que chegou cedo e rápido demais. E da aflição de, pela primeira vez, me despedir de você e ver da janela o distanciamento…

Lembro do nervosismo do primeiro encontro (sim, sempre fui bobinha!). Da desculpa esfarrapada de ir ao teatro. Da ajuda amiga na “rebolada” pra conseguir chegar naquele cinema no fim do mundo.
Lembro do joguinho de aproximaçãoXdistanciamento nas cadeiras do tal cinema. De ter sido “sequestrada” pro seu carro e conhecido de fora sua casa.
Lembro dos seus amigos muito simpáticos, bastante bêbados e/ou nada discretos.

Lembro do toque no cabelo mais macio que já conheci. Dos piercings no meio do caminho. Das horas de conversa. E das horas e horas e horas do colo confortável e mega paciente. 
Lembro do cafuné carinhoso que gentil e espertamente se transformou no tão esperado Primeiro Beijo.
E me lembro do frio na barriga que veio deliciosamente congelante e das borboletas que vieram definitivamente morar no meu estômago.
Lembro de, mais uma vez, ter que me despedir cedo demais de você, mas com direito, agora, ao beijo de despedida.

Lembro tão claramente das cores e das luzes, tão intensamente dos cheiros e tão perfeitamente dos gostos que chega a ser difícil acreditar que isso tudo aconteceu há 7 anos!

7 anos de história é história pra caramba!

E como todo bom livro, é uma história que começa com as melhores páginas possíveis, pra prender o leitor logo de cara e fazer com que ele não consiga mais largar o livro, esperando sempre saber o que mais vai acontecer. Mesmo que esse livro se proponha ao “viveram felizes PARA SEMPRE” e mesmo que o interessante da história seja o caminho até esse “sempre”.

Vamos lá!


2005


"quando o homem exagera"

Peguei o certificado de Pedigree da Maní pra passar os dados pro atestado de saúde que ela precisa pra ir pro Brasil e tava prestando atenção numas coisas…

Ela só tem uma avó, que é mãe do pai e da mãe, ou seja…seus pais são irmãos!
E não pára por aí, vários outros nomes se repetem na pequena árvore genealógica de (apenas) 4 gerações…

Esse tipo de coisa me revolta muito!

Carrego comigo uma culpa, que vivo tentando esconder de mim, por ter uma cachorra de raça.
Minha justificativa racional faz sentido pra mim: nunca tive cachorro e nunca gostei de cachorro, portanto, quando escolhi ter um, precisava garantir algumas características pra que pudesse aprender a viver com esse novo animal.
Eu não podia correr o risco de pegar uma vira lata que cresceria demais ou que latiria demais…ou que exigisse de mim coisas e paciências que eu não sabia se teria com um cachorro. 
Porque desistir depois de ter JAMAIS seria uma opção pra mim, mas viver com um bicho que não me agradasse também não faria nenhum sentido…
Como expliquei outras vezes, por causa do novo estilo de vida – expatriada, com país de origem pra visitar e país novo pra conhecer – não daria pra ter meus favoritos gatos. E não ter bicho nenhum, nem pensar!
Decidido que seria cachorro, fiz uma mega pesquisa, li um monte, pesquisei na internet, conversei com veterinários…tinha que ser o cachorro certo. E foi assim que escolhi o Shih Tzu.

É uma raça incrível e que sempre recomendo pra quem tem o estilo de vida parecido, ou mora em apartamento ou tem criança em casa…é excelente!
Mas é de raça, é criada e é comprada!

Um dos momentos em que isso mais pesou pra mim foi quando cheguei em casa e encontrei a Maní tremendo, como se tivesse engolido um celular no vibracall; tremedeiras fortes e ritmadas que vinham, tremiam e passavam…
Liguei assustada pro veterinário e ele me deu uma lista de sintomas pra prestar atenção, disse que poderia ser uma convulsão já que, nas palavras dele, “epilepsia é uma doença comum nessa raça”.

Putz, além do susto de ver sua filha com provável epilepsia, fiquei muito puta comigo! Porque independente da pesquisa e da raça escolhida, minha filha é a Maní e saber que ela estaria sujeita à uma doença tão séria por causa do egoísmo do ser humano que fica fazendo essas criações bizarras – seja pra “melhorar” a raça, seja pra ganhar dinheiro… Putz, que raiva! Raiva disso existir e raiva de compactuar com isso!
No final a tremedeira era um sintoma bizarro da gravidez psicológica em que ela estava, portanto, nada sério, susto deixado pra trás, ufa!

Mas fora isso, ela tem vários outros defeitinhos genéticos, como o dedo a mais no pé direito ou as mil e uma alergias ou o problema dos vômitos inexplicáveis..


Amo minha pequena, com raça ou não, do jeitinho que ela é, não troco por nada e tô pouco me lixando pra esses “defeitos”, mas realmente me revolta pegar a árvore genealógica dela e saber que isso tudo poderia ter sido se não evitado, pelo menos amenizado, se esses criadores de merda não fizessem esses cruzamentos ridículos pra garantir uma coisa qualquer que dê dinheiro pra eles…

Pensar que ela pode vir a sofrer por causa disso é de revirar o estômago, mas não tem muito o que fazer agora, a não ser cuidar dela da melhor forma que posso.

A maior vantagem dessa história é que a Maní, raça escolhida, acabou me ensinando que muita coisa que eu queria garantir depende muito do “indivíduo cachorro”, mais do que qualquer raça. E me ensinou também, claro, a gostar de tudo que é cachorro! (apesar de, confesso, ainda não ter paciência pra latição nenhuma! rs)



"Vamos lamber a língua"

Um dos piores pesadelos que tive na vida – se não o pior – foi quando sonhei que o Chico Buarque tinha morrido. Acordei chorando muito e com uma angústia tamanha que demorou a passar e que até hoje aperta meu peito quando penso no assunto.

Em 2007, no período em que ia a todos os “Baile do Baleiro”, ou seja, quase toda semana num show, eu sempre saía de lá com a alma lavada, com uma felicidade indescritível. Ia dormir leve e tinha sonhos super gostosos em que estava em uma roda de violão com toda a banda, super amiga do pessoal, batendo altos papos e cantando tudo que é música. Isso sempre resultava em manhãs deprimidas e depressivas, manhãs de voltar à realidade, lembrar que não sou amiga dessa turma e tão pouco sei cantar! rs

Li agora no blog Adorável Psicose o seguinte trecho:

“Lembro da professora de “Atualidades” falando sobre como o comércio era uma das provas de que não somos autosuficientes. Nós precisamos trocar para sobreviver.
E seguindo essa lógica, seria, de fato, impossível ser feliz sozinho. Tom Jobim devia concordar com a minha antiga professora de “Atualidades”. De repente eles até já se pegaram. Isso explicaria muita coisa do que ela dizia nas aulas.”

Fiquei pensando então na relação que desenvolvi com a música…

Eu costumo dizer que o Chico Buarque é o homem da minha vida e que o Zeca Baleiro é meu amante. (tenho, inclusive, sérias brigas com meu marido real sobre tietagemXciúmes)

É claro que essa brincadeira se refere puramente às composições de cada um deles. Admiro MUITO pessoas capazes de fazer músicas tão bonitas – até porque uma das maiores frustrações da vida é justamente a falta dessa capacidade em mim – mas o amor, antes de ser pela pessoa, é por aquilo que ela (me) diz com seu trabalho.

Mais do que a pessoa, o que apaixona e é capaz de tocar bem lá dentro (nas feridas más ou nas memórias boas, não importa), é essa magia que é a música em si.

Óbvio que a professora de “atualidades” não pegou o Tom Jobim, mas acho totalmente provável que as idéias que ela disseminava nas aulas como “verdades a serem racionalmente aprendidas pelos alunos” viessem da relação emotiva que ela própria tinha com as músicas e, consequentemente, com as idéias do Tom.

Acabei também de comentar com uma amiga: 
Não tenho absolutamente nada a ver com carnaval ou futebol, na verdade não gosto de nenhum dos dois; mas os anos de convivência com o Chico Buarque fazem com que seja impossível meu coração não ter uma quedinha pelo Fluminense e arrastar uma super asa para a Mangueira!

Porque no fundo é exatamente isso: eu posso nunca ter falado com o Chico na vida (apesar de ter tido a chance de agarrar o pé dele uma vez. rs), mas digo sem aspas nenhuma que tenho anos de convivência com o Chico Buarque.

E não me importa que na vida real ele seja chato ou arrogante, ou que o Baleiro use ou não drogas antes dos shows. 
Não importa que o Chico namore uma menina “boba” de 30 anos ou que o Baleiro seja casado com uma fotógrafa feia.
Não importa, porque não é através da vida real que me relaciono com eles. Não é com o eles de verdade e eu sei disso.
É com o papel que cada um assume em cima do palco ou com a idéia ou imagem ou sonoridade encantadora que eles cantam tão belamente.


Porque passa pelo racional, claro. É como disse uma vez: alguém que não entenda e/ou admire a língua portuguesa como eu, simplesmente não é capaz de entender totalmente minha paixão por Chico e Baleiro!

Mas também passa por….bom, como diz a Adriana Calcanhotto, de prato e garfo:




Pois é, acho que minha relação com a música se dá em algum outro plano. Em que sou só eu e a música de alguém.
É carnal, como o “de repente eles até já se pegaram”, mas é carnal no nível espiritual – se é que isso faz algum sentido…

Faz?