Pra cumprir

Semana que vem começo o Pilates!
Uhu! Tô animadona!


Principalmente depois de hoje, quando uma mulher me perguntou – enquanto acariciava a própria barriga – como está indo o bebê!
Hahahaha
É verdade que fiquei com mais vergonha alheia por ela do que qualquer outra coisa, mas sabe como é, né… exercício físico JÁ!!!!
Hehehe


Além disso, estava lendo sobre os benefícios e vi que eles prometem menos manchas roxas no meu corpo – ou mais equilíbrio, consciência e controle corporal! rs


Vamos lá! Promessa de “segunda feira eu começo” daquelas que não pode voltar atrás! Depois conto sobre a experiência..




Cariños,



Portunholando

Algumas coisas peculiares vêm sendo observadas nas nossas conversas por aqui: em casa deveríamos conversar em português, mas o que acaba saindo são umas falas tortas e muito entretenidas! 
O que  passa é uma mescla que acontece tanto com o emprego de palavras em espanhol no meio da conversação, quanto de palavras em português com o sentido ou o emprego que ela normalmente só teria em espanhol.


Quando vou cumprimentar alguém (escrevendo, num encontro pessoalmente ou numa chamada) não sei mais dizer “oi, tudo bem?”; sempre escapa um “oi, como está?”. Acho muito mais prático botar alguma coisa do que jogá-la no lixo. Soa um pouco demasiado educado dizer perdão ao invés de desculpe, mas é assim que ocupo agora. Estamos buscando departamento pra comprar. Bebida é só refrigerante. No meu caderno (que é escrito todo em português) o sonido é elemento fundamental para o desarrolho da narrativa. Fui numa tenda buscar jalecos de frio, mas não alcancei elegir nenhum bom. E sigo tenendo muito mais frio que todos os chilenos e me destacando entre ellos por toda a roupa que ponho!













Sim, sim…


Essas questões de linguagem tem sido minha maior diversão ultimamente!
E teria mais exemplos pra dar, mas quis só fazer uma brincadeirinha rápida mesmo…


Boa noite e ótima semana à todos!

Cumprindo promessa

Eu tinha prometido que os manteria informados sobre esse assunto, então vamos lá:


Há umas semanas atrás fui conversar com a secretária da Escuela de Cine sobre minha vontade de fazer teatro e ela me recomendou que conversasse com o professor de “Interpretação e Direção de Atores” lá, porque ele é ator, e apesar de trabalhar ultimamente só com televisão e cinema, conhece bem a área e tal..


Pois bem, demorei umas duas semanas ou mais pra encontrar o tal cara na Escuela, mas segunda feira agora consegui encontrá-lo correndo pra ir embora. Eu e a secretária explicamos meio por cima do que se tratava e ele pareceu atencioso, mas como estava com pressa, pegou meu email e telefone pra que a gente “marcasse um café pra conversar”. Ele falou qualquer coisa sobre marcarmos pra quarta ou quinta, mas pelo que já conheci dos chilenos, estava preparada pra na segunda feira seguinte ter que procurá-lo de novo pra cobrar o tal café…
Mas acontece que eu estava enganada! No dia seguinte – ontem, portanto – ele me ligou no final da manhã pra marcar logo o café prometido! Nos encontramos num shopping relativamente perto aqui de casa. 


O nome dele é Fernando Gomez-Romira e, só fui descobrindo ao longo da conversa, ele é um ator bastante importante aqui no país, fez várias novelas, alguns filmes importantes – entre eles o 03:34, que é sobre o terremoto que teve aqui no ano passado (aqui está o Trailer do 03:34) e está em cartaz atualmente, e foi reconhecido por algumas pessoas enquanto conversávamos! rs

Confesso que estava super nervosa quando cheguei no shopping…iria sentar com um cara que não conhecia, pra falar de um tema super pessoal e difícil pra mim e torcendo pra que ele pudesse me ajudar…

A conversa começou bastante objetiva, contei um pouco resumidamente minha história, a relação e o passado no teatro, o porque de estar querendo voltar agora…
Ele fez várias perguntas, entre elas algumas meio “técnicas” sobre qual tipo de teatro estudei, qual tipo gosto, o que eu li de peças, etc…


Ele tem um ponto de vista que achei muito interessante; nas palavras dele: “quando, aos 15 anos pedi pro pai pra finalmente começar a estudar piano – uma vontade antiga – ele demorou 6 meses pra encontrar um professor pra mim, porque pra ele era importante que as aulas de piano me fizessem amar ainda mais a música e o instrumento e nunca me cansar ou desmotivar, e achava que isso dependeria do professor. É pra isso que estou te fazendo todas essas perguntas, pra pensar bem e te indicar um lugar que cumpra com o que você está buscando, mas que cumpra também esses outros requisitos, porque pra mim qualquer um pode atuar – por hobby ou profissão – contanto que tenha amor!”.
Não preciso nem dizer que o cara me ganhou aí, né?! hehehe
Bom, ele me indicou um curso noturno em uma escola conceituada aqui, que segue o mesmo método com o que estava acostumada – e gostava – do Macunaíma, que cabe na minha agenda, enfim…  Chegou a ligar pro diretor do curso, falar um pouco de mim e perguntar quem me daria aula, pra saber se eram professores bacanas de verdade!
Fiquei com o telefone desse diretor e vou marcar de ir lá conhecer a escola e tal…as aulas começam só em agosto, então ainda daria tempo de ver isso com um pouco de calma.
Outra indicação bacana do Fernando foi que eu voltasse a ler peças e coisas de teatro, mesmo antes de começar qualquer curso, pra entrar novamente em contato com a linguagem e tal…


Bom, o nervosismo passou rápido, ficamos um tempão conversando sobre essas questões do teatro mas sobre tudo um pouco também. Ele tem uma história super interessante: nasceu no dia 01/09/73, dez dias depois foi o golpe militar aqui no Chile e a mãe dele foi presa – com ele junto (com 10 dias de vida!)! Depois ficaram 15 anos exilados na França, mas sem nunca deixar de serem Chilenos, cultivar a cultura do país. O pai dele parecia ser incrível, trabalhava em um teatro grande de Paris e tinha contato com tudo que era artista internacional importante da época, mas era grande fã de música brasileira – paixão herdada pelo filho que me disse que a música mais linda que já foi feita no mundo é “O que será” do Chico!!! Me mostrou fotos e vídeos das filhas dele, conversamos sobre nossos países de origem, sobre vida de expatriado, sobre cultura em geral, sobre nacionalismo….


Depois de umas duas horas em que estávamos conversando o Lucas chegou no shopping – tínhamos combinado de jantar lá – e sentou pra conversar com a gente. 
Como é de costume, ele levou a conversa pra um lado mais prático, levantou questões importantes que eu tinha esquecido e/ou não mencionado e foi bem bacana! O Fernando nos deu dicas também de outras faculdades pra procurar, ou outras pessoas pra conversar… 


Se mostrou o tempo todo super interessado e disposto a ajudar! Ficamos de marcar um almoço um dia desses num lugar aqui em Santiago onde, segundo ele, podemos encontrar livros usados, bem mais baratos que os normais das livrarias aqui…


Foi super legal o encontro e a conversa: Útil pro que eu precisava que fosse, além de ter sido uma oportunidade de conhecer uma pessoa super legal!!!


Voltei pra casa com um milhão de coisas na cabeça, sobre essa minha busca tão difícil, sobre as possibilidades que estão se mostrando, sobre meus desejos (aliás, estou ansiosa pela crônica de amanhã do Contardo Calligaris) e mal-e-mal dormi a noite passada…
Pra ajudar estou podre de gripe+sinusite, então, como eu dizia nas cartas que escrevia pras minhas amigas na sétima série: vou parando por aqui!
Hahaha


Só queria compartilhar a empolgação com vocês! Continuem torcendo e cobrando… pra eu continuar funcionando…rs


Cariños, 

As três etapas do desenvolvimento

Um dos primeiros passos da preparação pra mudança de país foi o aprendizado do novo idioma.

Minhas primeiras aulas foram com uma chilena recém chegada ao Brasil e que, no Chile, dava aula pra crianças pequenas. Ela me ensina um espanhol que permitisse que eu virarasse bem quando chegasse por aqui. Ou seja, eram aulas de quase pura conversa, onde eu aprendia vocabulário não só de espanhol, mas principalmente de “chileno”. Eram bastante úteis essas aulas, mas não eram muito suficientes: Eu tinha sede de aprender a gramática do espanhol. 

Em 2004, quando fiz cursinho no anglo, tive aula com o melhor professor de gramática que já conheci. Ele fazia com que as tais regras chatas fizessem sentido e, mais do que isso, fossem úteis! Eu não teria mais dúvida de como pronunciar uma palavra se fosse capaz de indificá-la enquanto oxítona, paroxítona ou proparoxítona. Eu não precisaria mais ficar chutando onde vai ou não a crase, ou a vírgula, se soubesse exatamente pra que elas servem e pudesse escolher quando as queria com tais funções ou não. Foi super revelador e apaixonante estudar nossa língua portuguesa por esse ponto de vista!

Pois bem, era assim que eu queria conhecer o espanhol. Não me bastava decorar quando é com c, z ou s, eu sempre queria saber o porquê das coisas. Por que essa palavra tem acento? Por que nessa conjugação surge essa letra i? Por que? Por que? Por que?
Era uma questão de curiosidade pessoal, mas também uma busca por autonomia; se entendesse as regras, podia tirar sozinha as conclusões e saber o espanhol.
E por um motivo ou por outro fui alimentando minha curiosidade, pesquisando na gramática ou na internet as respostas que a professora não sabia dar, me encantando quando algumas coisas muito básicas de repente faziam todo sentido, me deliciando com as explicações que tornavam mais possíveis minha relação com o idioma… Sentia-me um pouco criança, analfabeta, aprendendo quase que do princípio básico o be-a-ba, mas buscando meu modo construtivista de aprender espanhol.

Quando cheguei no Chile os primeiros contatos com o país seguiram na linha do encantamento: além de achar a Cordilheira linda, eu achava fofo as pessoas falando “chileno”, os movimentos de boca super articulados, a língua que não fica parada nem um segundo… Me divertia com algumas versões em espanhol que encontrava no rádio de músicas velhas conhecidas em português!

Por volta do segundo mês, quando começaram minhas aulas e passei a “viver em espanhol” de fato, entre todas as mudanças efetivas (e afetivas) que ocorreram, mudou também minha relação com a língua. Logo comecei a achá-la pobre – como assim vocês não conhecem mais preposições? Como assim vocês dizem “a lo pobre” e não “ao pobre”, custa tanto assim uma contração? E assim por diante… Várias coisas que os pobres estudantes de colégios odeiam, se matam pra decorar, e consideram as mais difíceis do português eu fui descobrindo como grandes “evoluções lingüísticas, sofisticações que tornam a comunicação muito mais fácil e bonita. Nesse período passei a ter que escrever e falar formalmente o espanhol – não mais “me virar”com ele, e chegava a sentir, literalmente, saudade das conjunções e de alguns tempos verbais. 
Claro que nesse momento não era só disso que sentia saudade, mas essas coisas “bobas e inúteis” engrossavam a lista das “coisas do Brasil que não sabia que me fariam tanta falta”.


No último mês comecei a fazer aulas de espanhol por aqui e essa semana eu estava pensado que vou criar um novo idioma: com as facilidade e coisas fofas que tem o espanhol, mas com as utilidades e sofisticação que tem o português! Simples, não?! rs

Simples ou não, esse desejo me diz um coisa: se, como disse o Caetano, “minha pátria é minha língua”, ao completar hoje três meses de Chile posso dizer que sou agora “bi-patriada”.
Não me sinto mais turista, encantada com tudo que encontro pelas ruas. Não me sinto mais “expatriada”, só sentindo falta e saudade de todas as coisas do meu país.
Finalmente estou em “lugar” que me permite ver as coisas boas dos dois lados e pensar em criar meu próprio mundo com o que eu escolher – visto que tenho as duas experiências e posso avaliar o que prefiro e o que renego. 
E acho que essa é uma das melhores partes não só da experiência de morar em outro país por um tempo, mas da escolha de não viver em seu país de origem!

E viva os 3 meses!!!

Ps.: Ontem fomos na despedida de um FuD brasileiro que, depois de 2 anos e meio de Chile, está indo pra Espanha. A reunião foi em um restaurante brasileiro e aproveitamos pra nos entupir e matar toda a vontade de comer coxinha!!!! Delicioso gostinho de “lá em casa”!


(Obs.: Post escrito ontem, dia 12, quando completamos 3 meses aqui; mas postado só agra porque ontem o blogger ficou fora do ar o dia todo!)

Quem dera Kundera

Os trechos abaixo pertencem ao livro “A insustentável leveza do ser” (ou “La insoportable levedad del ser”), do Milan Kundera. Estão em espanhol porque só tenho esta versão aqui e não ouso traduzir um livro desses! rs




“Ésa es la imagen de la que nació. Como dije ya, los personajes no nacen como los seres humanos, del cuerpo de su madre, sino de una situación, una frase, una metáfora en la que está depositada, como dentro de una nuez, una posibilidad humana fundamental que el autor cree que nadie ha descubierto aún o sobre la que nadie ha dicho aún nada esencial.
Acaso no es cierto que el autor no puede hablar más que de sí mismo?
Mirar con impotencia el patio y no saber qué hacer; oír el terco sonido de las propias tripas en el momento de la emoción amorosa; traicionar y no ser capaz de detenerse en el hermoso camino de la traición; levantar el puño entre el gentío de la Gran Marcha; hacer exhibición de ingenio ante los micrófonos secretos de la policía; todas esas situaciones las he conocido y las he vivido yo mismo, sin embargo de ninguna de ellas un personaje como el que soy yo, con mi curriculum vitae. Los personajes de mi novela son mis propias posibilidades que no se realizaron. Por eso los quiero por igual a todos y todos me producen el mismo pánico: cada uno de ellos ha atravesado una frontera por cuyas proximidades no hice más que pasar. Es precisamente esa frontera (la frontera tras la cual termina mi yo), la que me atrae. Es más allá de ella donde empieza el secreto por el que se interroga la novela. Una novela no es una confesión del autor, sino una investigación sobre lo que es la vida humana dentro de la trampa en que se ha convertido el mundo. Pero basta. Volvamos a Tomás.””


(…)


“Y se le vuelve a ocurrir una idea que ya conocemos: la vida humana acontece sólo una vez y por eso nunca podremos averiguar cuáles de nuestras decisiones fueron correctas y cuáles incorrectas. En la situación dada sólo hemos podido decidir una vez y no nos ha sido una segunda, una tercera, una cuarta vida para comparar las distintas decisiones.””




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Estou em pensando em começar a escrever ficção…

Cordilheira

Não, esse não é aquele prometido post sobre a beleza onipresente da Cordilheira dos Andes em Santiago. Não!
Essa é só uma metáfora boba, pra ver se alivia…


Perdi meu sono hoje umas 2 horas mais cedo do que planejava acordar. Estava preocupada com um trabalho que tenho que fazer pra aula de “Post-Producción”, que já adiei muito tempo mais do que deveria. Bom, levantei super cedo pra um domingo, fiz minhas coisas pessoais, e 1h30 depois sentei na frente do computador.


O trabalho foi passado pelo professor já faz quase duas semanas e consiste em criar um vídeo com efeitos de animação feito no After Effects. Enquanto eu apanhava pra conseguir baixar o programa não pensei sobre o que seria meu trabalho, achei que ele sairia naturalmente….
Pois aqui estou eu, mais de 8 horas depois de ter “começado”, sem na verdade conseguir começar nada. Já iniciei uns três projetos, mas ou ficaram ruins, ou bobos, ou insuficientes, ou não iria adiante…enfim… Não sai nada!


Eu diria que não se trata de um bloqueio criativo, mas de uma cordilheira imensa entre mim e a capacidade de criar esse trabalho.


Já tentei mudar o foco, fazer outra coisa pra me distrair um pouco (como dar banho na Maní)  e depois voltar e tentar. Já desliguei internet, liguei de volta, fucei nos meus arquivos e em outros coisas da internet procurando ideias…e nada!!! Nada flui, nada aparece, nada vem…


Acho que eu nunca tinha travado desse jeito num assunto tão prático. Não é nenhuma grande decisão da vida, é só um trabalho a ser entregue!


O Lucas já me perguntou: “você tá com medo de que não fique bom?”
(Hahahaha. Tá querendo me interpretar, o rapaz! Acho que é porque ontem nós compramos e assistimos “A Máfia no Divã”! hehehe)


Pois então…eu sei que não vai ficar bom, After não é pra mim, e nem ligo.






Na verdade talvez eu até entenda um pouco desse bloqueio todo…


Mas não acho que meu professor vai se importar com isso… hahaha


Conclusão: tô pagando. Alguém quer fazer pra mim??? hahahhahahaha



Referenciais

Ainda me impressiona a quantidade de chilenos que encontro que adoram o Brasil!
Aliás, soube que é muito comum, quando estão saindo do colégio, os chileninhos escolherem como destino da viagem de formatura nosso querido país: eles vão pra Búzios, onde acabam encontrando mais chilenos de outros colégios fazendo a mesma viagem…hehehe
Sério, eles adoram MESMO o Brasil!!! Vários já veram me falar sobre como as cores das paisagens são encantadoras, ou como o mar é quentinho… uma mulher que conheci num pet shop chegou a me dizer que já escolheu o lugar em que quer morrer: Búzios!


Admito que fiquei curiosa pra conhecer o tal lugar mágico e que reconheço que nosso país tem belezas naturais incríveis, mas fiquei pensando nessa questão de “referenciais”…


Hoje fiz uma viagem de carro até San José de Maipu, uma região interiorana aqui perto de Santiago. Fui com mais três companheiros da Escuela a procura de uma locação pro curta metragem que estamos produzindo, que se passa em uma linha de trem abandonada.


Pra quem não conhece, esse é o mapa do Chile: 


O que significa que ir pro interior é, necessariamente, entrar no meio de um monte de montanhas!
E, meu, que montanhas incríveis!!!
Nós brasileiros estamos acostumados a chamar de montanha uns montinhos bem verdes. Pois aqui montanhas são umas coisas imensas, feitas de pedras – e nada mais que pedra – de uma cor muito característica (eu diria que o Flicts ficaria bem feliz aqui) e uniforme, com uns “riachuelos” azuizinhos que os cortam ao meio – e que também são cheios de pedras – e quase nenhuma vegetação…
Resumindo: passei umas três horas olhando pela janela que nem cachorro feliz quando anda de carro!
É de uma beleza não exuberante, como a nossa, mas absolutamente grandiosa. É a natureza mostrando toda sua força, sua dureza, sua capacidade de ser muito maior do que nós míseros seres humanos!

(Não pude tirar fotos porque já tinha consumido toda a bateria do meu celular me distraindo na aula chata, irritando e humilhante da manhã…Uma pena! Mas devo voltar lá um dia, aí faço uns vídeos pra ver se consigo passar um pouquinho dessa sensação toda que dá esse lugar)

E digo que é uma questão de referenciais porque os dois chilenos e um equatoriano que estavam comigo não estavam impressionados…
Ok, é verdade que eles comentaram uma ou outra vez sobre a beleza…e que um deles quis descer do carro pra contemplar romanticamente o rio – coisa que os outros dois não deixaram…hahaha…. Mas aquilo não era nada perto do meu encantamento!

Minha mãe, quando estava aqui no Chile me perguntou: “Será que os chilenos esquecem que tem na paisagem essa Cordilheira linda?”.  Eu acho que sim…
Por enquanto eu continuo me encantando e parando pra admirá-la todos os dias em que ela resolve aparecer!

Olha ela aí, no fundo da vista de uma das minhas salas de aula!

Acho que a gente que é de São Paulo talvez ainda consiga algum encantamento quando nos deparamos com as belezas naturais brasileiras – fora de São Paulo… Mas hoje comecei a me perguntar: será que esse nosso encantamento é mínimo quando comparado com o de alguns estrangeiros??

E falando em São Paulo e referenciais: andei comentando com alguns chilenos uma percepção interessante: quando me perguntam o que eu acho de Santiago sempre elogio, entre outras coisas, a alta qualidade de vida, como o pouco trânsito ou o transporte público que funciona…
Pois eles não se conformar que eu possa achar essas coisas boas!!! Estão sempre reclamando do taco – trânsito e se queixando do metrô e da TransSantiago (empresa de ônibus daqui).
É verdade que tem vários motoristas de ônibus que são uns fdp, que não param nos pontos, correm feito sei lá o quê…(aliás, outro dia sofri uma acidente de trânsito! Meu ônibus bateu num outro! Nada grave..rs)
E é verdade também que o trânsito parece que piora um pouquinho mais a cada dia…

Mas se os Chilenos passam um mês em rotina em São Paulo – não em turismo – iam voltar pra casa bem mais felizes e satisfeitos com o que tem!!!
(Acho que Santiago ainda tem um tempo de “vantagens de grande metrópole, sem o caos da grande metrópoli”, mas só um tempo…então corram!!)



E pra finalizar, morar longe do Brasil também mudou meus referenciais, claro. Sinto saudades de coisas com as quais nem sabia que me importava…
Aquele velho blablabla de que damos valor pras coisas quando perdemos… O que alivia a tal sensação é a certeza de que eu não “perdi” nada… só escolhi viver longe de algumas coisas que me fazem falta, mas que ainda estão lá me esperando pros momentos de visita, certo?! hehehe 






Merda

Este é, sem dúvida, o post mais difícil que já escrevi – não só no blog, mas talvez na vida. O frio na barriga de clicar no “postar” acho que vai ser quase uma gastrite, mas publicar este texto é justamente o que dá sentido à ele, e como sentido é justamente o que venho buscando, vamos lá!


Recebi alguns elogios com relação à minha sinceridade aqui no blog, com quem lê e comigo mesma, mas a verdade é que a grande coisa que não sai da minha cabeça nas últimas semanas só foi muito levemente comentada… Mas sei lá, acho que resolvi que “chega de esconder minhas fraquezas”, chega de covardia… Até porque estou farta da minha covardia, então vamos começar a luta contra ela por aqui, contando pra todo mundo que quiser ler o grande caos que sou!
Já tô avisando de antemão pra que possam desistir já da leitura se o objetivo da sua presença neste blog é saber sobre o Chile, sobre vida no exterior, ou qualquer outra coisa. Porque este post vai ser pessoal! Muito pessoal. Talvez até melodramático. Mas ele vai sair!


Há anos e anos venho tentando descobrir o que eu quero “ser quando crescer”, procurando ter na vida profissional a mesma tranquilidade que tenho na vida pessoal. Encontrei o Lucas e casei com ele na certeza de quero estar ao lado dele e tê-lo comigo todos os dias da minha vida, pra sempre! 
Mas não consigo encontrar uma profissão que eu deseje, um sonho pelo qual valha a pena as dificuldades do dia a dia. Não era a T.O., não é o AV (isso mesmo, não é o AV – primeira confissão do post)…e é o que então??? 
Levar a faculdade na USP estava cômodo, porque, diferente da TO, estar ou não satisfeita com a profissão afetava só à mim (e não há possíveis pacientes) e continuar fazendo só pra me formar, ter uma profissão e trabalho e depois ir atrás do tal segredo mágico era bastante possível.
Mas aí, chegando na faculdade nova, tendo que encarar mais dois anos (ah! talvez 3, veja só…) de muitas aulas – muito mais crédito do que faria antes – muito trabalho, provas, professores mais chatos e mais exigentes do que os que eu tinha e gostava… bom, digamos que isso acabou cutucando minha ferida que tava quietinha… Cutucando não, tirando toda a casquinha e deixando sangrando pra caramba!
Ir para aquelas aulas com os simples objetivos de “me socializar no Chile”(fail, btw) e tirar o diploma (que agora corre o risco de ser fail tb) tá difícil… quase torturante, na verdade! (já que estamos na verdade…) Estudar cinema aqui tem me exigido uma energia que não tenho de onde tirar e a crise tá braba (avisei que seria melodrama).
Saio e chego em casa super de mau humor, choro e só me recupero depois de algum tempinho podendo esquecer essas coisas e curtindo a “vida pessoal”. Sinceramente, acho que nem o Lucas, nem a Maní, nem a faxineira e nem eu merecemos essa Gabi em casa 6 dias por semana!


Mas o problema maior da crise é – de volta a 2006 – não saber o que fazer no lugar disso…ou o que fazer pra amenizar isso – visto que preciso, de um jeito ou de outro, de um diploma logo!
Fico me sentindo presa num buraco sem saída, no qual eu sei que não quero seguir em frente, mas em que não consigo encontrar uma saída alternativa.
Me falta energia pro AV porque não é aquilo que eu amo fazer. Mas afinal, o que eu amo fazer???
Pensei em alguma coisa com os animais (desde aqui) , mas também não era exatamente uma resposta…




Mas. sabe, a verdade é que lá trás, eu não parecia sofrer desse problema:






Esse vídeo é da gravação da primeira peça que fiz no Teatro Escola Macunaíma, “O Brasileiro”, essa é a roda do “Merda!”de antes da peça.
Faz 10 anos! E 10 anos é tempo à beça, mas o que será que mudou?


Bom, aproveitei a vinda da minha mãe pra conversar bastante, inclusive sobre isso, claro!
Não há dúvidas de que o eu sentia quando fazia teatro era amor! Talvez justamente por saber como era sentir isso por alguma atividade é que seja tão difícil viver em uma na qual eu não sinto…
Não sei dizer por que ou quando esse encantamento todo passou, mas o fato é que em 2004 decidi parar de fazer teatro – parar o curso profissionalizante que faltava pouco mais de 6 meses pra terminar e parar de vez com a atividade.


Desde que entrei na tal crise profissional, em 2006, ousava pensar muito rapidamente que devia tentar voltar pro teatro.. que talvez tivesse deixado alguma coisa lá…


Mas eu nunca tive coragem! A verdade é que sou uma grande cagona! Tenho medo de entrar numa turma nova, que eu não conheço, tenho medo de me decepcionar com a turma (porque a minha era incrível!), tenho medo de decepcionar as pessoas em volta, tenho medo de me decepcionar comigo, tenho medo de não ser boa o suficiente, tenho medo de ir lá experimentar, buscar essa tal coisa que deixei pra traz, e não encontrar e ficar sem alternativa depois…
Mas, como disse lá no começo, tá na hora de enfrentar todos estes medos: Resolvi procurar um curso de teatro aqui!!!! 
Começar no começo, só como distração e ver, afinal, o que vou encontrar…
Dei uma olhada na internet, mas ainda é difícil saber qual escola é boa e qual não é, então entrei em contato com o sindicato de atores daqui… Ainda não tive uma resposta, mas vamos ver…
Tinha pensado em escrever sobre essa decisão aqui no blog só depois que já estivesse matriculada no tal curso, mas me dei conta de que tornar público agora vai ter uma função maior: agora que todo mundo sabe, não posso mais fugir! Sou bem boa em me des-convencer de algumas coisas.. Mas dessa vez eu quero enfrentar, eu quero tentar! Por isso vou avisando, talvez eu precise de ajuda, talvez precise que me cobrem, que não me deixem desistir antes de chegar lá – juro que estou me esforçando bastante!


Não tô achando que vai ser uma solução mágica, que vai me tirar de todas as angústias com a vida e com a faculdade, pelo contrário, sei que será bem difícil, mas finalmente resolvi tentar!
Que diferenças isso vai fazer ou não na prática, não faço ideia… Como dizem meus amigos do AV: vamos acompanhar!


Mas a parte mais legal disso tudo é que, um dia depois de ter tomado essa decisão importante, chegaram pra nos visitar meus sogros e trouxeram com eles um pequeno tesouro: antes de vir pro Chile deixei alguns VHSs com eles pra passarem, um dia, pra DVD pra mim…  e o trabalho não só foi feito com rapidez e eficiência, como já chegou em minhas mãos! Resultado: passei horas do último fim de semana assistindo esses DVDs! 
Um deles é uma festinha da minha escolinha no ano de 1989, eu com 3 anos mostrando nas danças que minha descordenação é de nascença! hahahaha
Outro é um curta metragem que fiz nas épocas de atriz, bem ruinzinho por sinal…
E os outros são quase todas as peças que fizemos no Macunaíma filmadas!!!
A coincidência foi incrível! Essas peças não poderiam ter chegado em melhor momento, porque deram um apertão na saudade e um empurrão na decisão!!!

Acho que era isso que eu tinha pra dizer…apesar da dificuldade de dizer tudo isso, apesar de ainda achar que meio que não é da conta das outras pessoas, que é um problema meu e pronto…
Mas quer saber, já que resolvi mesmo ter um blog e falar mesmo sobre mim nele: tá tudo aí! De verdade! Sinceramente! Doídamente! Ridiculamente! Mas, espero, corajosamente!


Obrigada aos que realmente dedicam tempo a ler minhas baboseiras! Conto com vocês nestas empreitadas! (a do blog-bobo e a do retorno ao teatro)


Um beijo mais leve,
(próximo post: Milan Kundera!)


Gabi

Primeiras visitas ilustres!

Quinta-feira, dia 07 de abril, estou eu lavando roupa quando Jack chega em casa na hora do almoço com uma pequena surpresa: minha mãe!!!


Ele programou a coisa toda pra que ela viesse passar meu aniversário comigo! Eu, como sempre, não fazia a menor ideia de nada e fiquei boba!
Quase que literalmente, pq demorei alguns segundos pra entender a situação: minha mãe, Santiago, minha casa…. Parecia que o cérebro estava enganando os olhos, porque não fazia sentido o que estava vendo! hehe
Claaaaro que foi aquele chororô, abraços mil, tremedeira, etc…Veio pra ficar uma semana, o que significa que quinta passada foi embora. =/


Ela me contou que depois que o Jack ligou fazendo o convite pra ela vir é que ela percebeu a saudade que estava. Pois eu acho que percebi o tamanho da saudade quando a abracei!


Vou ficar devendo fotos da semana, porque não encontrando o cabo da máquina fotográfica e porque a maioria das fotos está na máquina dela…. Mas o resumo da semana:


No dia em que ela chegou fez jantinha gostosa com o “macarrão da minha mãe”, um dos meu pratos preferidos e que eu tava morrendo de saudades!
Na sexta eu fui pra aula de manhã, normal, e a tarde fomos no shopping fazer compras! Hahahha. Explico: eu odeio fazer compras!!! E a situação do meu guarda-roupa estava crítica, então fui praticamente obrigada a olhar as coisas com calma e escolher algumas que fossem boas! Passamos muitas horas no shopping e no final conseguimos algumas boas compras! (estou empenhada em mudar meu estilo, me vestir mais “adulta”! Acho que tá dando certo…rs)


No sábado eu tenho aula de manhã e minha mãe resolveu me acompanhar até a faculdade pra passear de ônibus, conhecer outras parte da cidade e conhecer a enorme faculdade! hehehe (a aula de sábado é curtinha e a escola está vazia, então foi bem tranquilo) Depois pegamos o Jack e fomos almoçar em um restaurante muito bom, com uma costela melhor do que a do Outback!!!
E no domingo fizemos um passeio muito legal!! Subimos para o Valle Nevado, uma das estações de esqui daqui. Dá mais ou menos 1h40 de viagem, numa estrada com 61 curvas em 180o! Sim, 61!!
Claro que nesta época do ano não tem neve, mas o passeio vale pelas vistas! Santiago fica em 600m de altitude e o Valle em 3000m; enquanto vamos subindo acompanhamos diversas mudanças: no clima, no céu, nas vegetações, etc… É muito lindo! No dia em que fomos o clima estava muito nublado aqui em baixo, tanto que quase desistimos de subir, mas passamos por todas as nuvens e encontramos um céu muito azul!!! Com um mar de nuvens que era a coisa mais linda! Fora o escândalo à parte que são as montanhas e a Cordilheira! Imensa, marrom, com neve em alguns picos… um espetáculo!


Na segunda era meu aniversário então cabulei a aula(com incentivo. rs) e passei o dia com mamãe =D
Fomos almoçar em um restaurante super chique, indicado pela tia Maria. Chama Aqui está o Coco e é especialista em coisas do mar. O lugar é lindo e a comida muito boa! Presentão de aniversário!!!
Depois subimos de Funicular – um bondinho – até o Cerro San Cristóban que tem uma vista muito legal da cidade e, especialmente, uma vista incrível da Coridiheira! De lá de cima conseguimos ter a noção exata do quão grandiosa ela é, porque se pode comparar seu tamanho com os prédios pequenininhos em baixo! Juro, chega a ser emocionante!!!
A noite ganhei “bolo de cenoura da tia Vania”, delicioso e vieram 3 amigos comemorar um pouquinho com a gente!
Na terça tinha aula o dia inteiro então minha mãe foi fazer aquele tour com o ônibus vermelho de dois andares (depois cobrem fotos dela) pelo centro de Santiago.


Na quarta fomos em outro restaurante de frutos do mar onde comemos uma paella peruana, com um tempero diferente, mas bem bom tb!
A noite a saudade prévia já começou a apertar e curti um colinho de mamãe, e comecei o chororô da despedida!
Ela foi embora de manhã e, confesso, foi mais difícil voltar pra casa vazia nesse dia (sorte que tem a Maní!!).


Foi uma semana ótima pois além dos passeios das comidas deu pra se curtir bem, matar a saudade e conversar muito. Todo tipo de conversa: boas, difíceis, necessárias, gostosas, fofocas, engraçadas, etc


Isso sem falar na Maní que amou ter a vó aqui! Ganhou presentes lindos – que ela já elegiu como preferidos! – foi mimada, teve mais companhia do que o normal, ganhou muito colo e aprendeu rapidinho pros pés de quem correr depois de fazer coisa errada! hahahha


O bom é que na quinta (mesma quinta) a noite chegaram os pais do Jack que vieram pra ficar pouquinho – já vão embora no domingo – mas o suficiente pra curtir a família e a cidade!




(esse foi um post mega descritivo, hein?! Acho até que ficou meio desconexo, mas acho que deu pra contar um pouco de tudo…é isso que importa, certo? rs)


Beijos saudosos!

"Agora sabes que sou verme…"

Nestas duas últimas duas semanas devorei dois livros: “O Físico – a epopéia de um médico medieval” de Noah Gordon, que ganhei de presente de despedida do amigo Pedro Mosca (e que tem 588 páginas!) e o “Bala na Agulha – reflexões de boteco, pastéis de memória e outras frituras”, livro de crônicas rápidas e boas de ler do Zeca Baleiro. Sim, em menos de 15, tendo aulas de segunda a sábado, li e me deliciei com os dois! Ambos são ótimos e merecedores de comentários à parte (quem sabe num outro post), mas independente dos livros, sou bem grandinha (e suficientemente analisada) pra saber que mergulhar loucamente nas páginas e nos pensamentos dos outros é o meu jeito mágico de fugir dos meus próprios pensamentos – é normal, de tempos em tempos faço este afogamento literário…
Mas aí eu percebi (ou assumi) também que estar afundada adorando um livro é mais um motivo pra poder ficar só comigo no meu mundinho, com uma boa desculpa pra que as outras pessoas atrapalhem!


Mas pera lá, não é pra culpar o livro, não! A “culpa” é só minha mesmo!!! Sou anti-social cada vez mais assumida, tenho preguiça de fazer amigos e, muitas vezes, tenho preguiça de conviver com os amigos já feitos.
Como disse uma estranha que encontrei no twitter outro dia: não é timidez, mas sim espontaneidade seletiva (via @bnclarissa). É isso, sabe, eu GOSTO de ficar sozinha! Quase sempre e desde sempre! A espontaneidade é seletiva porque de vez em quando me dá uns surtos de sociabilidade em que quero meus amigos perto (só os já amigos, vejam bem!) pra rir e falar bobagem e ficar bêbada de coca-cola, etc…


Mas são muito poucos os que eu sempre prefiro à solidão, poucos mesmo!


A Gilda, mãe da Patricia – minha madrasta – diz até hoje que não se conforma com as horas que eu era capaz de passar em baixo de uma mesa brincando sozinha quando criança. 
Entendeu? Desde sempre!
Não é pessoal, não é porque eu tô num país novo em que não falo muito bem a língua, não é porque tô com saudades de São Paulo, não é que eu não goste das pessoas. Não é porque todas elas fumam.
Eu “ainda não fiz amigos” na faculdade nova porque essa sou eu!
Até porque, acho que eu não faço amigos…eu observo de fora, por um bom tempo, até saber onde tô disposta a entrar de vez em quando. E, claro, eventualmente, acabo sendo fisgada e conquistada por pessoas interessantes e queridas!
Mas eu prefiro ficar em silêncio no meu canto, muitas horas por dia, mesmo estando em São Paulo, com as pessoas em volta falando português… É por isso, por exemplo, que no CTR eu preferia ficar no meu banquinho secreto do lado de fora e não na sala de produção! É por isso que 80% das vezes eu escolho ir pra casa à “dar uma esticadinha em algum lugar”. É por isso que eu fico offline no gtalk, no msn, no bate papo do facebook.
Desculpe se alguém se ofende com isso. De verdade, desculpe. Mas agora vocês já sabem: essa sou eu!



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Hoje conversei um pouquinho por skype com a minha filha querida, Silvinha, e ela tava me contando que vai fazer um curso de meditação em que ficará 10 dias SÓ meditando. Sem falar com ninguém, sem ver televisão, filmes, sem ler, sem usar o telefone, sem internet, sem nenhum tipo de contato com o mundo exerior. Só meditando!
Tenho certeza de que será uma experiência incrível pra ela, acho ótimo que ela vá! Mas a primeira coisa me passou pela cabeça foi: eu nunca conseguiria uma coisa dessas! (Por isso, Sil, se você consegue, aproveita!!!rs)

Depois mais a noite fiquei pensando: ué, se eu gosto tanto de ficar sozinha, só eu comigo, porque será que tenho tanta certeza de que não conseguiria fazer uma coisa dessas? Fácil! Lá eu não poderia usar nenhum método mágico de escape: sem mil livros seguidos pra ler compulsivamente; sem episódios de uma série bacana pra assistir seguidos, até doer o corpo todo na cadeira; sem nem uma musiquinha pra colocar bem alto e cantar, cantar, cantar…
A conclusão é que nessas circunstâncias eu teria muitas brigas comigo mesma! Não sei se eu me suporto tanto tempo e com tanta intensidade….rs
Mas confesso que fiquei curiosa pra saber…