“Um vestido novo e colorido”

Janeiro quase acabando, ainda dá tempo de post de ano novo?? rs

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A minha palavra em 2016 foi Confusão – da vida prática e de tudo aqui dentro também. Muita confusão! Me perdi do meu caminho, das minhas metas, dos meus planos, da minha forma de maternar, de algumas capacidades… me perdi de mim! Foi forte e foi doído!

A de 2017 foi Retorno – pro Brasil, pra análise, pra algumas coisas “no devido lugar” e, principalmente de desejos.

E decidi que 2018 será meu ano do Reencontro!

Com os tais desejos que voltaram a brotar ano passado. Com hábitos antigos queridos (voltei a ler esse ano!! E quero ler muuuitoooo mais! E quero MUITO voltar a escrever!). Reencontro com o que tem me feito falta.

Reencontro comigo mesma e com todas as Gabis que estão borbulhando aqui dentro!

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Decidi colocar o Dante na escola agora em fevereiro (a ideia inicial era esperar ele ter 2 anos e começar em agosto) e apesar de isso contrariar meus planos prévios, estou muito satisfeita com a decisão e ansiosa para o momento em que terei umas horinhas livre a tarde (além de ser apaixonada pela escola e ter certeza de que ele vai amar estar lá!)

É como eu disse pra uma amiga: um enorme leque de possibilidades está se abrindo em frente aos meus olhos! rs

Planejo ir a médicos, dentista, cinema, academia, trabalhar num projeto antigo, fazer as unhas, etc, etc…

Planejo, acima de tudo, me escutar, me respeitar, me cuidar e me reencontrar!

Pode parecer muito pra 3 horinhas diárias, né?! Mas tô tão precisada que sei que essas horinhas serão mágicas!

Me aguardem!  😉

Alguém mais querendo traçar esse caminho no ano novo?? Quem me acompanha?

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“Let it Go”

Sim, esse “let it go” que você tá pensando… da princesa de azul cantando no gelo! rs

Porque hoje eu tava assistindo Frozen com a Cecília e tive um insight..

Sumi do blog porque tô sendo o pai da Elza pra mim mesma: “não sentir. Não deixar saber”

Por medo de julgamentos, por medo de condescendência alheia, por vergonha e por sei lá mais qual sentimento eu não vim aqui escrever sobre como estão sendo meus últimos meses. Porque eu não podia vir aqui e mentir, mas também não podia vir escrever a verdade – “não sentir, não deixar saber”


Acontece que escrever nesse blog é minha melhor maneira de processar e lidar com as coisas. E tem feito uma falta danada poder vir aqui e dizer: tá f@d&, gente!

Porque é muito cansativo, porque não sobra nem um segundo do dia em que eu não sou mãe de alguém, porque muitas vezes parece que eu não dou conta de ser mãe de dois, porque tá punk demais ser mãe de uma menina de dois anos toda difícil e ciumenta enquanto também tenho que ser mãe de um bebê fofoleto e suas demandas bebezisticas, porque tá sendo muito diferente do que todo mundo tinha dito que seria, porque tem dias que são tranquilos e outros que são infernais, porque eu já não me reconheço na minha maternidade (e às vezes nem na minha humanidade), porque parece que sempre tem alguém chorando nessa casa (e às vezes esse alguém sou eu, claro!rs), porque eu já não sei mais o que é puerpério, o que é dificuldade real, o que é questão minha…
Enfim, voltei pra análise, tô tentando me cuidar, me encontrar… e parte disso é poder sentir e poder escrever (num blog público, o que significa “deixar saber”)

Uma hora quero vir aqui contar melhor cada parte daquela lista ali em cima… Hoje eu só queria mesmo dizer (pra mim mesma, provavelmente) que tá tudo bem sentir essa dificuldade toda!

E que o sorriso deles juntos pode não compensar tudo e nem deixar os dias infernais de repente lindos, mas que são uma delícia, ah, são!

"Desses que às vezes a gente sonha"

Preciso compartilhar meus sonhos das duas últimas noites!

Primeiro um pouco de contextualização:

Na terça feira da semana passada eu fui roubada pela terceira vez! Assim como da primeira, o ladrão era peruano, não chileno; mas diferente das outras vezes, dessa vez ele roubou mesmo o celular… No final, graças ao GPS do iPhone, conseguimos encontrar o ladrão e ele está preso (semana que vem vou de novo na delegacia pra depor). Infelizmente, ele tinha acabado de vender o aparelho dentro de um centrinho cheio de lojas ilegais de peruanos, daqueles lugares que policial não entra…

Na segunda feira o Lucas me contou que o irmão de um amigo quase foi roubado. Estouraram o vidro do carro dele (uma Santa Fé), mas foram pegos no ato e conseguiram fugir, mas não antes de ter o vidro do próprio carro quebrado também. Durante a fuga a polícia os parou pra perguntar sobre o vidro quebrado e, por sorte, nesse mesmo momento o dono da Santa Fé ligou na polícia pra fazer a denúncia da tentativa de roubo. Resultado: os caras foram presos e nosso amigo e seu irmão também estão nas burocracias de delegacias e depoimentos..

Bom, os sonhos:

Duas noites atrás eu sonhei que havia uma epidemia mundial de uma doença peruana muito séria e perigosa. Todos os países estavam super preocupados, mas tinham desenvolvido uma vacina pra tal doença. Só que eu estava com uma gripe muito forte e as autoridades não conseguiam decidir se podiam ou não me dar a vacina no meio de outra doença…

Essa noite sonhei que três crianças (de uns 8 anos) roubavam uma Santa Fé dourada, mas meus amigos já estavam esperando por isso, então conseguiam seguir o carro roubado e seus respectivos ladrões, inclusive se antecipando aos movimentos que os mesmos faziam.
Quando finalmente conseguimos capturá-los já estávamos em um lugar que era como o QG dos meninos, que acabaram nos confessando que o roubo, na verdade, tinha sido uma estratégia pra nos levar até esse lugar. Lá eles queriam que nós conversássemos com um doende de corpo e cabelo verdes e pouco mais de 20 cm. Esse doende estava fundando uma nova religião, da qual ele seria o deus, os meninos ladrões já estavam convertidos e tentavam fazer o mesmo conosco. Ficamos um bom tempo debatendo o assunto, sobre o roubo, a necessidade da nova religião, etc… 


Nos dois sonhos acordei antes que alguma decisão fosse tomada.


Bizzaros ou não?!?!

"Saiba"


Escrevendo uma mensagem pra um amigo, eu deveria escrever “acabo sempre enrolando”, mas, como um belo ato falho, escrevi “acabo sendo enrolando”!
Se eu ainda usasse orkut e msn colocaria essa frase lá, como “quem sou eu: ACABO SENDO ENROLANDO”.

Viu, só?! Em plena briga com Freud e psicanálise vem meu inconsciente e joga essa na minha cara! A melhor definição da minha vida nos últimos tempos – definição do que quero dela e do que eu faço das outras coisas…

Adorei!

"Me cansei de você"

Minha escrita anda travada.
Acho que cansei de bater tanto na mesma tecla… e as últimas coisas que escrevi – que fugiam do assunto de sempre – ficaram bem mal escritas!

Escrever estava sendo minha maneira de esclarecer, de limpar a cabeça, enxergar melhor os pensamentos (literalmente, já que aí eles estavam na tela pra serem “vistos” e lidos).

E estou em um momento de não querer pensar. Um momento em que minha vontade é simplesmente sentir, sem ter que entender o porquê.

Eu disse que briguei com o Freud, e é bem isso esse momento. Depois de tanta tempo de análise é difícil se desvencilhar desta forma de pensar. Sempre procurando um significado mais profundo, um motivo escondido, uma razão obscura, um porquê antigo, uma repetição sintomática…

Cansei!

Tô com vontade de levar a vida mais leve! De querer uma coisa só porque estou com vontade dela. De não saber de coisas grandes da vida, simplesmente porque eu não sei. De odiar um lugar porque o lugar me dá motivos, não porque eu sou problemática.

Queria ser mais simples, mais normal, mais comum… Cansei de ser assim, confusa, complexa

Será que é possível? Será que dá pra girar um interruptor na cabeça?
Não pra desligar de vez – até porque sinto bastante falta de escrever – mas pra tirar os ruídos e deixar a parte bonita e sossegada…Será?

"Sem me entender em mim"

Eu sou difícil de conhecer.
Eu sou difícil de conquistar.
Eu sou difícil de gostar.
Eu sou difícil de ler.
Eu sou difícil de acompanhar.


E isso me dá algumas garantias.
Não dá pra gostar mais ou menos de mim. Ou gosta ou não gosta. 
Por isso eu sei que quem gosta, gosta de verdade. Gosta conhecendo todas as chatices, as manias, os mau-humores, a paciência flutuante, a capacidade de escuta, o humor ácido, os momentos de doçura…
E o contrário também vale: quanto eu gosto, gosto pra valer! E – por mais que eu seja indecisa em muita coisa nessa vida – quando eu gosto, sou fiel a esse gosto.
E assim como eu gosto de poucos, sei que pouco gostam de mim.
E fiz tanta análise nessa vida que já nem ligo pros que não gostam! 




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Ontem minha mãe e meu irmão me apresentaram um negócio bacana: http://www.inspiira.org/
Tem um teste bem legal de “personalidade” nesse site. É um pouco longo, então tem que ter paciência, mas vale a pena fazer!
Claro que nem todos os resultados batem 100% mas, por exemplo, o do meu irmão foi até engraçado de tanto que fazia sentido.


Indico que façam e leiam o resultado com bastante atenção. Dá pra se surpreender, se divertir e aproveitar pra fazer umas boas auto-reflexões… rs


Boa sorte!

Merda

Este é, sem dúvida, o post mais difícil que já escrevi – não só no blog, mas talvez na vida. O frio na barriga de clicar no “postar” acho que vai ser quase uma gastrite, mas publicar este texto é justamente o que dá sentido à ele, e como sentido é justamente o que venho buscando, vamos lá!


Recebi alguns elogios com relação à minha sinceridade aqui no blog, com quem lê e comigo mesma, mas a verdade é que a grande coisa que não sai da minha cabeça nas últimas semanas só foi muito levemente comentada… Mas sei lá, acho que resolvi que “chega de esconder minhas fraquezas”, chega de covardia… Até porque estou farta da minha covardia, então vamos começar a luta contra ela por aqui, contando pra todo mundo que quiser ler o grande caos que sou!
Já tô avisando de antemão pra que possam desistir já da leitura se o objetivo da sua presença neste blog é saber sobre o Chile, sobre vida no exterior, ou qualquer outra coisa. Porque este post vai ser pessoal! Muito pessoal. Talvez até melodramático. Mas ele vai sair!


Há anos e anos venho tentando descobrir o que eu quero “ser quando crescer”, procurando ter na vida profissional a mesma tranquilidade que tenho na vida pessoal. Encontrei o Lucas e casei com ele na certeza de quero estar ao lado dele e tê-lo comigo todos os dias da minha vida, pra sempre! 
Mas não consigo encontrar uma profissão que eu deseje, um sonho pelo qual valha a pena as dificuldades do dia a dia. Não era a T.O., não é o AV (isso mesmo, não é o AV – primeira confissão do post)…e é o que então??? 
Levar a faculdade na USP estava cômodo, porque, diferente da TO, estar ou não satisfeita com a profissão afetava só à mim (e não há possíveis pacientes) e continuar fazendo só pra me formar, ter uma profissão e trabalho e depois ir atrás do tal segredo mágico era bastante possível.
Mas aí, chegando na faculdade nova, tendo que encarar mais dois anos (ah! talvez 3, veja só…) de muitas aulas – muito mais crédito do que faria antes – muito trabalho, provas, professores mais chatos e mais exigentes do que os que eu tinha e gostava… bom, digamos que isso acabou cutucando minha ferida que tava quietinha… Cutucando não, tirando toda a casquinha e deixando sangrando pra caramba!
Ir para aquelas aulas com os simples objetivos de “me socializar no Chile”(fail, btw) e tirar o diploma (que agora corre o risco de ser fail tb) tá difícil… quase torturante, na verdade! (já que estamos na verdade…) Estudar cinema aqui tem me exigido uma energia que não tenho de onde tirar e a crise tá braba (avisei que seria melodrama).
Saio e chego em casa super de mau humor, choro e só me recupero depois de algum tempinho podendo esquecer essas coisas e curtindo a “vida pessoal”. Sinceramente, acho que nem o Lucas, nem a Maní, nem a faxineira e nem eu merecemos essa Gabi em casa 6 dias por semana!


Mas o problema maior da crise é – de volta a 2006 – não saber o que fazer no lugar disso…ou o que fazer pra amenizar isso – visto que preciso, de um jeito ou de outro, de um diploma logo!
Fico me sentindo presa num buraco sem saída, no qual eu sei que não quero seguir em frente, mas em que não consigo encontrar uma saída alternativa.
Me falta energia pro AV porque não é aquilo que eu amo fazer. Mas afinal, o que eu amo fazer???
Pensei em alguma coisa com os animais (desde aqui) , mas também não era exatamente uma resposta…




Mas. sabe, a verdade é que lá trás, eu não parecia sofrer desse problema:






Esse vídeo é da gravação da primeira peça que fiz no Teatro Escola Macunaíma, “O Brasileiro”, essa é a roda do “Merda!”de antes da peça.
Faz 10 anos! E 10 anos é tempo à beça, mas o que será que mudou?


Bom, aproveitei a vinda da minha mãe pra conversar bastante, inclusive sobre isso, claro!
Não há dúvidas de que o eu sentia quando fazia teatro era amor! Talvez justamente por saber como era sentir isso por alguma atividade é que seja tão difícil viver em uma na qual eu não sinto…
Não sei dizer por que ou quando esse encantamento todo passou, mas o fato é que em 2004 decidi parar de fazer teatro – parar o curso profissionalizante que faltava pouco mais de 6 meses pra terminar e parar de vez com a atividade.


Desde que entrei na tal crise profissional, em 2006, ousava pensar muito rapidamente que devia tentar voltar pro teatro.. que talvez tivesse deixado alguma coisa lá…


Mas eu nunca tive coragem! A verdade é que sou uma grande cagona! Tenho medo de entrar numa turma nova, que eu não conheço, tenho medo de me decepcionar com a turma (porque a minha era incrível!), tenho medo de decepcionar as pessoas em volta, tenho medo de me decepcionar comigo, tenho medo de não ser boa o suficiente, tenho medo de ir lá experimentar, buscar essa tal coisa que deixei pra traz, e não encontrar e ficar sem alternativa depois…
Mas, como disse lá no começo, tá na hora de enfrentar todos estes medos: Resolvi procurar um curso de teatro aqui!!!! 
Começar no começo, só como distração e ver, afinal, o que vou encontrar…
Dei uma olhada na internet, mas ainda é difícil saber qual escola é boa e qual não é, então entrei em contato com o sindicato de atores daqui… Ainda não tive uma resposta, mas vamos ver…
Tinha pensado em escrever sobre essa decisão aqui no blog só depois que já estivesse matriculada no tal curso, mas me dei conta de que tornar público agora vai ter uma função maior: agora que todo mundo sabe, não posso mais fugir! Sou bem boa em me des-convencer de algumas coisas.. Mas dessa vez eu quero enfrentar, eu quero tentar! Por isso vou avisando, talvez eu precise de ajuda, talvez precise que me cobrem, que não me deixem desistir antes de chegar lá – juro que estou me esforçando bastante!


Não tô achando que vai ser uma solução mágica, que vai me tirar de todas as angústias com a vida e com a faculdade, pelo contrário, sei que será bem difícil, mas finalmente resolvi tentar!
Que diferenças isso vai fazer ou não na prática, não faço ideia… Como dizem meus amigos do AV: vamos acompanhar!


Mas a parte mais legal disso tudo é que, um dia depois de ter tomado essa decisão importante, chegaram pra nos visitar meus sogros e trouxeram com eles um pequeno tesouro: antes de vir pro Chile deixei alguns VHSs com eles pra passarem, um dia, pra DVD pra mim…  e o trabalho não só foi feito com rapidez e eficiência, como já chegou em minhas mãos! Resultado: passei horas do último fim de semana assistindo esses DVDs! 
Um deles é uma festinha da minha escolinha no ano de 1989, eu com 3 anos mostrando nas danças que minha descordenação é de nascença! hahahaha
Outro é um curta metragem que fiz nas épocas de atriz, bem ruinzinho por sinal…
E os outros são quase todas as peças que fizemos no Macunaíma filmadas!!!
A coincidência foi incrível! Essas peças não poderiam ter chegado em melhor momento, porque deram um apertão na saudade e um empurrão na decisão!!!

Acho que era isso que eu tinha pra dizer…apesar da dificuldade de dizer tudo isso, apesar de ainda achar que meio que não é da conta das outras pessoas, que é um problema meu e pronto…
Mas quer saber, já que resolvi mesmo ter um blog e falar mesmo sobre mim nele: tá tudo aí! De verdade! Sinceramente! Doídamente! Ridiculamente! Mas, espero, corajosamente!


Obrigada aos que realmente dedicam tempo a ler minhas baboseiras! Conto com vocês nestas empreitadas! (a do blog-bobo e a do retorno ao teatro)


Um beijo mais leve,
(próximo post: Milan Kundera!)


Gabi

"Agora sabes que sou verme…"

Nestas duas últimas duas semanas devorei dois livros: “O Físico – a epopéia de um médico medieval” de Noah Gordon, que ganhei de presente de despedida do amigo Pedro Mosca (e que tem 588 páginas!) e o “Bala na Agulha – reflexões de boteco, pastéis de memória e outras frituras”, livro de crônicas rápidas e boas de ler do Zeca Baleiro. Sim, em menos de 15, tendo aulas de segunda a sábado, li e me deliciei com os dois! Ambos são ótimos e merecedores de comentários à parte (quem sabe num outro post), mas independente dos livros, sou bem grandinha (e suficientemente analisada) pra saber que mergulhar loucamente nas páginas e nos pensamentos dos outros é o meu jeito mágico de fugir dos meus próprios pensamentos – é normal, de tempos em tempos faço este afogamento literário…
Mas aí eu percebi (ou assumi) também que estar afundada adorando um livro é mais um motivo pra poder ficar só comigo no meu mundinho, com uma boa desculpa pra que as outras pessoas atrapalhem!


Mas pera lá, não é pra culpar o livro, não! A “culpa” é só minha mesmo!!! Sou anti-social cada vez mais assumida, tenho preguiça de fazer amigos e, muitas vezes, tenho preguiça de conviver com os amigos já feitos.
Como disse uma estranha que encontrei no twitter outro dia: não é timidez, mas sim espontaneidade seletiva (via @bnclarissa). É isso, sabe, eu GOSTO de ficar sozinha! Quase sempre e desde sempre! A espontaneidade é seletiva porque de vez em quando me dá uns surtos de sociabilidade em que quero meus amigos perto (só os já amigos, vejam bem!) pra rir e falar bobagem e ficar bêbada de coca-cola, etc…


Mas são muito poucos os que eu sempre prefiro à solidão, poucos mesmo!


A Gilda, mãe da Patricia – minha madrasta – diz até hoje que não se conforma com as horas que eu era capaz de passar em baixo de uma mesa brincando sozinha quando criança. 
Entendeu? Desde sempre!
Não é pessoal, não é porque eu tô num país novo em que não falo muito bem a língua, não é porque tô com saudades de São Paulo, não é que eu não goste das pessoas. Não é porque todas elas fumam.
Eu “ainda não fiz amigos” na faculdade nova porque essa sou eu!
Até porque, acho que eu não faço amigos…eu observo de fora, por um bom tempo, até saber onde tô disposta a entrar de vez em quando. E, claro, eventualmente, acabo sendo fisgada e conquistada por pessoas interessantes e queridas!
Mas eu prefiro ficar em silêncio no meu canto, muitas horas por dia, mesmo estando em São Paulo, com as pessoas em volta falando português… É por isso, por exemplo, que no CTR eu preferia ficar no meu banquinho secreto do lado de fora e não na sala de produção! É por isso que 80% das vezes eu escolho ir pra casa à “dar uma esticadinha em algum lugar”. É por isso que eu fico offline no gtalk, no msn, no bate papo do facebook.
Desculpe se alguém se ofende com isso. De verdade, desculpe. Mas agora vocês já sabem: essa sou eu!



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Hoje conversei um pouquinho por skype com a minha filha querida, Silvinha, e ela tava me contando que vai fazer um curso de meditação em que ficará 10 dias SÓ meditando. Sem falar com ninguém, sem ver televisão, filmes, sem ler, sem usar o telefone, sem internet, sem nenhum tipo de contato com o mundo exerior. Só meditando!
Tenho certeza de que será uma experiência incrível pra ela, acho ótimo que ela vá! Mas a primeira coisa me passou pela cabeça foi: eu nunca conseguiria uma coisa dessas! (Por isso, Sil, se você consegue, aproveita!!!rs)

Depois mais a noite fiquei pensando: ué, se eu gosto tanto de ficar sozinha, só eu comigo, porque será que tenho tanta certeza de que não conseguiria fazer uma coisa dessas? Fácil! Lá eu não poderia usar nenhum método mágico de escape: sem mil livros seguidos pra ler compulsivamente; sem episódios de uma série bacana pra assistir seguidos, até doer o corpo todo na cadeira; sem nem uma musiquinha pra colocar bem alto e cantar, cantar, cantar…
A conclusão é que nessas circunstâncias eu teria muitas brigas comigo mesma! Não sei se eu me suporto tanto tempo e com tanta intensidade….rs
Mas confesso que fiquei curiosa pra saber…

Direto da zona de desconforto

Ou: mais uma conclusão semi-óbvia à qual só cheguei agora.


Respondi um comentário da minha querida anônima dizendo que às vezes temos que sair da nossa zona de conforto pra poder enxergar certas coisas. Estava me referindo à mudança ao Chile, as adaptações todas e tal, mas a tal frase acabou voltando ao longo do dia…


Pegamos nosso carro ontem! Lindo!! Novinho, brilhante, inteirinho…assim, como tem que ser…rs
E hoje tive meu primeiro “retorno à direção”. Estava super nervosa, suando e tal… comecei dirigindo pelos quarteirões mais calmos aqui em volta de casa, até cheguei a pegar uma avenida maiorzinha… Até que o Lucas disse: “agora você não vai virar, vai reto”. Só que indo reto chegávamos em uma das avenidas mais movimentadas aqui da região! Ugh! Claro que a minha resposta foi “Não!”, mas segui em frente e foi tudo bem. Aí demos mais uma volta e voltamos pra mesma avenida, mas mais de trás, precisando ultrapassar ônibus, mudar de faixa, quase ser atropelada pelo ônibus anterior (rs), ter problemas pra ficar na faixa certa, levar algumas buzinadas, etc… Depois, na hora de voltar pra casa, o Lucas me diz: “agora entra na garagem”. Nessa hora eu parei e quase desci do carro, mesmo! “Você tá louco, vai dar cagada, é o primeiro dia que eu dirijo esse carro, tenho medo desses corredores apertados (nossa vaga é no -2) até quando você tá dirigindo, imagina, nunca…”e por aí vai… Mas eu fui, né?! E putz, deu tudo certo de novo!


Aí fiquei pensando nisso: tenho carta desde 2005 (façam as contas), não dirigia faz sei lá quanto tempo e nunca, NUNCA mesmo, tinha trocado de faixa na vida ou andado em uma avenida de verdade! Todas as cagadas que eu fiz são normais e até esperadas em “novas cartas”, mas tenho quase 6 anos de carta e só algumas subidas de Serra e uns passeios na Morada das Flores pra “ganhar mais segurança”. Mas fala sério: quanto tempo teria que ter andado dentro do condomínio até me sentir segura pra ir pra rua???


Claro que, no momento da insegurança, minha primeira resposta é “não!”. E é claro que com o maridão do lado (apoiando e incentivando e ensinando) fica muito mais fácil. Mas a verdade é que se eu não me jogasse no desconforto na grande avenida ou do subsolo, talvez eu nunca chegasse lá.






Depois refleti mais um pouco (rs): isso é mais ou menos o que a gente faz em análise. Vai-se para análise justamente pra se sair do conforto (claro que pra sair do sofrimento, originalmente…rs), deita-se no divã pra cutucar as feridas, enfrentar as buzinadas e sem saber muito o que fazer com o volante em caso de crise! Mas, putz, no final, aprende-se a dirigir! (ou, pelo menos, perde-se o medo de tentar e tentar e tentar).


Vamos então! Enfrentar as ruas de dentro do meu carro automático com meu marido do lado – porque é muito mais fácil cutucar as feridas dentro do setting seguro e com um analista confiável na poltrona atrás…pelo menos pra começar! Hehehe


Ps.: Hoje completamos um mês inteiro de Chile!!! Depois faço um post especial pela data! rs