"e remove as montanhas com todo cuidado, meu amor"

Estou devendo dois post’s pra vocês e vou sanar a dívida em ordem cronológica, portanto, hoje vou contar um pouco sobre a viagem para Portillo e Mendoza!

O passeio começou com um pequeno estresse pois as coisas se confundiram e perdemos o horário que havíamos marcado com o veterinário para deixar a Maní… depois da irritação, da solução, do trânsito e do aperto no coração na hora do tchau, a Maní ficou e eu e o Lucas saímos ao encontro dos outros companheiros de viagem. Eram eles:
– Duilio: também FuD, da mesma edição que o Lucas. Chegou no Chile um mês depois de nós e tem sido companheiro por aqui (a mãe dele até fez um strogonof delícia pra gente quando veio visitá-lo!!! hehehe)
– Ceschin – trabalha no Santander aí no Brasil e veio aproveitar o Chile pra fazer muito snowboard
– Raquel – amiga do Duilio, venho conhecer o Chile e aproveitar a hospitalidade do amigo….rs

Os três saíram de Santiago um pouco mais cedo e portanto puderam nos dar um pouco de instruções do caminho e conhecer antes de nós o excelente hotel que nos esperava!

Claaaarooo que o GPS tentou nos matar, mandando seguir reto numa ribanceira. E claro que nos perdemos algumas vezes! Em uma delas aproveitamos um pedágio pra pedir instruções, a moça super simpática nos disse que poderíamos fazer o “retorno” passando no meio de uns cones poucos metros à frente… o bizarro foi que depois de “retornar” voltamos, claro, pro mesmo pedágio, a mesma moça saiu na janela do outro lado e nos cobrou mais uma vez, com a maior naturalidade no “buenas noches”! hahaha

Em determinado momento falamos com o Duilio, que tinha acabado de chegar no hotel e, à nossa pergunta de “como é aí?” nos respondeu com um “só vendo!”.

Ok, quando chegamos lá vimos e entendemos! Tínhamos reservado dois chalés em um hotel na parte baixa da montanha de Portillo, pra passar a noite por lá e chegar na manhã seguinte bem cedinho pra esquiar. Segundo o site do hotel, estaríamos nuns chalés super charmosos, com aqueles telhados inclinados cheios de neve e tal…
Qual não foi nossa surpresa quando, chegando lá, demos de cara com isso:



Sim, um container!!! Esse telhadinho que você vê na foto e de uma casa de trás; o nosso “chalé” era literalmente um container!!!! Era divido em dois então eu e o Lucas ficamos no da esquerda e os outros três no da direita.
Se alguém andava em um “quarto” sentia-se no outro! O frio que fazia ali era absurdo, mesmo com um ar condicionado que deveria aquecer até os 31 graus ligado! E o banheiro??? Dentro do box tinha uns fios de cabelo dos últimos hóspedes – juro!!! hahaha Fora a água fria, o vento que entrava sei lá eu de onde…enfim… esse começo de viagem foi tão emblemática que qualquer coisa que viesse depois seria vista com bons olhos!

Mas, ainda bem!, tudo que veio depois mereceu muito mais que bons olhos!

Conforme planejado, na manhã seguinte terminamos de subir a montanha e chegamos em Portillo. E, putz, que lugar lindo!!!


É uma das primeiras (senão a primeira, não estou segura) estações de esqui do Chile. É também uma das mais sofisticadas! Tem um hotel super bacana, onde váááários gringos de vários lugares diferentes se hospedam exclusivamente pra esquiar e as pistas são muito melhores do que aquelas que tem aqui pertinho de casa. Dizem os que esquiaram lá…rs

O Lucas foi todo preparado, comprou todo o equipamento de snowboard e estava cheio de energia! Eu… bom, eu até fui disposta a esquiar, mas quando cheguei lá e vi aquelas pessoas andando com aquelas botas desconfortáveis lembrei do aperto no meu pé, da dificuldade pra calçar e descalças a bota, pra andar e claro, pra esquiar..acabei desencanando…rs
(Aliás, desencanei tanto que resolvi comprar uma bota pra ficar passeando e brincando na neve nas próximas vezes que as outras pessoas forem esquiar, porque eu adoro o visual, adoro o frio, adoro a neve…mas odeio o “sofrimento” da minha incapacidade…hahahahha)

Como neste dia não estava com um sapato propício, acabei ficando fazendo companhia pra Raquel, que não podia esquiar…
Meio que, um pouco sem querer (só um pouco…hehehe) invadimos uns espaços do hotel que seriam só pra hóspedes e passamos a tarde curtindo a paisagem, o wi-fi, o conforto, o aquecedor…Delícia!!!

Por volta de umas 4 da tarde, os meninos já acabado de tanto esquiar, arrumamos as coisas e pegamos nosso caminho pra Mendoza!

Pra quem não sabe, Mendoza fica na Argentina e Portillo no meio do caminho pra fronteira. E falando em fronteira… ficamos quase 3 horas no carro pra conseguir entrar na Argentina! Muita fila, muito carro, muita gente, muuuuitaaa burocracia..carro revistado e tudo!
Como a estrada que nos esperava era mais perigosa, deixamos nosso carro lá em Portillo e fomos os 5 no carro do Duilio, que tem poderes especiais pra andar em gelo e neve e montanha e subida! rs
E fizemos uma baguncinha enquanto esperávamos tanto, né?!



Com toda a demora da Aduana, chegamos em Mendoza meio tarde, mas ainda precisávamos sair pra jantar e Duilio, Raquel e Ceschin ainda estavam animados pra uma balada.
Saímos pela cidade pra escolher um dos tantos RestoBar que tem por ali (restaurantes que depois de certo horário recolhem as mesas e viram uma balada)… até que descobrimos que aquele sábado era véspera de eleições na Argentina – no dia seguinte eles escolheriam os candidatos para as eleições do final do ano – e não só os lugares iam fechar todos cedo, como estava proibida a venda de bebidas alcoólicas! Os animados do grupo ficaram muito frustrados! Fala sério, isso lá é jeito de conhecer a noite de uma cidade, com todo mundo indo dormir cedo pra exercer a democracia no dia seguinte??? hahaha
Havia um RestoBar, que não tinha uma cara muito boa, mas que era o mais cheio da cidade..logo descobrimos o motivo: estavam vendendo cerveja escondido! hahaha Paramos pra jantar ali, claro! No final tivemos uma noite muito agradável e divertida! E esfomeada, porque a comida demorou infinitas horas pra chegar na mesa! Desconfio que mais de duas horas, juro! Mas ok…rs

No dia seguinte tomamos um café da manhã super charmosinho na calçada do hotel, com direito a muita media luna con dulce de leche argentino!!! Hmmmm!!!
E fomos prum passeio em uma vinícola que o Duílio tinha deixado reservado…

O passeio em si não foi nada demais… conhecemos uma forma mais industrial de fazer vinho, diferente das que nos mostram quando vamos por exemplo, aqui na Concha y Toro.





Mas especial mesmo foi o almoço de depois!! 
No restaurante da própria vinícola, comemos absurdamente bem!!!
Era uma espécie de rodízio de carnes típicas argentinas, acompanhada por sopa e salada de entrada, sobremesa e vinhos de fabricação própria! Além da grande variedade e quantidade, era tudo muito bom!!! Fora o charme que era o lugar!



Dizem que Mendoza é um ótimo lugar pra comprar roupa de couro (melhor que Buenos Aires), mas infelizmente tudo estava fechado por causa das benditas eleições, assim que nos contentamos com umas comprinhas normais no shopping mesmo.
No meu caso, “comprinhas” quis dizer isso: 



Hehehe!!! Não dá nem pra dizer que é sorvete de doce de leite, tá mais pra doce de leite congelado mesmo! Delícia!!!

Por lá conhecemos também o parque super lindo, andamos por umas ruas charmosas e pronto!


Na manhã seguinte acordamos cedo pra pegar a estrada de volta.


Um importante detalhe sobre essa estrada: ela passa pela Cordilheira dos Andes e as paisagens do caminho são as coisas mais lindas!!!!

Você vai andando…vendo a montanha chegar…


E se deparando com uns lugares maravilhosos assim:

Aí uma só curva e, puff!, neve!!


Já tinham me dito isso, e eu re-digo com toda certeza: a estrada é a parte mais legal da viagem!! É lindo ver as montanhas mudando de cor e de forma, várias manifestações surpreendentes da natureza, paisagens tão diferentes em um só caminho! A cada curva uma nova surpresa e emoção! Demais mesmo!!!



E foi assim que voltamos pra casa e terminamos nossa primeira grande aventura pelo território chileno!!! hahaha


(pra quem se interessar – e não tiver facebook – muito mais fotos da viagem nesse link aqui)

Foi ótimo conhecer mais desse país querido, o país vizinho, conhecer a Raquel e o Ceschin, passar mais tempo com o Duilio, e aproveitar esses lugares lindos com meu amore!!! Os lugares eram lindos, a comida muito boa e companhia uma delícia!
Deu vontade de viajar bem mais e já estamos planejando uma coisa super legal pra comemorar o aniversário de casamento!!!

Por hoje é isso..
Agora estou com preguiça até de revisar o que acabei de escrever, portanto, perdoem pequenos erros, me avisem sobre os grandes e esperem, que o post sobre a noite Chilote vem logo!
Beijos a todos!







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"Pra mim meia dúzia é seis, hein?!"

Um bebê com 6 meses de idade já tem controle sobre seu próprio corpo, já começa a atender pelo próprio nome, reconhece a própria mãe e já sorri. São conquistas muito importantes desses primeiros meses de vida!


Depois de 6 meses, o funcionário em período de experiência é contratado oficialmente.


Um gato ou um cachorro de 6 meses de vida já está com todas as funções biológicas desenvolvidas, mas continua com a energia e a empolgação de um adolescente.


6 meses é o tempo que um vinho semi-premium fica dentro do barril de carvalho.


6 meses num namoro adolescente parece um recorde.


6 meses longe da pessoa amada pode ser insuportável.


6 meses podem ser muito pouco tempo.


6 meses pode ser uma eternidade!


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Sexta feira, dia 12, completamos 6 meses de Chile, de Santiago, de “expatriação”, de saudade, de conquistas, de “nossa família”, de Futuros Diretivos (e acompanhante), de Cordilheira na janela e neve no quintal…


É impressionante como quando faço as contas parece muito menos tempo do que quando penso em tudo que já vivi aqui, tudo que já aconteceu, tudo que já mudou.






Sei que com a facilidade da internet e do blog todos vocês queridos vêm acompanhando quase em tempo real o andamento da vida por aqui. Mas como  data é especial, acho que vale dar uma resumida no que foi esse período.


Nesses 6 meses fiz um semestre da faculdade e já comecei o segundo, mas minha matrícula oficial só sai essa semana agora.
O Lucas trocou de chefe um monte de vezes, foi promovido e agora tá num período sem chefe, trabalhando por mais de um, enquanto não colocam alguém de volta no cargo.
A Maní completa hoje 9 meses de vida. Continua linda, mimada e fofíssima! Andou aprontando umas por aqui – como picotar umas folhas de jornal e mastigar quase completamente o fone bluetooth do Lucas… mas a gente tem que entender que no fundo, ela só quer atenção! rs

“Mããããeee, pára de escrever e vem brincar comigo. Trouxe todos os meus brinquedos legais pra você!”



Ficamos por muito tempo procurando um apartamento pra comprar, porque seria um bom negócio e porque a obra aqui ao lado incomoda bastante. Em julho achamos um apartamento que gostamos muito, estava num preço bom e tinha essa vista:







Fizemos uma oferta de compra, mas acabou que o dono não querendo vender começou a nos enrolar um monte, aceitou a proposta mas ficou inventando umas cláusulas estranhas pro contrato… Acabou ficando bagunçado demais e achamos melhor desencanar, não entrar em rolo.
Com essa decepção, decidimos dar uma acalmada na procura por apartamento, dar umas melhoradas nas coisas do nosso e compramos algumas coisinhas que faltavam, como criado mudo e um microondas descente!


Criado mudo multiuso: serve também de mesa de centro


Agora cabe um pacote de pipoca no meu microondas!


Desde que começou a temporada de inverno temos aproveitado e subido muito a montanha! Seja pra esquiar, fazer snowboard (o Lucas já está craque!), ou só brincar na neve mesmo… É lindo e é pertinho! Tem que curtir, né?!





Em 6 meses aqui recebemos muitas visits boas! Não tenho fotos de quase nenhum, mas faço aqui uma listinha de homenagem/agradecimento aos que vieram!


– Nanci – minha mãe que veio de surpresa pro meu aniversário e estreou o quarto de visitas;
– Rejane, Claudio e Pedro – sogros e cunhado, que vieram conhecer Santiago antes que chegasse o inverno;
– Aline – a primeira da trupe Santander;
– Celso – também Santander, foi embora e deixou na gente a vontade de conhecer a Ilha de Páscoa;
– Marina – que o vulcão não quis deixar ir embora;
– Samantha – a visita que a gente não viu, mas que cuidou super bem da Maní;
– Andrea e Marcelo – o casal fofo;
– Augusto e João – dupla dinâmica que por pouco não veio;
– Nathalia e Lucas – que me fizeram companhia e trouxeram um pouquinho de Buenos Aires;
– Mari Midori – primeira viagem internacional especialmente pra me visitar;
– Vagner, Patricia, Isabella, Vinicius e Arthur – Família Ramalho em peso pra inesquecíveis momentos na neve!


E esperamos mais!!








6 meses não diminuíram nem um pouco meu encanto com a vista da Cordilheira! Também, como poderia?!?!





Em 6 meses fomos uma vez para o Brasil, numa visita super corrida, gorda e gostosa. Fomos também duas vezes num restaurante brasileiro que tem aqui, matar a saudade de coxinha e outras guloseimas típicas!


Depois de 6 mesess sofrendo com o tema, finalmente encontrei uma faxineira boa nesse país!


Nesses 6 meses descobri a delícia que é fazer pilates e não quero mais parar.


Nesses 6 meses engordei um pouco (juro que foi pouco..rs), mas ainda não consegui me animar pra emagrecer…


Em 6 meses já aprendemos a fazer a compra de mês bem rapidinho. Já tenho todas as minhas marcas preferidas e não me perco mais no mercado..rs. Mas nesse últimos mês experimentamos as maravilhas da “compra de mês on line” e acho que vamos adotar!


Nesses 6 meses fui uma vez ao cabeleireiro e duas ao dentista, as duas coisas na semaninha rápida de Brasil…rs
Mas também fui uma vez na ginecologista, e isso foi aqui em Santiago mesmo!


Mesmo já estando no segundo semestre, continuo preferindo ficar quieta no meu canto, lendo, lá na faculdade; mas já escolhi as pessoas que eu gosto e as que eu não gosto…


Os sentimentos continuam intensos, mas agora com uma intensidade controlada, sensata e sensível…


O casamento está cada dia melhor!


A distância continua dolorida, mas a vida santiaguina compensa até mesmo isso!


6 meses passaram e posso olhar pra trás e ter a certeza de que fiz as escolhas certas, ou me dar o direito de questioná-las, não importa. O que sei é que a vida vai muito bem, obrigada!
Quer ver?
Vem pra cá experimentar! Ou só conhecer e me visitar…também serve!rs






Hoje foi feriado no Chile e aproveitamos a esticada para fazer nossa primeira “grande viagem” por aqui… Fomos até Portillo, uma estação de esqui chilena lindíssima e depois até Mendoza, uma cidade da Argentina famosa pelos seus bons vinhos.
O passeio foi feito de carro, em boa companhia e pela estrada no meio da Cordilheira dos Andes. Portanto, certamente vai ter um post todinho só pra ele!
Foi um jeito lindo de comemorar nosso aniversário Chileno!!!


















"Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas"

Continuando a história do último post, coloco aqui alguns outros pontos de vista sobre a atual Luta Estudantil no Chile.


Primeiro uma pequena discussão – daquelas boas, que nos fazem pensar as situações, nossa opinião e nossa posição – que rolou no link do facebook onde publiquei a postagem:
http://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=261608977199192&id=536190213


Segundo, um texto da amiga Begoña, chilena, também expatriada – atualmente morando no México – que tem mais do que a política, tem também o coração chileno envolvido nessa história:
http://www.elmartutino.cl/noticia/sociedad/crisis-educacional-en-chile-una-comunicacion-sorda


E terceiro, uma vídeo postado agora há pouco no facebook pelo amigo Luciano. Não conheço a brasileira que fala nele, mas achei interessante olhar a coisa também por esse viés, de alguém que, apesar de ser estrangeiro, parece estar bastante envolvida com a luta toda…





Aos mais interessados pelo assunto, recomendo também que dêem uma garimpada nas notícias a respeito e que não confiem totalmente nos dados (numéricos, principalmente) colocados neste blog ou em um só site de notícia…. faça sua pesquisa e chegue às suas conclusões.




Besos a todos!




"Nas pedras do teu próprio lar"

Convido-os a dar uma olhada nestas imagens (e depois na notícias que as acompanham):


La Tercera


Emol


Há mais de dois meses os estudante estão em greve no Chile. Greve de verdade, com motivo pra valer, organizando marchas toda quinta-feira, tentando negociações com o governo, apanhando dos Carabineiros de Chile (os policiais) – e batendo também. Criando tumultos seguidos no centro, no trânsito, no comércio… Mas sendo ouvidos, sendo vistos, sendo notícias semanais (pelo menos).
Eles brigam por uma educação gratuita de qualidade – aqui colégios e faculdade, particulares e públicos, são pagos, muito bem pagos!


Não sou, nunca fui e nem acredito que vá me tornar uma pessoa “politizada”, mas confesso que me sinto “tocada” por toda essa situação.
O envolvimento dos estudantes é enorme! Eles não estão de greve porque é costume fazer isso nos anos ímpares, nem estão aproveitando a greve como férias extras forçadas. Eles estão em greve pra brigar por uma coisa séria e estão brigando por ela de verdade!


Hoje a briga ficou mais feia! Depois de muitas “negociações” com o governo – que os estudantes classificam como insignificantes – muita ameaça da polícia contra as marchas, greves de fome e do quase fim forçado do movimento, organizou-se duas grandes marchas: uma pela manhã e outra prevista agora para o final da tarde.
Segundo a imprensa, se reuniram pela manhã aproximadamente 6 mil pessoas (estudantes universitários e do ensino médio) em diversos locais da capital, até agora confirmaram 197 presos e 2 carabineiros feridos. O governo está lançando uma série de pedidos pra que se cancele a marcha do final do dia. Pelo andar da carruagem, duvido que vá funcionar…
A confusão das marchas da manhã você viu nas fotos acima. A da noite promete ser pior!
Quando a briga toda estava ainda começando, ou seja, lá pra maio, estávamos fazendo turismo em Valparaiso e vi, em uma casa simples, anônima, no meio de uma ladeira qualquer da cidade, duas placas escritas a mão, apoiando o movimento.
Aquilo me impressionou porque demostra muito bem a sensação que tenho sobre a situação e sobre o Chileno:
Eles estão envolvidos com a luta a ponto de colocar uma simples placa na porta de suas casas, pra que qualquer um que passe por ali saiba sua posição na questão, pra que qualquer um que passe por ali se lembre de que as coisas não estão bem.
Eles estão envolvidos com a luta a ponto de conseguir reunir mais de 6 mil pessoas que sabem que serão atacadas bom bombas de gás lacrimogêneo, que vão apanhar, que podem ser presos…


Isso me intriga, me faz lembrar as histórias e fotos de época de ditadura no Brasil.
E não consigo deixar de pensar: o que será que aconteceu com os brasileiros pra terem amarelado tanto? Ou que será que aconteceu com os chilenos pra continuarem tão duros?


As duas ditaduras não foram tão diferentes entre si, no quesito durezas e duração são bem parecidas na verdade, mas de alguma forma, por algum motivo, os impactos que sobraram nos dois países são imensamente diferentes! Por que será???


Os desenvolvimentos dos novos períodos democráticos também não são discrepantes. Não posso dizer que os chilenos se revoltam porque vivem mal. Como não posso dizer que os brasileiros se acomodaram porque estão muito bem, obrigada.
Por que, então?


Imagino que seja cultural. Alguma coisa anterior da história dos dois que influa no tempo atual. Já conversei com alguns chilenos a respeito e desenvolvemos a teoria da colonização, desde esse período nota-se essa diferença: diz-se que os “brasileiros originais” ou se entregaram ou foram massacrados de cara, enquanto os “chilenos originais” (como outros indígenas da chamada “América Espanhola”) lutaram e resistiram pra serem massacrados só depois. Nota-se isso, inclusive, na presença indígena que ainda existe naturalmente por aqui e que no Brasil não vemos nem sombra.


Mas isso não explicaria o envolvimento dos brasileiros na época da ditadura, em que muito lutaram pelos seus ideais, assumindo e enfrentando as conseqüências disso. Sabemos fazer isso, pra valer!
Não se pode então dizer que “brasileiro é tudo mole”, que se entrega sem lutar. Isso não! E onde raios ficou isso???


Não, eu não gostaria que nosso país fosse caótico, ou que tivesse esse clima de guerra que está por aqui agora. Como também não pretendo me envolver nas brigas chilenas.
Mas não consigo não ficar irritada quando vejo o povo organizando eventos pelo facebook, achando que só porque mais de mil pessoas colocaram lá o “attending” a juventude brasileira está super preocupada com seu futuro! Ah! Vá catar coquinho! E faz o favor de assumir o comodismo instaurado, que isso me parece mais honrado! 




Ps.: Pra tranquilizar os queridos preocupados: minha casa fica suficientemente longe do centro e das confusões e minha faculdade é tão mínima (no sentido físico e literal), que nada desse conflito chega lá. No máximo o trânsito, causado pelas confusões, impede professores de chegarem pra aula (como aconteceu hoje). O Lucas, que trabalha no centro, acabou ficando em casa hoje. Foi melhor assim!







A primeira vez a gente nunca esquece!

Andava me criticando ultimamente pelas minhas instabilidades, alterações de humor, capacidade de deixar que pequenas coisas alterem a totalidade de mim… essas coisas de mulher, sabem?!


Mas, pô, se até a Gaya, a “maior mulher de todas” pode ter suas instabilidades, tremer nas bases e deixar que um movimento alheio e superficial lhe afete tanto… acho que meu caso não é tão grave assim!


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Hoje senti meu primeiro terremoto no Chile! Terremoto não, porque aqui eles chamam de tremor quando é de leve. 
Pois é, tremeu!
Foi um movimento de 6 graus da escala Richter que aconteceu a 22km de profundidade. Segundo os comentários da “população chilena” (no facebook) fazia um tempinho que não se sentia um tão forte e tão longo.
Aliás, foi por isso que senti, porque foi longo. (desde que estou aqui já aconteceram vários – vários mesmo! – outros tremores e eu nunca sentia nada)


Estava sentada no sofá, jantando e assistindo um filme no computador (portanto, com a cabeça ligeiramente abaixada) quando senti um pouco de nausea e achei que o movimento que via no computador fosse, na verdade, eu com tontura. Juro!
Aí levantei a cabeça pra ver se melhorava e reparei que não mudou nada…aí olhei pra frente e vi o vaso de flores em cima da mesa balançando, a água e as flores se mexendo. Aí virei pro lado e a tv – que não é pequena – também dançava. Aí olhei pro chão e a Maní tava dormindo tranquila. (hahaha)


A sensação de “finalmente estou sentindo um tremor” foi muito emocionante – os olhos encheram muito de água. Mas, como o tal tremor tava tremendo a tempo demais, logo veio o medinho – sozinha em casa, a noite, chuva, e essa coisa começa a tremer?!?!
Continuei sentada vendo o vaso na mesa, ouvindo uns sons de coisas balançando nos outros cômodos da casa… até acabar. Impossível dizer quanto tempo durou, mas parece uma eternidade pela quantidade de coisas que dá tempo de ver, pensar, ouvir…
Quando me senti segura levantei e fui verificar os arredores: não tinha nenhum vizinho no corredor, assim deduzi que não tinha sido grave. Todas as portas da casa ok e as coisas nos seus devidos lugares. Ufa!
Tudo no lugar, menos meu labirinto: a nausea continuava, a sensação do chão se mexendo também e por uns 50 minutos ou mais fiquei achando que estavam acontecendo outros tremores…rs


Desde que eu cheguei aqui dizia que queria sentir um terremoto, saber que tipo de movimento a terra faz, se tem algum som, como os prédios e as pessoas se comportam…
Bom, não cheguei a todas essas conclusões, mas finalmente senti um! E agora posso ficar sem o próximo por um bom tempo…hehehe
(se bem que dizem que depois que você sente o primeiro fica muito mais fácil sentir outros, mesmo menorzinhos…)


Fiquei acompanhando as notícias ( como essa ) e parece que não houve nenhum estrago, nem feridos, nem réplicas (já tem mais de 2 horas). Podem ficar tranquilos!


Eu sei que foi de leve, bobeira…mas é uma experiência muito incrível!
Se a expressão “perder seu chão” significa perder a sua mais sólida base, seu maior apoio, sua estrutura forte… bom… hoje eu vi na prática o quanto nosso chão não é “sólido” e isso faz mexer a estrutura da gente…ah, faz!


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Terça feira completamos 5 meses de Chile (meo deos, parece tão mais!) e a sacudida de hoje pode ter sido o território chileno pulando pra comemorar!








Ps.: Feliz aniversário pro meu “irmãozinho” que chegou hoje na maioridade! Uhu!!! (mais um motivo pra eu não esquecer a data)

E você, quando vem?

Lhes apresento o Hotel MaLuGa, lugar de ser feliz em Santiago!


Aqui você pode ficar tranquilo e só desfrutar tudo que essa cidade incrível tem de bom!





Oferecemos aos nossos hóspedes confortáveis acomodações em quartos dobles com camas de solteiro ou casal. 



Contamos ainda com um Kit-Turista montado com todo carinho para melhorar a estadia de nossos visitantes e incrementado pelos queridos que já passaram por aqui!
Nele constam:


– Guias de tours e passeios pra fazer na cidade e nos arredores dela.





– Celular pré-pago local pra facilitar a comunicação com o que (ou quem) quer que seja por aqui

– Chave da casa com chaveiro típico da Ilha de Páscoa – Presente do Celso Bal


– Porta moedas (presente da Marina Malta) pra facilitar a vida de todos com os pesos trocados



– Cartões Bip da Transantiago pra aproveitar o ótimo transporte público


– Caderneta de anotações onde os hóspedes podem contar sobre sua estadia e deixar dicas e opiniões para os próximos que vierem (presente da Marina)



Outro diferencial de nosso hotel é o Rock Band, pra entreter e divertir as reuniões de amigos na recepção.







De fundamental importância para o sucesso de nosso trabalho é a Maní, uma cachorra de companhia que estará sempre disposta a te dar carinho e ajudar com a saudade de casa!



Isso sem falar nos anfitriões mais bacanas do planeta!





Agora….você que está aí no computador…o que falta pra programar sua vinda a Santiago???


Nós estamos te esperando!!!


Vem!!!!!!


(favor agendar as datas de estadia por email)



Morando em Santiago eu aprendi que…

Aprendi que todos os dias vc tem que olhar esperançosamente para o horizonte.


Não importa como esteja o tempo, a temperatura, a poluição ou o seu humor. Você tem que olhar pro horizonte.


Muitas vocês você se decepciona, se depara com uma grande massa marrom de poluição que te lembra como é ruim o ar que você respira diariamente.
Às vezes não faz muita diferença, porque você olha e simplesmente não tem nada pra ver.
Mas às vezes…..aaahhh!!!!
Às vezes você olha e simplesmente perde o ar!!! E fica com torcicolo porque não pode parar de olhar. E quase é atropelada. E atropela outros pedestres.


Morando em Santiago eu aprendi que não importa se você vê todo dia ou não. Mesmo assim é importante lembrar que logo ali ao lado está uma montanha de beleza, um muro de confiança, pedras pra te proteger – ou pra te segurar e não deixar que você saia correndo no primeiro sinal de fraqueza.


Eu aprendi que a Cordilheira é ruim para o sistema respiratório não só porque ela retém a poluição no ar, mas porque ela pode assim, inesperadamente, me tirar completamente o fôlego!
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Hoje, pela primeira vez desde que chegamos, a Cordilheira amanheceu branquinha, coberta de neve! Um espetáculo!!!


Nossa visita do momento, a Marina Malta, teve a sorte de ter reservado o dia pra ir fazer o passeio aos Andes e ver bem de pertinho os 40 cm de neve que caíram!









Eu vi só aqui de baixo, mas fiquei boba o dia inteiro!!!


Pena que nas minhas fotos não fica nem de perto tão lindo quanto é pessoalmente… mas acho que dá pra ter uma noção:



(na hora do almoço, quando consegui tirar essas fotos, o céu tava azulzinho, mas a nuvens estavam bem cobrindo a cordilheira.. =/ )

As três etapas do desenvolvimento

Um dos primeiros passos da preparação pra mudança de país foi o aprendizado do novo idioma.

Minhas primeiras aulas foram com uma chilena recém chegada ao Brasil e que, no Chile, dava aula pra crianças pequenas. Ela me ensina um espanhol que permitisse que eu virarasse bem quando chegasse por aqui. Ou seja, eram aulas de quase pura conversa, onde eu aprendia vocabulário não só de espanhol, mas principalmente de “chileno”. Eram bastante úteis essas aulas, mas não eram muito suficientes: Eu tinha sede de aprender a gramática do espanhol. 

Em 2004, quando fiz cursinho no anglo, tive aula com o melhor professor de gramática que já conheci. Ele fazia com que as tais regras chatas fizessem sentido e, mais do que isso, fossem úteis! Eu não teria mais dúvida de como pronunciar uma palavra se fosse capaz de indificá-la enquanto oxítona, paroxítona ou proparoxítona. Eu não precisaria mais ficar chutando onde vai ou não a crase, ou a vírgula, se soubesse exatamente pra que elas servem e pudesse escolher quando as queria com tais funções ou não. Foi super revelador e apaixonante estudar nossa língua portuguesa por esse ponto de vista!

Pois bem, era assim que eu queria conhecer o espanhol. Não me bastava decorar quando é com c, z ou s, eu sempre queria saber o porquê das coisas. Por que essa palavra tem acento? Por que nessa conjugação surge essa letra i? Por que? Por que? Por que?
Era uma questão de curiosidade pessoal, mas também uma busca por autonomia; se entendesse as regras, podia tirar sozinha as conclusões e saber o espanhol.
E por um motivo ou por outro fui alimentando minha curiosidade, pesquisando na gramática ou na internet as respostas que a professora não sabia dar, me encantando quando algumas coisas muito básicas de repente faziam todo sentido, me deliciando com as explicações que tornavam mais possíveis minha relação com o idioma… Sentia-me um pouco criança, analfabeta, aprendendo quase que do princípio básico o be-a-ba, mas buscando meu modo construtivista de aprender espanhol.

Quando cheguei no Chile os primeiros contatos com o país seguiram na linha do encantamento: além de achar a Cordilheira linda, eu achava fofo as pessoas falando “chileno”, os movimentos de boca super articulados, a língua que não fica parada nem um segundo… Me divertia com algumas versões em espanhol que encontrava no rádio de músicas velhas conhecidas em português!

Por volta do segundo mês, quando começaram minhas aulas e passei a “viver em espanhol” de fato, entre todas as mudanças efetivas (e afetivas) que ocorreram, mudou também minha relação com a língua. Logo comecei a achá-la pobre – como assim vocês não conhecem mais preposições? Como assim vocês dizem “a lo pobre” e não “ao pobre”, custa tanto assim uma contração? E assim por diante… Várias coisas que os pobres estudantes de colégios odeiam, se matam pra decorar, e consideram as mais difíceis do português eu fui descobrindo como grandes “evoluções lingüísticas, sofisticações que tornam a comunicação muito mais fácil e bonita. Nesse período passei a ter que escrever e falar formalmente o espanhol – não mais “me virar”com ele, e chegava a sentir, literalmente, saudade das conjunções e de alguns tempos verbais. 
Claro que nesse momento não era só disso que sentia saudade, mas essas coisas “bobas e inúteis” engrossavam a lista das “coisas do Brasil que não sabia que me fariam tanta falta”.


No último mês comecei a fazer aulas de espanhol por aqui e essa semana eu estava pensado que vou criar um novo idioma: com as facilidade e coisas fofas que tem o espanhol, mas com as utilidades e sofisticação que tem o português! Simples, não?! rs

Simples ou não, esse desejo me diz um coisa: se, como disse o Caetano, “minha pátria é minha língua”, ao completar hoje três meses de Chile posso dizer que sou agora “bi-patriada”.
Não me sinto mais turista, encantada com tudo que encontro pelas ruas. Não me sinto mais “expatriada”, só sentindo falta e saudade de todas as coisas do meu país.
Finalmente estou em “lugar” que me permite ver as coisas boas dos dois lados e pensar em criar meu próprio mundo com o que eu escolher – visto que tenho as duas experiências e posso avaliar o que prefiro e o que renego. 
E acho que essa é uma das melhores partes não só da experiência de morar em outro país por um tempo, mas da escolha de não viver em seu país de origem!

E viva os 3 meses!!!

Ps.: Ontem fomos na despedida de um FuD brasileiro que, depois de 2 anos e meio de Chile, está indo pra Espanha. A reunião foi em um restaurante brasileiro e aproveitamos pra nos entupir e matar toda a vontade de comer coxinha!!!! Delicioso gostinho de “lá em casa”!


(Obs.: Post escrito ontem, dia 12, quando completamos 3 meses aqui; mas postado só agra porque ontem o blogger ficou fora do ar o dia todo!)

Referenciais

Ainda me impressiona a quantidade de chilenos que encontro que adoram o Brasil!
Aliás, soube que é muito comum, quando estão saindo do colégio, os chileninhos escolherem como destino da viagem de formatura nosso querido país: eles vão pra Búzios, onde acabam encontrando mais chilenos de outros colégios fazendo a mesma viagem…hehehe
Sério, eles adoram MESMO o Brasil!!! Vários já veram me falar sobre como as cores das paisagens são encantadoras, ou como o mar é quentinho… uma mulher que conheci num pet shop chegou a me dizer que já escolheu o lugar em que quer morrer: Búzios!


Admito que fiquei curiosa pra conhecer o tal lugar mágico e que reconheço que nosso país tem belezas naturais incríveis, mas fiquei pensando nessa questão de “referenciais”…


Hoje fiz uma viagem de carro até San José de Maipu, uma região interiorana aqui perto de Santiago. Fui com mais três companheiros da Escuela a procura de uma locação pro curta metragem que estamos produzindo, que se passa em uma linha de trem abandonada.


Pra quem não conhece, esse é o mapa do Chile: 


O que significa que ir pro interior é, necessariamente, entrar no meio de um monte de montanhas!
E, meu, que montanhas incríveis!!!
Nós brasileiros estamos acostumados a chamar de montanha uns montinhos bem verdes. Pois aqui montanhas são umas coisas imensas, feitas de pedras – e nada mais que pedra – de uma cor muito característica (eu diria que o Flicts ficaria bem feliz aqui) e uniforme, com uns “riachuelos” azuizinhos que os cortam ao meio – e que também são cheios de pedras – e quase nenhuma vegetação…
Resumindo: passei umas três horas olhando pela janela que nem cachorro feliz quando anda de carro!
É de uma beleza não exuberante, como a nossa, mas absolutamente grandiosa. É a natureza mostrando toda sua força, sua dureza, sua capacidade de ser muito maior do que nós míseros seres humanos!

(Não pude tirar fotos porque já tinha consumido toda a bateria do meu celular me distraindo na aula chata, irritando e humilhante da manhã…Uma pena! Mas devo voltar lá um dia, aí faço uns vídeos pra ver se consigo passar um pouquinho dessa sensação toda que dá esse lugar)

E digo que é uma questão de referenciais porque os dois chilenos e um equatoriano que estavam comigo não estavam impressionados…
Ok, é verdade que eles comentaram uma ou outra vez sobre a beleza…e que um deles quis descer do carro pra contemplar romanticamente o rio – coisa que os outros dois não deixaram…hahaha…. Mas aquilo não era nada perto do meu encantamento!

Minha mãe, quando estava aqui no Chile me perguntou: “Será que os chilenos esquecem que tem na paisagem essa Cordilheira linda?”.  Eu acho que sim…
Por enquanto eu continuo me encantando e parando pra admirá-la todos os dias em que ela resolve aparecer!

Olha ela aí, no fundo da vista de uma das minhas salas de aula!

Acho que a gente que é de São Paulo talvez ainda consiga algum encantamento quando nos deparamos com as belezas naturais brasileiras – fora de São Paulo… Mas hoje comecei a me perguntar: será que esse nosso encantamento é mínimo quando comparado com o de alguns estrangeiros??

E falando em São Paulo e referenciais: andei comentando com alguns chilenos uma percepção interessante: quando me perguntam o que eu acho de Santiago sempre elogio, entre outras coisas, a alta qualidade de vida, como o pouco trânsito ou o transporte público que funciona…
Pois eles não se conformar que eu possa achar essas coisas boas!!! Estão sempre reclamando do taco – trânsito e se queixando do metrô e da TransSantiago (empresa de ônibus daqui).
É verdade que tem vários motoristas de ônibus que são uns fdp, que não param nos pontos, correm feito sei lá o quê…(aliás, outro dia sofri uma acidente de trânsito! Meu ônibus bateu num outro! Nada grave..rs)
E é verdade também que o trânsito parece que piora um pouquinho mais a cada dia…

Mas se os Chilenos passam um mês em rotina em São Paulo – não em turismo – iam voltar pra casa bem mais felizes e satisfeitos com o que tem!!!
(Acho que Santiago ainda tem um tempo de “vantagens de grande metrópole, sem o caos da grande metrópoli”, mas só um tempo…então corram!!)



E pra finalizar, morar longe do Brasil também mudou meus referenciais, claro. Sinto saudades de coisas com as quais nem sabia que me importava…
Aquele velho blablabla de que damos valor pras coisas quando perdemos… O que alivia a tal sensação é a certeza de que eu não “perdi” nada… só escolhi viver longe de algumas coisas que me fazem falta, mas que ainda estão lá me esperando pros momentos de visita, certo?! hehehe 






Um post gigante pra dar conta de contar tudo!

Primeiro o antes de aqui – a viagem: Coloquei no meu twitter outro dia que a parte mais difícil das despedidas era soltar dos abraços, virar as costas e ir embora. E foi assim que foi! Chororô danado no “Embarque Internacional”, abraços queridos e apertados, bem complicados de se desfazer. Mas o Chile nos esperava e, apesar da dor da “pré-saudade”, embarcamos muito felizes! 
A viagem é rápida (especialmente pq dormimos metade dela) e a parte mais emocionante é, sem dúvida, atravessar a Cordilheira dos Andes (que depois merece um post só pra ela!).

 O cartão de memória estava mal colocado na máquina e só ficou essa, das 80 fotos que tirei… =(

E a turbulência nesse momento é tensa!





Bom, chegando aqui tinha um motorista nos esperando no aeroporto que nos trouxe direto para o hotel. Deu pra ver pouco da cidade, mas passamos por um monumento que é quase um personagem num filme chileno que tínhamos visto na semana anterior, ou seja, já parecia que a gente conhecia tudo! Hahahaha


Assim que chegamos o Carlos – um chileno, tb Futuro Diretivo, que vai pro México mês que vem – veio nos buscar. Nos levou pra comer “la mejor hamburguesa de la ciudad” (que até que é boa mesmo!rs) e em seguida já fomos pra praia!!! 


Viña del Mar é uma cidade que já começa te recebendo muito bem! Olha a vista logo que se chega:



Nesse dia estava tendo “churrasco” de aniversário da Marion (outra chilena e FuD, mas que vai pro Brasil!), era na cobertura do prédio dela, no 23o andar com uma vista muito bacana de toda Viña!


E já chegamos falando só português, pois além da Marion e do marido dela – Nico – estarem se preparando pra mudança, ele trabalha em um empresa de barcos que é cheia de brasileiros, e o churrasco tava cheio deles! Estavam tentando “abrasileirar” o negócio, então tinha coração de frango pra comer (que os Chilenos achavam muito estranho) e ouvimos um monte de sertanejo e pagode pra matar a saudade de casa (NOT!)…rs

Marion, aniversariante da noite.



Quando deu umas 20h30 fomos pra praia ver o pôr do sol! Siiimm!!! O sol aqui se põe no mar e as 21h!!!



Apesar de a água ser MUITO gelada (esses que estão nadando são todos loucos, queria deixar registrado…hahahaha), não resisti e coloquei meus pés no Pacífico logo no primeiro dia!! Foi emocionante!


Bom, passamos a primeira noite na casa do Carlos e da Begônia (esposa dele) e no dia seguinte fomos conhecer Valparaiso.

A vista do apartamento

Nossos anfitriões (já em Valparaiso)



Apesar de serem uma ao lado da outra, Viña e Valparaiso não se parecem nem um pouco! Viña lembra muito o Guarujá, com praias bonitinhas, shoppings, bastante comércio, etc.
Já Valparaiso não tem praia, tem porto; é cheia de casinhas antigas e históricas, todas coloridinhas, algumas feitas de lata até! É cheia de morros e tem uns elevadores velhas pra caramba pra levar o povo pra cima e pra baixo (acho que atualmente só 2 funcionam…). É uma cidade charmosa e boêmia…Mas achei que podia ser mais bem cuidada, não sei…

A vista do restaurante onde almoçamos!


Resumindo: foi um fim de semana de amigos, turismos e férias… várias vezes eu esquecia que nã estava fora do Brasil pra mais um passeio…rs

Na segunda feira o Lucas já tinha coisas marcadas no banco. Fomos almoçar com um brasileiro que está aqui quase há 2 anos, que deu várias opiniões e dicas e etc. Em seguida, começamos efetivamente nossa busca por casas. Horas de internet, muito tempo no telefone, muito tempo andando por tudo… é assim que passamos os últimos dois dias! Tá difícil!!! hahahaha
Agora já deu pra ter noção das opções que temos por aqui, e estamos no momento de decidir o que fazer…
Ontém tb teve a novela do celular! Acontece que das 3 companhias de celular que tem aqui, 2 estão com os iPhones esgotados e a que tem o aparelho não quer nos vender porque não temos o visto de residência definitva… Mesmo já tendo o RUT, documento daqui que é como o CPF, não podemos assinar o plano…enfim…rs

Hoje seguimos na busca por apartamento (aliás, vou tomar bronca porque estou escrevendo e não ligando pra imobiliárias) e deve sair o número da nossa conta corrente, aí acho que resolvemos a questão do celular…. Torçam! rs

De resto: os Chilenos são mesmo muito simpáticos conosco!!! (tirando os garçons, que no ignoram, nos deixam esperando com fome e sede…hahahaha)
Já dá pra se virar com o espanhol, mas só com o espanhol! Quando chilenos conversam entre si falando em chileno – falando muito rápido e cheio de gírias – fico perdidinha e não entendo quase palavra nenhuma! hahahaha

Acho que tá bom, né?! Já tá gigante e já contei váriaaasss coisas! (aliás, me dei conta de que isso aqui vai ser tb um diário, pra relembrarmos estas histórias depois!)

Obrigada pela paciência! Hahahhahaha

Beijos a todos!