"e a sociedade não gosta, o pessoal acha estranho…"

Durante alguns anos de minha adolescência estudei teatro e tinha muita vontade de seguir a carreira de atriz. Atriz de teatro!
Muitos dos amigos da escola e a maioria dos familiares não entendia muito bem essa última parte. Se eu dizia que estudava teatro a resposta era sempre: “e quando vou te ver na globo???”
Eu achava engraçadinha tal postura, dava risada e respondia alguma coisa que agradasse o lado de lá da conversa –  e que não me desse muita dor de cabeça!
Nesse período não me incomodava “perder” os sábados inteiros no Macunaíma, pelo contrário, eu amava aquilo e se pudesse ir mais vezes, ensaiar mais dias, ficar mais tempo lá..melhor!


Quando estava no final do terceiro colegial um professor da escola de teatro recomendou que eu procurasse uma agência, porque ele achava que eu tinha uma “cara muito boa para televisão”… sem levar aquilo muito a sério, fui atrás da tal agência, fiz uma espécie de book e alguns testes para publicidade; até que fui aprovada para fazer uma propaganda (não me lembro de quê)! 
Mas tinha um detalhe: a gravação seria no mesmo dia que a apresentação de um trabalho final do colégio, que valeria nota x2 para todas as matérias. 
Nesse momento fiz uma escolha e acho que só agora entendo o tamanho e a importância dessa escolha. Estamos cansados de ouvir as histórias dos atores mirins ou jóvens que perdem aula e ficam mudando de escola para poder dar conta da carreira… Eu não sabia exatamente o que viria na minha vida depois daquela propaganda, mas decidi que abriria mão disso para poder apresentar o trabalho no colégio e me formar.


Quando fui pro cursinho ganhei mais responsabilidades, mais amigos, mais “juventude” e aí sim passei a ver os sábados de Macunaíma como “perda”… me irritava não estar na aula super especial do Zé Emílio ou perder o churrasco na casa do tal amigo porque tinha que ir pro teatro e aí tomei a segunda decisão importante da minha vida profissional: saí do Macu com pouco mais de um semestre faltando para a conclusão do curso…


E a junção dessas duas decisões formaram o molde do passo seguinte: mudei de idéia também sobre prestar vestibular para Artes Cênicas. 
Instaurei em mim uma espécie de preconceito que eu já conhecia dos outros: na hora do vestibular eu teria que escolher uma “profissão”, alguma coisa mais acadêmica, com horários fixos, que não me roubassem o fim de semana, que não me confundisse a rotina… De repente, pra mim mesma, o diálogo de “O que você faz?” – “Sou atriz” ganhou aquele ar de estranheza que tantas vezes senti nos outros.


Aí escolhi estudar Terapia Ocupacional. Suspeitava que a TO teria a parte acadêmica – e socialmente bem vista – de “profissão na área da saúde”, me possibilitando ainda explorar e trabalhar a parte artística que tinha descoberto anos antes no teatro… Mas me deparei com o diálogo do “O que você faz?” piorado à sétima potência!
Ninguém nunca soube do que se tratava a Terapia Ocupacional e a sina do profissão – e a maior crise de seus estudantes – era ter que ficar se explicando, se justificando, reforçando a própria identidade e importância.
Me deixava louca aquele chororô de “ninguém sabe o que é isso que eu faço” e mais de uma vez fui mal educada com respostas do tipo:”então explica, mostra sua importância e pára de chorar!”


Aos poucos fui descobrindo que a TO não tinha espaço para minha “veia artística”(hahaha), mas sim para a expressão terapêutica dos pacientes… e isso não era suficiente! Assim como ter pacientes, por si só, não era nem um pouco fácil pra mim. 
Acho que tive que entrar numa profissão com crise de identidade para voltar a questionar a minha própria identidade…


Bom, se teatro era alternativo demais e TO acadêmico demais… qual seria minha alternativa?
Ainda não sei muito bem explicar o porque, mas encontrei no Audiovisual o meio termo… e outra crise!


Acreditava que no AV existiriam alternativas: pode-se ser muito “artista”, mas tendo a possibilidade de ter um contrato com contra-cheque no final de todos os meses. 
Só que, de novo, cai em outra profissão em crise. Crise “pessoal” (se é que se pode dizer isso de uma carreira), não só de mercado.
No AV além de ninguém de fora entender muito bem o que você faz (aqui volta a pergunta do “E quando vou te ver na globo?”), o chororô é quase uma exaltação da escolha: “a vida de profissionais dessa área é ingrata, inconstante, pobre e etc; mas nada disso me importa, porque faço isso com amor”!


Pois é, audiovisual era minha alternativa possível, meu meio termo…nunca meu amor… talvez por isso a crise do “preciso encontrar algo que eu ame fazer” bateu tão forte em mim durante esse percurso!


Aí eu comecei a escrever sobre essa crise, a escrever sobre a vida, a escrever sobre as mudanças, sobre os sonhos, as saudades, as novidades… Escrever muito, além de passar uma porcentagem muito grande do dia lendo.


E assim descobri, ou redescobri, um encantamento enorme por essa forma de expressão. Descobri facilidade, satisfação, críticas positivas (crítica de família e amigo conta nessa etapa..hahahaha)… Descobri até uma simplicidade em me expor que nunca antes tinha imaginado que poderia ter!


À ponto de pensar mesmo em levar a sério essa nova brincadeira de escrever!
(quando estávamos arrumando as coisas para ir pra Portillo e Mendoza eu disse pro Lucas que não sabia se levaria meu computador e ele, muito fofo, respondeu: “leva, claro…vai ficar sem seu instrumento de trabalho?” =D )


E nesse momento vem aquele monte de questionamentos meus: o que que eu estudo pra ser escritora? Preciso de diploma? Se sim, o que eu já quase tenho ou outro? Como posso querer ser escritora sem ter lido tantos clássicos importantes? (estou providenciando a compra de alguns…rs) Como vou fazer pra ler tanto? De onde vou tirar tempo pra levar a escrita a sério? Dá pra ser só isso na vida?


Roubando palavras da amiga Mandy, “ser escritora” combina com o estilo de vida que quero ter – no meu espaço, no meu tempo, do meu jeito – sim, sim…respeitando alguns prazos e regras e tal, eu sei! (rs), mas na minha!


Parece promissor!








E hoje minha mãe me indicou um texto muito bacana sobre a profissão de “escritor”, leiam: Traje para a jornada de trabalho: calça de moletom
Ele traz, na figura do outro, a maioria das indagações que eu mesma faço sobre essa nova possibilidade, o que já seria suficientemente interessante. 
Mas depois dessa leitura não consigo deixar de pensar: estou de novo entrando num caminho profissional que tem crises com “a visão do outro’?!?! OMG! hahaha


Freud explica….
hehehe




Beijos!

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"A saudade é uma colcha velha…"

A saudade é um negócio maluco, que não escolhe momento, motivo ou lugar pra aparecer!
Faz você levantar da cama, colocar o roupão e vir escrever alguma coisa pra ver se consegue desafogar e pegar no sono, enfim.


Pode ser uma música que surge no fone de ouvido e faz o motorista do ônibus assistir, com uma cara preocupada, você chorando feito criança no banco lá trás.
Pode ser a vontade repentina de comer bisnaguinha com yakult numa hora muito ingrata no meio da noite.
Pode ser a repetição, em outro idioma, de uma aula que você já teve.
Pode ser uma foto que pula na sua frente quando você deveria estar indo dormir.
Pode ser uma quase dor de dente.
Pode ser a percepção de que se está com muita saudade de alguém que não vê há nem 2 meses e que ainda faltam tantos outros pro reencontro.
Pode ser um email que nem era pra você, mas que pega com força em algum lugar desconhecido.
Pode ser uma voz (des)conhecida que te faz virar o pescoço à procura, antes de lembrar que é besteira.
Pode ser um cheiro.
Pode ser uma sombra.
Pode ser uma mensagem.
Pode ser um abraço errado.


Ou não precisa ser nada disso…


Ela vem e aperta o coração. Ou cutuca o coração. Ou aquece o coração.


A saudade é o sentimento de falta, mas é também, e acima de tudo, a certeza do amor.


Posso sentir uma vontade nostálgica de algumas coisas menores, mas saudade mesmo, só daquilo que amo ou amei.


Talvez seja isso: a saudade é o amor – ou a lembrança dele – nos mostrando toda sua potência…

"Branco como coco, branco como leite"

Fala se não é destino:


Hoje de manhã fui pra aula normal,apresentei trabalho e tal… mas depois do intervalo o professor e alguns alunos resolveram ir para o centro de Santiago, pra filmar a marcha de estudantes que estava rolando por lá.
Era perto das 11 da manhã e eu teria aula a tarde e um trabalho pra ficar terminando por lá na hora do almoço, mas como era muito cedo, acabei resolvendo vir almoçar em casa.
Antes de ir embora passei na secretaria pra deixar o contrato da (finalmente) matrícula e a funcionária me disse: “Está nevando, Gabriela”. Achei que era alguma expressão chilena, porque estava realmente chovendo muito e as partes externas da Escuela estavam alagadas…então só dei um sorrisinho e fiquei esperando o papel que ela iria me entregar.
Aí ela me disse: “Não! Tá nevando de verdade!” e me mostrou a tela do computador, onde ela estava vendo notícias ao vivo que mostravam neve em “diversos sectores de Santiago”. 
Abri um sorriso tão grande que ela sacou na hora: “Você nunca viu neve, assim, na cidade, né?”. Pois é, nunca!
Na lua-de-mel fomos pra Europa bem no inverno, passamos frio pra caramba, mas o máximo de neve que eu vi foi um restinho sujo e quase derretido nos chãos de Paris, e uma ameaça de neve em Londres, mas que acabou não vingando…
Na verdade a neve fugiu de mim a viagem inteira: cheguei em Paris uns dois dias depois da neve, sai de Edimburgo um dia antes (imagina que sonho, minha querida Edimburgo com neve!!!) e assim por diante…Aqui no Chile já fui várias vezes pra montanhas nevadas, mas sempre encontrando a neve já no chão…


Bom, entrei no ônibus pra voltar pra casa pensando que chegando aqui iria ligar a televisão pra ver onde estava a neve e avaliar as possibilidades de ir até ela…
Quando, de repente…na metade do caminho…. começo a ver umas coisas caindo do céu. Primeiro achei que eram gotas da chuva interminável refletindo algum traço de sol, mas aí fiquei olhando fixamente pra todas as janelas ao mesmo tempo e confirmei minha hipótese desejada: era neve!!! Fininha, pouquinha, branquinha…neve!!!
Meu impulso imediato foi levantar pra descer do ônibus! Desceria, deixaria alguns flocos caírem no meu casaco preto, tiraria umas fotos e pegaria o próximo ônibus! Parecia simples…mas acabei desistindo – eu tinha que voltar cedo pra faculdade pra terminar um trabalho, lembram?. Combinei comigo mesma que se quando chegasse no meu ponto certo não estivesse mais nevando eu pegaria o ônibus de volta! rs  Como a tal da neve foi aumentando um pouco enquanto o ônibus andava, fiquei tranquila. 
Tranquila e feliz! Tanto que o cara que estava do meu lado percebeu pela minha movimentação que tinha alguma coisa acontecendo, olhou pela janela e comentou comigo, sorrindo “es nieve!”. Ah! Foi ele também que viu que derrubei meu cartão do ônibus na rua quando desci e fiquei maravilhada rodando em torno do meu próprio eixo e filmando tudo! hahaha


Bom, a “nevasca” foi só aumentando, ficando mais e mais linda! A chuva foi parando e deixando só o espetáculo branco!
Juro, lindo!


E eu não era a única caipira encantada, não!


Nevar em Santiago é muito raro e, segundo as notícias, por tanto tempo e com tanta intensidade, MUITO mais raro! Ou seja, turistas e chilenos como bobos pelas ruas tirando foto, filmando, fechando o guarda chuva pra deixar a neve cair em si e sorrindo..todo mundo sorria! Todos olhavam pros desconhecidos pra comentar a beleza do momento!
Acho que foi um momento tão emocionante (ou mais emocionante, não sei bem) quanto o meu primeiro terremoto! hehehe


Tudo isso enquanto esperava “minha segunda condução”… Graças a uma paralisação de algumas linhas de ônibus fiquei uma meia hora nesse ponto, assistindo tudo, vendo a reação das pessoas, vendo as mudanças na intensidade da neve e as conseqüências no cenário…babando muito! E fazendo uns vídeos e postando na internet pra todo mundo acompanhar minha emoção em tempo real! hahaha (pude curtir tranquila porque a essa hora já tinha recebido um email do professor cancelando a aula de amanhã em que eu teria que entregar o tal trabalho por terminar).


Quando finalmente chegou “la micro”, estava lotada pra caramba e só dentro desse aperto é que fui me dar conta de que minha mão que estava sem luva (pra poder segurar o celular e filmar tudo) estava completamente vermelha e congelada e meus pés…nem se fala! A bota que eu achava que era impermeável tinha deixado, em algum momento x, entrar água nos meus pés e eles doíam de tão congelados que estavam!


Cheguei em casa e, depois de tirar foto da varanda e mostrar a neve pra Maní, enfiei meus pés na banheira na água bem quente e, JURO, senti muita dor enquanto meus pés descongelavam! Muita! Só não chorei de dor porque fiquei rindo com a Maní desesperada sem entender o que raios eu estava fazendo, voluntariamente, dentro daquela banheira de tortura! hahahaha


Mas, como eu já disse no facebook, valeu muito a pena! Cada dedo congelado valeu a pena!!! Foi incrível de lindo e emocionante! Pode me chamar de boba, de caipira, o que seja… Foi intenso!
Pra quem ainda não viu no facebook, seguem algumas imagens:

Boneco de neve!!!

(reconhecem meu prédio?? rs)

Escuela Militar






Bom, em casa tomei uma sopinha, coloquei mais meia, troquei de calça.. fiquei no conflito: sapato que não molha X sapato que não derrapa no gelo (sim, porque o chão estava muito escorregadio)…hahaha
Na hora em que precisei sair pra voltar pra faculdade já tinha parado de nevar e voltado a chover, então optei pela bota que não molha, mesmo…rs








E foi isso! Certinho! Exatamente nesse buraco que magicamente ficou livre no meu dia, nevou em Santiago!
Quando saí já não tinha muita neve e quando voltei encontrei a mesma vista da Escuela Militar assim:







Fala se não foi o destino que me liberou … fala!!!





"Pra mim meia dúzia é seis, hein?!"

Um bebê com 6 meses de idade já tem controle sobre seu próprio corpo, já começa a atender pelo próprio nome, reconhece a própria mãe e já sorri. São conquistas muito importantes desses primeiros meses de vida!


Depois de 6 meses, o funcionário em período de experiência é contratado oficialmente.


Um gato ou um cachorro de 6 meses de vida já está com todas as funções biológicas desenvolvidas, mas continua com a energia e a empolgação de um adolescente.


6 meses é o tempo que um vinho semi-premium fica dentro do barril de carvalho.


6 meses num namoro adolescente parece um recorde.


6 meses longe da pessoa amada pode ser insuportável.


6 meses podem ser muito pouco tempo.


6 meses pode ser uma eternidade!


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Sexta feira, dia 12, completamos 6 meses de Chile, de Santiago, de “expatriação”, de saudade, de conquistas, de “nossa família”, de Futuros Diretivos (e acompanhante), de Cordilheira na janela e neve no quintal…


É impressionante como quando faço as contas parece muito menos tempo do que quando penso em tudo que já vivi aqui, tudo que já aconteceu, tudo que já mudou.






Sei que com a facilidade da internet e do blog todos vocês queridos vêm acompanhando quase em tempo real o andamento da vida por aqui. Mas como  data é especial, acho que vale dar uma resumida no que foi esse período.


Nesses 6 meses fiz um semestre da faculdade e já comecei o segundo, mas minha matrícula oficial só sai essa semana agora.
O Lucas trocou de chefe um monte de vezes, foi promovido e agora tá num período sem chefe, trabalhando por mais de um, enquanto não colocam alguém de volta no cargo.
A Maní completa hoje 9 meses de vida. Continua linda, mimada e fofíssima! Andou aprontando umas por aqui – como picotar umas folhas de jornal e mastigar quase completamente o fone bluetooth do Lucas… mas a gente tem que entender que no fundo, ela só quer atenção! rs

“Mããããeee, pára de escrever e vem brincar comigo. Trouxe todos os meus brinquedos legais pra você!”



Ficamos por muito tempo procurando um apartamento pra comprar, porque seria um bom negócio e porque a obra aqui ao lado incomoda bastante. Em julho achamos um apartamento que gostamos muito, estava num preço bom e tinha essa vista:







Fizemos uma oferta de compra, mas acabou que o dono não querendo vender começou a nos enrolar um monte, aceitou a proposta mas ficou inventando umas cláusulas estranhas pro contrato… Acabou ficando bagunçado demais e achamos melhor desencanar, não entrar em rolo.
Com essa decepção, decidimos dar uma acalmada na procura por apartamento, dar umas melhoradas nas coisas do nosso e compramos algumas coisinhas que faltavam, como criado mudo e um microondas descente!


Criado mudo multiuso: serve também de mesa de centro


Agora cabe um pacote de pipoca no meu microondas!


Desde que começou a temporada de inverno temos aproveitado e subido muito a montanha! Seja pra esquiar, fazer snowboard (o Lucas já está craque!), ou só brincar na neve mesmo… É lindo e é pertinho! Tem que curtir, né?!





Em 6 meses aqui recebemos muitas visits boas! Não tenho fotos de quase nenhum, mas faço aqui uma listinha de homenagem/agradecimento aos que vieram!


– Nanci – minha mãe que veio de surpresa pro meu aniversário e estreou o quarto de visitas;
– Rejane, Claudio e Pedro – sogros e cunhado, que vieram conhecer Santiago antes que chegasse o inverno;
– Aline – a primeira da trupe Santander;
– Celso – também Santander, foi embora e deixou na gente a vontade de conhecer a Ilha de Páscoa;
– Marina – que o vulcão não quis deixar ir embora;
– Samantha – a visita que a gente não viu, mas que cuidou super bem da Maní;
– Andrea e Marcelo – o casal fofo;
– Augusto e João – dupla dinâmica que por pouco não veio;
– Nathalia e Lucas – que me fizeram companhia e trouxeram um pouquinho de Buenos Aires;
– Mari Midori – primeira viagem internacional especialmente pra me visitar;
– Vagner, Patricia, Isabella, Vinicius e Arthur – Família Ramalho em peso pra inesquecíveis momentos na neve!


E esperamos mais!!








6 meses não diminuíram nem um pouco meu encanto com a vista da Cordilheira! Também, como poderia?!?!





Em 6 meses fomos uma vez para o Brasil, numa visita super corrida, gorda e gostosa. Fomos também duas vezes num restaurante brasileiro que tem aqui, matar a saudade de coxinha e outras guloseimas típicas!


Depois de 6 mesess sofrendo com o tema, finalmente encontrei uma faxineira boa nesse país!


Nesses 6 meses descobri a delícia que é fazer pilates e não quero mais parar.


Nesses 6 meses engordei um pouco (juro que foi pouco..rs), mas ainda não consegui me animar pra emagrecer…


Em 6 meses já aprendemos a fazer a compra de mês bem rapidinho. Já tenho todas as minhas marcas preferidas e não me perco mais no mercado..rs. Mas nesse últimos mês experimentamos as maravilhas da “compra de mês on line” e acho que vamos adotar!


Nesses 6 meses fui uma vez ao cabeleireiro e duas ao dentista, as duas coisas na semaninha rápida de Brasil…rs
Mas também fui uma vez na ginecologista, e isso foi aqui em Santiago mesmo!


Mesmo já estando no segundo semestre, continuo preferindo ficar quieta no meu canto, lendo, lá na faculdade; mas já escolhi as pessoas que eu gosto e as que eu não gosto…


Os sentimentos continuam intensos, mas agora com uma intensidade controlada, sensata e sensível…


O casamento está cada dia melhor!


A distância continua dolorida, mas a vida santiaguina compensa até mesmo isso!


6 meses passaram e posso olhar pra trás e ter a certeza de que fiz as escolhas certas, ou me dar o direito de questioná-las, não importa. O que sei é que a vida vai muito bem, obrigada!
Quer ver?
Vem pra cá experimentar! Ou só conhecer e me visitar…também serve!rs






Hoje foi feriado no Chile e aproveitamos a esticada para fazer nossa primeira “grande viagem” por aqui… Fomos até Portillo, uma estação de esqui chilena lindíssima e depois até Mendoza, uma cidade da Argentina famosa pelos seus bons vinhos.
O passeio foi feito de carro, em boa companhia e pela estrada no meio da Cordilheira dos Andes. Portanto, certamente vai ter um post todinho só pra ele!
Foi um jeito lindo de comemorar nosso aniversário Chileno!!!


















Filosofia de sala de espera

Sabe aquela lei no bocejo? A pessoa do seu lado (ou do outro lado do skype) boceja e você já sabe…vai sobrar bocejo pra você também.

Hoje, na faculdade, aconteceu um fenômeno parecido, mas com um espirro. Uma colega espirrou e eu espirrei logo em seguida.

E essa mini sequência de espirros me fez pensar numa coisa muito óbvia, muito simples e até boba: espirros são universais – ou poliglotas, como eu twittei na hora…rs

Pois é, eu aqui, esse tempo todo de observadora estrangeira, prestando atenção nos hábitos, costumes, diferenças…
Catalogando os chilenos de acordo com um monte de padrões novos criados no meu dia a dia…
Sentindo uma pontinha de orgulho por “andar entre eles” entendendo a lingua deles e uma mais…

E aí um simples espirro me dá um chacoalhão – literalmente e metafóricamente.
E fica muito claro que, apesar de algumas diferenças, eu sou igual a eles. 
Oh meu deus! Eu espirro como as chilenas e as chilenas espirram como eu. O mesmo som. O mesmo efeito no corpo. A mesma coçeira no nariz. Tudo igual.
Fale ela português ou não. Tenha ela a experiência de conhecer e vivenciar outra cultura ou não. Tenha ela um ou 15 anos de faculdade.
Nós espirramos igual.

Talvez esse texto esteja um pouco “viagem” demais, mas o efeito que essa simples constatação teve em mim foi daqueles… como um espirro. Aquela coisa óbvia, normal, quase rotineira e que você sente chegando… e que depois que chega vai embora e te deixa com um arrepio diferente, mais limpo por dentro… um pouco sem saber se vem mais depois desse ou não; sem saber como você vai ficar depois dele; sem saber se é uma anúncio de um resfriado – que significaria uma grande onda de espirros consecutivos – ou só uma coisa passageira…
Veremos..



"Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas"

Continuando a história do último post, coloco aqui alguns outros pontos de vista sobre a atual Luta Estudantil no Chile.


Primeiro uma pequena discussão – daquelas boas, que nos fazem pensar as situações, nossa opinião e nossa posição – que rolou no link do facebook onde publiquei a postagem:
http://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=261608977199192&id=536190213


Segundo, um texto da amiga Begoña, chilena, também expatriada – atualmente morando no México – que tem mais do que a política, tem também o coração chileno envolvido nessa história:
http://www.elmartutino.cl/noticia/sociedad/crisis-educacional-en-chile-una-comunicacion-sorda


E terceiro, uma vídeo postado agora há pouco no facebook pelo amigo Luciano. Não conheço a brasileira que fala nele, mas achei interessante olhar a coisa também por esse viés, de alguém que, apesar de ser estrangeiro, parece estar bastante envolvida com a luta toda…





Aos mais interessados pelo assunto, recomendo também que dêem uma garimpada nas notícias a respeito e que não confiem totalmente nos dados (numéricos, principalmente) colocados neste blog ou em um só site de notícia…. faça sua pesquisa e chegue às suas conclusões.




Besos a todos!




"Nas pedras do teu próprio lar"

Convido-os a dar uma olhada nestas imagens (e depois na notícias que as acompanham):


La Tercera


Emol


Há mais de dois meses os estudante estão em greve no Chile. Greve de verdade, com motivo pra valer, organizando marchas toda quinta-feira, tentando negociações com o governo, apanhando dos Carabineiros de Chile (os policiais) – e batendo também. Criando tumultos seguidos no centro, no trânsito, no comércio… Mas sendo ouvidos, sendo vistos, sendo notícias semanais (pelo menos).
Eles brigam por uma educação gratuita de qualidade – aqui colégios e faculdade, particulares e públicos, são pagos, muito bem pagos!


Não sou, nunca fui e nem acredito que vá me tornar uma pessoa “politizada”, mas confesso que me sinto “tocada” por toda essa situação.
O envolvimento dos estudantes é enorme! Eles não estão de greve porque é costume fazer isso nos anos ímpares, nem estão aproveitando a greve como férias extras forçadas. Eles estão em greve pra brigar por uma coisa séria e estão brigando por ela de verdade!


Hoje a briga ficou mais feia! Depois de muitas “negociações” com o governo – que os estudantes classificam como insignificantes – muita ameaça da polícia contra as marchas, greves de fome e do quase fim forçado do movimento, organizou-se duas grandes marchas: uma pela manhã e outra prevista agora para o final da tarde.
Segundo a imprensa, se reuniram pela manhã aproximadamente 6 mil pessoas (estudantes universitários e do ensino médio) em diversos locais da capital, até agora confirmaram 197 presos e 2 carabineiros feridos. O governo está lançando uma série de pedidos pra que se cancele a marcha do final do dia. Pelo andar da carruagem, duvido que vá funcionar…
A confusão das marchas da manhã você viu nas fotos acima. A da noite promete ser pior!
Quando a briga toda estava ainda começando, ou seja, lá pra maio, estávamos fazendo turismo em Valparaiso e vi, em uma casa simples, anônima, no meio de uma ladeira qualquer da cidade, duas placas escritas a mão, apoiando o movimento.
Aquilo me impressionou porque demostra muito bem a sensação que tenho sobre a situação e sobre o Chileno:
Eles estão envolvidos com a luta a ponto de colocar uma simples placa na porta de suas casas, pra que qualquer um que passe por ali saiba sua posição na questão, pra que qualquer um que passe por ali se lembre de que as coisas não estão bem.
Eles estão envolvidos com a luta a ponto de conseguir reunir mais de 6 mil pessoas que sabem que serão atacadas bom bombas de gás lacrimogêneo, que vão apanhar, que podem ser presos…


Isso me intriga, me faz lembrar as histórias e fotos de época de ditadura no Brasil.
E não consigo deixar de pensar: o que será que aconteceu com os brasileiros pra terem amarelado tanto? Ou que será que aconteceu com os chilenos pra continuarem tão duros?


As duas ditaduras não foram tão diferentes entre si, no quesito durezas e duração são bem parecidas na verdade, mas de alguma forma, por algum motivo, os impactos que sobraram nos dois países são imensamente diferentes! Por que será???


Os desenvolvimentos dos novos períodos democráticos também não são discrepantes. Não posso dizer que os chilenos se revoltam porque vivem mal. Como não posso dizer que os brasileiros se acomodaram porque estão muito bem, obrigada.
Por que, então?


Imagino que seja cultural. Alguma coisa anterior da história dos dois que influa no tempo atual. Já conversei com alguns chilenos a respeito e desenvolvemos a teoria da colonização, desde esse período nota-se essa diferença: diz-se que os “brasileiros originais” ou se entregaram ou foram massacrados de cara, enquanto os “chilenos originais” (como outros indígenas da chamada “América Espanhola”) lutaram e resistiram pra serem massacrados só depois. Nota-se isso, inclusive, na presença indígena que ainda existe naturalmente por aqui e que no Brasil não vemos nem sombra.


Mas isso não explicaria o envolvimento dos brasileiros na época da ditadura, em que muito lutaram pelos seus ideais, assumindo e enfrentando as conseqüências disso. Sabemos fazer isso, pra valer!
Não se pode então dizer que “brasileiro é tudo mole”, que se entrega sem lutar. Isso não! E onde raios ficou isso???


Não, eu não gostaria que nosso país fosse caótico, ou que tivesse esse clima de guerra que está por aqui agora. Como também não pretendo me envolver nas brigas chilenas.
Mas não consigo não ficar irritada quando vejo o povo organizando eventos pelo facebook, achando que só porque mais de mil pessoas colocaram lá o “attending” a juventude brasileira está super preocupada com seu futuro! Ah! Vá catar coquinho! E faz o favor de assumir o comodismo instaurado, que isso me parece mais honrado! 




Ps.: Pra tranquilizar os queridos preocupados: minha casa fica suficientemente longe do centro e das confusões e minha faculdade é tão mínima (no sentido físico e literal), que nada desse conflito chega lá. No máximo o trânsito, causado pelas confusões, impede professores de chegarem pra aula (como aconteceu hoje). O Lucas, que trabalha no centro, acabou ficando em casa hoje. Foi melhor assim!







Redes sociais: pra deitar em grandes grupos e fazer amigos?

Acabei de ler alguma coisa no twitter sobre “corredor polonês” e fiquei imaginando o que um homem grande e loiro estaria fazendo correndo na escola dessa pessoa… Juro! Levei alguns segundos pra assimilar o verdadeira significado da frase! rs
O que me levou a pensar que essa tal experiência de viver outro idioma não só traz as novidades desse novo idioma, mas muda também a sua relação com a língua materna. 
Foi ingênuo da minha parte esquecer que pasillo e corredor são a mesma coisa em português – e minha cabeça logicamente fez a associação com o mais “lógico” do momento, mesmo que não fizesse sentido algum um polonês correndo por aí batendo em adolescentes…
O que eu acho fantástico é que pro meu cérebro realmente faz sentido que eu entenda assim!


Aliás, essa semana uma amiga postou esse link no facebook: http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca/falar-varios-idiomas-pode-deixar-voce-com-varias-personalidades/
Será que essa pesquisa leva em conta pessoas que vivem em um outro país e que devem, praticamente o tempo todo, falar outra língua???
Porque, segundo isso, aqui no Chile sou mais esquizofrênica do que sempre fui no Brasil! hahahaha
Mais esquizofrênica, passeando com uma cachorra perigosa e dirigindo por aí! Se o governo chileno descobre, me manda de volta rapidinho!!!! hahahaha


Beijos!


Ah! Já visitou meu blog novo? Não? Vai lá! www.sobquemascara.blogspot.com 

"Veja as coisas como elas são"

Ontem escrevi inteiro e, mais importante do que isso, publiquei meu primeiro texto de ficção!


Já faz alguns meses que vinha sentindo vontade de levar esse desejo de escrever sobre tudo pro campo do imaginário, do i-real e su-real, e apesar de ter uma ou outra vez sentado pra começar a escrever algo assim, só ontem isso realmente se concretizou.


Antes um texto meu de ficção era só ficção, era um desejo que eu não sabia onde ia dar…
Mas ontem eu sentei, comecei a escrever e a coisa simplesmente saiu! Fácil, simples, natural, como se ela já estivesse lá pronta há muito tempo, só esperando pra sair!
Usei nele umas duas pequenas idéias que me acompanhavam nesses meses, mas a grande maioria foi saindo naturalmente, parecia que cada palavra ia puxando a outra como se não tivesse outro jeito de ser…
E, gente! Que delícia que é essa sensação!!!


Não que nunca tivesse escrito coisas “inventadas” antes. Não. Na faculdade mesmo escrevi alguns roteiros, mas sempre com limitações (técnicas, de produção ou de professor tapado que não entende nada!).
Mas o texto de ontem… não tinha que seguir regra nenhuma (as gramaticais já fazem parte de mim naturalmente…rs), conceito nenhum, nada!
Ele só precisava nascer, passar a existir.. e PUM! Lá está ele! Incrível! Gostoso! Meu!!!


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Como disse aqui ontem, criei um novo blog pra publicar essa ficção – que gosto de chamar de fixão – então peço que dêem um pulinho lá, leiam o “Primeiro Capítulo” texto introdutório e de apresentação do blog e da própria escrita, e depois chequem o tal filho que produzi – dado importante: sem dor de parto! hehehe
Ele se chama “Olívia“, nome também da minha primeira personagem!, e pede pra ser lido!
Se gostar, divulgue! =)


E obrigada pela atenção de leitor agora comum, não mais apenas querido, curioso ou paciente!


O blog: “Sob que máscara”- www.sobquemascara.blogspot.com




Beijos com cheiro de livro antigo

"Noite dos mascarados"

Depois de muito prometer, muito rascunhar, muito apagar… finalmente chega pra vocês meu blog de ficção/fixão: www.sobquemascara.blogspot.com


O nome dele é “Sob que máscara?” e já adianto que será um blog de textos menos realistas e menos escancarados, mas – como bem aprendi com o Kundera – não menos sinceros ou pessoais.


Ainda não sei o que sairá desses textos, ou como eles sairão, mas a idéia e escrever pra ser lida! Por isso peço, desde já, que leiam e divulguem, recomendem aos queridos de vocês, queridos. Se gostarem e sentirem vontade, claro… não estou forçando ninguém a nada! hahahahaha. 
Sintam-se à vontade também pra opinar, dar sugestões, comentar, e essas coisas todas de texto públicos em blogs…rs




Já tem um comecinho de personagem por lá…
Espero que gostem e aproveitem!!!




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Um beijo grande e à todos, bom início de semana!