"Lá fora é só água caindo, enquanto aqui dentro…"

Geralmente, ficar esperando o ônibus por mais de 40 minutos me irrita profundamente – especialmente na hora de voltar pra casa, quando estou cansada, de saco semi cheio, ansiosa pelo sofá e pela Maní…rs

Mas ontem, nos 50 minutos que esperei a micro D05, além de ler muitas páginas do meu livro (que, finalmente, tá acabando!), conheci um menininho de uns 4 ou 5 anos, muito figura!
Veio conversar comigo sobre meu livro, sobre porque eu lia, do que se tratava, quanto eu já tinha lido e quanto ainda faltava…depois sobre o atraso do ônibus, depois sobre o jogo de adivinhação que estava fazendo com a moça que estava com ele…
Uma graça de menino! Um fofo, com um papo super “adulto”, mas aquela inquietação infantil no corpo, nos olhos e na mente.
Desci do ônibus com um sorriso no rosto e um bom humor que me acompanhou até o final do dia!




Hoje, no ponto de ônibus lotado, encontrei um cãozinho que já tinha visto pelas redondezas. Era horário de saída de um colégio ali do lado e ele tentava, sem sucesso, mas sempre com um rabo muito balançante, conseguir fisgar um teco de qualquer uma das tranqueiras que aquele bando de adolescentes comia…

Fiquei com dó e fui até um pet shop lá perto, comprei um pouco de ração e dei pra ele, que devorou feliz o presente! Depois sentou do meu lado, ganhou um carinho e ficou descansando na sombra do ponto de ônibus, movendo o rabo num ritmo de contentamento confortável!
Nessa brincadeira, perdi dois ônibus (que, confesso, estavam mesmo cheios demais pra tomar), mas ganhei uns minutos de grata e gostosa companhia!!!

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Acabei de ler um lindo texto do Antonio Tabucchi, publicado na Piauí de julho de 2010 (aqui você pode (e DEVE) ler).
Terminei com olhos mareados e fiquei pensando na delicadeza do texto e dos personagens…
Depois lembrei dos acontecimentos narrados aí em cima…


Fiquei pensando em como falta delicadeza em nosso dia a dia (no meu, pelo menos). Delicadeza nos acontecimentos e na maneira como olhamos para o que ocorre.

(Auto-ajuda-espiritual de lado) Às vezes eu esqueço como é possível encontrar grandes satisfações em coisas sutis…
Preciso (precisamos?!) lembrar de praticar mais essa arte!






Boa noite e boa ‘segunda metade de semana’ pra todos!

"Brasil, recruta o teu pessoal"

(Eu sei que eu já passei por aqui hoje, mas um dia de múltiplas ocasiões especiais, pede múltiplos post, sorry…)

Hoje completamos 1 ano e 6 meses de Chile. Um ano e meio. Dieciocho meses!

E eu poderia vir repetir os agradecimentos merecidos e as aprendizagens obtidas nesse tempo por aqui, mas tava assistindo a cerimônia de encerramento das Olimpiadas e me caiu uma ficha muito importante, que divido com vocês agora.

Uma das coisas mais importante que o Chile me ensinou foi a amar meu país.
Pela saudades que eu sinto dele quando estou aqui, pelo amor que os próprios chilenos têm pelo Brasil e pelo espírito de patriotismo que contamina os ares do lado de cá da Cordilheira.

E nos 8 minutos em que o Brasil esteve representado no meio do Parque Olímpico de Londres eu me emocionei. Meus olhos encheram de lágrimas e eu chorei! (E olha que eu nem conheço o Rio pessoalmente!rs)

Enquanto um monte de gente reclamava na internet por causa dos “clichês” de samba, índio e praia (ou outros reclamando porque as passistas usavam muita roupa, ou porque lá fora ninguém conhece a Marisa Monte, ou por qualquer outro motivo (im)pensável – ô povinho que gosta de reclamar!) eu me emocionei. Senti saudades “de casa”. Senti orgulho do samba do gari. Achei nossa bandeira e nosso hino os mais bonitos da apresentação. Achei um charme o calçadão carioca em plena Londres. Cantei as músicas junto com eles. E fiquei imaginando a emoção dos que estavam lá pessoalmente!

Porque se essa é a imagem que as pessoas no resto do mundo têm do Brasil, de algum lugar ela saiu. E por mais que muitos nunca cheguem a admitir, está aí nossa identidade.
E olha que é muito difícil falar de identidade num país como o nosso, não?!
É muita gente, é muita terra, é muita cultura, é muita mistura!

É um “Virado à Paulista” em que se mistura o feijão carioca, com o arroz mineiro, a batata paulista, o ovo…um Virado à Brasileira delicioso!
E em alguma coisa essa mistura dá!
Alguma coisa que a gente (brasileiro comum) despreza, mas que o mundo admira e inveja!

Quando chegar a hora das Olimpíadas no Rio, muito brasileiro vai continuar reclamando, destacando os defeitos e problemas, se rebelando na internet com a bunda no sofá (aaahh, esse jeitinho brasileiro de ser). Mas em um ano e meio de Chile eu já conheci um monte de gente que amaria estar no Rio nessa ocasião! Não porque é pertinho, mas porque é calor, porque o sol é forte, porque o mar é gostoso, porque o verde é vivo, porque as pessoas são receptivas, porque a música é boa, as mulheres são bonitas, a bebida corre solta e a felicidade é quase respirável!

E, acreditem, não é a saudade falando. É o respeito e a admiração – coisas que, confesso, só aprendi a ter de verdade pelo meu país depois que sai dele…

Sabe aquela história de “Brasil: ame-o ou deixe-o”?
Pois é, pela experiência que eu vivi, que outros expatriados que conheço viveram e pelo que acompanho quase diariamente nos estrangeiros que conheço, diria que essa frase está um pouco errada…

Brasil, deixo-o e ame-o!

Não que não dê pra amar aí de dentro, mas estando fora (e, claro, claro…não vivendo os problemas tanto na pele), longe dessa visão preconceituosa que, culturalmente temos da nossa pátria, fica muito fácil!

Queria que mais brasileiros pudessem ver o Brasil com esses olhos…talvez assim tivessem mais vontade de lutar por ele…




"Por que que a gente espirra?"

Chilenos não fungam. Não os Santiaguinos, pelo menos.

Nessa cidade de “estações do ano bem definidas” há dois momentos críticos para os sistemas respiratórios: o inverno, quando a gripe brinca de rave e fica horas (ou semanas) seguidas se divertindo pegando absolutamente todo mundo e distribuindo drogas por aí; e a primavera, quando as flores estão facinhas e a putaria entre elas rola solta, o que significa pólen pra todo lado.

Nessas horas não há quem resista: todo mundo de nariz escorrendo! Aquele momento agradável pra andar em transporte público e pensar em todas as mãos (escorridas) que passaram por aquelas barras, sabem?!

Assim como em São Paulo, existe o conflito dentro do ônibus: os que querem fechar as janelas porque estão com frio e aqueles que querem abrir porque temem as bactérias que estão nadando por ali. Mas diferente de São Paulo, ninguém teme as bactérias por ficar ouvindo aquela fungação louca vindo de todos os bancos em volta.
Santiaguino não funga – usa lenço!

Curiosidade cultural:
Sempre tive vergoinha de assoar o nariz em público e tenho a sensação de que isso é meio brasileiro (ou paulista, não sei…). Nós fungamos muito e usamos o lencinho pra impedir desastres até conseguir chegar ao banheiro mais próximo e fazer a limpeza correta.

Mas aqui, não!
Lencinhos são vendidos em “pack econômicos”, com um milhão de metros de lenços por alguns poucos mil pesos. Todo mundo SEMPRE tem lenço! Porque se o nariz começa a irritar, ninguém pensa duas vezes: saca o pañuelo e dá aquela assoada caprichada! Eles não tem vergonha, assoam bonito mesmo que estejam no ônibus, metrô, sala de aula (atrapalhando o professor que fala) e até na cadeira do cabeleireiro…

Já me olharam feio muitas vezes por causa da inocente fungada… Uma vez, durante uma gripe minha, um colega de classe colocou “discretamente” um pacote de lenço na cadeira que estava entre nós, disse que eu podia usar se quisesse e quando foi embora “esqueceu” o pacote ali! hahaha
Mas isso foi ano passado..agora eu já aprendi! Já assôo o nariz como eles! (o que talvez tenha sido um pouco estranho/incômodo para as visitas brasileiras que estiveram aqui em casa na semana passada, durante uma gripe super feia que ainda se arrasta por aqui…hahahaha)

Já assôo o nariz como eles, mas ainda não me relaciono tão naturalmente com a caca de nariz o muco como eles. Soube que num desses programas matinais da semana passada estavam discutindo “porque as pessoas comem o muco”, com perguntas super didáticas do tipo “porque o muco é salgado?”hahahaha

Vejam que é uma arte saber se “chilenizar” na medida certa! Conseguir se adaptar, mas sem perder alguns limites importantes de… de…bom, de limpeza, né?! hahaha

"pega esse avião"

Existe uma grande diferença entre uma viagem a passeio pro exterior, ir fazer um curso fora, ficar um tempo fora fazendo intercâmbio e morar em outro país.
Além do óbvio, o tempo, outras coisas mudam. A maneira como você vê o lugar, muda; a maneira como você se relaciona com as pessoas e a cultura desse lugar, muda; e o mesmo acontece no caminho contrário, ou seja, em como ficam as coisas entre você e seu país de origem.
Quando você está a passeio tem (no sentido de deve) que aproveitar todo o tempo útil pra ver e fazer tudo de “melhor” que o lugar oferece, bem turistão, achando tudo diferente e, provavelmente, o máximo!

Se você vai pra pra fazer um curso curto, ou a trabalho, é provável que não tenha muito tempo de fazer turismo e acabe lidando com o dia a dia desse lugar, conheça seu trânsito, a vida e a visão corporativa que sua população tem…e meio que vai achar tudo normal, comum…

Se a viagem é pra um intercâmbio mais longo, acho eu, acaba misturando as situações: quer fazer muito turismo, mas sem o desespero, porque apesar de ter um tempo definido, não tem pressa, pode fazer quando quiser, contanto que seja antes do tempo X. Você experimento o novo e o ordinário do lugar, sente saudades “de casa”, mas sabe que o “agora” é pra aproveitar o novo e que o “casa” é pra daqui a pouco.

Mas tenho a sensação de que ir morar fora, com esse “peso do definitivo”, muda tudo!
Não dá pra sentir saudade “de casa” porque sua casa agora é ali, de forma que a saudade fica mais pesada, com gosto de “deixei pra trás”.
Turismo não é prioridade porque você tá muito ocupado com a vida e porque tem qualquer hora que quiser pra fazer (e na verdade tem grandes chances de acabar não fazendo, como acontece com a maioria em suas cidades natais).
O dia a dia do lugar e sua nova rotina são, ao mesmo tempo, normais e muito diferentes!
Você passa por momentos saudosistas – em que daria tudo por um decente e maravilhoso chuveiro “normal”- e por momentos de “brasileirismo”, em que tudo no mundo parece ser melhor – e mais barato – do que no brasil.

Antes de vir pro Chile um dos nossos objetivos era não ter aqui vida de estrangeiros, mas sim de chilenos mesmo; tentar ver e experimentar as coisas sob o ponto de vistas dos daqui… Em muitos pontos acho que nos saímos bem nisso (o que é super enriquecedor), mas em outros acho que não dá muito pra “se misturar” de verdade. (Percebo muito isso nas conversas com minha amiga que está noiva de um chileno e convive diariamente com ele e sua família. Ela sim tem experiências de (quase) puros chilenismos.) Nós não conseguirmos deixar de ser “brasileiros no Chile”, e hoje já nem acho que essa seja a idéia.

E tem mais uma diferença importante: nós saímos do Brasil com o peso do definitivo, mas não foi assim que chegamos aqui, porque uma hora nós vamos embora, vamos trocar de novo o “lá em casa” e ter mais um lugar com sua lista de saudades pra deixar pra trás e todo um “mundo novo” pra descobrir e chamar de nosso! rs
Frio na barriga? Super!

E por mais que uma hora a gente acabe montando definitivo em um lugar, por enquanto é muito legal pensar que logo estaremos começando de novo, montando casa, escolhendo novo bairro, novo piso, nova vista, novo sofá…
Esse “nomadismo” tem um lado divertido e um lado doído (qualquer dia eu escrevo sobre ter a saudade o tempo todo no pé), mas no final, acho que é uma vida de crescimentos infinitos…

ps.: acho que viciei nessa brincadeira e criei um blog novo. Vai lá dar uma olhada: http://www.amarumcaoe.blogspot.com

"Sem a qual a vida é nada"

O Dias dos Namorados traz uma atmosfera diferente e curiosa pra esse mundo virtual: uma divisão muito clara entre os amargos e os derretidos (ao leite, imagino…rs)!


Aproveito a data pra me adoçar e “refletir” um pouquinho sobre os encontros amorosos….

Acho curioso como às vezes parece mesmo que existe aquela história de alma gêmea, metade da laranja, tampa da panela.

Não importa o quanto aquela menina pareça carente, ou aquele menino pareça pentelho, ou aquela mulher pareça cheia de manias esquisitas, ou aquele homem pareça individualista, ou fulano pareça feio e ciclana pareça meio sujinha….hahaha
É legal como uma hora ou outra todas as pessoas – mesmo aquelas em que ninguém botava muita fé – acabam encontrando um pedaço de si em outro.

Às vezes o encontro demora muitooo pra acontecer, às vezes acontece mas não dura muito – gracinhas da vida, imagino… – mas acontece! E quando acontece….é lindo!! E é pentelho, é grudento, é excessivamente  escandaloso… é de cada um!

Saber aproveitar esse momento exige sabedoria e um pouco de arte, porque ninguém sabe quanto tempo vai durar o tal… pode ser que seja uma noite, uns meses, muitos anos, uma vida de momentos…
Hoje, particularmente, eu diria que não importa esse tempo. O importante é saber aproveitá-lo enquanto se está vivendo ou lembrar com carinho dos que já passaram…


Aí no Brasil tem sol hoje? porque aqui, que não é dia dos namorados, nem dia de coisa nenhuma, estamos no quarto dia de chuva do ano! Mas hoje – exclusivamente, talvez – defendo a campanha para que os amargos saiam ao sol, se deixem derreter um poquinho também, seja com as lembranças açucaradas ou com as possibilidades de um doce futuro…
Porque pelo menos uma vez no ano o mundo seria mais bonito se todas as panelas estivessem tampadas, ou se todas as meias-laranjas tivessem a lembrança latente de quando foram inteiras. E se todas as almas tivessem a consciência de que em algum momento do seu vagar vão acabar tropeçando no inesperadamente desejado…ai,ai….!!!


Feijoada Completa

“Feijão podre! Um símbolo de nosso regime, da podridão de nossos governantes e políticos. O Brasil, Clare, é um país saqueado. De fora para dentro. De dentro para fora. De cima para baixo… Ninguém nunca é responsabilizado por coisa alguma. Ninguém vai para a cadeia. Ó não! Somos encantadores, temos corações de ouro maciço! Inventamos as anedotas mais engraçadas do mundo. Achamos que todos devem nos adorar, pois não somos hospitaleiros e bos causeurs? Fazemos troça de todos, inclusive de nós mesmos. Temos remédios infalíveis para os males de todos os países, menos para os do nosso. A simpatia no Brasil é a grande panacéia. E é nessa simpatia, Clare, nesse nosso bom-mocismo (que torna o convívio com o brasileiro individualmente tão agradável), que reside nossa desgraça como nação! No Brasil tudo está bem se um sujeito é simpático. Por simpáticos (e também irresponsáveis e levianos) esperamos que as coisas no caiam do céu. Por simpatia votamos em homens incompetentes e ou desonestos para os cargos públicos. Se somos governantes ou políticos, por simpatia dizemos sim a tudo que nos pedem, embora depois não cumpramos o prometido. Por simpáticos damos empregos ou concessões rendosas (nem sempre lícitas) a parentes, amigos, compadres, afilhados, protegidos… e, que diabo!, por simpáticos fazemos as maiores concessões a nós mesmos, e satisfazemos a todos os nossos apetites. E essa nossa simpatia, sinal, repito, dum coração de açúcar, nos impede de fazer cumprir a lei, de sorte que bandidos e ladrões andam às soltas e podem ser senadores, deputados, governadores e até presidentes da República. Por simpáticos achamos que todos nos devem ajudar sem nunca no pedir contas de nada. Por simpáticos (ah! e por inteligentes, espertos e mestres na arte da improvisação) não panejamos, e confiamos sempre nas soluções mágicas. Porque no Brasil se acredita que até o deus ex machina é brasileiro. Ah, Clare! Como somos simpáticos! Você já tinha notado isso, não? Pois é. Somos tão simpáticos que nos acostumamos à miséria em que vivem mais de dois terços da população total do país… uma miséria abjeta que, no nosso Nordeste, é igual ou pior que a asiática… E como somos simpáticos e caridosos e, às vezes, vamos aos domingos à missa, durante a qual sorrimos e acenamos de longe pra Deus (que deve ser um sujeito simpático), de vez em quando damos esmolas aos mendigos, vagamente convencidos de que assim estamos contribuindo para resolver o problema social…”

Trecho do livro “O Senhor Embaixador” de Erico Verissimo, de 1965

Um belo tapa na cara de nós brasileiros, não é?!

Fiquei pensando que talvez um pouco por isso eu seja tão anti-social e antipática… Faz sentido se juntar com essa vontade toda de morar fora do Brasil…

Mas aí o tapa na cara é maior ainda!
Aquele velho blábláblá: “você pode tirar o sujeito do Brasil, mas não pode tirar o Brasil do sujeito”…

Aliás, ganhei o livro do meu tio Milani, depois de ter pedido um “clássico que não se pode deixar de ler”. Escolha perfeita!
Tapa na cara dolorido, daqueles que a gente precisa tomar de quando em quando…

Acabo de terminar a leitura e adorei! Recomendo muito!

"Até o rei fez uma careta!"

Nesse “fin de semana largo” fomos com dois amigos – Duilio e Sergio –  até La Serena, uma praia um pouco pro norte de Santiago.

Encontrou no mapa? rs




Fomos pra lá por recomendação de vários chilenos, que nos diziam “vocês tem que ir pra La Serena, ver o que é uma boa praia no Chile!” e por uma boa promoção da LAN…rs

40 minutos de vôo (todo aquele transtorno de aeroporto e viagem pra tão pouco tempo no avião! rs) na quinta feira a noite e lá estávamos! Num frio da p∞£¢¶!!! hahaha
Bom, a praia é realmente mais bonita que as que estão aqui pertinho… A areia mais branquinha, mais plana, o mar mais azul… bastante tentadora!
Mas com o frio que estava, nem pisamos na areia, né?! rs

O fim de semana acabou sendo gostoso: comemos muito, dormimos muito, passeamos um pouco, rimos bastante… (claro que isso tudo poderíamos ter feito em qualquer outro lugar, rs, mas foi bom mudar de ares!)

Mas o que eu quero mesmo contar aqui é sobre um episódio que aconteceu na sexta a noite!
De novo, por recomendação dos amigos, tínhamos deixado reservado para a sexta a noite uma visita ao Observatório Mamalluca. Uma hora de carro, subir uma montanha, assistir uma palestra e observar estrelas…parecia promissor! 

Acabou sendo tudo SUPER simples..apresentação com imagens do google, um telescópio pequenininho em que todos tinham que se revezar pra ver alguma coisa…
Os meninos estavam achando tudo um pé no saco, ou, em bom chileno, estavam achando aquilo “una wea muy fome!”.
Eu tava me divertindo, achando tudo muito legal e impressionante (hahaha..sou muito fácil) e fiquei completamente encantada com a imagem da lua no telescópio!!!! Completamente!!! 




Aí veio a melhor parte do feriado todo!
O guia estava explicando sobre a lua, contando sobre o “dark side of the moon”, sua crateras e etc, até que alguém lhe pergunta quantas vezes o homem já esteve na lua. Quando o guia respirou fundo e disse “veja bem”, me preparei pra ouvir aquelas clássicas teorias da conspiração sobre a simulação da tal viagem à lua em 1969…
Mas foi muito pior!!! hahaha

Ele nos explicou a teoria conhecida e depois nos confessou o que ele realmente acha que aconteceu:
Sua teoria é que o homem foi mais de uma vez à lua (porque já foram os americanos e os russos), mas com missões diferentes das que eles clamam… Na verdade as viagens à lua serviriam para encontros misteriosos, justamente nesse lado obscuro da lua, entre os homens e seres de outros planetas. Nesses encontros os homens levariam DNA humano para pesquisas interplanetárias e receberiam novas tecnologias super inovadas – como foi o caso dos Sistemas Integrados e dos Micro-Chips!!!!
Ele acredita que a troca foi ainda mais rica, com mais tecnologia top, mas como seriam novidades ainda muito avançadas, os cientistas responsáveis por essas trocas estariam guardando muito do que foi recebido, para que a cada 25 anos se divulgue uma parte dela, assim a humanidade iria aos poucos lidando com o super desenvolvimento!

As pessoas ficaram super interessadas! Mesmo!!! Começaram a fazer várias perguntas e comentários, do tipo “como eram esses seres?”, “o que mais eles deram?”, “por que não deram mais?”, “porque somos muito torpes pra receber isso, imagina o estrago que faríamos com as coisas que eles sabem?!”, “e como foi?”, “você sabe mais detalhes?”… assim por diante!

Na hora eu virei pro Lucas e disse (falando sério) “espera…acho que me distrai ou não ouvi alguma parte…porque isso que eu tô entendendo não tá fazendo sentido… que que ele tá falando??”… Quando o Lucas confirmou que eu tinha entendido certo, fomos contar pro Duilio e pro Sergio, que tinham ido até o carro e aí, juro, nós 4 tivemos um ataque vergonhoso de riso!!! Vergonha alheia ao nível máximo!!!
Pelas coisas que o guia dizia, pelas perguntas que as pessoas faziam, pela situação em que estávamos..
Começamos a imaginar a cena e rir muito… os americanos trocando emails pra combinar com os ETs de se encontrar do outro lado da lua, a preocupação deles de estar no lado escuro, porque afinal, imagina se alguém tá espiando o lado claro e descobre tudo! A troca sem gravidade, o interesse imenso dos ETs no nosso DNA, a ponto de trocar isso por tecnologias tão impressionantes que de fato, nenhum ser humanos seria capaz de criar…(microchip e sistema integrado, lembrem-se! rs)
Enfim, HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!
Rimos muito dessa história durante todo o resto do feriado! De chorar!

Sério, acredite no que você quiser, mas se você é um guia de um tour que deveria servir pra ensinar astronomia aos leigos…no mínimo tem que tomar um cuidado com o que sai falando por aí… Não?! rs




Bom, tem tanta frase dessa música que poderia ser o título desse post que os deixo com ela inteira!

“Brigando na Lua”
Premeditando o Breque


Existem fatos que acontecem por aí
E a gente até nem desconfia
Coisinhas da teosofia
Estava eu andando numa rua deserta
Sem população
Tipo das de televisão
De repente no céu vi um fulgor clarante
A resplandecer
Foi quando comecei a crer
Que estava sonhando
Que aquilo era um pesadelo
Nada estava se passando, perdão?

Então na minha frente apareceu
Uma coisa verde, um tanto louca
Tinha três olhos, duas bocas
Disse assim para mim entrar
Na sua nave intergalática
Pra fazer uma turnê lunática
Me convenceu ao mostrar
Sua pistola de raio lazer
E apontando pro meu blazer
Reforçou o convite
Me mostrando um cavaquinho
Com pedal phase
Inovação de japonês
E ao chegar na lua
Recebeu-me o presidente
E sua comititiva
Falando sua língua nativa

Num entendi nada
Porque aqui na Terra não tem curso de lunês
É só alemão, francês, inglês
Tentei falar outros idiomas
Sânscrito, esperanto, bizantino
Latim, hebraico, nordestino
Me senti acoxambrado
Apelei pra mímica
Que é o idioma dos calados

Fiz todos os sinais que aprendi
Na longa estrada da minha vida
Lembrei da minha infância querida
Mas depois de improvisar um positivo
Aí que coisa ficou preta
Até o rei fez uma careta
É que na lua este sinal significa
Falta de hombridade, ih barbaridade
Fiquei apavorado ao ver
Naquelas verdes faces o ar de inimizade
Aí que eu briguei sem gravidade

Ponta-pé, soco no olho e cascudão
Tudo em câmera lenta
Tem pouca gente que agüenta
Saltei de banda, chamei um táxi
E com sorriso varonil
Disse “eu quero ir pro meu Brasil”
Desci no Ipiranga, às margens plácidas
E como ainda era dia
Contei a história pra minha tia
Que mais do que correndo
E me achando louco
Me mandou pra delegacia

Qualé o ploblema com o cidadão aí ô meu?
Ô Denílson, leva o rapaz aqui pra conhecer a sala de

massagem 






"canções de amor se parecem" ?

Não consigo muito explicar poque, mas costumo desconfiar de declarações exageradas de amor.

Outro dia tinha alguém reclamando no facebook sobre esse povo que vira e meche tá atualizando o “status de relacionamento”, sempre afirmando que “agora é pra sempre” com a nova pessoa… Pode ser que isso seja uma grande fé infinita no amor, ou o contrário…

Que o facebook é uma ferramenta narcisista onde cada um faz questão de dilatar a própria felicidade pra divulgar a vida perfeita que leva, isso tem sido muito dito ultimamente.
Meu pensamento de agora passa pelo facebook mas vai um pouco além.

Desconfio, sim, do amor de quem tem que ficar postando com um frequência esquisita o quanto está apaixonado.
Mas desconfio, principalmente, da necessidade de declarações intermináveis, enfeitadas demais, frequentes, demais, floreadas demais…seria falta de romantismo da minha parte?

Sei não…

Eu prefiro o amor sutil, o amor sabido e seguro que não precisa de flores ou posts semanais. O amor que se percebe em um toque, em um ataque de riso, em uma bufada de “ai, isso é tão típico de você”.
 O amor que compartilha um olhar que diz tudo e não precisa de um milhão de linhas (num cartão ou numa rede social).

Sim, sim. Eu sei que andei postando por aqui longas e melosas declarações. Mas foram declarações comemorativas,  porque eu sou sim muito a favor de celebrar o amor!

O que me deixa com o pé atrás é a sensação que algumas declarações me passam de pura insegurança, necessidade de autoafirmação por puro medo… Especialmente no caso de relacionamentos mais novos…
Sei lá, pode ser preconceito meu (e provavelmente é..rs), e pode ser um pouco de inveja também (será?).

Mas o fato é que os pequenos gestos me encantam infinitamente mais do que os grandes “eventos”. Especialmente porque eles preservam a proximidade e a pessoalidade dos envolvidos!

Talvez por isso eu goste tanto da rotina da vida de casada…
🙂

"quando o homem exagera"

Peguei o certificado de Pedigree da Maní pra passar os dados pro atestado de saúde que ela precisa pra ir pro Brasil e tava prestando atenção numas coisas…

Ela só tem uma avó, que é mãe do pai e da mãe, ou seja…seus pais são irmãos!
E não pára por aí, vários outros nomes se repetem na pequena árvore genealógica de (apenas) 4 gerações…

Esse tipo de coisa me revolta muito!

Carrego comigo uma culpa, que vivo tentando esconder de mim, por ter uma cachorra de raça.
Minha justificativa racional faz sentido pra mim: nunca tive cachorro e nunca gostei de cachorro, portanto, quando escolhi ter um, precisava garantir algumas características pra que pudesse aprender a viver com esse novo animal.
Eu não podia correr o risco de pegar uma vira lata que cresceria demais ou que latiria demais…ou que exigisse de mim coisas e paciências que eu não sabia se teria com um cachorro. 
Porque desistir depois de ter JAMAIS seria uma opção pra mim, mas viver com um bicho que não me agradasse também não faria nenhum sentido…
Como expliquei outras vezes, por causa do novo estilo de vida – expatriada, com país de origem pra visitar e país novo pra conhecer – não daria pra ter meus favoritos gatos. E não ter bicho nenhum, nem pensar!
Decidido que seria cachorro, fiz uma mega pesquisa, li um monte, pesquisei na internet, conversei com veterinários…tinha que ser o cachorro certo. E foi assim que escolhi o Shih Tzu.

É uma raça incrível e que sempre recomendo pra quem tem o estilo de vida parecido, ou mora em apartamento ou tem criança em casa…é excelente!
Mas é de raça, é criada e é comprada!

Um dos momentos em que isso mais pesou pra mim foi quando cheguei em casa e encontrei a Maní tremendo, como se tivesse engolido um celular no vibracall; tremedeiras fortes e ritmadas que vinham, tremiam e passavam…
Liguei assustada pro veterinário e ele me deu uma lista de sintomas pra prestar atenção, disse que poderia ser uma convulsão já que, nas palavras dele, “epilepsia é uma doença comum nessa raça”.

Putz, além do susto de ver sua filha com provável epilepsia, fiquei muito puta comigo! Porque independente da pesquisa e da raça escolhida, minha filha é a Maní e saber que ela estaria sujeita à uma doença tão séria por causa do egoísmo do ser humano que fica fazendo essas criações bizarras – seja pra “melhorar” a raça, seja pra ganhar dinheiro… Putz, que raiva! Raiva disso existir e raiva de compactuar com isso!
No final a tremedeira era um sintoma bizarro da gravidez psicológica em que ela estava, portanto, nada sério, susto deixado pra trás, ufa!

Mas fora isso, ela tem vários outros defeitinhos genéticos, como o dedo a mais no pé direito ou as mil e uma alergias ou o problema dos vômitos inexplicáveis..


Amo minha pequena, com raça ou não, do jeitinho que ela é, não troco por nada e tô pouco me lixando pra esses “defeitos”, mas realmente me revolta pegar a árvore genealógica dela e saber que isso tudo poderia ter sido se não evitado, pelo menos amenizado, se esses criadores de merda não fizessem esses cruzamentos ridículos pra garantir uma coisa qualquer que dê dinheiro pra eles…

Pensar que ela pode vir a sofrer por causa disso é de revirar o estômago, mas não tem muito o que fazer agora, a não ser cuidar dela da melhor forma que posso.

A maior vantagem dessa história é que a Maní, raça escolhida, acabou me ensinando que muita coisa que eu queria garantir depende muito do “indivíduo cachorro”, mais do que qualquer raça. E me ensinou também, claro, a gostar de tudo que é cachorro! (apesar de, confesso, ainda não ter paciência pra latição nenhuma! rs)



"O mundo está ao contrário e ninguém reparou"

Viver em um mundo em que você paga muitos dinheiros pra ter um celular com sistema e GPS e o caramba a quatro, pra poder encontrá-lo em caso de roubo. Ou viver em mundo em que você não pode ter o celular que gostaria porque sabe que só estaria gastando dinheiro em uma coisa que ao final vão mesmo te roubar. Ou viver em um mundo em que os muitos dinheiros que te cobram pelo celular (ou pelo “necessário” seguro dele) já é, por si só, um roubo. Ou viver em um mundo em que você precisa roubar um celular que vale muitos dinheiros, pra vender por muito pouco dinheiro – torcendo pra que ninguém te pegue – para que com esses poucos dinheiros você possa alimentar sua família por, quem sabe, duas semanas.

O que mais falta pro mundo reparar que o mundo está todo muito errado????


Hoje eu “perdi” meu celular. Perdi 4 horas da minha vida com a burocracia “policiana”. Perdi mais um pouco da minha fé na humanidade. E perdi mais um pouco da minha esperança no mundo.



Milagres/Miséria – Adriana Calcanhotto

“A fome está em toda parte
Mas a gente come,
Levando a vida na arte”