A voz da dona e a dona da voz

Nossa, que saudades disso aqui!! Faz tanto tempo que parece que eu nem sei mais como blogar – depois vcs me contam se eu perdi ou não a capacidade (se é que algum dia já a tive!) hahahaha – cheguei com #dramamodeon, sentiram, né?! rs

As coisas aqui estão meio de cabeça para baixo, mas aos poucos, devagarinho, vou tentando – e querendo e precisando – voltar! Prometo!
Mas hoje venho com motivo específico: é que até o dia 04/10 tá rolando uma ação coletiva de divulgação e aprofundamento na discussão da Violência Obstétrica – e, claro, a “Louca dos Partos” aqui não poderia ficar de fora, né?!

Então… você já ouviu falar sobre Violência Obstétrica??
Pois é, a grande maioria das pessoas nunca ouviu! Mas, infelizmente, 25% das mulheres que tiveram filhos no Brasil viveram na pele essa atrocidade! 1 em cada 4 mulheres – isso é coisa pra caramba!!! E, o que pra mim é pior, algumas delas nem conseguem identificar exatamente o que lhes aconteceu…

Então, primeiro, o bê-a-bá:

Imagem: "Parto do Princípio"

Imagem: “Parto do Princípio”

A Violência Obstétrica pode ser sutil, pode ser “só” um comentário irônico, pode ser “só” uma empurradinha na barriga pra “ajudar” o bebê a sair (como a matrona tentou fazer no meu parto, aliás – HUMPF eterno pra ela!!), mas ela também pode ser brutal, escancarada, traumatizante….

E um dos grandes problemas  é que ela é TÃO praticada rotineiramente que muitas das ações que configuram (legalmente, inclusive) uma VO são consideradas “normais” por muita gente… Só que isso precisa mudar!!!

Não adianta nada eu vir aqui contar pra vocês todos os benefícios lindos e saudáveis de um parto normal quando, na verdade, um número assustador dos (poucos) partos normais que acontecem no Brasil são, na verdade, “anormais”, cheios de intervenções desnecessárias, cheios de agressões e com uma absoluta falta de respeito à parturiente e ao bebê!
Estudando durante a minha gravidez eu virei, sim, ativista do parto normal. Defendo, cheia de garra, o direito e a capacidade que toda mulher tem de parir. Mas, defendo, acima de tudo, o direito que toda mulher tem de ser respeitada no momento do seu parto – aliás, pré, parto e pós parto!!!

No documentário “Violência Obstétrica – A Voz das Brasileiras” você pode conhecer alguns relatos – aviso: não é nada “levinho”, ok?! Os depoimentos são doídos e são pesados, assim como a experiência dessas mulheres! Só que o melhor jeito de lidar com um tema desses é, justamente, não deixar calar! É dar voz a quem sofreu pra evitar que outras tenham que continuar passando por isso!
E é aí que entra a ação coletiva que falei lá em cima!!

Na semana passada a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou uma declaração oficial para a PREVENÇÃO E ELIMINAÇÃO DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA nas Instituições de Saúde de todo o mundo!! É o primeiro documento oficial e mundial sobre esse tema e sua existência, com tradução oficial para o português,  traz à luz a grande importância desse assunto na realidade obstétrica atual – no mundo e no Brasil!

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E aproveitando que o assunto está “fresco”, o blog “Cientista que Virou Mãe” fez um chamado: que nós coloquemos o assunto em pauta! Que falemos sobre ele! Que não o deixemos banalizar (mais)! Que busquemos, juntos, soluções possíveis!

Você pode fazer sua parte divulgando o documento da OMS, postando nas redes sociais com a hashtag #VOBR2014, participando de discussões, enfim…opções é que não faltam! O importante é, como nunca canso de repetir: nos munir de informação!!!

Pra ficar bem claro, repito os links importantes:

O documento oficial da OMS: http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/134588/3/WHO_RHR_14.23_por.pdf

Pra saber mais sobre a ação coletiva: http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2014/09/prevencao-e-eliminacao-da-violencia.html

Sobre Violência Obstétrica: http://partodoprincipio.blogspot.com.br e https://www.youtube.com/watch?v=eg0uvonF25M

Façamos nossa parte!! 1 em cada 4 é mulher demais sendo desrespeitada num momento tão importante!!! Não quero essa realidade pro meu próximo parto! Nem pro seu próximo parto! Nem pro parto da minha filha – se/quando um dia ele vier a acontecer…rs

Não quero!!! E você??

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“Eu quis dizer:”

Ainda naquele papo de “conversas sobre parto que rolaram no Brasil”, uma coisa me chamou a atenção: eu tenho essa mania de ficar aqui, escrevendo do lado de cá da Cordilheira e pouco conversar sobre meus textos, de maneira que acabo esquecendo que à palavra escrita falta o tom e sobra brecha pra interpretações…

E aí que, curiosamente, em mais de uma dessas conversas me surpreendi com o que algumas pessoas absorveram do meu relato de parto
Houve quem disse ter ficado com mais medo de parto normal, quem ficou mais satisfeita com a própria cesáreas eletiva e quem leu “muito sofrimento” no meu texto!
Não achei ruim ouvir essas opiniões, mas fiquei MUITO surpresa, mesmo!, e até fui reler o relato pra procurar o que essas pessoas tinham visto e eu não…
(aceito novas opiniões e pontos de vista, aliás, sempre!!rs)

Eu achei que tinha ficado claro nas vezes anteriores que falei sobre o assunto. Eu acho, aliás, que já disse isso aqui.

Mas depois das surpresas dessas conversas, me deu vontade de repetir, com todas as letras, sem deixar espaço pra mal entendidos (se é que isso é possível na comunicação humana! rs).

E não é que eu queira convencer ninguém de nada, não! O que eu quero é esclarecer mesmo como é minha relação com o fato de ter tido um parto natural!

Assim, oh:

– Eu não sofri no meu trabalho de parto, nem no parto!
– Não sofri! Nada!
– Não me arrependi da escolha nem por um segundo, nem durante nem depois do evento!
– Foi lindo, lindo, lindo!!
– Foi a experiência mais transformadora da minha vida!
– Foi a experiência mais intensa que já vivi, a mais cheia de sensações e emoções!
– Não vejo a hora de passar por isso de novo (apesar de não ter nenhuma pressa em ter o próximo filho – vai entender…rs)
– Gostaria que todas as mulheres pudessem passar por isso!
– Gostaria, aliás, de poder vivenciar esse momento junto a algumas queridas que vão agora por esse caminho [sim, quero estar presente no parto de tod’azamiga! Hahahahaha Ja falei que sou a louca do parto, né?! (Se eu virar doula e criar um blog e uma empresa com esse nome, será que faz sucesso? “Gabi, a louca do parto”?! Hahahaha)]

Será que ficou claro agora? rs

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“Mais do Mesmo”

Daí que nessa ida pro Brasil um assunto recorrente nas minhas conversas foi Parto (menos recorrente do que a Louca do Parto aqui gostaria! hahaha) e me deu vontade de voltar a falar desse tema! hohoho
Então vou fazer um post como já vi em alguns blogs por aí: vou postar meu plano de parto, revendo e avaliando expectativa x realidade! Simbora?!

(preguiça de traduzir tudo, galera…vai em espanhol mesmo e vou explicando o que achar que preciso, ok?! rs)

Plan de Parto Gabi y Lucas

 

Estimado/a matrona y obstetra:

Vamos a tener nuestra hija y deseamos que su nacimiento sea lo más humano, respetado y natural posible, por eso solicitamos su comprensión.

 

Nos gustaría favorecer el inicio espontáneo del trabajo de parto y los ritmos de mi organismo ( favorecer un parto normal vaginal), tal y como se recoge en las recomendaciones de la O.M.S. y que concretamos en los siguientes puntos:

 

  • Solicitamos evitar los tactos vaginales (exames de toque) innecesarios (incluso a fines de la gestación), a menos que sea evidente el inicio de trabajo de parto – Feito! Meu obstetra não fez NENHUM toque durante toda a gravidez/parto e a matrona só fez um, quando chegamos na maternidade!

  • Deseamos estar en la casa mientras el trabajo de parto este comenzando, con tranquilidad y intimidad para que la evolución sea lo más natural – Feito!!!

  • Deseamos que el preparto y el parto sean en una de las Salas de Parto Integral, donde la atmósfera sea lo más serena posible, y se propicie un ambiente respetuoso con la vonlutad y los ritmos de la madre. Nos gustaría luz tenue, música tranquila, preparto calentito… – Levamos o tocador de música mas não pensei em ligar lá; a matrona se encarregou de ajustar luz e temperatura, mas vendo as fotos penso que se estivesse mais escurinho seria ainda melhor!

  • Deseamos estar juntos todo el tiempo y además contar con la presencia de una doula. Estos acompañantes serán un importante apoyo activo a la madre – Feito! Ficamos o tempo todo juntos e quando eles pensaram que precisariam sair a matrona não deixou, lindo!!

  • Solicitamos que se abstengan de administrar métodos y tecnologías hospitalarias que alteren dichos ritmos naturales, a no ser que estén totalmente justificados y cuenten con nuestro consentimiento – Fizeram os procedimentos que já tinham nos avisado que aconteceriam: mediram pressão e temperatura e colocaram o saco do acesso venoso..

  • Solicitamos que la madre pueda elegir comer y beber alimentos livianos cuando tenga ganas, no siendo necesario la vía venosa para hidratación de la misma – Apesar do acesso venoso colocado, não me colocaram soro nem nenhuma outra coisa. Não quis comer nada (desde umas 13h) e acho que nem teria dado tempo na maternidade (rs), mas tomei muita água o tempo todo, a Silvia tava sempre com a garrafinha lá! (água, aliás, que levamos de casa, porque eu não gosto da maioria das marcas de água daqui…rs)

  • Solicitamos que no se rasure, ni se administren lavados intestinales (enema) – Feito! Ou melhor, não feito! rs

  • Solicitamos evitar uso de oxitocina artificial para acelerar el trabajo de parto, solo si fuera estrictamente necesario y que nos informen – Não foi necessário.

  • Solicitamos evitar el uso de anestesia/analgesia, a excepción que nosotros lo solicitemos. Pedimos que no estén permanentemente ofreciendo anestesia, menos aun durante la contracción. Si hemos pedido retrasar o evitar la analgesia apoyen de corazón, creyendo en la mujer. Estamos preparados para el dolor, sabemos que la analgesia natural de endorfinas funcionan – E funcionaram! A única vez que se falou em anestesia foi quando chegamos à Clínica, quando a matrona confirmou que eu não ia querer tomar!

  • Deseamos ocupar otros métodos de manejo de dolor (como masajes, respiración guiada, agua caliente…) Si la analgesia se hace necesaria, pedimos que sea en una cantidad muy baja, solo para el alivio del dolor, pero que la madre pueda caminar, sentir las contracciones y los pujos, etc.. – Estava livre pra usar os outros métodos, por tanto o tema da quantidade de anestesia nem veio ao caso!

  • Solicitamos evitar el monitoreo fetal continuo. Sabemos que el monitoreo fetal intermitente es necesario – Escutamos o coração da Cecília algumas poucas vezes, sempre sem que eu nem precisasse sair da posição que eu tinha escolhido estar!

  • Solicitamos evitar la episiotomia. Pedimos hacerla solo cuando haya un riesgo evidente de desgarro amplio y profundo – meu GO chegou a achar que seria necessário, mas, ufa!, conseguimos evitar!

  • Solicitamos que se respete la libertad de movimiento de la madre y su capacidad para escoger la postura más conveniente para manejar los dolores de las contracciones y para el parto mismo. Pedimos que se eviten las posiciones horizontales y que la madre pueda escoger posiciones más verticales (como de rodillas, semisentada o de cuclillas) – senti falta de uma banqueta de parto, pra poder estar de cócoras (cuclillas) sem cansar tanto as pernas (e o Lucas! hahaha) e, infelizmente, tive que subir na cama pra mudar o ângulo e a Cecília conseguir sair, sem ter osso no caminho atrapalhando..rs

  • Deseamos que la mamá reciba un apoyo reconfortante, que la acuerden de respirar y cambiar de posición, refuercen la confianza en su capacidad de parir, que no le dirijan los pujos y le acuerden la importancia de la suavidad al momento de la salida del bebé – faltou essa lembrança da suavidade no final… pelo que me lembro fiz força durante toda a saída da cabeça e talvez por isso tenha lacerado mais…

  • Solicitamos que no se haga la manobra de Kristeller, por riesgo de rotura de útero y por estar contraindicada por la O.M.S. – hmmmm! Acho a tentativa da matrona de empurrar minha barriga se classificaria como Kristeller, não sei… mas me deixou puta, anyway…

  • Solicitamos que tras el nacimiento del bebe se postergue el pinzamiento del cordón umbilical en al menos 2 a 3 minutos, idealmente que deje de latir. Deseamos también que el padre pueda hacer el corte del cordón – não sei se já tinha parado de pulsar, mas sei que esperaram alguns minutos.. O Lucas não tinha certeza se ia querer cortar o cordão, mas deixei no plano pra garantir, ‘por si acaso’.. e já tava combinado que se ele não quisesse, eu cortaria! Quem sabe no próximo me certifico que tenha parado de pulsar e não corto eu mesma! =)

  • Solicitamos que nos ayuden favoreciendo una transición suave a la respiración pulmonar de nuestra hija (evitar las aspiraciones de vías) y que ella pueda ser abrazada y amamantada inmediatamente post parto – Lindamente feito! =)

  • Solicitamos respetar nuestra intimidad post parto y favorecer el contacto piel con piel entre 60 a 120 minutos, reconociendo los beneficios fisiológicos tanto para la madre como su hija, facilitando también el alumbramiento. Si esto no fuera posible en la sala de parto, permitir hacer contacto piel con piel en la habitación – feito! Ficamos 100 minutos (!) no contato pele a pele e sozinhos na sala (depois que a equipe deu uma limpadinha na bagunça..) antes que voltasse o pediatra e nos pedisse autorização pra examinar e vestir a bebê; depois mais alguns minutos antes de descer pro quarto..

  • Solicitamos que el alumbramiento (salida de la placenta) sea lo más natural posible, es decir, esperar que se desprenda, sin traccionar – Feito.

  • Solicitamos evitar colirios en los ojos del bebé – Feito!

  • Solicitamos evitar/postegar la administración de Vitamina K en el muslo de nuestra hija (hasta que esté tranquila y/o mamando en el pecho) – aqui não existe a opção da Vitamina K oral, então tinha que ser injetável mesmo.. ela voltou pro meu colo no meio do exame do pediatra e tomou a vitamina ali, nem reagiu…

  • Solicitamos postergar el peso y las mediciones de recién nacido para poder favorecer el contacto piel con piel inmediato si el estado del bebé lo permite – Feito!

  • Solicitamos permanecer juntos todo el tiempo en la estadía en la maternidad – feito! Só levavam ela 1 vez por madrugada pra pesar (e tirar sangue na primeira madrugada), mas demorava uns 5 minutos só e o Lucas ia sempre junto (ficava olhando pela janelinha, porque não podia entrar no berçário, mas ia junto! rs). De resto estava no quarto grudada na gente o tempo inteiro!

  • Solicitamos estar presentes (y activos) cuando el bebé sea examinado, aseado, etc – si por alguna complicación la madre no pueda acompañar, que el padre siempre lo haga – Feito!

  • Solicitamos que nuestra hija no reciba nada sin nuestra autorización, es decir, sin leche artificial, chupete, té, agua, etc… – Feito!! Inclusive as vacinas ela só tomou no último dia, porque não autorizamos no primeiro!

En el caso que se haga necesaria una Cesárea: – não se aplica, mas meu médico já tinha sido honesto e me dito que não podia garantir tudo isso, por conta das regras do centro cirúrgico e disse que uma parte dependeria da equipe de plantão que nos atenderia… Ainda bem que não precisamos dessa parte!

 

  • Solicitamos que la anestesia sea regional para que la madre pueda estar despierta.

  • Solicitamos que el padre pueda acompañar la madre durante todo el procedimiento.

  • Deseamos la madre pueda recibir el bebé lo más pronto posible y que también se favorezca el contacto piel con piel en los primeros momentos de vida del bebé.

  • Deseamos que el ambiente sea cálido, respetuoso, con silencio, especialmente al momento de la salida del bebé.

  • Solicitamos que el padre pueda acompañar todos los procedimientos necesarios en el bebé luego del post parto.


Pedimos explicaciones claras sobre todos los procedimientos (con la madre y el bebé), sobre el progreso del trabajo de parto a medida que se evalúe y sobre cualquier complicación que se presente – Feito!

Estando seguros de contar con su apoyo, nosotros ponemos nuestra confianza en ustedes y agradecemos de todo corazón su comprensión. Esperamos que esta sea una experiencia muy gratificante y enriquecedora para todos.
Sabemos que nuestro plan de parto se orienta a que todo siga su curso normal y estamos abiertos a la posibilidad de que tengan que ocurrir ciertas modificaciones en el mismo día del trabajo de parto (para eso, solicitamos que siempre nos informen y consulten).

Con todo nuestro cariño, firman los padres

 

 

É um exercício gostoso fazer isso e percebo, satisfeita, que pouca coisa saiu diferente do planejado…

Se eu disser que tenho saudades do parto, vocês acreditam?!? rs 

 

 

 

 

Tem como não sentir saudades de tamanha felicidade???

Tem como não sentir saudades de tamanha felicidade???

"Porque sei que és minha Doula"***

Daí que eu fiquei enrolando vocês com aquele relato de parto enoooorme, dividido em várias partes e tal, quando existia já pronta essa versão aqui! (me perdoam? rs)
Linda, sensível, cheia de amor e curtinha! hehehe
É o meu parto, o nosso parto, do ponto de vista da Doula – e eu não me canso de ler!

(ps.: Onde ela diz Jack, claro, entenda-se Lucas! rs)

“Dia 23 a cachorrinha Mani estava muito estranha. Parecia sentir algo que para nós era imperceptível. Seria um terremoto? Ou contrações tão fracas que nem Gabi sentia?? Será que o corpo da Gabi já enviava sinais do que estava por vir?

Mani já sabia..às 3 horas da manhã do dia 24 as contrações começaram! Gabi resolveu não nos acordar e curtir as primeiras contrações sozinha na sala mesmo. Entre contrações conseguia dormir e descansar.

Acordo com passos no corredor, vindo de um lado ao outro..Jack acordou e já estava no modo “parto” rsrs. Passamos uma manhã gostosa arrumando os últimos detalhes para mais tarde, fazendo almoço e brincando de achar posições mais comodas para a Gabi.

Ás 11:30 a bolsa da Gabi rompeu. Gabi e Jack estudaram tanto sobre parto que nem se assustaram com o acontecido e tudo continuou na maior tranquilidade!
Cada contração era acompanhada ao som de cantores brasileiros como Chico Buarque..Gabi ficava dançando e cantando para ajudar a lidar com a dor. E assim foi até a dor começar a ficar mais forte!
Ainda embalada ao som que a consolava foi para o chuveiro onde pôde contar com a ajuda da água morna para alivio.
Quando saiu do banho a música já não adiantava mais. Continuava cantando bem baixo e dançando mas seu rosto já mostrava o desafio da fase ativa do parto. As contrações estavam muito próximas uma da outra e por isso resolvemos ir à maternidade!
Ao descer no elevador até encontramos um vizinho desavisado que olhou com cara de “meu santo! Ela está parindo!!!” e só conseguiu soltar um “Suerte!!” para nós..foi engraçado!!

Jack ligou para a parteira e seguimos para lá. Durou 15 minutos, mais ou menos, para chegar..mas, para Gabi e Jack parecia uma eternidade! Jack me contou que nesse momento temia que Cecilia nascesse no carro!! Gabi, sem contar com o alívio de se mover para diminuir a dor..sofreu. Se contorcia, mordia a toalha que levei como compressa gelada, chegou até a soltar um xingamento tamanha a dor que sentia!!!

Encontramos a parteira na maternidade que nos levou a uma sala para examinar. Estava buscando os documentos deles para fazer a entrada e só escutei “parabéns para o papai e para a doula, ela está com 9 centímetros de dilatação!!”. Gabi que merece todos os parabéns!!! Poucas mulheres conseguem ter segurança suficiente em seus próprios corpos para ficar em casa até chegar a esse ponto do parto! O máximo de dilatação são 10 cm! Ela já estava na fase de transição..Cecília já estava vindo!

Fomos o mais rápido possível até a sala onde Cecília viria a nascer. 
Daí pra frente fica difícil de contar..
Gabi sentia muita dor, se agachou até encontrar uma posição que pudesse empurrar. Jack ficava o tempo todo a segurando, pois suas pernas já estavam cansadas.
Empurra daqui, empurra de lá..”dá pra ver o cabelo” escutei a parteira falar.
O obstetra chegou e junto com a parteira observavam Gabi e Cecilia. De tempos em tempos ouviam os batimentos da Cecilia usando um aparelho que precisava só encostar na barriga para funcionar.

Foi bonito ver o olhar desses profissionais. Com paciência e respeito observavam e incentivavam.
Pediram para ela mudar de posição, para facilitar o parto. Nessa posição foi necessária a ajuda de todos. Jack já estava cansado mas continuou apoiando Gabi, sentando atrás dela e segurando ela por debaixo dos braços. A parteira segurava uma perna enquanto eu ficava com a outra. Assisti de camarote!! rsrs
Gabi aguentou o que chamam de “anel de fogo” por um belo tempo! Não sei dizer quanto tempo foi, nesses momentos o tempo já não é igual ao normal!!
Incentivava a Gabi e em um momento resolvi olhar para o Jack e me deparei com ele suando, branco e respirando fuuundo. A emoção estava transbordando!!
Algumas enfermeiras e o pediatra estavam a postos, caso necessário. 
O obstetra pedia empurrões fortes e longos da Gabi. Faltava muito pouco!
Presenciei o rosto da Cecília enquanto o obstetra tentava tirar o cordão, que estava enrolado em seu pescoço. Só quando ela saiu ele conseguiu, com muita habilidade, fazer ela passar pelo cordão, pois não conseguiu tirar por cima da cabeça. Como um quiabo..pluft..veio ao mundo!! rsrs

Foi uma emoção incomparável!!

Cecília foi direto para o colo da mãe. Esperaram para cortar o cordão. A placenta saiu naturalmente, depois de algumas contrações.
Ficaram assim os 3 juntinhos, Cecília..papai e mamãe por mais ou menos uma hora. Cecília foi apresentada ao mundo da melhor maneira possível! Junto ao peito de sua mãe, ouvindo seu coração e sentindo seu carinho. Até começou a mamar ali mesmo!
Só a tiraram para ser avaliado pelo pediatra, para colocarem a roupinha e logo depois já voltou para a Gabi. 

Gabi e Cecília ficaram na maternidade por duas noites. Só para ficar em observação. Tudo estava bem!
Jack e Gabi decidiram deixar a Cecília no quarto, e não no berçário durante a noite. Sábia decisão!!

Agora já estão em casa!
Cecília é tranquila e esperta. Falo com ela e seus olhinhos abrem para mim!
Ela chora..mas, nada que mamar, ficar limpa e se sentir em contato com nós não resolva!!!

Estou feliz! Consigo me imaginar ajudando outras mulheres a passar por essa experiência transformadora da melhor maneira possível!!


Depois mando fotos!!!

Com todo meu amor,
Silvinha, a doula”



A Sil é uma amiga muito querida! Dona de uma tranquilidade e de uma presença de amor sem iguais!!!
Ela é toda zen, “natureba”, saudável…em muito aspectos diferente de mim e do Lucas, mas é impressionante como nos damos bem!!!

E, olha que bacana: ela se interessou pelo assunto do parto por causa da nossa gravidez! Foi pros Estados Unidos fazer o curso de formação de doulas do Dona (uma das organizações internacionais mais bem conceituadas na área!), viciou no Renascimento do Parto e chegou aqui fervilhando de idéias, vontades, planos…uma delícia!
Chegou, aliás, fazendo intensivão: 10 dias de pré, parto inteirinho e 1 mês de pós parto!
Me indicou coisas pra ler, trouxe discussões pra eu pensar e trocamos muita figurinha sobre esse assunto que a mim também interessa tanto – foi bom demais!!!
(Isso sem falar na ajuda com a Cecília, com a Maní, com a casa, com a minha alimentação, etc..rs)

E, a boa notícia pra vocês é que ela está de volta em São Paulo, disponível pra ajudar novas Doulandas por aí – e oh, não é porque é minha amiga, não, mas eu recomendo, viu?!?! hehehe
Vocês podem contatá-la por email: silviarozsa@hotmail.com – e se falar que foi indicação minha ganha massagem extra!!! hahaha



Sil, querida, mais uma vez obrigada pela presença, pela ajuda, pelo apoio, pela tranquilidade, pelo amor…por tudo que você veio fazer germinar 😉 nessa casa no comecinho de 2014!!!
(e obrigada por autorizar a publicação do relato aqui!)

Torço pra que você possa se sentir realizada ajudando muitas mulheres a se empoderarem e a parirem! Elas e você merecem muitas e muitas experiências transformadoras!!!

Beijos cheios de amor!





(post maior bonitinho e tal, mas não resisti à piada infame com o título…hahahaha)

"Mirem-se no exemplo"

No sábado, dia 08/03, Dia Internacional da Mulher, eu comecei a escrever esse post aqui:

“Vi esse vídeo no facebook hoje:



No final rola uma mensagem de “feliz dia das mães”, mas ele tá rodando hoje especialmente com um “Q” de “feliz dia das mulheres”!


Vi e dei risada, como imagino que aconteça com todo mundo – ou toda mulher (rs) – que o assista, mas fiquei com uma pulga atrás da orelha…


Mais tarde, pensando melhor, entendi o que me incomodava: é que um vídeo como esse acaba sendo mais uma ferramenta pra perpetuação do sistema obstétrico como está hoje. Assim como nas novelas e num montão de filme por aí, esse vídeo está dizendo: “olha como parir é horrível e sofrível e sofrido!!!”

Essa noção é mais do que um senso comum, é uma certeza que TODO MUNDO tem!
E essa certeza é um fator super importante no número absurdamente errado e grande de cesáreas que acontecem no Brasil (e no Chile!) atualmente! Porque, afinal, se parir é tão terrível, aproveitemos as maravilhas da medicina moderna e “salvemos” as mulheres desse sofrimento todo, não é?!

Não, não é!


E digo que não é com a propriedade de quem aprendeu muito sobre o assunto nos últimos meses!

Aprendi vivendo na pele, claro,  mas também estudando sobre o assunto. Lendo tudo que caísse na minha frente sobre parto, e depois procurando mais pra ler, vendo vídeos de parto, vendo debates, depoimentos, documentários…”

Mas aí Cecília começou a chorar, logo tivemos que sair.. E o negócio acabou ficando na metade, pra eu ir terminando aos poucos…


Eu pretendia seguir o post contando como parir é maravilhoso e como, apesar de ter sentido bastante dor, em nenhum momento eu sofri durante o trabalho de parto! Pretendia contar como é possível – e importante – significar a dor do parto e separá-la totalmente do conceito de sofrimento, vivê-la de uma forma totalmente diferente da que é sempre retratada por aí…

Mas aí, enquanto eu ia escrevendo meu post de picadinho, caíram dois textos incríveis na minha frente, dois textos que diziam exatamente o que eu estava tentando dizer.

Ontem a Gabi Sallit, do DáDáDá, publicou esse texto aqui. E hoje a Marina, do Só Até Amanhã de Manhã, lembrou desse texto aqui, da Ligia Moreiras Sena, do  Cientista Que Virou Mãe.
E essas duas são tão fodas ótimas, que tudo que eu fui escrevendo depois pareceu ruim e/ou insuficiente! Por isso desisti do  meu texto esquizofrênico, resolvi deixar os links pra vocês lerem (sério, leiam!!!) e contar um pouquinho de porque parir mudou a minha vida!


Eu, que não consegui nascer de parto normal; eu, que nasci toda torta e tive (tenho) que lidar a vida inteirinha com os problemas da minha coluna com todos os defeitos do mundo (fisioterapia, rpg, natação, colete ortopédico na adolescência, dores crônicas, etc..); eu, que tenho um dedo feio, que tenho um pé enorme, magrelo e cheio de dedos muito longos; eu, que sou toda atrapalhada, que não tenho controle dos meus membros e não sei andar direito; eu, esse corpo defeituoso…

Eu, que sou péssima pra tomar decisões e pior ainda pra assumir meus desejos e brigar por eles; eu, que quase nunca consigo terminar algo que começo, que quase nunca consigo encontrar algo que me apaixone e me faça investir energia de verdade; eu, que nunca descobri uma vocação nessa vida; eu, que sempre fui da passividade, de evitar discussão, de preferir não dar opinião; eu, que cansei de deixar “meu jeito” de lado, pra evita a fadiga ou o conflito…
Eu…



Pois é… eu sou tudo isso aí em cima, mas fabriquei, gerei e pari a bebéia mais linda desse planeta! 
Eu, que quando descobri qual era o melhor jeito de trazer minha filha ao mundo, me apaixonei, abracei “a causa”, estudei, me dediquei, briguei, argumentei… Só sosseguei quando achei que tinha garantido tudo o que podia garantir desse momento tão incerto…
E quando chegou a hora de fazê-la vir, encontrei uma força e uma confiança que eu nem sabia que podia ter e agarrada a uma tranqüilidade deliciosa (e ao meu marido querido! rs) fiz minha parte um pouco como tinha planejado, mas, especialmente, fiz respeitando o que eu sentia que tinha que fazer! Encontrei uma Eu sábia, serena, preparada, decidida e capaz! Uma Eu que chegou até ao final exatamente como sonhou chegar – e com um resultado lindo, lindo no colo!

E quando, depois do parto, ouvia das pessoas que tinha sido corajosa e guerreira achava, honestamente, que elas estavam exagerando… E ainda acho!
Não precisei de coragem nem de garra pra parir minha filha num parto natural, sem intervenções e sem anestesia… 
Precisei, isso sim, de informação, de conhecimento, de razão, de amor, de apoio, de força, de determinação, de vontade e de mais amor! E encontrei tudo isso em algumas pessoas especiais à minha volta mas, pricipalmente, em mim mesma! 
E descobrir que essa outra Eu existe dentro de mim mudou a minha vida! 
Mudou a maneira como me vejo, mudou a maneira como me comporto. Mudou a forma como me mostro e como acho que mereço ser tratada. Mudou a forma como me coloco. Definitivamente influenciou minha forma de ser mãe. E de ser filha, de ser esposa..de ser mulher!

E, como disse a Gabi, essa é uma experiência pela qual eu gostaria que muitas outras mulheres pudessem passar! Porque é intenso, porque é delicioso, porque é transformador! Porque nos faz mais fortes e mais mulheres!
Muito mais do que qualquer flor regalada no dia 08 de março ou do que “saber” que os homens não aguentariam a dor, diga-se de passagem…

Falo com a voz da experiência e CHEIA de orgulho das minhas capacidades!!! Eu pude e posso!

Vocês deviam experimentar… 😉
 

"Foi assim…" – parte 5

 
 

Cecília chegou ao mundo às 18h12 (havíamos chegado na clínica umas 16h35) e foi recebida pelas mãos do médico – ela tinha o cordão umbilical enrolado no pescoço (o que é super normal e não representa nenhum risco pro bebê, ok?!?), mas como o cordão era meio curto ele não conseguiu desenrolar logo que saiu a cabeça (como normalmente se faz) e teve que esperar o corpo sair pra passar ela toda por dentro da circular do cordão – uma manobra e tanto! rs
Feito isso, ela veio direto pro meu colo – e essa, senhoras e senhores, é um sensação que eu não vou esquecer nunquinha na vida!!!
Coisa mais maravilhosa é ter aquele corpinho todo molinho, gosmento, quente, macio e cor de rosa encostando inteirinho em você, pele com pele!
Ela chegou, deu uma olhada em volta tentando entender o que tava acontecendo e aí abriu o maior berreiro! Berreiro dum chorinho rouco totalmente apaixonante!
Ficamos uns minutos assim, ela nos meus braços e nós duas nos braços do Lucas… sabe amor? Então… era mais do que isso!!!


 


O pediatra chegou perto e deu uma olhadinha nela, depois a cobriram com uma fraldinha e só…nem limparam, nem nada… No “aperto” da passagem pelo canal de parto ela tinha feito cocô, mas, juro, não me importei nem um tiquinho de ficar toda suja de mecônio! rs

 

(em tempo: uma coisa importante é avaliar como está o líquido amniótico quando a bolsa estoura.. meu líquido esteve o tempo todo – sim, ele não saiu todo de uma vez! – transparente e com cheirinho de cloro, ou seja, limpo. Por isso sabemos que o mecônio só saiu na hora do parto mesmo!)


Alguns minutos depois o cordão umbilical foi clampeado e Lucas o cortou (antes ele dizia que não ia querer cortar, mas na hora animou! rs) e então eu voltei a sentir contrações, bem mais leves agora… era a placenta que estava vindo! Lembro de precisar fazer só um pouquinho de força e ela já “nasceu”, bem fácil…
O médico a pegou, abriu pra confirmar que ela estava inteira (não pode sobrar pedacinho dentro do útero!) e me mostrou – achei muito legal, mas preferi não comer…hahaha

Em seguida me ajeitaram um pouco na maca pra que o médico pudesse me dar pontos.
Tive duas lacerações pequenas e superficiais – o que eu achei ótimo, levando em consideração que não fiz nadinha na gravidez pra preparar o períneo! 
Tinha esquecido de comentar, mas o médico depois me disse que houve um momento em que teve quase certeza de que teria que fazer uma episiotomia (no plano de parto eu pedia que não fizesse, a menos que corresse o risco de uma laceração de mais de 2o grau!), chegou a pedir pra enfermeira arrumar as coisas pra isso, mas acabou que conseguimos evitar…ufa!!!
Não senti dor na hora da laceração, nem nos pontos no pós parto (acho que eles me incomodaram um pouco umas 3 vezes só neste mês em que me acompanharam…rs), mas senti dor na hora de dar os pontos! Tive a impressão de que a anestesia local não pegou direito, mesmo o médico tendo colocado duas vezes, então senti meio que todo o processo e não foi bacana…rs. Mas nessa hora eu já tinha no colo meu pacote de gostosura e isso deixa toda experiência mais bonita! hehehe


 
 


E aí tivemos um tempão pra ficar nos namorando… ê delícia!!!
Tiramos fotos e mandamos pras famílias – que aguardavam ansiosas por notícias nossas!
(ah! na correria de ir pra clínica acabou que não avisamos ninguém que estávamos indo, como era o plano…hahahaha)


Nós 4!!! (aliás, essa é a Sil, pessoal! rs)

Também nesse período a matrona veio nos ajudar a colocar Cecília pra mamar!!
Não foi fácil! A ferinha só gritava e não entendia que o peito ia ajudar…rs
Mas eventualmente nós conseguimos!!! E aí…sabe aquele “mais que amor”?? Então…era mais ainda!!!


 


(Depois descobri que fizemos errado,  não acertamos a pega e, apesar de mamar super bem e engordar normalmente, Cecília passou a primeira semana mastigando meus pobres mamilos… =/
Agora a pega já está corrigida e amamentar tem sido delícia pura!!! Mágico, mesmo!!)


Passadas 1h40 de muito namoro, colo, peito, pele com pele, muita baba (nossa! ela ainda não baba! rs) e muito carinho melequento, vieram nos perguntar se já podiam vesti-la… Eu achei que já era ok, então o Lucas a levou para o pediatra, que só então fez as primeiras avaliações.


Carregada pelo pai pela primeira vez!
Sujinha de mecônio e agarrada no pai!



Num bercinho ali do meu lado eles fizeram as avaliações necessárias, tudo com muito respeito… sem aspirar, sem pingar colírio, sem procedimentos padrões invasivos e desnecessários!
Pra tomar a vitamina K (intramuscular) ela voltou pro meu colo e nem pareceu sentir nada…
Foi avaliada (apgar 9/10), medida (51,5 cm), pesada (3,290 kg), limpa com óleo de calêndula e vestida! 


Pai orgulhoso!


Depois voltou pro meu colo e fomos levadas assim, grudadinhas, pro nosso quarto!


Mãe orgulhosa!

Já no quarto, recebemos alguns amigos queridos, eu jantei e só aí comecei a sentir o cansaço…
Além do acesso venoso chato na mão, as outras pequenas desvantagens do parto hospitalar foram o fato de eu só ter podido levantar da cama depois de 6 horas do parto e só poder tomar banho na manhã seguinte – sendo que não me deixaram lavar o cabelo nesse primeiro banho (?? vai entender…rs)

Cecília nasceu no final da sexta feira e ficamos na Clínica até domingo a tarde…
Estávamos as duas ótimas, por isso nos deram alta antes do “procedimento padrão”, que nos faria esperar até segunda feira no final da tarde…

Ela ficou no quarto com a gente absolutamente o tempo inteiro! Só saiu duas vezes pra fazer exames e o Lucas foi junto pra ver o que faziam com ela… Tomou vacina mamando no peito e também não reclamou nada!
Foi amamentada desde o princípio em livre demanda e eu logo percebi que a dedicação que isso demandaria não seria pouca – mas valia a pena! (duas enfermeiras tentaram me convencer que se eu mandasse a bebê pro berçário a noite, descansaria melhor… sorri e fiz cara de alface, sabe como? rs)
É normal que bebês percam 10% do seu peso nos primeiros dias de vida…ela, “mamona” que só ela, perdeu 4%… antes de irmos pra casa o colostro já tinha começado a dar lugar pro leite e a produção aqui continua sucesso!

Me recuperei bastante rápido do parto… como disse, não senti nada nos pontos! Nos dois primeiros dias sentia o corpo inteiro doer como se tivesse feito musculação por uns 3 dias seguidos… também sentia uma espécie de “peso” nos músculos da bunda e era (engraçadamente) difícil sair da cama, me sentia grudada…rs. 
E sentia MUITA fome!!! Devorei todas as refeições do hospital, comendo inclusive um monte de coisas que nunca na vida havia comido porque não gostava! hahaha
Mas tudo isso foi passando bem rápido! Hoje, depois de um mês (!!!), estou completamente inteira! Já perdi 9 dos 10,5 kg que engordei a nem vi essa história de resguardo…meu corpo esqueceu rapidinho tudo pelo que tinha passado!

O corpo esqueceu, mas o coração e a mente vão lembrar PRA SEMPRE… como o primeiro dia de 2014, o primeiro dia de Cecília, o dia em que eu virei outra (volto pra falar sobre isso! rs), o dia em que nós 3 nos agarramos e nos transformamos!!! O dia mais intenso e mais lindo da minha vida, sem dúvida alguma!!!




(vocês ainda aguentam “me ouvir” falar mais um pouquinho sobre o assunto?? Ó que eu volto, hein?!? rsrs)

"Foi assim…" – parte 4

(pra começar do começo: Parte 1)


Pois é… a história de parar de doer no carro foi pura ilusão e o meu medo anterior foi justificado!
Os menos de 15 minutos até a Clínica foram os piores minutos do TP! Eu continuava sentindo a dor bem aguda e dentro do carro não conseguia me mexer de jeito nenhum que pudesse ajudar… Tentava “rebolar” sentada no banco mas não rolava… 
A Sil tinha levado uma toalha de rosto molhada pra me ajudar com o calor, mas ao invés de usar como compressa, eu preferi usar como “rebozo… prendia uma ponta com as mãos e puxava a outra com os dentes! Acho que não ajudava muito com a dor, mas na hora do aperto era o que tinha… Fora que segurava uns gritos entre os dentes! rs
Doía muito e, diferente de como vinha sendo até então, nada ajudava a melhorar! Não sei como não chorei – mas soltei uns palavrões em voz bem alta porque tava foda mesmo!! hahaha
Também em voz alta começou a sair meu mantra: “Deixa ela vir…! Deixa ela vir…! Deixa ela vir..!!!”. Era difícil não travar o corpo todo e lutar contra a dor! Eu respirava fundo (quando não travava a mandíbula na toalha.rs) e repetia “deixa ela vir…!” a cada expiração… e ia tipo fazendo “contagem regressiva” do caminho, implorando pra chegar logo!

Já tinham nos explicado como seria todo o processo de admissão na Clínica, então eu sabia que umas coisas chatas me esperavam…
Chegando na maternindade paramos na “zona de acojida” no estacionamento, onde ficam uns técnicos e um monte de cadeira de rodas – sim, é protocolo ter que entrar em cadeira de rodas! Ouso dizer que os técnicos e auxiliares de enfermagem dali não estão acostumados a receber grávidas naquela altura do TP…ficaram todos com caras assustadas ao me ver! E a auxiliar responsável por empurrar minha cadeira era nova na Clínica, não sabia direito pra onde ir ou onde ficava a sala e estava mais nervosa que sei lá o que!
Além disso, ficamos os três super atrapalhados com tudo que tinha pra pegar no carro… A Sil tava engraçada com um milhão de coisas penduradas por todo o lado e tudo meio querendo cair… – incluindo minha bola de pilates! hahaha

No trajeto da cadeira de rodas vi mais uma vez meu corpo trabalhando “como diz o livro”: sabe-se que o frio inibe a secreção de oxitocina (principal hormônio responsável pelo TP). Pois bem.. os corredores da Clínica estavam MUITO gelados e eu fui tremendo de frio na cadeira de rodas…o lado bom (?) disso é que o TP foi realmente inibido e não me lembro de ter sentido nenhuma contraçãozinha nesse caminho…ufa! se no carro tava difícil, imagina na cadeira de rodas!

Encontramos a matrona no corredor e ela guiou a auxiliar inexperiente até a sala de admissão… era uma salinha de exames normal..maca, banheiro, pia, etc…
Quando levantei da cadeira já voltaram as contrações e a matrona ia esperando os (curtos) intervalos entre elas pra me pedir o que precisava de mim – que tirasse a roupa, que subisse na maca, etc…
Então ela fez um exame de toque (primeiro e único em toda a gravidez e trabalho de parto!!!) e disse “bien, Gabi, súper bien!”, ouvi ela comentando com a enfermeira que tava por ali qualquer coisa sobre “um pouco de rebordo”! Acho que a Sil perguntou como estávamos e ela disse que com uns 9 cm de dilatação (!!!)…e felicitou marido e doula por terem conseguido me ajudar suficientemente bem pra chegarmos só nesse ponto na clínica!!!
Uma enfermeira veio atrás da gente pedir pra fazermos os papéis de admissão, o Lucas perguntou pra matrona quanto tempo ainda teríamos de TP, ela disse que achava que 1 hora e pouco e ele disse que então iria fazer a papelada… mas a matrona não deixou, disse que ele precisava ficar comigo! A Sil perguntou se ela poderia fazer e a enfermeira disse que sim, mas a matrona também não deixou! rs
Ela disse que iríamos subir e pediu pra enfermeira que alguém levasse os papéis até a gente – achei ótimo, não queria mesmo que nenhum dos dois tivesse que sair!!

Enquanto Lucas e Sil pegavam as coisas pra mudarmos de sala a matrona veio até mim, olhou nos meus olhos e disse meio baixinho “Gabi, sin anestesia, cierto?!” e foi a primeira vez que a existência da anestesia passou pela minha cabeça durante o TP!
No meu plano de parto eu dizia que queria ver até onde eu conseguiria ir sem anestesia e que se/quando eu quisesse teria que ser uma dose baixa pra eu poder continuar andando… eu tinha deixado a anestesia garantida e tava pronta pra passar um bom tempo lutando contra a vontade de pedi-la – não tinha nem combinado com ninguém pra não me deixar tomar, como já li que muitas grávidas fazem, porque eu queria deixar a possibilidade aberta… Tinha medo, aliás, de tentar resistir além do meu limite e acabar não “aproveitando” a experiência do parto, sabe?!
Mas quando começou o TP de verdade eu simplesmente esqueci que essa possibilidade existia! E esqueci porque não precisei lembrar! Tinha sido tão tranquilo até ali…
Aliás, tinha sido tão tranquilo que eu ainda tava esperando a coisa piorar muito!! Mas eu sabia que, do jeito que tava, dava pra levar na boa sem nem pensar em anestesia! Então respondi pra ela “sin anestesia!” e sentei na cadeira de rodas de novo!

Fomos então pra “Sala de Parto Integral” – uma sala de pré-parto, parto e pós-parto. Chegando lá eu já estava sentindo muita dor e não conseguia me concentrar em nada, mas a Sil me contou que a matrona já chegou ajeitando a sala: fechando as cortinas e baixando as luzes, ajustando o ar condicionado pra não ficar frio, erguendo a cama, etc…
Enquanto isso eu me apoiava do Lucas e tentava entender essa dor nova! A partir daí eu já era mais sensações do que pensamentos…



O nariz do Lucas, a matrona e a dor..rs

Achava que a dor aguda e forte que tava sentindo era só mais uma evolução das contrações e ok, esperava que esse fosse o caminho mesmo… mas tava frustada porque meus balanços já não resolviam, e era bem ruim a sensação de não saber o que fazer com a dor! Me lembro de ficar reclamando que doía e ouvir do Lucas que era assim mesmo e que eu precisava respirar…
(a Sil tinha descido pro carro pra levar a bola de volta e buscar umas coisas que faltaram…)

Continuando os procedimentos protocolares chatos vieram medir temperatura e tirar pressão e, pior, colocar um acesso venoso na minha mão…
Me lembro das mãos da matrona muito geladas (depois o Lucas me disse que ela tremia muito também) e a primeira vez que ela colocou a agulha errou feio…aquele negócio ficou me doendo – a ponto de incomodar mais do que a contração!! – e pedi pra ela arrumar.. o segundo não foi tão ruim, mas continuou incômodo (aliás, me incomodou por umas 6 horas, até deixarem tirar…)



Matrona colocando o acesso e eu já tentando encontrar outras posições



O aparelho da pressão colocado, mas ela esperando passar a contração pra medir!

Eu disse que tava com vontade de fazer xixi e fomos todos pro banheiro (a Sil diz que a matrona fez uma cara de quem sabia que não era bem isso que eu tava sentindo…rs), mas chegando lá não saiu nada… a matrona deu uma olhadinha, disse que tava vendo o cabelo da bebê (ou ela já tinha dito isso no exame de toque?? não lembro!) e pediu pra que eu saísse da privada pra irmos pra um lugar mais seguro pra Cecília! rs

Ela me perguntou se eu estava sentindo vontade de empurrar e eu disse que não…
Eu ainda achava que aquela dor era só uma contração aguda… e tinha lido em vários relatos de parto que quando os puxos começavam era como se as contrações sumissem e ficasse só uma vontade inconsolável de empurrar…o corpo fazendo força sozinho…era isso que eu tava esperando acontecer! Mas não era o que eu sentia!

Mesmo assim, depois que ela perguntou fiquei curiosa e resolvi aproveitar a contração seguinte pra dar uma empurradinha “pra ver qualé-que-era”… e, putz, a empurradinha aliviou a dor!!!
Aí eu disse: “acho que quero empurrar..posso??” (nessa altura eu já tinha desencanado do espanhol..falava em português e bem baixo..só o Lucas ouvia e traduzia…rs), a matrona respondeu que sim, mas ela tava meio longe, fazendo qualquer coisa…(lembro, por exemplo, de umas 3 vezes as enfermeiras quererem me colocar no soro e ela não deixar!!)

Então começaram uns minutos de angústia: eu tinha entendido que aquilo era vontade de empurrar, mas não fazia idéia de como fazer! E choramingava: “quero empurrar mas não consigo! Não sei fazer!”. Sil e Lucas me apoiavam e diziam: “sabe sim! Se você tá com vontade, faz!” e eu pensava: “seu eu soubesse eu fazia..tô falando que não sei, porra!” hahahaha
Até que um deles me disse: “solta seu corpo que ele sabe fazer, Gabi!”.. e essa frase foi meio libertadora!
Faltava isso: como meu corpo não tinha “assumido o controle” na forma dos puxos involuntários e incontroláveis, eu precisaria me soltar, soltar o controle pra deixar meu corpo agir… e aí eu soltei!
Soltei e as pernas caíram, fui parar numa posição meio de cócoras e fui deixando, a cada contração, o corpo descobrir como empurrar – não foi fácil, não foi natural, não foi por instinto – eu não sabia mesmo!… e fui aprendendo a empurrar – aliás, em determinado momento a matrona colocou a mão no meu períneo e disse “empurra aqui, Gabi” e foi a melhor coisa…acho que só aí meu corpo entendeu direitinho o que tinha que fazer!

A matrona sugeriu que eu usasse a barra da cama pra me apoiar e foi ótimo! 



A de Amor

Fiquei um tempo empurrando assim – ainda no processo de aprendizagem e em algum momento ouvi a matrona ligar pro meu médico e pedir pra ele vir logo porque eu já tava empurrando! (depois me contaram que foram várias ligações nervosas pra apressar o médico – que tava a caminho da praia…ninguém esperava que eu estivesse tão “a ponto de parir”!!!)
Até que segui o pedi do meu corpo e inverti o lado:


 
 

 Assim era bem melhor pra empurrar, mas aí eu não tinha o apoio da cama pra descansar no intervalos das contrações e já estava com as pernas bem cansadas, então o Lucas me segurava assim:


A de Apoio
 
 

Nessa foto aí de cima dá pra ver meu médico colocando a luva. Ele chegou silencioso (eu nem vi), se preparou e sentou aí onde ele tá na foto… Sentou e ficou me olhando… Num intervalo de contração olhei pra ele pela primeira vez e ele me sorriu..um sorriso tão tranquilo, tão sereno, confiante e ao mesmo tempo “apoiador” que aquele olhar ficou gravado na minha memória e até agora me enche de carinho quando lembro!!!

(diferente dele, teve uma hora que o pediatra entrou na sala maior empolgado, gritando um “buenas tardes”, até que percebeu a situação em que estávamos e ficou constrangido! hahahaha – isso me contaram..eu só percebi um barulho a mais rapidamente…rs)

Ficamos um bom tempo nessa posição…o médico me olhando, a matrona atrás de mim e o Lucas me apoiando – não sei onde tava a Sil e nem vi nenhuma dessas fotos ser tirada! Mas de quando em quando eu pedia água e ela me trazia!
Umas 3 ou 4 vezes a matrona veio com um dopler portátil escutar os batimentos cardíacos da bebê… Me disseram que rolava uma mini tensão na sala cada vez que ela encostava e ficava procurando o coração da Cecília…eu não percebia, mas lembro que respirava melhor – e com mais força pra continuar – cada vez que os batidos saíam baixinho daquela maquininha!

Depois de algum tempo assim a matrona veio falar comigo..me explicou que a cabeça da Cecília estava batendo no meu osso púbico e por isso não conseguiria passar naquela posição..me pediu pra virar e subir na cama.
Subi e fiquei sentada bem na pontinha, tão na pontinha que eu escorregava muito! O Lucas subiu na cama atrás de mim e me segurava pela axila, a matrona e a Sil ficaram responsáveis por apoiar cada uma um joelho meu (por isso não tem foto dessa parte) e o médico sentou na minha frente.
Não era confortável ficar escorregando (toda hora o Lucas tinha que me puxar pra cima de volta) e tive que reaprender a empurrar na nova posição…
Me disseram que fiquei muito tempo empurrando assim…com a cabeça dela prestes a sair, já meio coroando… Me ajudaram uma hora a me inclinar de um jeito que conseguisse enxergar (tinha uma barriga no meio do caminho! rs) e eu vi uma coisa preta, pontuda e gosmenta…não acreditei que aquilo era a cabeça dela, achei que era uma gosma qualquer que ia sair antes! hahahaha Mas era sim a pontinha do cone cabeludíssimo que era a cabeça dela nesse momento!!!

Não sei quanto tempo foi e nem senti que foi tanto assim que empurrei “em vão”… só sei que em algum momento a matrona veio empurrar minha barriga e fiquei puta! rs Soltei um grunhido qualquer, o Lucas entendeu o recado e pediu pra ela parar! Humpf! (viu como minha birra com “a matrona substituta” não era tão infundada assim??rs) 

Aliás, fun fact: o Lucas atrás de mim tinha que fazer uma força contrária a minha pra não me deixar cair! Eu escutava ele respirar forte e ritmado e achava que fazia pra guiar a minha respiração…até teve uma hora que a matrona me pediu pra segurar o ar e eu ri, porque o ar que ela tava ouvindo soltar era do Lucas, não meu! rs Só depois do parto é que eu entendi que ele respirava daquele jeito porque tava bem difícil me aguentar, coitado…rsrs

Matrona e médico começaram então a me pedir pra empurrar com mais força e por mais tempo (“pujos muy fuertes y largos”), porque a Cecília não tava saindo! 
Lembro de respirar fundo pra tentar me concentrar e de pedir pra ela “vem, filha..vem!!!” a cada vez que segurava o ar e empurrava com muita força!!! Eu pedia porque estava cansada e queria que terminasse logo, mas, mais do que isso, porque aquela ansiedade que não tinha vindo a gravidez inteira finalmente tinha tomado conta de mim: eu queria minha filha no meu colo e eu queria AGORA!!!


Mais uns puxos assim e, finalmente, senti a cabeça dela saindo!!! Não senti o tal círculo de fogo queimando, mas lembro que a contração em que a cabeça saiu foi bem mais forte e dolorida do que as anteriores – enquanto tava nessa de empurrar já não sentia a dor aguda das contrações (empurrar aliviava, lembra?)…mas essa contração específica eu senti direitinho – senti a onda começar a vir, senti doer e consegui usar isso pra empurrar a cabeça da minha filha pro mundo!
Vi uma movimentação do médico mas não prestei muita atenção…respirei fundo, “descansei” e esperei a contração seguinte, quando empurrei mais um pouco e saiu o resto do corpinho, com aquela sensação de “quiabo escorregando” que todo mundo fala! Uma delícia!!! Pluft!!! Cecília havia chegado!!!!



Ufa!!!! 
O resto fica pra amanhã!! 😉

(continua aqui)

"Foi assim…" – parte 3

(já leu a primeira e  a segunda parte?? Agora elas tem fotos e vídeos! rs)



Confesso que por boa parte da manhã eu ainda não tinha certeza que a Cecília nasceria naquele dia mesmo – inclusive, quando coloquei as datas nas lembrancinhas, escrevi só mês e ano, porque eu ainda pensava “vai que demora mil horas ainda, né?!” rs  E o processo tava tão tranquilo que eu realmente achava que tinha muito o que demorar…rs

Mas aí a bolsa estourou umas 11h30 da manhã e quase que instantaneamente o intervalo entre as contrações diminuiu… Mágico assim! Elas ficaram um tiquinho mais fortes e começaram a vir, mais ou menos, a cada 6 ou 7 minutos… Mas ainda estava fácil! Oh:




E como bolsa estourada é tipo coisa de trabalho de parto em filme, ficamos os três empolgados e começamos a brincar de colocar em prática as posições e massagens que tínhamos aprendido pra facilitar o trabalho de parto…
Mas era só de brincadeira mesmo, porque eu só topava experimentar nos intervalos – quando começava a contração de verdade eu não conseguia ficar parada, mesmo que com alguém massageando… tinha que me mexer, tinha que andar, que balançar…


Maní não curtiu… hahaha


Lucas e Sil fizeram almoço e, também nos intervalos de contração, eu consegui comer um prato com arroz, purê e frango…depois me enchi de melancia e me arrependi fortemente, porque ela ficou o resto do dia conversando comigo! hahaha
Comia sentada na bola e levantava quando começava a doer!


Almoçando

Enrolei a gravidez inteirinha e acabou que nunca fiz a playlist das músicas que ia querer ouvir durante o TP, por isso fiquei com meu bom e velho shuffle tocando músicas e deixei Chico e Baleiro embalarem minhas balançadas!!!

Me dividia entre o celular, pra trocar de música quando necessário e o iPad, pra ir contando as contrações…

E colocar música foi ótimo, porque já tava chato ficar andando de um lado pro outro…rs. Com música eu balançava com ritmo (a Silvia se atreveu a dizer que eu estava dançando…sei não…hahahaha)  e cantava durante as contrações pra ajudar a respirar.

E, uma curiosidade: o balanço que eu adotei daí em diante no TP, ao som das minhas músicas favoritas, é o mesmo balanço que tenho usado pra ninar a Cecília!! E é INCRÍVEL como funciona pra acalmar nós duas na hora do chororô… chega a me emocionar pensar que essa ajuda agora tem tudo a ver com o momento tão bonito que nós duas passamos juntas nesse dia inesquecível!! =)

Amor!
“Faz cara de contração!” hahaha

Por volta de 2 da tarde a dor começou a piorar um pouco e aí eu já precisava me concentrar durante as contrações. Me concentrar pra lembrar de respirar, lembrar de soltar o corpo e, mais do que tudo, lembrar que aquilo tudo significava que minha filha tava chegando!

A Sil anotou
O Lucas completou! hahaha



E nesse momento ganhou muita importância o “mantra” que eu tava usando desde a madrugada: sempre que alguma coisa me desconcentrava do TP, durante a contração eu dizia pra mim mesma “deixa ela vir”. Eu me referia à Cecília, claro, que estava cada vez mais perto, mas me referia também à dor. 
Por isso, quando a dor começou a ficar mais forte era fundamental que eu me lembrasse sempre que estava doendo porque eu e minha filha estávamos trabalhando, porque meu corpo estava fazendo um negócio incrível e grandioso (em tantos sentidos!), porque não era pra ser facinho mesmo, mas valeria a pena….
Eu precisava deixar a dor vir e passar – as contrações funcionam assim, em ondas mesmo…eu precisava trabalhar com a dor, saber que cada apertão era a Cecília um pouquinho mais pra baixo (rs), não podia (e não queria!!!) lutar contra nada do que sentia.. mas na hora do aperto era importante re-lembrar, por isso eu repetia baixinho: “Deixa ela vir!!!”. E, juro, cada vez que eu me lembrava de dizer isso, funcionava! A dor ganhava sentido e perdia intensidade…e assim eu ia levando o processo com bem mais facilidade!

Lucas e Sil estavam sempre por perto! Respeitando meu espaço, me ajudando a lembrar todas essas coisas aí em cima, me dando água e oferecendo comida (que eu não quis mais depois do almoço, apesar de antes ter feito um estoque de coisas gostosas pra comer durante o TP), tentando oferecer massagens e sugerir posições – tadinhos…essa parte eu meio que ignorava mesmo! hahaha Eu só queria balançar!!!


Uma das minhas fotos favoritas! 
Doulando por escrito! hahaha


A essa altura eu já tinha passado o contador de contrações pra Sil…eu só avisava quando começava e quando terminava, então não sabia muito bem em que ritmo estávamos, mas sabia que elas estavam vindo cada vez mais perto!

De manhã havíamos mandado mensagem pro obstetra e pra matrona, deixando-os de sobreaviso sobre o que estava por vir (rs) e ao longo do dia o Lucas foi falando com a matrona por telefone, contando como estávamos e ouvindo instruções dela… 

Em algum momento (imagino que um pouco antes das 3) o Lucas ofereceu que eu fosse pro chuveiro, pra água quente aliviar a dor. A dor realmente estava mais forte e a água viria bem, mas eu resisti um pouco a entrar porque não queria ter que parar de andar… até que eles conseguiram me convencer e fomos os três pro banheiro (ou 5, né, porque Cecília e Maní também foram! rs)… 
A Sil continuava marcando as contrações e mudava de música quando eu pedia. O Lucas, coitado, ficou de um jeito todo torto, se molhando muito, meio dentro, meio fora da banheira, segurando o chuveiro (que aqui é daquele tipo que parece um chuveirinho) de uma maneira que a água estivesse sempre direcionada pra onde eu pedia (geralmente na lombar) e eu pudesse continuar meu balanço lá dentro!!
Aí a coisa começou a apertar!! A dor mudou, ficou mais aguda, mais ardida…e o movimento e a água ajudavam, mas não tanto como antes! 
Lucas começou a me convidar pra sair do chuveiro pra ir pra clínica, mas eu não queria de jeito nenhum, disse que só iria se fosse andando (6 km! hahaha) – acho que foi o único medo que senti durante todo o TP: estar fechada dentro do carro no caminho pra clínica, sem conseguir me mexer!
E, mesmo que pouco, a água ainda tava ajudando… Até que, de repente, eu precisava sair urgente do chuveiro! Não sei se foi minha pressão que caiu com o calor ou o quê..sei que de uma hora pra outra, me deu um siricotico (rs) e eu precisava sair dali! Esperei acabar a contração e pedi pro Lucas pra me ajudar a sair…
Enquanto o Lucas falava com a matrona pelo telefone, eu ia ficando pronta pra ir pra clínica, mas ela pediu pra gente esperar uns 15 minutos antes de sair de casa, já que eu tinha acabado de sair da água quente (depois o Lucas me contou que, na verdade, nesse momento a matrona não estava em Santiago e demoraria ainda uns 30 minutos pra chegar… Ele inventou essa desculpa e ficou me enrolando em casa por mais uns 40 minutos – sem que eu percebesse! rs – porque se chegássemos na clínica antes da nossa matrona, seríamos atendidos pela matrona de plantão e aí “tchau plano de parto!”…!!!

Pra me enrolar o Lucas foi lentamente arrumando as coisas pra sair…rs Fechou as malas, pegou tudo que faltava, fez várias “viagens” pra levar tudo que precisava até o carro, etc…
Eu nem percebi a demora…apesar da dor, estava muito tranquila com o processo… Sentia a Cecília se mexendo e percebia o TP progredindo, então nada me preocupava! Talvez se eu soubesse que a essa altura o intervalo das contrações já era de menos de 2 minutos eu ficasse preocupada!! hahaha 

Mas como eu não sabia, estava só tentando lidar com essa dor nova e muito forte!
Ainda balançava e cantava (agora muito baixo) a cada contração, mas já tava difícil a coisa!

Comentei com a Sil que estava sentindo um pouco de vontade de fazer cocô, mas não sabia se ainda era meu corpo “fazendo a limpeza” (esqueci de comentar na parte 2, mas de manhã fui várias vezes ao banheiro! Coisa linda essa natureza que pensa em todos os detalhes!rs) ou se era a bebê no canal de parto mesmo! (dizem que este é um dos sinais de que o parto está perto!)
Só sei que a dor era aguda e chegava a me dar vontade de chorar um pouquinho quando vinha… eu repetia mil vezes seguidas na duração de uma contração o mantra do “deixa ela vir!”… precisava ficar lembrando de respirar e “relaxar”… e balançava…!

 
Agora sim com cara de dor!


Pedi pra Sil pegar a Maní pra mim – eu não conseguiria abaixar! – porque precisava de colo dela e fiquei assim esperando a hora de sair:



Claro que no caminho entre minha casa e o carro vieram várias contrações e que na saída do elevador encontramos um vizinho que ficou meio apavorado com a cena e nos desejou “suerte”! hahahaha

Achei melhor ir no banco de trás sozinha pra ter mais espaço e, pra minha surpresa, logo que o carro começou a andar a dor melhorou – quase sumiu! – e eu fiquei toda felizona! rs
Pena que só durou até sair da garagem…


(to be continued…)
hahahahaha

"Foi assim…" – parte 2

(pra ler o começo, clique aqui)

 
Acordei as 3:15 da manhã sentindo contrações como as que tinha sentido na caminhada, aproveitei pra ir fazer um xixi e ainda no banheiro veio outra! Voltei pra cama e liguei o aplicativo pra contar o intervalo entre elas, mas na seguinte contração já percebi que deitada o incômodo era bem maior, então voltei pro banheiro… Fiquei um tempo lá andando de um lado pro outro, as contrações vinham a cada 10 minutos e duravam por volta de 1,5 minuto 
 
(parêntesis importante: desde o começo minhas contrações de treinamento eram longas, algumas duravam mais de 2 minutos, quando todos diziam que elas deviam durar uns 30 segundos, mas meu médico tinha me tranquilizado dizendo que cada corpo faz de um jeito mesmo, nada de anormal nesses tempos diferentes…pois as contrações de verdade seguiram o padrão das outras: foram sempre super longas!)
 
Logo ficou claro que andar ajudava demais na dor! Na verdade, enquanto eu andava praticamente não sentia nada, algumas vezes tinha que parar de andar pra ver se já tinha acabado a contração!


Enquanto andava de um lado pro outro no banheiro, uma frase se repetia na minha cabeça: “Que loucura! A Maní já sabia mesmo!”.
Em determinado momento bati o olho no espelho e me deparei com um sorriso ENORME no meu rosto, que até então eu não tinha notado… e aí eu disse pra mim mesma, com a boca cheia de orgulho: “Estou em Trabalho de Parto!!!!”
Comecei a pensar em quão perfeito era aquilo…em como tudo estava acontecendo como eu tinha lido que seria, em como eu tinha mesmo reconhecido quando começou de verdade (aquela velha frase: “quando você estiver em trabalho de parto, você saberá!”), em como a natureza era incrível, as contrações vindo como um reloginho, as sensações todas ali, no meu próprio corpo!!! Só podia mesmo ficar sorrindo!

Aí lembrei que eu não tinha dormido nada e que o processo seria demorado, eu precisava descansar! Voltei pra cama pra tentar dormir, mas quando vinha a contração, deitada, eu não conseguia ignorar, porque já incomodava bastante…ficava me mexendo, procurando uma posição confortável, mas não encontrava…
Achei melhor ir pro sofá, pra não acordar o Lucas (antes da hora..rs), o forrei com uma toalha (“por si acaso…”) e deitei com a Maní…



Quando começava uma contração eu levantava e caminhava pela sala, depois deitava e tentava dormir… mas eu tava muito empolgada e muito encantada com o processo, não conseguia desligar a cabeça! Tava achando o máximo e queria sair gritando pela janela: “Estou em Trabalho de Parto!!!” rsrsrs – mas a gente tinha combinado que só avisaríamos as pessoas sobre o que estava acontecendo quando estivéssemos indo pra clínica, pra não ficar muita pressão, muita gente perguntando…

Umas 4 e pouco da manhã (5 e pouco no Brasil) vi minha mãe curtindo coisas no facebook e tive vontade de mandar uma mensagem só pra jogar conversa fora, aproveitar que tinha mais alguém acordado aquela hora (rs), mas achei que ia dar muita bandeira e segurei a empolgação! hahaha

Fiquei nessa (de deita-levanta) até umas 6 da manhã, quando encontrei um jeito de levantar e balançar a perna, ainda deitada no sofá, que aliviava bastante, aí consegui ficar deitada direto e pude descansar de verdade…
Notei que assim, sem levantar, as contrações se espaçaram (estavam vindo quase a cada 8 minutos e assim os intervalos aumentaram pra mais de 10), mas achei que o descanso valia a pena, então finalmente consegui dormir nos intervalos entre as dores por um pouco mais de 1 hora!

Acordei um pouco antes das 8 da manhã, hora em que tocaria o despertador do Lucas e fui praticamente esperar na porta pra ele acordar e eu poder dar a notícia! O problema é que ele nunca acorda no primeiro toque do despertador e depois de ele apertar o “soneca” pela terceira vez eu não aguentei e fui lá acordar ele! hahahaha
Disse pra ele: “amor, você não vai poder ir na reunião das 9…Estou em Trabalho de Parto” (agora sim, em voz alta!) e ele respondeu “ótimo, então vou dormir mais uma horinha!” hahahahahaha
Ele até virou pro lado e colocou o travesseiro em cima da cabeça, mas CLARO que não conseguiu continuar dormindo! rs Logo levantou, acordou a Silvia (“tá na hora de começar a trabalhar!”) e aí nosso dia começou!

Nesse momento as coisas ainda estavam iguais: contrações mais ou menos a cada 10 minutos, totalmente suportáveis, quase não “sentíveis” se eu estivesse andando… Então comemoramos, tomamos café da manhã tranquilos, arrumamos as últimas coisinhas que faltavam (coloquei a data nas lembrancinhas) e eu voltei a deitar no sofá…

Por volta das 11h30, quando eu estava conseguindo voltar a dormir um pouco, junto com uma contração senti sair um liquido e achei que tinha feito um pouco de xixi por causa da bexiga cheia contraída involuntariamente, mas quando levantei pra ir pro banheiro reparei que a “águinha quente” continuava saindo, então enquanto tentava correr de pernas fechadas (hahaha) pro banheiro, anunciei: “acho que rompeu a bolsa!!!”

E foi aí que a brincadeira começou a ficar interessante! 😉


Doula por escrito…rs




Ps.: tô escrevendo assim dividido, mas juro que não é pra fazer suspense…rs… São dois motivos: primeiro porque está complicado parar pra escrever tudo de uma tacada só e segundo que  quero registrar como lembro, com todos os detalhes que conseguir, e aí vai ficar bem gigante o negócio…
Paciência, paciência…rs

(continua aqui)

 

"Foi assim…"

Foi assim…que começou:



– Terça feira, dia 21/01, 39 semanas e 2 dias. Na consulta com o obstetra contei que minha barriga tinha baixado bastante, que vinha perdendo bem pouquinho de tampão todos os dias há algumas semanas e que as contrações de treinamento estavam ganhando ritmo e intensidade – há quase uma semana, várias vezes por dia elas vinham ritmadas (a cada 12 minutos) e acompanhadas de uma dorzinha tipo cólica mais forte, mas sempre passavam depois de um tempo…
Ele nos examinou e constatou que estava tudo bem com as duas. Deixou pedido um ultra-som pra segunda feira seguinte, quando eu estaria com 40 semanas e 1 dia, mas disse: “duvido que chegue até lá! Estamos vendo algumas boas mudanças…ela deve nascer logo!” 
Saímos felizes do consultório, mas resolvemos não contar essa fala dele pra ninguém, pra não aumentar ainda mais a ansiedade alheia que já nos cercava! rs

Mesmo depois disso não fiquei ansiosa! Naquela altura do campeonato eu já sabia que não faltava mesmo muito… já tinha reconhecido esses sintomas todos como “pródomos” e sabia que só podia esperar a hora dela…

E olha que eu tava maior que uma melancia! Quer ver? rsrss

Hahahaha



– Quinta feira, dia 23/01, 39 semanas e 4 dias. Poucas mudanças nos sintomas nos últimos dias.. o Lucas até comentou de manhã: “ihh..será que o médico se enganou??”
Eu passei o dia super bem, mas Maní estava bizarra!! Apesar da nossa rotina estar igualzinha, ela durante a manhã estava na maior depressão, murcha como fica quando percebe que vamos viajar, super cara de “Drama Queen”, só ficava deitada me olhando de canto de olho… até que no começo da tarde mudou radicalmente! Entrou numa agitação que eu nunca vi! Ficava de um lado pro outro da casa, não queria saber de brinquedo nenhum, não dava muita bola pra gente, só se agitava… se escolhia um lugar pra deitar, demorava 5 minutos pra se ajeitar e não parava nem 2 minutos deitada, logo começava a ficar inquieta de novo…
Mandei mensagem pro Lucas: “se cachorros podem ‘prever’ terremotos, poderiam também prever trabalho de parto???’
Aquele comportamento não era normal! Ou tava vindo terremoto ou a Cecília! rsrs

Além disso, a madrugada seguinte marcaria a entrada da nossa nona lua e tinha um monte de gente apostando que esse seria o marco! Eu só dizia: “será? veremos…”
Umas 8 da noite saí pra passear com a Maní e no meio da caminhada senti três contrações mais fortes, bem seguidas umas das outras e, pela primeira vez, acompanhadas de dor nas costas! Em seguida vieram umas dores esquisitas perto das costelas e achei melhor encurtar o passeio! Voltei pra casa, entrei no banho e as contrações praticamente sumiram… Entendi que não estava em trabalho de parto, mas sabia que a dor nova era uma mudança importante nos pródomos!

Nessa mesma noite recebemos dois amigos em casa pra jogar RPG – Lucas tem experiência prévia na brincadeira, mas os outros todos da mesa estavam experimentando pela primeira vez e nos divertíamos com o quão “geek” era a situação – mas, verdade seja dita, nós 4 adoramos a experiência e outras jogatinas estão sendo programadas! hehehe
Eu fiz a piada: “imagina se entro em trabalho de parto no meio do jogo?? Cecília nasceria com um carimbo de “nerd” no meio da testa!”hahahaha

Maní também jogou!



Pois foi quase isso que aconteceu…

Ficamos jogando até tarde, fomos pra cama eram quase 2 da manhã
(depois de a Silvia ter tido uma “síndrome do ninho arrumado por transferência” hahaha) e às 3: 15 eu acordei praquele que seria, finalmente, o primeiro dia de 2014! =)

(continua aqui)