"Que tu já nasceste em verso e prosa"

Ontem, as 18:12, depois de 15 horas de trabalho de parto, de chegar na clínica já em fase de transição (com 9cm de dilatação!), de ter sido muito ajudada e apoiada, de ter me sentido amada e respeitada, depois de ser forte como eu antes não suspeitava que podia ser… eu pari, num lindo parto natural, a pequena Cecília!!!

Ela nasceu com 3.290kg e 51,5cm, linda, perfeita, maravilhosa…nossa!!!

E se eu disse um milhão de vezes que estar grávida era surreal, vou ter que inventar uma palavra nova pra descrever a sensação increíble que é ter nos braços esse meu pacotinho de amor!!!!


Ps.: agradeço de coração todas as lindas mensagens que estamos recebendo de boas vindas à pequena e parabéns aos papais! Dúvido que consiga responder uma a uma, mas saibam que receber tanto amor assim faz um bem danado e nos deixa felizes demais!!! Obrigada!!
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"A dor e a delícia"

Tava aqui pensando em quão sortuda sou por estar tendo uma gravidez tão tranqüila…
Mas aí me perguntei: a gravidez é que está mega tranquila, ou a tranquilidade vem de mim mesma e facilita a experiência???
Acho que a pergunta é meio “tostinas”, sabem?!

É bem verdade que não tive nenhum problema maior, nenhuma intercorrência grave, nenhum sintoma absurdamente difícil de suportar… mas, poxa vida, tive – e tenho – um monte dos sintomas chatos normais: passei semanas enjoada o dia inteiro, ganhei umas estrias, tive dores de cabeça, passei por gripes pesadas sem poder tomar remédios, deixei de fazer coisas que queria, tenho cada vez mais incômodos, tenho contrações fortes faz tempo e outros sintomas que poderiam ter me deixado preocupada e com medo…e etc, né?! rs

Mas, sei lá, tenho a impressão de que reclamei muito pouco de tudo isso (o que é um milagre, visto que por muito tempo fui tipo a reclamadora oficial das redes sociais…rsrs) e, mais do que isso, fui aprendendo a ter muita calma pra pesquisar as causas de cada coisa e não morrer de medo por tudo, não ligar logo pra médico ou correr pra hospital…



Isso sem falar na coisa “remédica” da história!
Gente, eu era praticamente hipocondríaca, lembram?!? rs
Tomava dorflex como quem toma um cafézinho e pra qualquer sintoma chato, sempre encontrava a resposta na farmácia!

Antes mesmo de engravidar eu já tava tentando mudar um pouco isso (com ajuda da “homeopatia maridal” rs) e, claro, com as restrições da gravidez, uma parte da mudança teve que ser forçada…

Acontece que eu percebi que a mudança foi além… não parei de tomar remédio só porque “grávida não pode”. Parei mesmo aqueles que grávida pode sim!
Apesar dos enjôos diários do começo e da azia forte do final, conto nos dedos de uma mão quantas vezes recorri a algum remédio pra aliviar, por exemplo.

E pensando melhor, sinto que mudei a forma como me relaciono com meu corpo, a forma como lido com incômodos que aparecem…
Posso dizer que agora lanço mão de menos remédios e mais paciência…mais entendimento!
Algo me incomoda, ok… mas se eu sei o motivo e sei que não é sério, posso simplesmente esperar passar, tentar melhorar de uma maneira mais natural, tentar evitar uma próxima vez…

Isso é muito novo pra mim, mas tem dado bem certo!Me proporcionou grande parte dessa tranquilidade toda nos últimos meses – e isso é impagável!! 
Especialmente porque eu tinha muito medo de ter medo demais (falei disso aqui e aqui)
E agora que tá quase acabando a gravidez é bom demais olhar pra trás e perceber que superei isso… superei o medo, esqueci dele e vivi plenamente o que tinha de gostoso pra viver nessa experiência – ou melhor, estou vivendo, né?! Ainda não acabou! rs


E não posso deixar de relacionar essas mudanças internas com meu caminho em direção a um parto natural…
Se antes eu não suportava nem um começo de uma dor qualquer, agora lido de forma muito diferente com as reações que meu corpo tem.. 
Sei que isso vai ser fundamental no momento de passar pelo trabalho de parto! Porque se antes eu era do time “acho um absurdo sentir dor”, hoje sou do time “mas vamos entender porque isso dói” (rs).
E sei também da importância que isso terá ao enfrentar as contrações, da importância de não negar a dor e não lutar contra ela, mas reconhecê-la como parte do processo, saber que cada dor é uma onda cujo objetivo é trazer nossa filha mais pra perto de nós! 
Agora tenho informação suficiente pra deixar o meu corpo fazer o trabalho dele – mesmo que doa! Resta saber se terei força pra não interferir, pra só ajudar e deixar acontecer dessa que, cada vez mais eu tenho certeza, é a melhor maneira de trazer nossa filha ao mundo…!!!
Cenas dos próximos capítulos! (seguuuura curiosidade!! hehehe)


Porque dizem que DÓI, mas que é bom DEMAIS!!!
(Imagem daqui)




ps.: desculpaê se o texto tá mal escrito, desconexo, mal articulado, com erros banais de gramática… não é falta de revisão, juro! É falta de cérebro!! rs


ps.2: acabei de escrever esse textão sobre quão pouco eu reclamo, mas preciso confessar: nos últimos dias marido deu pra me chamar de “reclamona da menopausa”… não tô dando conta do calor absurdo (que muitas vezes só eu sinto), não, minha gente! hahahaha

"Querido Diário" – 32 semanas


Novo dia, nova semana, novo mês… merece post novo, né?! rs


De novo atrasei pra vir contar “as últimas” da gravidez e vai acabar tudo resumido nesse post longo… =( Vamos lá!

No dia 18/11 começamos o curso com a matrona! E o negócio é tão bom, mas tão bom, que várias vezes durante a primeira aula meu olho enchia de lágrima (já falei que virei chorona??? hahaha) de emoção por estar ouvindo aquilo! 
A Pascale (que é quem dá o curso e será minha matrona!!!) é tipo a personificação de TUDO que venho lendo, aprendendo e desejando pro meu parto!!! Juro!! É lindo!! rs
Saí de lá me sentindo tranquila e “encontrada”…foi um alívio sem tamanho encontrar aqui no Chile e, melhor, na minha equipe, essa mentalidade super humanizada que busco pro meu parto!!!
Fora que é bem divertido conhecer outros casais grávidos e tão diferentes.. uns super “ativistas” e outros que passam a aula com cara de pânico e quase choram quando ouvem falar de contração..rsrs

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A diabete tá super controladinha! Tanto que médico e nutricionista me liberaram um pouco: a nutri aumentou um pouco a quantidade de carboidratos no almoço e na janta e o médico mudou minhas medições de glicemia de 3 pra só 1 vez por dia! =)
Até agora todas as medições estiveram bem abaixo do permitido! Quer dizer, só tive uma um tiquinho acima do que devia, mas foi por um ótimo motivo.. já já eu conto!rs

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Os sintomas chatinhos estão começando a dar as caras… 
Agora tenho um tempo máximo que consigo ficar sentada (em cadeira, carro, etc..só meu sofá se salva!).. por exemplo, um almoço num restaurante – contando caminho até lá, tempo de escolher, pedir, comer, conta, etc já tá beirando meu limite do suportável..se a coisa estender pra um bate papo, já não consigo! Começa a doer minha bunda, depois minhas pernas, depois minhas costas… Aí vai me dando mau humor e preciso sair correndo antes que vire abóbora, sabe como?? rsrs
Essa semana estive MUITO cansada! Tudo que eu começava a fazer só aguentava tranquila por uns 5 minutos, aí já batia um quase desespero pra parar, sentar e descansar… tudo! Passeio com a Maní, pilates, janta, até banho…rs
Também essa semana comecei a ter azia no final do dia (antes do jantar) e a acordar com dor nas costas (acho que preciso rever minha posição de dormir…)

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Cecília tá “meio” apertadinha aqui dentro…sinto seus movimentos com muito mais força e intensidade agora!! E em momentos que não sentia antes, como quando estou fazendo caminhada…
Essa força toda às vezes incomoda, confesso, mas ainda não comecei a sentir os tais chutes doloridos na costela! Aliás, dizem as (más?) línguas que minha barriga tá super baixa e que a essa altura não deve subir mais, então é possível que eu nem venham a sentir tais dores… Veremos!

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Na semana passada recebi a visita mega especial dos meus pais!! Eles vieram passar 4 dias aqui com a gente só pra ver e paparicar a barriga! E foi exatamente o que a gente fez! Nada de turismo, quase nada de passeio… só ficar juntinho, conversar muito, matar a saudade, mimar muito a Gabi (hahaha)… Foi gostoso DEMAIS!!! Pena que passa tão rápido!
Ah! Ano passado eles vieram com a mala carregada de guloseimas pra mim, já esse ano vieram cheios de presentes pra Cecília (e uns pra mim tb…hehehe)

Abraço bom com jeito de colo!

Maní felizona com a chegada deles!
Caras inchadas de despedida!



Maní triste porque eles tavam indo…

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E no meio desses dias de visita o Lucas e uns amigos organizaram nosso Baby Shower!
TOTAL e ABSOLUTAMENTE SURPRESA!!!
Se o Lucas já é ótimo em me fazer surpresas normalmente, imagina com a cabeça lerda de grávida aqui?!?! hahaha
Foi muito legal, muito lindo e não desconfiei nem por um milisegundo de nada!!! Não preciso nem tentar descrever a emoção, né?!
(Quando estiver com as fotos faço um post só do chá, porque merece!!!)
Ah! Claro que foi no dia seguinte ao chá que minha glicemia saiu alteradinha, né?! Não seria justo me controlar e ficar sem brigadeiro, beijinho, coxinha, bolinha de queijo….rs Mas juro que não abusei! Só não passei vontade!

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Sexta foi embora a cama de visitas que ainda habitava o já quarto da Cecília – e aí começamos os preparativos!!!

Adesivo de parede colocado!


Armário só com as coisas dela!!


Ficou tão lindo o adesivo que todo vez que passo pela porta do quarto paro um pouquinho e dou uma babada! Tô apaixonada!! hehehe

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E pra terminar, hoje completamos 32 semanas!

Foto de hoje


E agora tô oficialmente no período de “falta pouco, mas ainda falta taaaanto!!!” rsrsrs
32 semanas significam que ela pode nascer entre 6 e 10 semanas de agora! E, gente, 6 semanas é muito pouco, né, não?!? hahaha
Mas na verdade já combinei com ela: Cecília só pode nascer a partir das 39 semanas, porque antes disso meu médico e minha matrona (dos sonhos!) estarão de férias! Por isso, nada de pressa!! rs

Essa semana temos consulta com o médico, aí volto pra contar! 😉

Beijos em todos!!

"Encontrar a mais justa adequação"

Como eu ia dizendo…rs

(ps1.: comecei a escrever o texto e me surpreendi… percebi que mais do que uma jornada de informação, tem sido um caminho de reconhecer e buscar pelos meus quereres e desejos! Acho que é a primeira vez que “luto” assim, com tanto gosto, por mim! =)
ps.2: “ps.” no começo do texto…pode isso produção?? rs)

Comecei minha jornada rumo ao parto sabendo que queria parto normal, mas sem ter argumentos racionais para tal querer..
Eu só sabia que queria participar do parto da minha filha, não queria só assistir, queria ter um papel ativo no parto – e nessa altura do campeonato eu nem tinha ainda ouvido falar no livro ou no conceito do “Parto Ativo” da Janet Balaskas… era só um desejo leigo mesmo…rs


Comecei ontem a leitura do livro, e já super recomendo! rs


Logo me deparei com a segunda vontade: queria ter meu bebê nos meus braços, de preferência pele a pele, assim que ele nascesse! E eu ainda não sabia das inúmeras vantagens da amamentação na primeira hora de vida do recém-nascido, portanto ainda não tinha incluído essa parte na lista… (agora já está lá, claro…rs)

Um pouco mais pra frente fui descobrindo os vídeos de partos domiciliares e me encantando com o amor que vídeos assim transmitiam e, especialmente, com como é forte a parceria entre marido/mulher – futuros pai/mãe – durante um trabalho de parto desses!
Me encantei um monte, mas nunca criei coragem pra querer um assim pra mim… 
Acho que pra um parto acontecer tranquilo os pais tem que estar num ambiente em que se sintam seguros, pra alguns isso é em casa, pra nós, ainda é no hospital… Mas tirei desses vídeos o aumento da importância que tem agora a presença do Lucas durante todo o processo!

Com essa linha de raciocínio, lá no comecinho eu tracei um plano que me acompanhou por mais da metade do caminho até aqui:
Eu queria meu parto no hospital, onde me sentiria mais segura, com meu marido do meu lado o tempo todo, queria ter a opção de tomar anestesia – mas num nível “ajustado”, pra fazer as dores suportáveis, mas sem perder os movimentos das pernas e as sensações das contrações e da saída do bebê.. além disso, queria um parto humanizado, um parto em que eu e bebê fossemos respeitados, em que pudéssemos ter um ambiente tranquilo, de luzes baixas, de pouca manipulação pós nascimento, etc…



E por muito tempo isso era basicamente o que eu queria – e, na verdade, esse é ainda o “mínimo” que espero do meu parto..se for assim, já estou minimamente satisfeita. rs

A essa altura eu já tinha mais argumentos para os quereres: eu já sabia que a recuperação do parto normal é muito mais rápida do que a de uma cirurgia; eu já sabia que a “massagem” que o pulmão do bebê recebe na passagem pelo canal do parto é fundamental para sua boa saúde na vida; eu já sabia que o parto normal reduz, no bebê, os riscos de alergias e aumenta, na mãe, a secreção de hormônios responsáveis pelo apego, pela boa amamentação, pela recuperação… 
Eu sabia que, após passar pelo trabalho de parto, o nascimento é um pouco menos “chocante” para o bebê – já que foi ele quem “avisou o corpo da mãe” que estava pronto pra nascer e começou “os trabalhos”…e já que assim ele passa pelo processo como foi feito pra ser: trabalhando junto com a mãe – o que também contribui ainda mais para o vínculo dos dois! 
E eu já sabia o quão importante era pra mim conseguir passar por tudo isso, me saber mulher-bicho-fêmea, capaz de “suportar a dor” e parir meu próprio bebê!

Até aí, tudo ótimo!

Massss…..

Conforme fui lendo e aprendendo mais, fui começando a querer mais, sabe?!

Aprendi, por exemplo, que as intervenções “normais e de rotina” que se fazem num hospital geralmente vêm em cascata.
Por exemplo: Quando a grávida é “obrigada” a fica deitada na cama durante o trabalho de parto (pra facilitar o monitoramento fetal), as dores são muito mais difíceis de serem suportadas e, sem a ajuda de movimentos e da gravidade (sim!), o processo é muito mais lento – dessa forma, a maioria pede logo pra tomar anestesia!
Uma vez anestesiada, o alívio é fantástico (dizem e eu não dúvido! rs). Só que com o alívio, pode também vir uma desaceleração do trabalho de parto, diminuição da frequência e da intensidade das contrações… o que, a essa altura, ninguém quer, né?! Aí a solução é aplicar soro com ocitocina sintética, que nada mais é do que um hormônio sintético utilizado pra acelerar e intensificar o trabalho de parto. Lindo, né?! 
Só que não… porque como aumenta a intensidade da coisa, a ocitocina sintética pode dar muito mais dor, e levar a mãe a pedir mais anestesia – sacou a bola de neve?
Fora que a intensidade “artificialmente provocada” desse trabalho de parto pode ser demais para o bebê, que acaba tendo que suportar contrações muito mais fortes e com menos tempo pra descansar entre elas. Resultado? Chances de o bebê entrar em sofrimento fetal (ou seja, bruscas e preocupantes alterações no ritmo de seus batimentos cardíacos) e grande chance de esse parto acabar precisando de mais “ajuda”, como de um fórceps ou até mesmo de ter que virar uma cesárea… 


Daí que os procedimentos que eu considerava normais e que não me incomodavam, passaram a me deixar um pouco com o pé atrás…
E, de pé atrás, fui me interessando mais e mais pelo parto natural… e é nesse ponto que me encontro agora!rs

Agora eu quero um parto em que eu possa me movimentar como me sentir mais confortável na hora da dor, quero, quem sabe, poder evitar a anestesia (será que eu aguento???), quero o menor número de intervenções possíveis – em mim e na minha filha, quero que o cordão umbilical não seja imediatamente cortado, quero me sentir respeitada e tranquila durante o processo…

Será que tô pedindo demais pra um parto hospitalar?? rs

Confesso que, por enquanto, esse caminho todo está mais na teoria e no desejo do que na prática, o que ainda me deixa insegura, claro…
Mas novembro é nosso mês! Agora vou começar os cursos na maternidade (pra conhecer direitinho os esquemas e “procedimentos padrões” deles), vamos fazer o curso com a matrona que vai acompanhar meu parto (que, pelo site dela, é super nesse caminho do que eu quero – o que me deixa MUITO feliz!), vou começar a discutir os planos de parto com o médico, etc…

E, oh, ainda tem assunto pra falar sobre esse tema, hein?!
Ainda tem as preparações, os medos, as precauções, os cuidados, os acompanhantes, etc, etc, etc…

Logo eu volto pra mais, aguardem! rs

ps.3: esse texto tá sem fontes e informações científicas porque é um resumo do meu entendimento da coisa… linkei alguns sites bacanas ao longo do post, cujas leituras recomendo muito! Mas se alguém quiser aprofundar algum tema, trazer mais informações importantes (ou mais corretas..), saber melhor sobre algo, ou simplesmente bater papo sobre isso tudo, é só me falar que vou adorar a troca de informações, ok?! 😉

"Pra começar…"

Já comecei a contar nesse post aqui da minha busca pelo parto normal e da coisa assustadora em que se transformou a “situação obstétrica” no Brasil – e no Chile também, diga-se de passagem.

Pois bem, eu obviamente ainda estou mergulhada nesse assunto e por isso vou continuar o blablabla! hehehe

Como eu disse , o principal caminho para poder ter meu parto normal é me munir de informação, muita informação! 
Explico: não basta querer ter um parto normal, é importante entender como ele acontece, por quais etapas ele está composto, quais são os sinais de seu início, quais sintomas são ou não normais de se sentir durante ele, quais procedimentos são ou não necessários, os tempos, as sensações, os medos que podem vir, as possibilidades de analgesia…. enfim, se apropriar e entender que lhufas é isso de parto normal pra tentar desmistificar tudo que está tão incrustado na gente por histórias de famílias/amigos, filmes, novelas, etc; pra tentar deixar menos desconhecido esse momento tão importante e tentar sentir menos medo na hora H – até porque, quanto mais relaxada estiver a mulher, melhor vão fluir os hormônios necessários e melhor será o parto! E, acreditem, mesmo com esse caminhão de informações, acho difícil não sentir medo…rs Mas o importante é que esse medo seja saudável, seja “superável” e não “paralizador”!





Mais além disso, é importante também se entupir de informação pra entender que o parto pode – e deve – ser da mãe e do bebê, e não do médico! E pra não ter o seu parto “roubado” (a existência dessa expressão, aliás, me dá até frio na espinha!!) a mãe tem sim que saber de cor todas as desculpas que os obstetras vivem dando por aí pra convencer as mulheres de que a cesárea é a melhor opção! E isso você aprende lendo as histórias, os relatos, os grupos de discussão, os blogs, etc.. Você aprende se inconformando com o montão de absurdos que saem por aí e também se surpreendendo ao saber – através de profissionais confiáveis e evidências científicas provadas – que algumas coisas que você sempre escutou e achava que faziam sentido, não são verdades!

E aqui cabe um parênteses bastante importante: nesse caminho de aprender “de quais desculpas fugir” é muito importante estar aberta pra aprender também quais sintomas não podem ser ignorados! Aprender o que pode tornar uma gravidez tranquila em uma gravidez de risco e quais são as reais indicações de uma cirurgia cesariana pode ser a diferença entre a vida e a morte e entre uma cesárea com ou sem “sentimento de culpa”!
Porque eu fico aqui no blablabla de como eu acho parto normal muito melhor, mas eu não sou radical em nada, não! Eu sei que a cesárea pode ser necessária (em média em 15% dos partos, segundo a OMS) e totalmente capaz de salvar vidas!!! Por isso considero importante saber fugir de uma “desne-cesárea” tanto quanto saber reconhecer quando ela é fundamental! E aí, mais uma vez, a chave está na informação!

Um dos melhores links sobre esse assunto é esse post do blog “Estuda, Melania, estuda!”
Tem listadinho os pontos mais importantes desses dois lados da moeda! 😉


Tuuuudo isso (rs) pra dizer que comecei essa jornada de gestação-parto sabendo que preferiria ter um parto normal, mas sem ter muitas justificativas para esse querer… e no caminho não só fui descobrindo em mim as tais razões, quanto incorporando um monte de outros motivos pra seguir nessa “luta”!
Mas como acabei falando um pouco demais (rs) na introdução vou deixar meu trajeto e minha lista pra amanhã, ok?! hehehe

"Pelo cordão perdido"

Desde antes de engravidar resolvi mergulhar de cabeça no mundo teórico da maternidade: passei a ler mil textos, ver mil programas e vídeos, acompanhar um milhão de blogs…
Foi assim que descobri (ou entendi) alguns conceitos que já me atraiam, mas sobre os quais eu sabia muito pouco, como o que é maternidade ativa, criação com apego  ou ainda amamentação em livre demanda… (todos linkeados com sites que eu gosto muito, pra quem quiser saber mais a respeito!)
Fui lendo, me informando, dividindo com o marido (que também se interessa um monte por essas coisas) e tirando de cada um o que nos interessava como bacana ou possível pra nossa casa…e é assim que vamos, aos poucos, planejando como será nossa vida em alguns meses mais…

Foi assim também que descobri que o desconforto que sentia com a idéia de uma cesariana tinha fundamento – e muito, e que outras maneiras de parir eram possíveis e, acreditem, na grande maioria dos casos, muito melhor!!!
E, claro, descobri junto que parto normal no Brasil, de normal já não tem mais nada!

Entrei nesse mundo e fiquei assustada com os depoimentos e histórias, com todo o lenga-lenga (aliás, esse blog linkado aqui tem um montão de conteúdo bacana sobre o assunto!) que os médicos “cesaristas” não se cansam de jogar nas gestantes que, num dos momentos mais vulneráveis de suas vidas, quase nunca conseguem mesmo fugir… 
Entendi que teria que me entupir de informações e ir armada lutar pelo parto normal que quero (e vou!!!) ter! Por isso continuo lendo tudo o que aparece pela frente sobre o assunto!


Aí, mês passado fui pro Brasil (já grávida, claro..rs) e nas conversas sobre a gestação, quando dizia que vou ter parto normal as respostas eram sempre as mesmas: “você vai tentar, né?! não dá pra saber”, “ah, mas não confia muito porque é muito difícil conseguir normal”, “daqui uns meses a gente conversa”, e etc, etc, etc… Todos vindo de pessoas queridas, inteligentes, informadas, cultas… a enorme maioria mulheres já mães…
No começo eu até tentei argumentar, defender meu ponto de vista, mas, verdade seja dita, eu não sei ser ativista de nada e logo cansei… ouvia os comentários com o clássico “sorri e acena” e ok…

Depois, pensando, fiquei super chocada ao perceber que, com exceção de um número mínimo de amigas (4 que consegui pensar até agora) NINGUÉM do meu círculo social teve parto normal! NINGUÉM! E estou falando de diferentes classes, idades, gerações, formações, ocupações, cidades de origem e cidade de parto… estou falando de um monte de mulheres que “tiveram que ir pra cesárea”. Todas foram convencidas pelos médicos que haviam motivos reais para a necessidade da cirurgia. Todas! E, claro, todas acreditaram nos médicos e foram operadas com a convicção de que assim foi melhor para mãe e bebê… E todas me contaram suas histórias… e eu, que não me canso de ler sobre o assunto, ouvi todas as histórias sabendo que a enorme maioria delas incluía justificativas que hoje em dia são sabidamente erradas, mentiras, maldade do médico ou não, não importa… De todas essas mulheres, penso em pouquíssimas (talvez 1 ou 2) que, baseado nos critérios que se sabem hoje, realmente precisariam ter feito a cesárea. 
E quem sou eu pra dizer isso pra elas, não é?!

Pois é…

Só que eu fico pensando em todos os partos que ainda virão – os meus inclusive – e me assusta pensar que essa cultura está tão bem incrustada na nossa sociedade que essa lógica ainda tende a continuar se repetindo quase que infinitamente…
E aí eu percebo que eu, que não sou ativista de nada e que odeio me meter em polêmicas, preciso também fazer alguma coisa… preciso dizer – pra quem quiser me ler, não importa – que está errado! Que não é assim! Que parto normal é normal, sim! Que a natureza é incrível e nós somos sim capazes!
Que anormal é o número assustador de partos cirúrgicos que são feitos no Brasil! Anormal e antinatural é ter que, literalmente, lutar pra poder parir da maneira que fomos feitas pra parir!!! 
A responsabilidade talvez não seja de nós, mães e filhos(as), mas a mudança pode estar nas nossas mãos, sim!

E, militante ou não, as informações estão aí e sinto que preciso ajudar a divulgá-las: são informações jornalísticas, científicas… com bases e pesquisas que deveriam ser suficientes pra que fossem levadas a sério!

Os deixo, pra começar a pensar no assunto, com um texto excelente que saiu na Época semana passada: “A luta pelo parto normal” – atentem-se para os benefícios do parto normal e para o números chocantes: a OMS recomenda que uma média de 15% dos partos sejam cesáreas, casos em que realmente há complicações e a cirurgia se faz necessária! No Brasil esse número é absurdamente mais alto e nas regiões sul e sudeste, na rede particular, a porcentagem vai lá pra casa dos 90%! 90!!!! Não é possível!! Qual a justificativa? Que as mulheres dessas regiões sofreram algum tipo de mutação genética e, por isso, 90% delas tem problemas em seu corpo que impossibilitam o nascimento de seus filhos por partos vaginais normais?? Não é possível e é absurdo!!!

Deixo-os também com a informação de que está em cartaz em várias cidades do Brasil o documentário “O renascimento do parto”

Imagem que me enche os olhos de lágrima! Daqui



No site você encontra as informações de onde assistir, além dos dados científicos em que se baseia o filme e os mitos todos que, não sei você, mas eu estou cansada de ouvir!!!

Aqui, o trailer:



O filme está sendo selecionado pra uma série de festivais, sendo super bem falado pelo público e me deixando morrendo de vontade de ver…
Infelizmente vou ter que esperar sair em dvd (e alguém me mandar por correio..rs), mas se estivesse em São Paulo, não perderia por nada!!!
E aproveitaria e levaria um monte de gente pra ver…começando pelas mulheres que ainda serão mães, pra depois tentar levar também todas essas mulheres de quem falei lá em cima…
Imagino que assisti-lo seja um experiência difícil, assustadora e ao mesmo tempo, libertadora (aliás, imagino, não! Isso é o que tenho lido em um montão de depoimentos de mãe e pais que já assistiram…rs)

Bom, agora que cutuquei a ferida, sei que vou voltar a falar do tema… aguardem – ou fujam… como preferirem…rs

Beijos!