Merda

Este é, sem dúvida, o post mais difícil que já escrevi – não só no blog, mas talvez na vida. O frio na barriga de clicar no “postar” acho que vai ser quase uma gastrite, mas publicar este texto é justamente o que dá sentido à ele, e como sentido é justamente o que venho buscando, vamos lá!


Recebi alguns elogios com relação à minha sinceridade aqui no blog, com quem lê e comigo mesma, mas a verdade é que a grande coisa que não sai da minha cabeça nas últimas semanas só foi muito levemente comentada… Mas sei lá, acho que resolvi que “chega de esconder minhas fraquezas”, chega de covardia… Até porque estou farta da minha covardia, então vamos começar a luta contra ela por aqui, contando pra todo mundo que quiser ler o grande caos que sou!
Já tô avisando de antemão pra que possam desistir já da leitura se o objetivo da sua presença neste blog é saber sobre o Chile, sobre vida no exterior, ou qualquer outra coisa. Porque este post vai ser pessoal! Muito pessoal. Talvez até melodramático. Mas ele vai sair!


Há anos e anos venho tentando descobrir o que eu quero “ser quando crescer”, procurando ter na vida profissional a mesma tranquilidade que tenho na vida pessoal. Encontrei o Lucas e casei com ele na certeza de quero estar ao lado dele e tê-lo comigo todos os dias da minha vida, pra sempre! 
Mas não consigo encontrar uma profissão que eu deseje, um sonho pelo qual valha a pena as dificuldades do dia a dia. Não era a T.O., não é o AV (isso mesmo, não é o AV – primeira confissão do post)…e é o que então??? 
Levar a faculdade na USP estava cômodo, porque, diferente da TO, estar ou não satisfeita com a profissão afetava só à mim (e não há possíveis pacientes) e continuar fazendo só pra me formar, ter uma profissão e trabalho e depois ir atrás do tal segredo mágico era bastante possível.
Mas aí, chegando na faculdade nova, tendo que encarar mais dois anos (ah! talvez 3, veja só…) de muitas aulas – muito mais crédito do que faria antes – muito trabalho, provas, professores mais chatos e mais exigentes do que os que eu tinha e gostava… bom, digamos que isso acabou cutucando minha ferida que tava quietinha… Cutucando não, tirando toda a casquinha e deixando sangrando pra caramba!
Ir para aquelas aulas com os simples objetivos de “me socializar no Chile”(fail, btw) e tirar o diploma (que agora corre o risco de ser fail tb) tá difícil… quase torturante, na verdade! (já que estamos na verdade…) Estudar cinema aqui tem me exigido uma energia que não tenho de onde tirar e a crise tá braba (avisei que seria melodrama).
Saio e chego em casa super de mau humor, choro e só me recupero depois de algum tempinho podendo esquecer essas coisas e curtindo a “vida pessoal”. Sinceramente, acho que nem o Lucas, nem a Maní, nem a faxineira e nem eu merecemos essa Gabi em casa 6 dias por semana!


Mas o problema maior da crise é – de volta a 2006 – não saber o que fazer no lugar disso…ou o que fazer pra amenizar isso – visto que preciso, de um jeito ou de outro, de um diploma logo!
Fico me sentindo presa num buraco sem saída, no qual eu sei que não quero seguir em frente, mas em que não consigo encontrar uma saída alternativa.
Me falta energia pro AV porque não é aquilo que eu amo fazer. Mas afinal, o que eu amo fazer???
Pensei em alguma coisa com os animais (desde aqui) , mas também não era exatamente uma resposta…




Mas. sabe, a verdade é que lá trás, eu não parecia sofrer desse problema:






Esse vídeo é da gravação da primeira peça que fiz no Teatro Escola Macunaíma, “O Brasileiro”, essa é a roda do “Merda!”de antes da peça.
Faz 10 anos! E 10 anos é tempo à beça, mas o que será que mudou?


Bom, aproveitei a vinda da minha mãe pra conversar bastante, inclusive sobre isso, claro!
Não há dúvidas de que o eu sentia quando fazia teatro era amor! Talvez justamente por saber como era sentir isso por alguma atividade é que seja tão difícil viver em uma na qual eu não sinto…
Não sei dizer por que ou quando esse encantamento todo passou, mas o fato é que em 2004 decidi parar de fazer teatro – parar o curso profissionalizante que faltava pouco mais de 6 meses pra terminar e parar de vez com a atividade.


Desde que entrei na tal crise profissional, em 2006, ousava pensar muito rapidamente que devia tentar voltar pro teatro.. que talvez tivesse deixado alguma coisa lá…


Mas eu nunca tive coragem! A verdade é que sou uma grande cagona! Tenho medo de entrar numa turma nova, que eu não conheço, tenho medo de me decepcionar com a turma (porque a minha era incrível!), tenho medo de decepcionar as pessoas em volta, tenho medo de me decepcionar comigo, tenho medo de não ser boa o suficiente, tenho medo de ir lá experimentar, buscar essa tal coisa que deixei pra traz, e não encontrar e ficar sem alternativa depois…
Mas, como disse lá no começo, tá na hora de enfrentar todos estes medos: Resolvi procurar um curso de teatro aqui!!!! 
Começar no começo, só como distração e ver, afinal, o que vou encontrar…
Dei uma olhada na internet, mas ainda é difícil saber qual escola é boa e qual não é, então entrei em contato com o sindicato de atores daqui… Ainda não tive uma resposta, mas vamos ver…
Tinha pensado em escrever sobre essa decisão aqui no blog só depois que já estivesse matriculada no tal curso, mas me dei conta de que tornar público agora vai ter uma função maior: agora que todo mundo sabe, não posso mais fugir! Sou bem boa em me des-convencer de algumas coisas.. Mas dessa vez eu quero enfrentar, eu quero tentar! Por isso vou avisando, talvez eu precise de ajuda, talvez precise que me cobrem, que não me deixem desistir antes de chegar lá – juro que estou me esforçando bastante!


Não tô achando que vai ser uma solução mágica, que vai me tirar de todas as angústias com a vida e com a faculdade, pelo contrário, sei que será bem difícil, mas finalmente resolvi tentar!
Que diferenças isso vai fazer ou não na prática, não faço ideia… Como dizem meus amigos do AV: vamos acompanhar!


Mas a parte mais legal disso tudo é que, um dia depois de ter tomado essa decisão importante, chegaram pra nos visitar meus sogros e trouxeram com eles um pequeno tesouro: antes de vir pro Chile deixei alguns VHSs com eles pra passarem, um dia, pra DVD pra mim…  e o trabalho não só foi feito com rapidez e eficiência, como já chegou em minhas mãos! Resultado: passei horas do último fim de semana assistindo esses DVDs! 
Um deles é uma festinha da minha escolinha no ano de 1989, eu com 3 anos mostrando nas danças que minha descordenação é de nascença! hahahaha
Outro é um curta metragem que fiz nas épocas de atriz, bem ruinzinho por sinal…
E os outros são quase todas as peças que fizemos no Macunaíma filmadas!!!
A coincidência foi incrível! Essas peças não poderiam ter chegado em melhor momento, porque deram um apertão na saudade e um empurrão na decisão!!!

Acho que era isso que eu tinha pra dizer…apesar da dificuldade de dizer tudo isso, apesar de ainda achar que meio que não é da conta das outras pessoas, que é um problema meu e pronto…
Mas quer saber, já que resolvi mesmo ter um blog e falar mesmo sobre mim nele: tá tudo aí! De verdade! Sinceramente! Doídamente! Ridiculamente! Mas, espero, corajosamente!


Obrigada aos que realmente dedicam tempo a ler minhas baboseiras! Conto com vocês nestas empreitadas! (a do blog-bobo e a do retorno ao teatro)


Um beijo mais leve,
(próximo post: Milan Kundera!)


Gabi

"Agora sabes que sou verme…"

Nestas duas últimas duas semanas devorei dois livros: “O Físico – a epopéia de um médico medieval” de Noah Gordon, que ganhei de presente de despedida do amigo Pedro Mosca (e que tem 588 páginas!) e o “Bala na Agulha – reflexões de boteco, pastéis de memória e outras frituras”, livro de crônicas rápidas e boas de ler do Zeca Baleiro. Sim, em menos de 15, tendo aulas de segunda a sábado, li e me deliciei com os dois! Ambos são ótimos e merecedores de comentários à parte (quem sabe num outro post), mas independente dos livros, sou bem grandinha (e suficientemente analisada) pra saber que mergulhar loucamente nas páginas e nos pensamentos dos outros é o meu jeito mágico de fugir dos meus próprios pensamentos – é normal, de tempos em tempos faço este afogamento literário…
Mas aí eu percebi (ou assumi) também que estar afundada adorando um livro é mais um motivo pra poder ficar só comigo no meu mundinho, com uma boa desculpa pra que as outras pessoas atrapalhem!


Mas pera lá, não é pra culpar o livro, não! A “culpa” é só minha mesmo!!! Sou anti-social cada vez mais assumida, tenho preguiça de fazer amigos e, muitas vezes, tenho preguiça de conviver com os amigos já feitos.
Como disse uma estranha que encontrei no twitter outro dia: não é timidez, mas sim espontaneidade seletiva (via @bnclarissa). É isso, sabe, eu GOSTO de ficar sozinha! Quase sempre e desde sempre! A espontaneidade é seletiva porque de vez em quando me dá uns surtos de sociabilidade em que quero meus amigos perto (só os já amigos, vejam bem!) pra rir e falar bobagem e ficar bêbada de coca-cola, etc…


Mas são muito poucos os que eu sempre prefiro à solidão, poucos mesmo!


A Gilda, mãe da Patricia – minha madrasta – diz até hoje que não se conforma com as horas que eu era capaz de passar em baixo de uma mesa brincando sozinha quando criança. 
Entendeu? Desde sempre!
Não é pessoal, não é porque eu tô num país novo em que não falo muito bem a língua, não é porque tô com saudades de São Paulo, não é que eu não goste das pessoas. Não é porque todas elas fumam.
Eu “ainda não fiz amigos” na faculdade nova porque essa sou eu!
Até porque, acho que eu não faço amigos…eu observo de fora, por um bom tempo, até saber onde tô disposta a entrar de vez em quando. E, claro, eventualmente, acabo sendo fisgada e conquistada por pessoas interessantes e queridas!
Mas eu prefiro ficar em silêncio no meu canto, muitas horas por dia, mesmo estando em São Paulo, com as pessoas em volta falando português… É por isso, por exemplo, que no CTR eu preferia ficar no meu banquinho secreto do lado de fora e não na sala de produção! É por isso que 80% das vezes eu escolho ir pra casa à “dar uma esticadinha em algum lugar”. É por isso que eu fico offline no gtalk, no msn, no bate papo do facebook.
Desculpe se alguém se ofende com isso. De verdade, desculpe. Mas agora vocês já sabem: essa sou eu!



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Hoje conversei um pouquinho por skype com a minha filha querida, Silvinha, e ela tava me contando que vai fazer um curso de meditação em que ficará 10 dias SÓ meditando. Sem falar com ninguém, sem ver televisão, filmes, sem ler, sem usar o telefone, sem internet, sem nenhum tipo de contato com o mundo exerior. Só meditando!
Tenho certeza de que será uma experiência incrível pra ela, acho ótimo que ela vá! Mas a primeira coisa me passou pela cabeça foi: eu nunca conseguiria uma coisa dessas! (Por isso, Sil, se você consegue, aproveita!!!rs)

Depois mais a noite fiquei pensando: ué, se eu gosto tanto de ficar sozinha, só eu comigo, porque será que tenho tanta certeza de que não conseguiria fazer uma coisa dessas? Fácil! Lá eu não poderia usar nenhum método mágico de escape: sem mil livros seguidos pra ler compulsivamente; sem episódios de uma série bacana pra assistir seguidos, até doer o corpo todo na cadeira; sem nem uma musiquinha pra colocar bem alto e cantar, cantar, cantar…
A conclusão é que nessas circunstâncias eu teria muitas brigas comigo mesma! Não sei se eu me suporto tanto tempo e com tanta intensidade….rs
Mas confesso que fiquei curiosa pra saber…

Direto da zona de desconforto

Ou: mais uma conclusão semi-óbvia à qual só cheguei agora.


Respondi um comentário da minha querida anônima dizendo que às vezes temos que sair da nossa zona de conforto pra poder enxergar certas coisas. Estava me referindo à mudança ao Chile, as adaptações todas e tal, mas a tal frase acabou voltando ao longo do dia…


Pegamos nosso carro ontem! Lindo!! Novinho, brilhante, inteirinho…assim, como tem que ser…rs
E hoje tive meu primeiro “retorno à direção”. Estava super nervosa, suando e tal… comecei dirigindo pelos quarteirões mais calmos aqui em volta de casa, até cheguei a pegar uma avenida maiorzinha… Até que o Lucas disse: “agora você não vai virar, vai reto”. Só que indo reto chegávamos em uma das avenidas mais movimentadas aqui da região! Ugh! Claro que a minha resposta foi “Não!”, mas segui em frente e foi tudo bem. Aí demos mais uma volta e voltamos pra mesma avenida, mas mais de trás, precisando ultrapassar ônibus, mudar de faixa, quase ser atropelada pelo ônibus anterior (rs), ter problemas pra ficar na faixa certa, levar algumas buzinadas, etc… Depois, na hora de voltar pra casa, o Lucas me diz: “agora entra na garagem”. Nessa hora eu parei e quase desci do carro, mesmo! “Você tá louco, vai dar cagada, é o primeiro dia que eu dirijo esse carro, tenho medo desses corredores apertados (nossa vaga é no -2) até quando você tá dirigindo, imagina, nunca…”e por aí vai… Mas eu fui, né?! E putz, deu tudo certo de novo!


Aí fiquei pensando nisso: tenho carta desde 2005 (façam as contas), não dirigia faz sei lá quanto tempo e nunca, NUNCA mesmo, tinha trocado de faixa na vida ou andado em uma avenida de verdade! Todas as cagadas que eu fiz são normais e até esperadas em “novas cartas”, mas tenho quase 6 anos de carta e só algumas subidas de Serra e uns passeios na Morada das Flores pra “ganhar mais segurança”. Mas fala sério: quanto tempo teria que ter andado dentro do condomínio até me sentir segura pra ir pra rua???


Claro que, no momento da insegurança, minha primeira resposta é “não!”. E é claro que com o maridão do lado (apoiando e incentivando e ensinando) fica muito mais fácil. Mas a verdade é que se eu não me jogasse no desconforto na grande avenida ou do subsolo, talvez eu nunca chegasse lá.






Depois refleti mais um pouco (rs): isso é mais ou menos o que a gente faz em análise. Vai-se para análise justamente pra se sair do conforto (claro que pra sair do sofrimento, originalmente…rs), deita-se no divã pra cutucar as feridas, enfrentar as buzinadas e sem saber muito o que fazer com o volante em caso de crise! Mas, putz, no final, aprende-se a dirigir! (ou, pelo menos, perde-se o medo de tentar e tentar e tentar).


Vamos então! Enfrentar as ruas de dentro do meu carro automático com meu marido do lado – porque é muito mais fácil cutucar as feridas dentro do setting seguro e com um analista confiável na poltrona atrás…pelo menos pra começar! Hehehe


Ps.: Hoje completamos um mês inteiro de Chile!!! Depois faço um post especial pela data! rs



Clic

“A Gabi é uma cidadã paulistana que, diferente de algumas de nós, ama gatos! Sempre que algum resolve invadir nossa sala, cuidadosamente ela o tira. Para provar essa paixão, ela tem uma linda tatuagem na nuca em homenagem a eles. É muito misteriosa e meio reservada, mas possui opiniões fortes e tocantes. Com certeza vocês a verão passeando pela bela Federal com seu grande (e ele é grande mesmo, viu!) namorado Jack.”



O texto acima foi escrito no final de 2005 pra ilustrar o livro de recepção dos bixos que entravam na TO em 2006. Fizemos um sorteio na sala, e cada T.O. 05 deveria escrever algo que apresentasse a colega sorteada para os novos alunos. Quem escreveu sobre mim foi a Lilian, chaveirinho da turma, como era conhecida.
Na semana passada uma outra colega da TO 05, Tati K., encontrou esse tal livro e publicou esses textos no facebook com a legenda “Será que mudamos muito?”


Fiquei pensando muito a respeito…


Apesar de toda a  confusão TO ou não TO que me surgiu depois, quando entrei no curso, além do encanto com a Federal, estava também bastante satisfeita com a profissão escolhida e nos anos seguintes sempre pensei no de 2005 (ou na maioria dele) como um ano de satisfação, de formação da Gabi como Terapeuta Ocupacional, a crise teria vindo só depois. Mas aparentemente, essa era só a minha visão…
Agora me pareceu muito curioso que mais da metade do meu texto seja sobre meu amor pelos gatos e nem uma palavra sobre a relação com a TO ou com os estudos (diferente dos textos da maioria das outras pessoas).
Me lembrei também que pouco tempo atrás uma outra colega da TO num daqueles quiz do facebook respondeu a seguinte pergunta: “Se Gabi fosse uma médica, de que especialidade seria?” Resposta: Veterinária”.
Fora a atual “fama” pelo meu engajamento com o “Adote um Gatinho”.


Hum! Curioso de novo…


Sim, eu amo os gatos e sempre amei! Acho até que quando era criança amava também os outros animais – canários, periquitos, hamsters….até cachorro, veja só… (que já tô aprendendo a amar de novo, btw!)
Me lembro de dizer muitas vezes que só não poderia ser veterinária pois amava tanto os bichos que não seria capaz de lidar diariamente com sofrimentos e doenças deles…


Alguns outros exemplos que me vieram à mente:


Quando estava no período de maior crise com a TO, meu jeito de poder aguentar ficar mais um pouco em São Carlos (ou na TO – porque ficar em São Carlos era muito fácil…) foi pegar um gato, meu filho, meu Léo tão querido, que me deu tanta força nos 2 anos seguintes!


E agora, de mudança pro Chile, primeiro mês vivendo aqui, quando eu deveria estar me preocupando com faculdade ou coisas assim, qual a minha primeira grande crise senão a proibição do animal de estimação? E qual a maior importância dos últimos dias senão a Maní?


Tcharam!


E a frase que não sai da minha cabeça agora é : “It was always about them!”
E como é que eu posso não ter percebido???
E o que é eu que faço com isso agora que percebi???


Não estou certa se isto é um post pra ser publicado, afinal, como disse a Lilian, eu sou misteriosa e reservada (sim, ela estava certa sobre isso também!).
Acho que se trata de um grande desabafo… Falta de análise talvez (rs), porque em toda minha reserva era pra lá que eu levaria essa fala toda, não pra uma conversa com algum amigo, por exemplo…


Mas sei lá, talvez agora que eu esteja longe de todas as pessoas que lêem isso aqui (os queridos que são curiosos e pacientes) fique mais fácil deixar que elas saibam desses “detalhes” sobre mim…


Ou talvez todos os anos de análise estejam dando um empurrão fenomenal aqui: de reservada pra blogueira. Do divã pra internet.


E o frio na barriga no momento de clicar “publicar”?







Um semi "Viva" à internet!

18 dias de Chile.
Saudades?
Claro!
Mas a internet ajuda demais!!! Poder falar por muito tempo com minha mãe no skype, como se fosse telefone: delícia!
Poder mandar notícias pra todo mundo pelo blog… acompanhar as notícias do povo do Brasil por facebook… Falar com queridos por email, msn, gtalk… Assistir o Oscar acompanhando os comentários ao vivo dos amigos por twitter…
Tudo isso não tem preço, faz essa coisa de adaptação ser muito mais fácil! Fico pensando como faziam os expatriados antes, quando só podiam falar por telefone, e só um pouquinho, porque custava uma fortuna. Ou antes ainda, quando era só por carta! Credo, dá saudades só de pensar!!!


E descobri que não é bobeira quando as pessoas dizem que uma das coisas que mais sentem falta é a comida local! Porque no caso dessa saudade a internet só serve pra piorar!!!!
Gezuiz!!! Como eu quero comer no outback, e comer comida japonesa com peixe cru e sem abacate (pois é!!!). Cachorro quente com as coisas que deve ter um cachorro quente! Comer comida de mãe (qualquer uma), comer o salmão com requeijão e arroz integral da sogra, comer a torta de batata da Patricia, comer Kinder Bueno decente, Kebaberia….putz.. essa lista podia continuar infinitamente!
Mas seria muita tortura, mesmo estando com a barriga muito cheia agora e é hora de dormir tranquila, não de sonhar com comida a noite inteira!


Cariños




ps.: esses dias estão mais tranquilos e sem novidades, por isso poucos post no blog…
Eu não abandonei a causa ainda não!

A intensidade das coisas

Santiago é uma cidade totalmente rodeada por cordilheiras, por um lado a dos Andes (ainda fico devendo um post sobre ela) e por outro a da Costa, e esta é a causa de um dos maiores problemas da cidade: o Smog.
Sabe aqueles dias secos de inverno, em que o SPTV mostra imagens do céu de São Paulo com aquela capa de poluição por cima? Aqui é muito pior!
Com as montanhas feito muralhas fechando toda a volta não há vento, não há circulação de ar, não há dissipação de sujeira ou de nada!
Mas, curiosamente, é justamente na cidade em que o ar não se mexe e em que as coisas não fluem que estão acontecendo as maiores movimentações e “fluências” da minha vida! 
Primeiro porque foi aqui que viemos começar nossa vida nova, longe de todas as referências, só nos dois – uma grande movimentação pra fora da zona de conforto e no sentido das nossas escolhas e da nossa felicidade.
E segundo, porque esse momento de “adaptação” tem sido pra mim um momento de muito fluxo!!!
Emocionalmente parece que nunca “senti” tanto quanto aqui; talvez por estar nesse tal momento eu me permita um pouco mais do que normalmente… Mas o fato é que aqui nenhum sentimento é simples ou fraco, tudo é sempre muito e de muita intensidade: felicidade, saudade, ansiedade, chateação, irritação, alívio, conforto, alegria, amor… Tudo em grandes pacotes tamanho Jumbo!


Mas parece que o principal mesmo é o fluxo de pensamentos. É incrível como muita coisa pode acontecer enquanto você está esperando que algo efetivamente aconteça! A verdade é que venho esperando há um tempo: esperando saber pra onde ia, depois esperando vir pro Chile, agora esperando as aulas começarem…
Mas magicamente (ou, na verdade, com muita análise) aprendi a não fazer de toda espera uma grande angústia parada e improdutiva. Coloquei meus pensamentos pra trabalhar! Primeiro servia pra aliviar a ansiedade, pesquisar, fazer planos…
Mas a parte gostosa é que agora sinto que simplesmente tenho pensado em tudo e pronto! 
Começar uma vida nova não consiste em somente planejar as novidades – ou se adaptar a elas – mas também em avaliar as partes anteriores e usar isso pra alguma coisa.


Como eu disse no outro post, é uma delícia ficar muito triste sabendo o porque da tristeza, conseguindo avaliar o quanto dela é real e o quanto dela é excesso, mas ainda assim, podendo sentí-la! E isso é novo pra mim!


Também tenho curtido muito essa coisa de avaliação do que foi a vida até aqui. Pode ser algum tipo de complexo liberado pela aproximação dos 25 anos (rs), mas realmente serve pra me fazer crescer!


E essa é a maior movimentação da minha vida na cidade inerte: sinto como se a cada dia eu crescesse um pouco mais! (em vários sentidos – aliás, amanhã começo a academia…hehehe)
Eu achava que tinha medo de virar adulta, ou tinha medo de não ser capaz de virar adulta de vez. Mas está simplesmente acontecendo, simples assim! E é incrível!




Ps.: esse post acabou ficando um pouco mais reflexivo do que deveria ser, segundo a proposta do blog…mas sabe como é, agora que eu tenho um blog (o que ainda soa um pouco estranho…rs), se um pensamento chega muito intenso ele tem um lugar pra ir e se dissipar! 

De casa nova e conflito novo

Conforme nosso planos, nos mudamos pro apartamento novo no fim de semana! O que significou vários dias andando no shopping, de loja de departamento a loja de departamento…. Horas de faxina e arrumação, e mais outras horas dessas mesmas coisas nos dias seguintes…Duas noites mal dormidas no colchão inflável… Retorno às mesmas lojas (pq esquecemos de levar embora uma parte das compras e pq a televisão que compramos não funcionava)
E apesar de todo o cansaço, felizes demais! 
Ainda faltam alguns móveis (tipo mesa, sofá, criado-mudo…) mas a casa já está super gostosa, principalmente depois que a cama chegou, ontem! Caprichamos em tudo que escolhemos – modéstia a parte! hehehe

A sala

Cozinha

Um dos quartos de visita

Nosso quarto!





De resto, bom…
Ontem o Lucas começou a trabalhar de verdade, ou melhor, começou a passar o dia todo no trabalhando (não exatamente trabalhando ainda…rs)
Ainda estamos gastando várias horas buscando os móveis que faltam pra casa e hoje faço nossa primeira “compra de mês”, pra começar a usar a cozinha de verdade…rs


Ah! O conflito do momento é a questão do mascote…
Tínhamos decidido (antes de saber que casaríamos e viríamos para o Chile) que teríamos um cachorro; pesquisamos bastante, escolhemos a raça, etc.
A notícia da mudança só reforçou esses planos, pq afinal, no nosso novo estilo de vida, morando só os dois em um país diferente, com planos de viajar bastante (tanto pra conhecer o Chile, quanto pra voltar pro Brasil de tempos em tempos), ter um cachorro parecia mais fácil do que ter um gato.
Mas tinha que ter um dos dois porque ter a companhia de um bichinho faz muito bem!(especialmente pra mim, que sou louca por eles) Me ajudaria na adaptação à vida nova e tal…
Mas com a mudança pra casa nova, tudo complicou: com a história de que no condomínio não se pode ter animal, e pelo fato de o apartamento já estar todo telado, voltei a cogitar ter gatos aqui, que são mais quietinhos e discretos, mas aí além da questão do condomínio (e se eles descobrem e mandam levar embora???), voltam todas as questões de antes, por exemplo: o que fazer com o gato quando formos passar tipo 1 mês no Brasil? Deixar esse tempo todo em hotel me parece meio cruel… E por aí vai…
Não encontro uma solução muito viável, só mais complicações. E essa situação me deixa mais chateada e brava até, do que eu podia imaginar…
O que aliás é uma característica de “expatriados”, ao que me parece… As coisas ganham forças diferentes das que elas teriam em uma situação normal, tanto as boas quanto as ruins…


E cada gasta tempo ocupando/quebrando a cabeça com as coisas que mais lhes convém…


O ideal agora seria um: vamos ver como as coisas vão caminhar agora…Mas a verdade é que estou impaciente demais pra isso!


Gabi








Ps.: Quem me conhece, reconhece na quantidade de reticências desse texto um sintoma de alguma coisa….

O Quinto Dia de Chile

Já logo de cara vou estragar o suspense e adiantar que o 5o dia não foi nada bom!


Pra começo de conversa, a busca por apartamentos parecia infinita…horas e horas de internet pra separar alguns aps interessantes e no final só conseguir marcar visita em 3.
Visitas sem sucesso, novamente (com apenas 1 apartamento podendo ser uma possibilidade remota de aluguel)…Casal super pensativo, na dúvida do que fazer…


Já tínhamos recebido a notícia de que a abertura da conta corrente não tinha rolado (pq não temos endereço fixo) e o Lucas teve que mobilizar uma galera no banco pra tentar fazer dar certo…


Paramos então pra almoçar num restaurante Peruano. Estava tranquila, num lugar seguro e pendurei minha bolsa no encosto da cadeira. Eis que uma criatura (que, segundo o preconceito dos Chilenos me ensinou, devia ser peruano ou boliviano) senta atrás de mim e, enquanto finge que está arrumando o paletó no encosto da sua cadeira, na verdade abre minha bolsa e tira minha carteira de dentro dela, enquanto uma mulher pára na nossa mesa pra fazer uma pergunta qualquer e nos distrair! Filhos da mãe! Eu senti a bolsa se mexer, olhei pra trás e pensei “Não, Gabriela, pára de neura, é só um moço arrumando o paletó” e deixei pra lá….
A sorte foi que um outro cara que estava na mesa do lado tb suspeitou da movimentação e me disse que revistasse minha bolsa quando o fulano foi embora, foi aí que dei pela falta da carteira. O Lucas e o tal que me avisou sairam correndo e gritando em um ato heróico, conseguiram assustar o ladrão que jogou minha carteira de lado e fugiu! 
Ufa! Carteira recuperada com tudo dentro e ninguém machucado!


Bem, depois do susto “terminamos de comer” (e como fica o estômago de pois disso…) e fomos munidos do contrato de trabalho do Lucas e de um papel do banco tentar novamente o celular. Claro que chegando lá aqueles papeis já não eram mais suficientes! Aí toca ligar pra gerente do banco, toca vendedor entrar mil vezes pra ver com chefe todas as possibilidades…mimimi….e novamente saimos sem celular!!!


Ah! E pra terminar o dia com chave de ouro, fomos jantar com Carlos e Begônia. Jantar super agradável, comida deliciosa, sobremesa maravilhosa… mas na hora de ir embora: o carro deles tinha tomado uma multa!!!


Ê diazinho cocô!!! Ainda bem que acabou!!


E o de hoje começou melhor….Encontramos uma apartamento muito legal e que pertence a um FuD! Vamos a noite visitar e estamos esperançosos, pq FuDs sempre se ajudam por aqui… torçam pra dar certo!!


Além disso, agora a conta do banco parece que está verdadeiramente aberta. O Lucas foi até o Santander assinar uns papéis e pegar a tal da declaração que faltou ontem pra conseguirmos o celular… Se der tudo certo, daqui a pouco ele tá de volta e com os iPhones!!


E essas são as últimas notícias chilenas!!!


Beijos!