A intensidade das coisas

Santiago é uma cidade totalmente rodeada por cordilheiras, por um lado a dos Andes (ainda fico devendo um post sobre ela) e por outro a da Costa, e esta é a causa de um dos maiores problemas da cidade: o Smog.
Sabe aqueles dias secos de inverno, em que o SPTV mostra imagens do céu de São Paulo com aquela capa de poluição por cima? Aqui é muito pior!
Com as montanhas feito muralhas fechando toda a volta não há vento, não há circulação de ar, não há dissipação de sujeira ou de nada!
Mas, curiosamente, é justamente na cidade em que o ar não se mexe e em que as coisas não fluem que estão acontecendo as maiores movimentações e “fluências” da minha vida! 
Primeiro porque foi aqui que viemos começar nossa vida nova, longe de todas as referências, só nos dois – uma grande movimentação pra fora da zona de conforto e no sentido das nossas escolhas e da nossa felicidade.
E segundo, porque esse momento de “adaptação” tem sido pra mim um momento de muito fluxo!!!
Emocionalmente parece que nunca “senti” tanto quanto aqui; talvez por estar nesse tal momento eu me permita um pouco mais do que normalmente… Mas o fato é que aqui nenhum sentimento é simples ou fraco, tudo é sempre muito e de muita intensidade: felicidade, saudade, ansiedade, chateação, irritação, alívio, conforto, alegria, amor… Tudo em grandes pacotes tamanho Jumbo!


Mas parece que o principal mesmo é o fluxo de pensamentos. É incrível como muita coisa pode acontecer enquanto você está esperando que algo efetivamente aconteça! A verdade é que venho esperando há um tempo: esperando saber pra onde ia, depois esperando vir pro Chile, agora esperando as aulas começarem…
Mas magicamente (ou, na verdade, com muita análise) aprendi a não fazer de toda espera uma grande angústia parada e improdutiva. Coloquei meus pensamentos pra trabalhar! Primeiro servia pra aliviar a ansiedade, pesquisar, fazer planos…
Mas a parte gostosa é que agora sinto que simplesmente tenho pensado em tudo e pronto! 
Começar uma vida nova não consiste em somente planejar as novidades – ou se adaptar a elas – mas também em avaliar as partes anteriores e usar isso pra alguma coisa.


Como eu disse no outro post, é uma delícia ficar muito triste sabendo o porque da tristeza, conseguindo avaliar o quanto dela é real e o quanto dela é excesso, mas ainda assim, podendo sentí-la! E isso é novo pra mim!


Também tenho curtido muito essa coisa de avaliação do que foi a vida até aqui. Pode ser algum tipo de complexo liberado pela aproximação dos 25 anos (rs), mas realmente serve pra me fazer crescer!


E essa é a maior movimentação da minha vida na cidade inerte: sinto como se a cada dia eu crescesse um pouco mais! (em vários sentidos – aliás, amanhã começo a academia…hehehe)
Eu achava que tinha medo de virar adulta, ou tinha medo de não ser capaz de virar adulta de vez. Mas está simplesmente acontecendo, simples assim! E é incrível!




Ps.: esse post acabou ficando um pouco mais reflexivo do que deveria ser, segundo a proposta do blog…mas sabe como é, agora que eu tenho um blog (o que ainda soa um pouco estranho…rs), se um pensamento chega muito intenso ele tem um lugar pra ir e se dissipar! 

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5 pensamentos sobre “A intensidade das coisas

  1. Gabi, o bom da vida é isso. Todo dia nós aprendemos alguma coisa de nós mesmo. Nunca seremos o que éramos ontem (ainda bem). Todas estas mudanças nos ajudam a crescer e a compreender o mundo a nossa volta (muita reflexão para o meu gosto mas foi você que começou kkkkk).
    Um grande abraço e aprendam a apreciar um bom vinho, porque o Chile tem muito.

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  2. cora, eh bom ler suas palavras e me encontrar nelas, saber que estamos passando 'juntos' por um momento tao importante. isso nos une um pouco mais, de certa forma, e me conforta tbm! estranhos sentimentos! rs

    bjs!

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  3. “Eu achava que tinha medo de virar adulta, ou tinha medo de não ser capaz de virar adulta de vez. Mas está simplesmente acontecendo, simples assim! E é incrível!” – Me identifiquei! Rs Engraçado como a aproximação dos 25 anos tão marcando em mim tbm uma série de transformções e reflexões! Amo vc, sempre juntas, né? Beijos

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  4. Hibriam, já que a culpa é minha, reflexões são muito bem vindas!!! Hehehe

    Acredita que ainda não tomamos vinho??? Preciso correr atrás disso, urgente! rs

    Cora, é assim que eu me sinto lendo seus emails com as notícias do cú do mundo! Acho engraçado que lugares tão distantes e tão diferentes possam acabar colocando nós dois no mesmo lugar! Tô aprendendo a gostar (de vez em quando, confesso…rs) de estranhos sentimentos!

    E falando em estar no mesmo lugar, viu só, Ná? Vc nem precisou vir pra Santiago (ainda!) pra estar juntas novamente!!!

    Beijos, queridos…

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