“E onde a pura natura”

Entonces que ontem tivemos consulta com a médica e levamos nosso Plano de Parto pra ela.

Apesar de falarmos bastante sobre o tema em todas as consultas, achei que seria importante levar o negócio escritin, tim-tim por tim-tim. Então peguei o do parto da Cecília, fiz alguns ajustes pertinentes e pronto.

Daí que ela começou a ler o negócio e ficou até quase que meio ofendida, por assim dizer…rsrs

Ela ficou chocada, com “asco”, chateada mesmo de ler aquilo tudo que pedíamos que não fosse feito… Nas palavras dela “que chocante pensar em tudo o que as mulheres precisam se preocupar e escrever pra se proteger, quando eu sei que o meu trabalho é fazer o menos possível, pra não desequilibrar nada e tudo sair bem!”

Ela é alemã e apesar de estar há um tempinho na Espanha, a formação dela é de lá e muito diferente da que vemos como padrão por aqui (e no Brasil, né?!); além disso, a enorme maioria das pacientes dela são estrangeiras e tampouco precisam se preocupar muito com coisas que a nós saltam tanto, por isso o choque!

 

É muito triste mesmo, né, pensar que temos que fazer um documento (em alguns lugares protocolado como documento oficial mesmo) pra tentar nos proteger de absurdos tão grandes e tão rotineiros, num momento tão delicado e tão natural…

(tão triste que não consigo ignorar e simplesmente não falar sobre o assunto, né?! #ativistafeelings rs)

 

Enfim, explicamos pra ela que era um modelo genérico, que de onde a gente vem (e inclusive onde pari antes) essas coisas são importantes de serem ditas e pedidas e tal… Foi uma boa conversa! E, sim, o plano de parto foi discutido item por item, esclarecemos coisas que precisávamos e etc. Produtivo!

Produtivo também pro meu amigo cérebro, que ficou pensando nas expectativas pra esse parto e chegou a uma conclusão importante: nesse parto eu quero sentir MAIS!

 

Antes do parto da Cecília quando questionada sobre o porquê de querer ter um parto normal uma das minhas principais respostas era “porque eu tenho curiosidade. quero saber como é. quero sentir. quero experimentar”. E eu consegui, senti, contraí, pari…!!!

 

Pois bem, dessa vez quero sentir MAIS!

Gostaria de sentir os tais puxos involuntários, de ouvir o tal ploft da bolsa estourando, de sentir (talvez, quem sabe, esse eu não tenho tanta certeza! hahaha) o “círculo de fogo”, a cabecinha do bebê saindo (não me lembro de ter sentido, acreditam?!?! Só lembro do corpinho escorregando) e, principalmente de sentir e guardar na memória o tão famoso cheirinho do vernix! (quase coloquei no plano de parto: me lembrem de cheirar ele!!! hehehe)

Óbvio que essas sensações todas não são escolhíveis, mas não custa desejar, né?! 🙂

Ah!! Também quero ser eu a cortar o cordão (morro de curiosidade de sentir a textura e o Lucas já fez isso da primeira vez) e, se possível, quero eu mesma pegar meu bebê logo na saída (se é que vocês me entendem – porque não consegui desenvolver a frase de um jeito melhor que esse..hahaha)

Quereres definidos. Veremos como será o “aconteceres“! hehehe

 

ps.: Faltou acrescentar ontem um dos maiores “quereres” dessa lista (deve ser ato falho, só pode! rs)

Quero MUITO conseguir me entregar mais, desligar mais a cabeça, deixar mais meu corpo tomar conta, curtir de verdade a tal da partolândia! Acho, inclusive, que esse é um caminho pra ter mais as sensações que senti falta no parto anterior, né?!

Será que eu consigo virar bicho-mamífera e me entregar profundamente dessa vez??

 

 

“Bom conselho”

Sim, sim…sei que se “conselho fosse bom..blablabla”… Mas hoje tô toda generosa e quero dar umas dicas preciosas pra vocês! Juro que são ótimos conselhos! hehehe
Anotem aí:

 

A primeira é só pra quem é de São Paulo, porque  é um grupo presencial, o “Tempos de Ser Mãe”

13119792_1217686584911316_1241339536922823903_o

 

Elas, por elas mesmas:

“um espaço de cuidado para tantas questões que atravessam a maternidade, desde o querer (ou não) engravidar, passando por gestação, parto e puerpério, até os primeiros cuidados com o bebê. 
Um espaço de escuta e compartilhamento, tendo o TEMPO como temática norteadora. Tempo biológico, cronológico, social, lógico, pessoal, familiar, do bebê, das mamadas, do sono, do retorno ao trabalho… Tempo que atravessa e marca as relações, o tempo todo. Que inaugura um antes e um depois.

Serão encontros periódicos, com temas disparadores, abertos a quem se interessar (pode ser gestante, já ser mãe há pouco ou muito tempo, pode não ser mãe, pode ser pai, companheirx…). O primeiro será nesse domingo, dia 15/05: O TEMPO DA ESPERA.


Inscrições podem ser feitas por email: nucleotrajetos@gmail.com, telefone: 3796-0235 ou whatsapp: 98334-6261
(para nos ajudar na organização do espaço e do café).
Teremos um espaço baby friendly para quem quiser ou precisar trazer os bebês.”

Trocas, presenças, bate papo, identificações, descobertas… tudo isso pode ser fundamental  num puerpério e/ou na criação de um filho – precisa-se de uma vila, lembram?! rs

Quando esse encontro é bem mediado, então… Sucesso!!

Umas das organizadoras, a Nathalia, é minha prima irmã! Mesmo aqui de longe, estamos sempre juntas – SEMPRE e desde sempre! – e está sendo delicioso acompanhar nesse último (quase) ano (já!) ela sendo agora mãe de uma bonequinha foférrima que eu não vejo a hora de apertar de novo!

Queria muitíssimo ir nesses encontros, mas como não posso, peço pra quem for dar um abraço meu na prima e na sobrinha, ok?! 🙂

 

A segunda dica (eu meio que já dei lá na página do blog no facebook, mas faço questão de vir reforçar aqui) é um projeto no Catarse. Não, mentira, (já) é um livro. Não, mentira de novo, é uma nova forma de olhar o mundo!

Estamos agora na última semana pra apoiar o projeto “Do Seu Pai” no Catarse!
Gente, sério, se você não conhece o projeto pára tudo o que você está fazendo AGORA e vai lá ver!

O Do Seu Pai é uma das coisas mais lindas dessa internet! É uma das coisas que me faz resistir toda vez que penso em abandonar as redes sociais! É um negócio que me faz sorrir e me reencontrar nos dias nublados. Que me inspira muitíssimo! E que, sem dúvida, me faz olhar a vida com outros olhos!

Eu garanti meu livro no primeiro dia, porque sabia bem que esse eu não podia perder por nada!

O Pedrinho Fonseca, o “pai” em questão (rs), é um ser humano incrível que eu queria ter no meu círculo de amigos próximos, juro! E que, pra completar, tem uma família que dá vontade de abraçar todo dia, a cada post no Instagram! rsrs

Dá uma fuçada lá no site dele, vê quantos projetos lindos, cheios de amor e absolutamente inspiradores!!

Além do “Do Seu Pai”, destaco também o “A olho nu” e o “Taxista Josué”!!!

 

 Agora a terceira dica é um podcast, oh que moderno! rs

Mas não é qualquer podcast, é um projeto de uma querida que a “blogosfera materna” me deu de presente!

É o GNH – Gerando Novas Histórias!

Conheci a  Daiana, pra mim eterna Nana, lá no blog A Louca dos Bebês.

Aprendi muito com ela (sobre temas, aliás, que a princípio nem me interessavam), me emocionei, torci, vibrei e ri MUITO!!

Aí a blogueira “tentante” mais amada dessa internet virou mãe, a vida mudou e ela se reinventou e se re-descobriu nesse novo modelo que é o podcast!

Eu, que não estou acostumada a esse tipo de mídia, demorei pra conseguir colocar a “escuta” em dia. Até semana passada eu só tinha ouvido o episódio 0, mas aí finalmente aprendi a conectar meu celular no rádio do carro e em poucos dias nas idas e vindas da escola da Cecília escutei todinhos e AMEI!!!

Desde que ouvi o primeiro to querendo correr aqui indicar, mas preferi ouvir todos antes (sei lá porque, já que a vontade não mudou em nada! rs) e é um melhor que o outro! Da vontade de ficar batendo papo sobre cada um deles depois de ouvir!

“Maternidade real com informação e bom humor”, como ela diz! Eu digo mais: e honestidade. E sensatez. E acolhimento.

É uma delicia, gente! Ouçam!!!

Tem página no facebook também: Gerando Novas Histórias

 

E é isso, gente! Espero que vocês gostem e aproveitem!

 

 

 

 

 

 

“Chá-chá-chá” parte 2

Há menos de um mês eu e Lucas conversávamos sobre chá de bebê. Eu disse que não tava no pique de agitar nada e ele disse que não faria surpresa, porque não esperava que eu caísse outra vez!

Há!

HáHáhá!

Apesar de não ter aula nesse fim de semana, ele me disse que tinha que ir pro MBA fazer trabalho. E me disse que no final da tarde do sábado teríamos um churrasco na casa de uma amiga.

Ok. Nenhum ponto fora da curva. Nada que me fizesse estranhar. Programação bem normal de um fim de semana.

Mas quando cheguei no tal churrasco descobri que o que ele tava fazendo mesmo era isso aqui,oh:

 

Um chá de bebê lindo, lindo!!! Surpresa – again, sim senhores!!!

(só não fui tão pata dessa vez e saquei na hora que cheguei o que tava rolando…hahahaha)
Feito com muita ajuda e carinho dos amigos queridos!

Comilanças gostosas, risadas garantidas, presentes ultra necessários… Delícia de tarde!

Ah! Teve brincadeira pros adultos e atividades pras crianças também:

 

 

 

Pintura bodys

 

Foi bom demais e merece o post não só pra ficar o registro, mas pra valer como um “muito obrigada” a todos os envolvidos!!! 🙂

 

 

“Eu quis você”

Eu não costumo dar muita importância pra datas como o dia das mães (desculpa, mãe! rs), mas elas estão TÃO presentes nas redes sociais que fica meio impossível não pensar sobre as tais, né?!

E o que eu pensei esse ano foi isso aqui:

 
Ser mãe é a coisa mais difícil que já fiz na vida.

E, sim, claro, como todo mundo diz, a mais deliciosa!

E a mais definitiva também.

Não dá pra “largar no meio” como fiz com minhas faculdades e minhas escolhas de vida antes, mudar de ideia, mudar de gosto… E quem conhece esse meu histórico aí, deve imaginar que isso de vez em quando me dá um certo desespero, de tão “pra sempre” que é! hahaha
Mas ser mãe foi uma escolha que eu fiz. 3 grandes vezes, quando decidi com o Lucas que tentaríamos engravidar. E uma escolha que eu re-faço diariamente, várias vezes por dia.

Que re-faço – com certo peso – cada vez que preciso respirar fundo pra engolir o stress ou o choro e seguir o dia. E que re-faço – cheia de leveza – cada vez que me derreto inteirinha com alguma doçura da minha menina.
A consciência dessas escolhas dá, sem dúvida, outro gosto pras minhas experiências. Tanto a experiência de ser mãe, quanto a experiência de ser filha.

À minha mãe a maternidade não chegou assim, como escolha. Não incialmente, pelo menos.

Talvez por saber disso, cada vez que eu tropeço nas dificuldades da minha própria maternidade me lembro da minha mãe, lá com seus 17, 18, 19 (…) anos, sendo JÁ minha mãe. Sendo sozinha minha mãe (porque ser mãe, e isso a gente só aprende sendo, é uma das vivências mais solitárias dessa vida). Penso nela refazendo a escolha de ser minha mãe em circunstâncias tão diferentes das minhas, tão mais duras que as minhas…

E sinto uma gratidão e um orgulho danados de tudo que ela fez por mim e de tudo que ela conseguiu comigo (ou apesar de mim)!!!

E outro orgulho danado de fazê-la avó e de assistir ela viver essa relação tão linda e tão leve com a minha filha! Que delícia!!!

 

13119756_10156763880060214_7175092411441140193_o

 

 

(eu podia continuar esse post falando de tantas outras mães guerreiras, que têm ou não a escolha de ser mães, da força delas, dos amores, das dores… da empatia que a gente só consegue sentir de verdade quando somos também mães. Mas não tô com vontade hoje. rs

Hoje quero só mandar um beijo cheio de orgulho pra minha mãe e outro pra mim mesma! rsrs)

 

“Acontecer, brilhar, faca amolada”

Quem aí lembra que eu tô devendo contar de duas pendências que faltava eu decidir pro parto? E quem aí ainda está curioso pra saber do meu presente de aniversário??

Olha que coisa rara: não esqueci das promessas e voltei pra contar! hahaha

1:
Eu fiquei muuuuitoooo em dúvida se teria ou não uma doula pra esse parto! Perdi a conta de quantas vezes entrei nos sites das doulas aqui de Madrid, de quantas vezes quase mandei email e de quantas vezes mudei de idéia sobre o tema! rs

Na gravidez da Cecília foi bem fácil, né?! Eu tinha a Sil desde o comecinho, doula saída do forno com aquela etiquetinha do McDonalds de “feito especialmente pra você”!! O que mais eu podia querer??

Aí que dessa vez já sabia que não ia ter Sil e – acho até que por um pouco de birra por essa “falta”..rs – cismei no comecinho que não queria uma doula espanhola, sabe-se lá porque…

Mas conforme o tempo ia passando eu ia reavaliando, pensando, olhando pra coisa com mais carinho… Como estamos com a questão da distância do hospital X em que momento do Trabalho de Parto pegar a estrada , então, uma doula parecia ainda mais uma boa ajuda técnica, além de todas as vantagens que já conheço de cor!

Enfim, sempre que eu pensava racionalmente sabia que ter uma doula deveria ser mais importante do que uma birra qualquer, mas alguma coisa aqui dentro não conseguia concordar…

E quando eu tava prestes a deixar o racional ganhar e escolhendo uma doula pra chamar de minha, notei que a cada vídeo ou fotos de partos que eu via, me dava uma aflição danada aquelas doulas ali, fazendo massagem, abraçando, segurando a mão… As mulheres lá, parindo, super adorando o apoio e  eu aqui:  “ai, pára! Solta! Sai pra lá!” hahahahaha Louca, eu sei! hahahaha

Eu sei, eu sei…uma doula BOA mesmo deveria sacar quando eu estaria ou não querendo contato durante o TP ! Uma doula boa mesmo saberia se afastar e aproximar de acordo com a minha demanda! Eu sei! Mas sei lá… “pára! solta! sai pra lá!”

Outra coisa que eu me dei conta foi que pra ser bacana com a doula eu teria que achar alguém com quem conseguisse me conectar e criar um vínculo de verdade. Só que eu não estou num momento de sair peregrinando de doula em doula pra encontrar uma. E estou menos ainda aberta a criar novos vínculos (tão importantes como esse) com pessoas desconhecidas! Não sei explicar, mas falta espaço aqui dentro pra isso, sabem?!

E se fosse pra ser sem vínculo especial, só mais uma profissional na equipe, não queria!

Então resolvi respeitar essas duas sensações e ficar sem doula mesmo! Pendência um resolvida!
Depois eu juro que conto a verdade se me arrepender! hehehe

 

Aí faltava a segunda pendência:

mais ou menos nessa fase do “não quero gente estranha no meu parto” começou a me dar uma vontade danada de ter alguém fazendo um registro fotográfico profissional da coisa toda! (ahãm, coerência, a gente vê por aqui, né?! rs)

Na gravidez da Cecília eu nunquinha que cogitaria uma coisa dessas! Nunquinha!!

Mas, né?! Vai ser a última vez que vou parir, eu amo as fotos “caseiras” que a Sil fez daquela vez e etc…

Tinha duas grandes questões no caminho: 1- eu tinha um grande receio de ficar meio travada pela presença da câmera e não conseguir me soltar de verdade pro TP

2- Aqui na Espanha existem pouquíssimas opções de fotógrafos que fazem esse trabalho e ele é bem caro!

Sobre a número 1, conversei em grupos do fb com mulheres que tiveram fotográfas e nenhuminha se disse arrependida! A enorme maioria disse que nem notou mesmo a presença deles por lá e me lembraram que, em último caso, eu podia pedir que a pessoa se afastasse! Conversei também com os fotógrafos por aqui e a primeira coisa que eles dizem sempre é sobre como o trabalho consiste em registrar sem ser visto! Acabei acreditando em todo mundo…rs

Escrevi pra todos os  possíveis fotógrafos da região (todos os três! rs), fui tomar café com uma delas (a mais experiente e famosa) e putz! Enquanto a conversa fluía super bem (nem rolou dificuldade de socialização da minha parte, vejam só! rsrs) ficou muito claro que o meu querer já estava decidido! Conforme a gente conversava eu notava que eu já sabia o que eu queria – eu queria as fotos!!! Só faltava saber se eu ia conseguir bancar – emocional e financeiramente (afinal, já estamos pagando equipe particular, né?!)

 

E isso foi meio que no caminho da chegada do meu aniversário, com meus 30 anos na bagagem.

Aí em algum momento dessa decisão eu me lembrei de uma frase que acho linda:

“Se a mulher não se parece como uma deusa durante o parto, então alguém não a está tratando como deveria” InaMay Gaskin

 

Pois bem! Eu percebi que esse seria um lindo presente pros meus 30 anos: um registro (profissional e carinhoso) de eu me sentindo uma deusa! =) E fazendo isso enquanto trago meu filho ao mundo!!! Amor demais, né, não?!

Parir é absolutamente transformador, eu me lembro bem! Me lembro também da satisfação e do orgulho de ter conseguido! E vai ser a última vez que vou fazer isso, então conclui que mereço registrar devidamente essa experiência em imagens!

Como ainda tinha a questão financeira, resolvi bancar meu desejo em forma de presentaço de aniversário (e talvez de natal, dia das mães, aniversário de casamento… que é pra conseguir chegar no preço.. hahahaha), conseguimos negociar um pouco e fechei contrato com a Eva Gascon , a fotógrafa querida com quem tomei o café, e já tô até ansiosa pra ver o resultado! hahahaha faltam só uns 3 meses pra isso! rs Aguardem e vocês também verão! 😉

“Ele + Ela”

Então que aquela menina “nossa, ela é MUITO grudada em você!” tá crescendo, minha gente! E, vejam só que coisa, não quer mais saber muito de mim, não! Ceis acreditam??? hehehe

Eu sempre soube que isso ia acontecer e nunca me preocupei com tal grude da Cecília comigo, mas tô achando bem curioso acompanhar esse processo assim, de dentro, digamos..rs

Agora nessa casa TU-DO é o pai!

Quer dizer, temos nossos momentos de chamegos, os momentos já clássicos de “estou fazendo janta e ela tá no meu pé pedindo ‘colo da mamãe'” e tal… Mas se o pai está em casa e não está estudando, TU-DO é com o pai, tem que ser com pai! O papai!!!

Começou num feriado em que ele, sem aula, estava mais solto pela casa (rs) e ela aproveitou muitíssimo os 4 dias de pai disponível! Muitíssimo!! (Fiquei até com medo de ela entrar em abstinência quando a vida voltasse ao normal…hahaha)

E mais ou menos nesse período também, fizemos uma troca estratégica, pensando na chegada do Dante, em que ele assumiu a função de  colocá-la pra dormir toda noite…

 

Desde então a paixão só aumenta! Se ele está em casa, ela fica atrás dele o tempo todo! Se ele senta, ela tem que sentar do lado dele; se ele deita, ela deita quase em cima; se ele vai estudar, ela chora na porta fechada; se precisar trocar a fralda, tem que ser ele; tudo que ela faz é acompanhado de um sonoro “Pai! Olha eu, pai!!” e a lista podia continuar ao infinito e além…rs

Chegamos ao cúmulo de a Maní derrubar alguma coisa no chão e eu dizer “opa, caiu, já vou pegar” e escutar de resposta “não! papai, pega, por favor”! hahaha

Nesse dia eu concluí: “não sirvo pra mais nada nessa casa!”

E o Lucas completou: “não se preocupa que daqui a pouco chega mais um pra me ignorar por mais 2 anos!” hahahahahaha

 

 

Agora falando sério: tô achando a coisa mais linda assistir de camarote essa evolução na relação dos dois! Lucas ficava muito frustrado com as negativas da Cecília que, pra muita coisa, por muito tempo, só queria a mãe… E é uma belezinha ver que é tudo mesmo uma questão de fases… Que mesmo com essa aparente “ignorada de 2 anos”, a presença dele estava, sim, sendo notada e precisada e valorizada! Tanto estava, que agora os frutos estão sendo muito bem colhidos e saboreados! 🙂

E eu juro que não fico com ciúmes! Tô é aproveitando essas folguinhas que ando recebendo…hehehe

 

Mas um dia desses Cecília acordou vomitando de manhã… Depois de limpá-la e troca-la, a levei pra nossa cama, com o pai, pra que eu pudesse dar uma limpadinha na cama dela também. Quando cheguei no nosso quarto ela estava dormindo no abraço dele, como costuma fazer comigo… Achei bom que ela tivesse voltado a dormir, achei graça nele meio incomodado com a imobilidade do braço (coisa já tão comum nas minhas deitadas) e ok. Mas depois que ele dormiu também eu fiquei lá, acordada, ouvindo os dois respirarem, sentindo aquela cama tão grande e minha filhota tão longe de mim… Confesso: o coração apertou bonito de saudades dela! Saudades essa, sem dúvida, antecipada, com a consciência de tudinho que nos espera nos próximos meses…

Ai, que eu sentirei saudades dela!! ❤

 

13094393_10156743729620214_2380094648738199907_n

 

Mas, pelo menos, estarei com o coração tranquilo de saber nos braços de quem ela estará feliz!

“29” + 1

Ontem eu trintei, minha gente!
Eu tinha uma curiosidade de saber como seria chegar nos 30, se teria crise, se teria revisão da vida, se teria festão…

Nas semanas anteriores ao aniversário eu até comecei a planejar juntar os amigos no karaokê pra cantar e comemorar e afogar a crise em coxinha e kibe, caso ela aparecesse. Aí desisti… (até porque o dinheiro que eu gastaria em coxinha, kibe, brigadeiro e beijinho precisou ficar reservado pro meu super presente de aniversário – que eu só volto pra contar no próximo post!)

Resolvi então marcar um almoço na véspera com o grupo de amigos e só. Comemos muita carne, me acabei num super bolo de chocolate, demorei uns (10) minutos pra perceber que tavam cantando parabéns pra mim (hahaha), usei a Cecília de “escudo” na vergonha do parabéns (hahahahaha) e foi isso!

No final do dia bateu uma crise de saudade e solidão, uma ameaça de revisão da vida… Mas na manhã do aniversário propriamente dito mandei tudo embora. Resolvi que a ordem dos 30 seria comeRmorar: adicionei ao pacote do dia anterior um café da manhã delícia com uma amiga, um almoço no burguer king (me julguem..rs) com a Cecília (me julguem mais ainda) e arrematei tudo com uma paella de mariscos sucesso na janta!!
E aí pronto, acabou o aniversário. Tenho 30 anos. Não aprendi a usar filtro solar. Mas aprendi a usar regularmente fio dental faz coisa de um mês.rs Ainda não sei o que fazer da vida. (apesar de ter uma paixão muito clara nos últimos anos). Tô cheia de hormônios e saudades e filhos e amores.

E esse aí é o máximo de “balanço” que vou me permitir agora. 😉

“Que sejas ainda mais vivo”

Filha:

É muito curioso como algumas coisas parecem que nos atingem do nada, quando na verdade nós convivemos com elas diariamente, mas simplesmente não as notamos – ou escolhemos ignorá-las, sei lá…

Hoje me aconteceu uma dessas, deixa eu te contar:

Testando uma coisa qualquer na minha câmera, tirei uma foto sua, bem rápido, sem nem muita atenção… Uma foto qualquer, que não é nem de longe uma das minhas favoritas das tantas que tiro de você. Mas quando olhei pra ela: BLAM – fui atingida!!!

Atingida pela passagem do tempo. Atingida por uma sensação maluca de que ao mesmo tempo que você já tem “doisi aninhos” (como você bem gosta de repetir por aí), você tem SÓ dois aninhos!

Olhei pr’aquela imagem e vi (mais uma vez) que você não é mais uma bebê. Você é minha menina! (sim, sim..sei que já falei bastante disso..)

Acontece que também tive ali, naquele BLAM, um vislumbre do que você será… Como se eu olhasse pra uma Cecília que ainda virá. E como se ela estivesse ali pra me lembrar de ter calma, de ter paciência, mas acima de tudo, pra me lembrar de manter os olhos bem abertos, pra não perder o caminho que trará aquela Cecília pra mim.

 

Porque que você está crescendo eu já sei bem! Ontem eu até fiz essa brincadeirinha aqui:

 

12719162_10156658431030214_2149123857780058290_o

 

É bem óbvio que o tempo está passando, né?!

Mas acho que às vezes eu ainda me esqueço de que existem o ANTES, o AGORA e o DEPOIS, sabe?! E que de alguma forma eles convivem em nós e nós convivemos com cada um deles…

Enfim, foi bom ser atingida, foi bom ser lembrada… foi emocionante! E eu adoro emoções que vem de pequenas coisas! 🙂

Ah! A tal foto?

Foi essa:

 

DSC_0002

“O sal da terra, o chão, faca amolada”

Vamos falar de coisa boa??

Não, não de iogurteira (até porque nem ando me dando muito bem com os lácteos ultimamente..hahaha)… Mas quem já leu um tiquinho só esse blog deve estar agora se perguntando “COMO RAIOS ela ainda não veio falar do segundo parto”, né?! Sim ou não? rs

Então vamos falar! 🙂

Bom, desde que cheguei aqui na Espanha, muito antes de pensar em engravidar,  já comecei a fuçar sobre o tema. Queria saber como era a realidade obstétrica por aqui e o que eu descobri foi o seguinte:

  • o país tem uma taxa até que bonitinha de cesáreas, pra gente que tá acostumada com as porcentagens brasileiras: 21% na rede pública e 35% na privada, de acordo com números divulgados (com preocupação!) ano passado.
  • Acontece que apesar de se ter boas (ou melhores..rs) chances de ter um parto vaginal por aqui, as chances de que esse parto seja  “bacana” são muito pequenas! A coisa funciona no esquema “linha de produção”, seja na rede particular ou pública as intervenções estão todas “incluídas no pacote” – todas! – e os relatos de violência obstétrica não param de aparecer! Quando comecei a ler cheguei até a ter pesadelos com alguns deles…
  • A “solução” pra parir com respeito e tranquilidade, assim como no Brasil, é pagar equipe particular e com indicações seguras.

 

Quando engravidei já seguia mil páginas e profissionais espanhóis no facebook e tinha alguma referência do que queria fazer. Meu desejo e plano iniciais eram ter uma gravidez menos medicalizada, por isso queria fazer o acompanhamento com uma matrona (o equivalente a uma enfermeira obstétrica) e ter um obstetra “qualquer” como referência, fosse pra pedir exames ou pra recorrer se fosse necessário.

Minha primeira tentativa foi com a matrona da rede pública aqui da cidade… mas eu odiei o tratamento dos funcionários do centro de saúde… além de me passarem informações equivocadas, senti que nas poucas vezes que fui lá fui tratada não só com falta de vontade, mas com preconceito. E esse não era o clima que queria viver nos próximos meses que viriam. Além disso descobri que fazer o acompanhamento pela rede pública seria meio enrolado e demorado, eu teria que passar com um médico de cabeceira, que me encaminharia pro hospital, que me derivaria de volta pra matrona no centro de saúde e aí eu ficaria com esses dois pontos de referência e  blablabla… Até entendo a lógica da coisa, mas achei que não valia o trabalho já que eu nem sabia se iria até o final com eles…

 

Passei então com uma obstetra qualquer, pelo convênio, de uma clínica particular aqui do lado de casa e foi aquela coisa típica de convênio… Eu tinha certeza que não era isso que queria pro meu pré-natal, mas pensava nela como um plano B, então “ok” (#sqn, tanto que não voltei nem pra levar os resultados de exames que ela pediu..rs)

 

Em seguida fui procurar uma “matrona independente”, que me atenderia em consultas particulares durante todo o pré-natal, que poderia me acompanhar durante o pré-parto e o trabalho de parto (dilatação em casa), que me daria apoio também no pós parto… o único problema era que pro parto em si ela não poderia estar, a menos que fossemos pra um hospital beeemm longe de casa, onde permitem que ela entre, mas onde acaba ficando mais como acompanhante do que profissional responsável OU que fossemos ter o parto em casa. Cheguei a fazer uma primeira consulta com ela, gostei muito e estava sonhando mesmo em ter um parto domiciliar! Mesmo! Mas marido não estava convencido… nem um pouco!

Então acabamos pedindo pra essa matrona indicações de médicos bacanas, com uma visão “diferenciada” do parto e tal, pra conversarmos, vermos outras opções, pensarmos melhor juntos, etc.

No começo eu até achava que poderia tentar convencer o Lucas do domiciliar com bons argumentos e artigos científicos (ainda acho que poderia, aliás), mas teve um argumento “contra” que me sacudiu: se precisássemos de transferência, teria que ser pra um dos dois hospitais aqui do lado de casa, claro…e aí seria aquele filme de terror que eu já conhecia e temia! Eu estaria disposta a correr o risco???

 

Enquanto matutava essa pergunta, passamos em consulta com uma obstetra alemã, indicada pela matrona como “super pró parto em casa” e gostamos bastante! Um discurso bem parecido, diria que até melhor, com o do médico que eu tinha no Chile, respeitadora da fisiologia do parto, “um bom parto é que aquele em não tenho que fazer nada”, etc. Ela trabalha em um hospital que fica longe daqui, mas que tem 3 salas de parto natural super legais e ela é a responsável por tais reformas (foi ela que trouxe amigas arquitetas alemãs pra fazer). Mas ela não foi “super pró parto em casa”, disse que respeita a escolha, mas que não atende pois se sente mais segura no hospital. (Lucas concordou, claro! rs)

 

Ficamos então entre duas opções: matrona particular e talvez/quemsabe um parto domiciliar OU a tal médica alemã no hospital com salas bacanas. Mas aí fiquei com medo de que o medo da tal transferência pro hospital medonho travasse a evolução do meu parto, fiquei com medo do marido ficar com medo, amarelei no que eu sabia que seria um enfrentamento com a família, enfim… Senti que todos esses medos e poréns seriam empecilhos importantes e que parto cheio de pedra no caminho não era o que eu tava com vontade de viver! Além disso a médica cobria bem a minha demanda, a única coisa que eu não gostava na escolha (além da distância do hospital) era o fato de fugir do meu plano inicial de “gravidez menos medicalizada”…

Por isso pensei então em fazer o pré-natal com a matrona e parir com a médica, ambas topariam, mas a médica destacou que algumas (várias) consultas seriam importantes que fossem feitas com ela (porque coincidiam com exames, por exemplo) e no final ficaria tipo metade das consultas com a médica e a outra metade com a matrona. Achei muito pouco esse 50/50 e vimos que financeiramente também não ia rolar ter que pagar as duas pelo pré natal quando cada uma faria, na verdade, metade dele…

 

Conclusão: decidimos por acompanhar  pré e  parto só com a médica mesmo. Sendo a parte de hospital e exames pelo convênio e a equipe (médica e matrona que a acompanha) pagos a parte.  E vou parir aqui, oh que bonito:

 

Fotos daqui e daqui

 

Agora que já temos essa decisão tomada, estou agora lidando com outras ainda no quesito “parto”, mas essas eu volto pra contar depois, ok?!

“Tudo certo, tudo bem, tanto faz!”

Desde que venho anunciando essa gravidez tenho ouvido de um sem número de gente a seguinte frase: “nossa, segunda gravidez deve ser muito melhor, muito mais tranquilo porque você já sabe o que esperar, o vem pela frente”

Mas isso nunca tinha feito muito sentido pra mim.. 

Sei lá, li TANTO na gravidez da Cecília, tantos e tantos posts de uns blogs maravilhosos, tantos grupos de apoio.. Eu sabia o que esperar, sabia o que viria! Claro que a prática é sempre diferente da teoria, mas eu realmente acho que tinha (e tenho) uma boa tranquilidade quando se trata de ser mãe…rs (modéstia? Cadê? Cês viram por aí? rsrsrs)
Mas hoje de manhã, enquanto eu observava Cecília devorar seu sanduíche fiquei pensando na tal frase..

Explico: Cecília come bem! Come muito bem! Demorou bastante pra começar a comer de verdade, mas eu nunca me preocupei ou tive pressa (santo mamá que nos acompanhava!!!)

Sempre ofereci de tudo, mantive as opções sempre saudáveis, fui conseguindo adaptar o cardápio aqui de casa pra ficar saudável dentro da nossa realidade, etc. 

A comida sempre esteve lá e o quanto ela comia foi lentamente aumentando. Nunca me preocupei com quantidade, nunca exigi que ela comesse mais do que parecia disposta – confiei mesmo naquela história de que bebês amamentados em livre demanda conhecem seu próprio estômago e sabem quando querem ou não mais! 

(mas confesso que não sou lá tão liberal quanto preza meu Guru-Gonzalez e apesar de não forçar, dou umas insistidinhas, até por não saber quando ela parou de comer porque se distraiu ou porque está satisfeita)

O fato é que esse “aos pouquinhos” foi virando uns poucãos e atualmente ninguém acredita no tanto que ela consegue comer..Amigos ficam pasmos, já veio até garçom em restaurante comentar… Na escola ela termina a merenda dela (que normalmente é uma fruta ou um pouco de cereal) e sai caçando os restos dos amigos..rs Foi-se o tempo em que eu pedia um prato no restaurante e dava pra gente dividir… No geral oscila um pouco.. Passa por períodos em que come como uma criança normal e outros como verdadeira pequena-draga!

Semana passada, por exemplo, ela pegou uma super gripe, o apetite diminuiu, teve até um dia em que ela só comeu uvas e um pouquinho de milho cozido, mais nada..! Resultado? Essa semana está um saco sem fundo!!! Termina de mastigar o almoço pedindo pra comer outra coisa, chora porque não quer dormir e sim comer, acorda de manhã e a primeira coisa que diz é “quero pãozinho”, chora enquanto eu preparo a comida como se estivesse a hoooras com fome e por aí vai…
  

Por que que eu to contando tudo isso? Pra me gabar? Não, minha gente! Continuem lendo pra pegar o gancho com a história lá do começo.rs

Apesar de ser uma pequena draga de vez em quando, Cecília é magrela! Magrela de tudo! Não sei quantos meses faz, acho que uns 4 ou 5 que to ansiosa pra trocar o tamanho da fralda, achando que ela tá quaaaase chegando lá  e a bendita balança não sai do lugar! Cecílinganha peso muuuuuito devagar! Mas cresce feito sei lá o que, minha gigantinha!

E é super saudável!!! Inteligente, ativa, feliz e saudável! 

(saúde, aliás, comprovada semana passada nuns exames de sangue que fizemos pra ver a história da alergia dela)
E aí hoje de manhã eu tava olhando ela comer cheia de fome e “vazia” de dobrinhas (rs) e pensando naquelas mães de bebês pequenos que ficam apavoradas ou orgulhosas no dia da pesagem no pediatra. Tava pensando nos pediatras terroristas que ficam com a calculadora “ameaçando” ter que dar complemento porque o bebê não atingiu o ganho diário de X gramas por dia. Tava pensando na cultura maluca que acha que bebê e crianças gordinhos é que são saudáveis e se alimentam bem. Como se o número da balança fosse o único indicativo importante. Como se o bebê e a criança não fossem já (e também) um ser humano complexo cheio de outras coisas pra serem observadas!

E aí eu fiquei com raiva desse sistema maluco. E fiquei muito agradecida pela pediatra da Cecília lá no Chile, que podia não entender muito de alergia, mas que nunca me deixou influenciar pela balança!

E fiquei pensando se conseguiria alguém bacana assim pra acompanhar o Dante.
E depois me dei conta de que já temos o principal pra acompanhar o Dante: mãe e pai empoderados e seguros. Experientes?!

Claro, claro.. Não vou contar vantagem antes de a água bater na bunda! Hahahaha. Vocês, sem dúvida, acompanharão as cenas dos próximos capítulos… Mas agora eu concordo mais com a tal frase: que bom que o Dante já vai chegar com um pouquinho mais de experiência nossa – e com uma irmã magrela e comilona que nunca ligou pra balança nenhuma! 😉