"Branco como coco, branco como leite"

Fala se não é destino:


Hoje de manhã fui pra aula normal,apresentei trabalho e tal… mas depois do intervalo o professor e alguns alunos resolveram ir para o centro de Santiago, pra filmar a marcha de estudantes que estava rolando por lá.
Era perto das 11 da manhã e eu teria aula a tarde e um trabalho pra ficar terminando por lá na hora do almoço, mas como era muito cedo, acabei resolvendo vir almoçar em casa.
Antes de ir embora passei na secretaria pra deixar o contrato da (finalmente) matrícula e a funcionária me disse: “Está nevando, Gabriela”. Achei que era alguma expressão chilena, porque estava realmente chovendo muito e as partes externas da Escuela estavam alagadas…então só dei um sorrisinho e fiquei esperando o papel que ela iria me entregar.
Aí ela me disse: “Não! Tá nevando de verdade!” e me mostrou a tela do computador, onde ela estava vendo notícias ao vivo que mostravam neve em “diversos sectores de Santiago”. 
Abri um sorriso tão grande que ela sacou na hora: “Você nunca viu neve, assim, na cidade, né?”. Pois é, nunca!
Na lua-de-mel fomos pra Europa bem no inverno, passamos frio pra caramba, mas o máximo de neve que eu vi foi um restinho sujo e quase derretido nos chãos de Paris, e uma ameaça de neve em Londres, mas que acabou não vingando…
Na verdade a neve fugiu de mim a viagem inteira: cheguei em Paris uns dois dias depois da neve, sai de Edimburgo um dia antes (imagina que sonho, minha querida Edimburgo com neve!!!) e assim por diante…Aqui no Chile já fui várias vezes pra montanhas nevadas, mas sempre encontrando a neve já no chão…


Bom, entrei no ônibus pra voltar pra casa pensando que chegando aqui iria ligar a televisão pra ver onde estava a neve e avaliar as possibilidades de ir até ela…
Quando, de repente…na metade do caminho…. começo a ver umas coisas caindo do céu. Primeiro achei que eram gotas da chuva interminável refletindo algum traço de sol, mas aí fiquei olhando fixamente pra todas as janelas ao mesmo tempo e confirmei minha hipótese desejada: era neve!!! Fininha, pouquinha, branquinha…neve!!!
Meu impulso imediato foi levantar pra descer do ônibus! Desceria, deixaria alguns flocos caírem no meu casaco preto, tiraria umas fotos e pegaria o próximo ônibus! Parecia simples…mas acabei desistindo – eu tinha que voltar cedo pra faculdade pra terminar um trabalho, lembram?. Combinei comigo mesma que se quando chegasse no meu ponto certo não estivesse mais nevando eu pegaria o ônibus de volta! rs  Como a tal da neve foi aumentando um pouco enquanto o ônibus andava, fiquei tranquila. 
Tranquila e feliz! Tanto que o cara que estava do meu lado percebeu pela minha movimentação que tinha alguma coisa acontecendo, olhou pela janela e comentou comigo, sorrindo “es nieve!”. Ah! Foi ele também que viu que derrubei meu cartão do ônibus na rua quando desci e fiquei maravilhada rodando em torno do meu próprio eixo e filmando tudo! hahaha


Bom, a “nevasca” foi só aumentando, ficando mais e mais linda! A chuva foi parando e deixando só o espetáculo branco!
Juro, lindo!


E eu não era a única caipira encantada, não!


Nevar em Santiago é muito raro e, segundo as notícias, por tanto tempo e com tanta intensidade, MUITO mais raro! Ou seja, turistas e chilenos como bobos pelas ruas tirando foto, filmando, fechando o guarda chuva pra deixar a neve cair em si e sorrindo..todo mundo sorria! Todos olhavam pros desconhecidos pra comentar a beleza do momento!
Acho que foi um momento tão emocionante (ou mais emocionante, não sei bem) quanto o meu primeiro terremoto! hehehe


Tudo isso enquanto esperava “minha segunda condução”… Graças a uma paralisação de algumas linhas de ônibus fiquei uma meia hora nesse ponto, assistindo tudo, vendo a reação das pessoas, vendo as mudanças na intensidade da neve e as conseqüências no cenário…babando muito! E fazendo uns vídeos e postando na internet pra todo mundo acompanhar minha emoção em tempo real! hahaha (pude curtir tranquila porque a essa hora já tinha recebido um email do professor cancelando a aula de amanhã em que eu teria que entregar o tal trabalho por terminar).


Quando finalmente chegou “la micro”, estava lotada pra caramba e só dentro desse aperto é que fui me dar conta de que minha mão que estava sem luva (pra poder segurar o celular e filmar tudo) estava completamente vermelha e congelada e meus pés…nem se fala! A bota que eu achava que era impermeável tinha deixado, em algum momento x, entrar água nos meus pés e eles doíam de tão congelados que estavam!


Cheguei em casa e, depois de tirar foto da varanda e mostrar a neve pra Maní, enfiei meus pés na banheira na água bem quente e, JURO, senti muita dor enquanto meus pés descongelavam! Muita! Só não chorei de dor porque fiquei rindo com a Maní desesperada sem entender o que raios eu estava fazendo, voluntariamente, dentro daquela banheira de tortura! hahahaha


Mas, como eu já disse no facebook, valeu muito a pena! Cada dedo congelado valeu a pena!!! Foi incrível de lindo e emocionante! Pode me chamar de boba, de caipira, o que seja… Foi intenso!
Pra quem ainda não viu no facebook, seguem algumas imagens:

Boneco de neve!!!

(reconhecem meu prédio?? rs)

Escuela Militar






Bom, em casa tomei uma sopinha, coloquei mais meia, troquei de calça.. fiquei no conflito: sapato que não molha X sapato que não derrapa no gelo (sim, porque o chão estava muito escorregadio)…hahaha
Na hora em que precisei sair pra voltar pra faculdade já tinha parado de nevar e voltado a chover, então optei pela bota que não molha, mesmo…rs








E foi isso! Certinho! Exatamente nesse buraco que magicamente ficou livre no meu dia, nevou em Santiago!
Quando saí já não tinha muita neve e quando voltei encontrei a mesma vista da Escuela Militar assim:







Fala se não foi o destino que me liberou … fala!!!





Filosofia de sala de espera

Sabe aquela lei no bocejo? A pessoa do seu lado (ou do outro lado do skype) boceja e você já sabe…vai sobrar bocejo pra você também.

Hoje, na faculdade, aconteceu um fenômeno parecido, mas com um espirro. Uma colega espirrou e eu espirrei logo em seguida.

E essa mini sequência de espirros me fez pensar numa coisa muito óbvia, muito simples e até boba: espirros são universais – ou poliglotas, como eu twittei na hora…rs

Pois é, eu aqui, esse tempo todo de observadora estrangeira, prestando atenção nos hábitos, costumes, diferenças…
Catalogando os chilenos de acordo com um monte de padrões novos criados no meu dia a dia…
Sentindo uma pontinha de orgulho por “andar entre eles” entendendo a lingua deles e uma mais…

E aí um simples espirro me dá um chacoalhão – literalmente e metafóricamente.
E fica muito claro que, apesar de algumas diferenças, eu sou igual a eles. 
Oh meu deus! Eu espirro como as chilenas e as chilenas espirram como eu. O mesmo som. O mesmo efeito no corpo. A mesma coçeira no nariz. Tudo igual.
Fale ela português ou não. Tenha ela a experiência de conhecer e vivenciar outra cultura ou não. Tenha ela um ou 15 anos de faculdade.
Nós espirramos igual.

Talvez esse texto esteja um pouco “viagem” demais, mas o efeito que essa simples constatação teve em mim foi daqueles… como um espirro. Aquela coisa óbvia, normal, quase rotineira e que você sente chegando… e que depois que chega vai embora e te deixa com um arrepio diferente, mais limpo por dentro… um pouco sem saber se vem mais depois desse ou não; sem saber como você vai ficar depois dele; sem saber se é uma anúncio de um resfriado – que significaria uma grande onda de espirros consecutivos – ou só uma coisa passageira…
Veremos..



Redes sociais: pra deitar em grandes grupos e fazer amigos?

Acabei de ler alguma coisa no twitter sobre “corredor polonês” e fiquei imaginando o que um homem grande e loiro estaria fazendo correndo na escola dessa pessoa… Juro! Levei alguns segundos pra assimilar o verdadeira significado da frase! rs
O que me levou a pensar que essa tal experiência de viver outro idioma não só traz as novidades desse novo idioma, mas muda também a sua relação com a língua materna. 
Foi ingênuo da minha parte esquecer que pasillo e corredor são a mesma coisa em português – e minha cabeça logicamente fez a associação com o mais “lógico” do momento, mesmo que não fizesse sentido algum um polonês correndo por aí batendo em adolescentes…
O que eu acho fantástico é que pro meu cérebro realmente faz sentido que eu entenda assim!


Aliás, essa semana uma amiga postou esse link no facebook: http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca/falar-varios-idiomas-pode-deixar-voce-com-varias-personalidades/
Será que essa pesquisa leva em conta pessoas que vivem em um outro país e que devem, praticamente o tempo todo, falar outra língua???
Porque, segundo isso, aqui no Chile sou mais esquizofrênica do que sempre fui no Brasil! hahahaha
Mais esquizofrênica, passeando com uma cachorra perigosa e dirigindo por aí! Se o governo chileno descobre, me manda de volta rapidinho!!!! hahahaha


Beijos!


Ah! Já visitou meu blog novo? Não? Vai lá! www.sobquemascara.blogspot.com 

"Pense que eu cheguei de leve, machuquei você de leve e me retirei com pés de lã"

Acabam de sair daqui as últimas visitas da temporada (agora a próxima tá agendada só pra setembro). Foi mais de um mês com casa lotada todos os dias. Mais de um mês de gente dando atenção pra Maní quase o tempo todo. Mais de um mês de bons dias e boas noites multiplicados. De passeios turísticos – repetidos ou não – com pessoas diferentes. De mesa cheia e louça sendo usada até esgotar. De barulhos na minha casa que não sejam da construção ao lado. De coisas diferentes na geladeira e no armário. De dicas, instruções, troca de informações. De mais ou menos atenção que pude dar pros que estavam aqui – variando com as tarefas da faculdade e com meu bom (ou mau) humor. Mais de um mês da casa aquecida mais por calor humano que pela “calefação central por louça radiante”. 


Depois de passar uma semana no Brasil muitos me perguntaram se foi difícil voltar ou “ir embora de novo”. Não, não foi! A semana brazuca foi uma delícia, cheia de reencontros gostosos e gordos, mas foi também cansativa, correria pra todo lado, sem ter nossa casa pra voltar, nosso cantinho pra descansar. 
Foi uma delícia ir, mas foi bom também voltar. Foi bom e foi fácil! (não que eu não tenha chorado um pouquinho no aeroporto e nas despedidas…rs)


O que eu venho tendo cada vez mais certeza é que muito mais difícil do que voltar pra casa é deixar os que vêm visitar voltarem pras suas casas.
Por mais que a casa fique bagunçada, por mais que fiquemos sem “intimidade (como ter que colocar roupa e não pijama depois do banho, por exemplo), não importa, as visitas são muito boas! 
Não só porque enchem o ambiente, mas porque são todos muito importantes e queridos os que passam (passaram, passarão, passarinho) por aqui!
E fica sempre um gostinho de quero mais.


E a casa fica vazia e enorme. E as coisas param nos seus lugares. E as luzes param apagadas quando devem estar. E a Maní fica mais sozinha. E eu fico sempre chorando quando alguém sai.


É difícil me despedir. Difícil não é ficar, mas sim deixar-los ir.


Mas… quer saber?


Que venham os próximos!!!

"Agora eu era herói…"

Na semana passada veio me visitar minha prima e grande amiga de infância, Nathalia:





E dentro do pouco que conseguimos conversar estávamos comentando sobre a imagem que temos de nós mesmas ao longo dos anos… 
Aquela sensação quando olhamos pra um primo ou irmão mais novo e pensamos: “nossa, ele é tão criança, eu era tão mais adulta nessa idade; na verdade eu era quase o que eu sou hoje”.


Acho que nem sempre percebemos que crescemos, o quanto crescemos e o que mudou em nós. Talvez com um pouco de reflexão (e/ou análise. rs) isso fique mais claro, mas na maioria das pessoas com quem converso sobre isso, persiste essa sensação do “eu já era como sou”, sem se notar muito as “evoluções da idade”. rs


Mas sabe aquelas peças que a memória prega na gente? Como quando sentimos um cheiro e instantaneamente vamos parar em algum lugar longínquo, ou quando ouvimos uma música e nos sentimos ao lado de determinada pessoa?


Hoje essas duas coisas aconteceram comigo e, além delas, uma terceira ainda mais potente:
Meu pai e família estão de visita nessa semana e hoje subimos a montanha pra ir até Farellones pras crianças conhecerem a neve e brincarem um pouco de congelar. No final do dia, ainda lá em cima, encontrei um amigo que não via a muitos anos, da minha época de adolescência…
Na hora do encontro foi aquela coisa boa de “Nossa, quanto tempo! Tá fazendo o que aqui? O que já fez de bom no Chile? Fica até quando?Etc”, mas a onda de lembranças, sensações, sentimentos, até músicas e cheiros que esse encontro inusitado traria, viria só mais tarde…
E junto com tudo isso veio também pensamentos que eu nem sabia mais que poderia ter. Pensamentos que ao mesmo tempo que me habitam, não fazem mais parte de mim.


Meus 18 anos nem parecem tão longe assim (ok,ok…assumo que estou ficando velha…rs), tanto que posso reconhecer tais sensações como minhas, tanto que os sentimentos que vem com as lembranças apertam de leve o coração. Mas vem ao mesmo tempo a noção de que o que afeta é a lembrança, a nostalgia pelo que passou; não a emoção em si pois esta, claramente, ficou lá trás. 
E quer saber? É muito bom notar que a adolescente também ficou pra trás. Que apesar de às vezes eu achar que sou a mesma pessoa que era quando entrei pela primeira vez na faculdade (meo deos! meu irmãozinho é tão jovem pra Federal! rs), sou (não “estou”, “sou” mesmo!) na verdade completamente diferente, muito mais forte e resistente e crescida e gordinha e madura e chata (tá vai, isso eu sempre fui) e bonita por dentro e por fora (porque não custa nada agradar o ego! hahaha)


E nessas horas agradeço por ter os cabelos brancos na cabeça e os calos no coração! 
“Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”, sim, mas cada dor e cada delícia no seu tempo certo!
Ainda bem!!!

"Vou cantar-te nos meus versos"

Hehehe. Brincadeira, não tô fazendo poesia, não!


Vim só contar um pouquinho da visita do Brasil (que já tem quase um mês…rs)


Na verdade, na verdade, esse será um post de muitas fotos! rs
Claro que falta foto de um monte de gente e de um monte de situações.
Foram poucos dias, foi super corrido, mas tentamos ver o máximo de pessoas possíveis, visitar os lugares que precisávamos, comer as comidas de que sentíamos falta…enfim…vamos lá!


Primeiro as famílias:


– Conseguimos passar o aniversário do Claudio com ele!!



 Pai e filhos

 Família Alcaide G. Passerini
O aniversariante e as mulheres!

– Fizemos um tradicional churrasco super gostoso com a família Ramalho! (claro que só lembramos das fotos super no final do dia!)

 Com a Patricia

 Olha o tamanho dos meus irmãozinhos!

Com o meu pai

– Aquela reunião louca da família Lima Louca que sempre acontece só no natal se repetiu em plena metade do ano! E ainda junto com um pouquinho dos Ismerim Nascimento! Reunimos a galera toda numa pizzaria e tivemos uma noite muito gostosa! (também faltam várias fotos…)



– E os amigos não ficaram de fora! Mas as fotos com eles sim… =/
Só consegui recuperar essa:


– Escolhemos essa data ao redor de 20 de junho pra ir pro Brasil justamente porque queríamos conhecer nossa nova sobrinha, a Helena. Então reservamos um dos dias pra ir pra Piracicaba encontrar essas pessoas queridas! (algumas dessas fotos são de arquivos pessoais deles, mas são imperdíveis!)

 Foto mais linda!

 Dois lindos!

 Concentrados no peixinho delicioso!

 Risada mais gostosa da tia!

 Queridos Vivi e Casão!

Linda Helena!


E esse é o resumo visual que ficou da nossa rápida visita!

Mas o mais importante – mais ainda do que a barriga cheia – foi voltar pra casa com o coração aquecido, cheio do carinho que recebemos, cheio do amor e da atenção das pessoas que se mobilizaram pra nos encontrar…
Em tão poucos dias não dá tempo de matar a saudade de verdade, mas serve pra lembrar o quanto amo todos vocês que ficaram por aí!
Já (ou ainda?) estou com saudades!!!

Aos que não estão nas fotos, lembrem-se que não são nem um pouco menos queridos… 
Amigos, família, AV`s, cada abraço foi uma delícia e uma honra! Obrigada!!!

Beijos

A primeira vez a gente nunca esquece!

Andava me criticando ultimamente pelas minhas instabilidades, alterações de humor, capacidade de deixar que pequenas coisas alterem a totalidade de mim… essas coisas de mulher, sabem?!


Mas, pô, se até a Gaya, a “maior mulher de todas” pode ter suas instabilidades, tremer nas bases e deixar que um movimento alheio e superficial lhe afete tanto… acho que meu caso não é tão grave assim!


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Hoje senti meu primeiro terremoto no Chile! Terremoto não, porque aqui eles chamam de tremor quando é de leve. 
Pois é, tremeu!
Foi um movimento de 6 graus da escala Richter que aconteceu a 22km de profundidade. Segundo os comentários da “população chilena” (no facebook) fazia um tempinho que não se sentia um tão forte e tão longo.
Aliás, foi por isso que senti, porque foi longo. (desde que estou aqui já aconteceram vários – vários mesmo! – outros tremores e eu nunca sentia nada)


Estava sentada no sofá, jantando e assistindo um filme no computador (portanto, com a cabeça ligeiramente abaixada) quando senti um pouco de nausea e achei que o movimento que via no computador fosse, na verdade, eu com tontura. Juro!
Aí levantei a cabeça pra ver se melhorava e reparei que não mudou nada…aí olhei pra frente e vi o vaso de flores em cima da mesa balançando, a água e as flores se mexendo. Aí virei pro lado e a tv – que não é pequena – também dançava. Aí olhei pro chão e a Maní tava dormindo tranquila. (hahaha)


A sensação de “finalmente estou sentindo um tremor” foi muito emocionante – os olhos encheram muito de água. Mas, como o tal tremor tava tremendo a tempo demais, logo veio o medinho – sozinha em casa, a noite, chuva, e essa coisa começa a tremer?!?!
Continuei sentada vendo o vaso na mesa, ouvindo uns sons de coisas balançando nos outros cômodos da casa… até acabar. Impossível dizer quanto tempo durou, mas parece uma eternidade pela quantidade de coisas que dá tempo de ver, pensar, ouvir…
Quando me senti segura levantei e fui verificar os arredores: não tinha nenhum vizinho no corredor, assim deduzi que não tinha sido grave. Todas as portas da casa ok e as coisas nos seus devidos lugares. Ufa!
Tudo no lugar, menos meu labirinto: a nausea continuava, a sensação do chão se mexendo também e por uns 50 minutos ou mais fiquei achando que estavam acontecendo outros tremores…rs


Desde que eu cheguei aqui dizia que queria sentir um terremoto, saber que tipo de movimento a terra faz, se tem algum som, como os prédios e as pessoas se comportam…
Bom, não cheguei a todas essas conclusões, mas finalmente senti um! E agora posso ficar sem o próximo por um bom tempo…hehehe
(se bem que dizem que depois que você sente o primeiro fica muito mais fácil sentir outros, mesmo menorzinhos…)


Fiquei acompanhando as notícias ( como essa ) e parece que não houve nenhum estrago, nem feridos, nem réplicas (já tem mais de 2 horas). Podem ficar tranquilos!


Eu sei que foi de leve, bobeira…mas é uma experiência muito incrível!
Se a expressão “perder seu chão” significa perder a sua mais sólida base, seu maior apoio, sua estrutura forte… bom… hoje eu vi na prática o quanto nosso chão não é “sólido” e isso faz mexer a estrutura da gente…ah, faz!


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Terça feira completamos 5 meses de Chile (meo deos, parece tão mais!) e a sacudida de hoje pode ter sido o território chileno pulando pra comemorar!








Ps.: Feliz aniversário pro meu “irmãozinho” que chegou hoje na maioridade! Uhu!!! (mais um motivo pra eu não esquecer a data)

Rapidinha

Volta de feriado em São Paulo. Esperava pegar um bom trânsito pra conseguir chegar em Guarulhos. Mas não. Pegamos trânsito pra sair de Guarulhos. No avião!
Foi mais de uma hora depois do “Tripulação, portas no automatico” pra conseguir o “Tripulação, decolagem autorizada”. Porque o tráfego aéreo estava caótico em Cumbica.
Depois foram as 4h e pouco de um vôo conturbado. Não por turbulências, mas por grupinhos de pessoas achando que estavam na Vila Madalena. Em pé no corredor, copo de vinho na mão, falando alto e rindo (um deles exatamente na fileira de trás). E crianças fazendo birra. E aeromoças lentas.
Mas a comida tava gostosa.
E chegar em casa e finalmente dormir na minha própria cama… Delícia!
Sem falar na recepção querida da Maní querida!




Bom, a semana de Brasil foi ótima e merece um post com mais atenção – mas sem fotos, porque, pra variar, esquecemos de tirar. Esse de hoje é só pra avisar que estamos em casa.


Dia frio, sol brilhante e a tranquilidade na rua lá fora…. é, de volta a Santiago!

Espera passar o avião

São 4h30 de uma manhã gelada em Santiago e me encontro sentada em frente ao portão de casa com mala e cuia (quase literalmente) esperando o Lucas conseguir um taxi pra levar-nos ao aeroporto.
Ao mesmo tempo em que constato que estamos escapando da primeira semana mais fria do ano em Santiago, fantasio sobre o que fazem os vizinhos dos prédios em volta que a essa hora estão com as luzes acesas… e percebo então um novo “aperto no coração”.
Além da dorzinha (que já vinha há alguns dias comigo) por deixar a Maní em Santiago e ficar uma semana longe dela, noto que vou sentir saudades de casa. O curioso é que há pouco tempo atrás estava já imaginando o tweet de quando chegasse no Brasil, qualquer coisa como “em casa…” ou “Querida, cheguei!”. E agora o “em casa” tinha ficado dez andares acima, com a Maní dentro, logo menos estaria há uma cordilheira de distância e eu me preparando pra voltar pra um Brasil que não via há mais de 4 meses…

No ônibus de guarulhos pra São Paulo acordei quando passava em frente à Pinacoteca – um dos meus lugares favoritos na cidade – e ri sozinha ao ver que está tendo uma exposição lá chamada “Aos curiosos”… Ou seja, só uma parte dos meus leitores pode ir…hehehe
Não demorei mais do que cinco minutos pra ver com os olhos dos chilenos as tais cores mais intensas do nosso país – caramba! Que céu azul, que árvores verdes e que prédios cinzas!!! Aliás, caramba, quanto prédio em um lugar só!!! Como e pra que amontoar tanto prédio, tão altos e tão pertos um dos outros???
Pensei tudo isso com sinceridade, com a “frescura” de um olhar quase estrangeiro.
Durante as primeiras 24h aproximadamente continuei respondendo às pessoas nas ruas com “gracias”, “perdon” e “permiso”… meu radar de “opa! Escutei português, tem brasileiro por perto” ficou bem louco…
Nessas mesmas 24h comi tanto, tantas coisas gostosas das quais estava com saudades que a previsão de volta pro Chile é com sobrepeso de bagagem. Isca de frango, salame, pão da la ville, mortadela, ovomaltine, etc, etc, etc…
Cheguei na casa dos meus pais e achei tudo mais claro do que me lembrava. Os gatos estavam um poucos desconfiados com a minha presença e os copos não estavam no lugar de sempre.

Hoje é o terceiro dia de Brasil e ainda ontem a gata veio deitar no meu colo pra assistir filme, no sábado os amigos me divertiram como só eles sabem fazer, hoje o trem andou na mesma linha velha conhecida e o shopping Eldorado estava exatamente igual.
Rapidamente voltei pra posição de cidadã daqui e estou tentando aproveitar ao máximo pra matar as saudades (de pessoas, animais, comidas, lugares…)
Mas de quando em quando vem aquela pontada, a lembrança saudosa de que por mais que eu me sinta em casa aqui por uma boa porcentagem do tempo, minha casa está em outro lugar. Um lugar lindo e querido, mais civilizado, mais poluído, mais frio (fora) e mais quente (dentro), o lugar onde nasceu minha filha e onde ela me espera (que saudade!!!), o lugar que hoje é meu lar!

E aquela esquizofrenia (lembram dela no meus discurso de casamento?) de estar aqui estando lá e estar lá estando aqui, de não saber qual idioma usar, de sentir saudade quando vai e quando vem…
Tudo isso faz parte da vida que escolhi levar… a tal vida dos “expatriados”.
Tudo isso me faz crescer (inclusive pelas dificuldades), faz dar mais valor a cada uma das coisas pequenas que dão prazer e podem fazer falta.
Tudo isso me faz ser hoje uma pessoa diferente da que eu era 4 meses atrás (mesmo que não completamente).
Tudo isso enriquece as experiências dessa nova vida.
E eu amo muito tudo isso. (será que ganho uma grana pelo merchand?? hehe)

Portunholando

Algumas coisas peculiares vêm sendo observadas nas nossas conversas por aqui: em casa deveríamos conversar em português, mas o que acaba saindo são umas falas tortas e muito entretenidas! 
O que  passa é uma mescla que acontece tanto com o emprego de palavras em espanhol no meio da conversação, quanto de palavras em português com o sentido ou o emprego que ela normalmente só teria em espanhol.


Quando vou cumprimentar alguém (escrevendo, num encontro pessoalmente ou numa chamada) não sei mais dizer “oi, tudo bem?”; sempre escapa um “oi, como está?”. Acho muito mais prático botar alguma coisa do que jogá-la no lixo. Soa um pouco demasiado educado dizer perdão ao invés de desculpe, mas é assim que ocupo agora. Estamos buscando departamento pra comprar. Bebida é só refrigerante. No meu caderno (que é escrito todo em português) o sonido é elemento fundamental para o desarrolho da narrativa. Fui numa tenda buscar jalecos de frio, mas não alcancei elegir nenhum bom. E sigo tenendo muito mais frio que todos os chilenos e me destacando entre ellos por toda a roupa que ponho!













Sim, sim…


Essas questões de linguagem tem sido minha maior diversão ultimamente!
E teria mais exemplos pra dar, mas quis só fazer uma brincadeirinha rápida mesmo…


Boa noite e ótima semana à todos!