"Por que que a gente espirra?"

Chilenos não fungam. Não os Santiaguinos, pelo menos.

Nessa cidade de “estações do ano bem definidas” há dois momentos críticos para os sistemas respiratórios: o inverno, quando a gripe brinca de rave e fica horas (ou semanas) seguidas se divertindo pegando absolutamente todo mundo e distribuindo drogas por aí; e a primavera, quando as flores estão facinhas e a putaria entre elas rola solta, o que significa pólen pra todo lado.

Nessas horas não há quem resista: todo mundo de nariz escorrendo! Aquele momento agradável pra andar em transporte público e pensar em todas as mãos (escorridas) que passaram por aquelas barras, sabem?!

Assim como em São Paulo, existe o conflito dentro do ônibus: os que querem fechar as janelas porque estão com frio e aqueles que querem abrir porque temem as bactérias que estão nadando por ali. Mas diferente de São Paulo, ninguém teme as bactérias por ficar ouvindo aquela fungação louca vindo de todos os bancos em volta.
Santiaguino não funga – usa lenço!

Curiosidade cultural:
Sempre tive vergoinha de assoar o nariz em público e tenho a sensação de que isso é meio brasileiro (ou paulista, não sei…). Nós fungamos muito e usamos o lencinho pra impedir desastres até conseguir chegar ao banheiro mais próximo e fazer a limpeza correta.

Mas aqui, não!
Lencinhos são vendidos em “pack econômicos”, com um milhão de metros de lenços por alguns poucos mil pesos. Todo mundo SEMPRE tem lenço! Porque se o nariz começa a irritar, ninguém pensa duas vezes: saca o pañuelo e dá aquela assoada caprichada! Eles não tem vergonha, assoam bonito mesmo que estejam no ônibus, metrô, sala de aula (atrapalhando o professor que fala) e até na cadeira do cabeleireiro…

Já me olharam feio muitas vezes por causa da inocente fungada… Uma vez, durante uma gripe minha, um colega de classe colocou “discretamente” um pacote de lenço na cadeira que estava entre nós, disse que eu podia usar se quisesse e quando foi embora “esqueceu” o pacote ali! hahaha
Mas isso foi ano passado..agora eu já aprendi! Já assôo o nariz como eles! (o que talvez tenha sido um pouco estranho/incômodo para as visitas brasileiras que estiveram aqui em casa na semana passada, durante uma gripe super feia que ainda se arrasta por aqui…hahahaha)

Já assôo o nariz como eles, mas ainda não me relaciono tão naturalmente com a caca de nariz o muco como eles. Soube que num desses programas matinais da semana passada estavam discutindo “porque as pessoas comem o muco”, com perguntas super didáticas do tipo “porque o muco é salgado?”hahahaha

Vejam que é uma arte saber se “chilenizar” na medida certa! Conseguir se adaptar, mas sem perder alguns limites importantes de… de…bom, de limpeza, né?! hahaha

"and when the music starts"

Já disse outras vezes que uma das maiores características dessa vida no exterior é a presença constante da saudade.


É saudade de tudo, saudade de coisas que eu nem sabia que me importavam. 
E uma saudade diferente.
Porque não é como estar com saudade de ir em um restaurante que faz tempo que não vai. Ou de uma amiga que faz tempo que não vê. Porque essas saudades são fáceis de resolver – uma ligação, um planejamento, e pronto!

Essa nossa saudade do dia a dia não pode ser “matada” assim. Não é tão simples.
Existe uma consciência de que precisa-se conviver com ela, adaptar-se a ela. Respirar fundo, contar até três e seguir o passo normal. Sabendo que que falta um tempo aproximado pra resolver a bendita.
Sabendo, portanto, que essa nova amiga vai te acompanhar por um tempo ainda… 



Ganhei “de presente” da Vivi, essa música super gracinha:


Pa Moreno é uma cantora la de Piracicaba, que tem essa voz veludo super gostosa e que falou direto comigo! =)
Me identifiquei super com a letra, e lembrei de dois textos meus sobre o tema, que foram revisitados depois de escutar a música duas vezes! rs



Enjoy!

"Tem quadrilha no arraial"

Tá, é mentira. Não teve quadrilha, mas teve arraiá sim sinhó!!!


Tudo começou quando junho começou e começaram os mil e um post no facebook sobre as festas juninas. Posts de vocês aí curtindo e fazendo inveja e posts daqui, reclamando da inveja e da falta das festas. rs
Numa dessas reclamações algumas pessoas sugeriram que eu fizesse uma festa dessas por aqui e gostei da idéia. Recrutei minha companheira de Chile e saudades, a Carol, que topou na hora e nossa “Festa Julina” saiu ontem!

Modéstia a parte, foi uma delícia!!!

Eu e a Carol fizemos tudo (ok,ok…ganhamos uma colaboração nos quesitos decoração e trilha sonora) e “ahazamos”!!! Matamos as saudades – nossas e de outros brasileiros – das comidas e conquistamos corações chilenos pelo bom gosto brasileiro! =)

Ah! Sempre achei que festa junina era a festa culinária do milho, mas o que mais foi embora ontem foi ovo… hahaha

Fotinhos pra vocês:

(não estão muito artísticas, sorry…)


Quindim

Bolo Cremoso de Milho

Bombocado/Queijadinha

Milho cozido

Vinho Quente (final dele, na verdade..rs)

Maçã e Morango com chocolate

Choconhaque Cremoso

Paçoca

(farinha de) Falafel

Molho pro falafel

Pão pro falafel

Tortas de Atum e Palmito

Pipoca

Coalhada Seca

A casa:




Youtube nos brindando com 30 minuto de Arraial do Xow da Xuxa

Bandeirinhas!

Por toda a casa!

A foto tá de longe, mas teve um monte de xadrez, pintinhas na bochecha das meninas, bigodes, cavanhaque e monocelhas nos meninos! Festa completa!


Delícia! Delícia! Delícia!!!!



(ps.: não me zoem) É curioso como a gente só percebe o tamanho de algumas saudades quando finalmente pode matar a maldita: eu, literalmente, quase chorei quando dei a primeira mordida no bombocado ontem! rs


ps. 2: clicando nas fotos vocês conseguem vê-las um pouco maiores!


"pega esse avião"

Existe uma grande diferença entre uma viagem a passeio pro exterior, ir fazer um curso fora, ficar um tempo fora fazendo intercâmbio e morar em outro país.
Além do óbvio, o tempo, outras coisas mudam. A maneira como você vê o lugar, muda; a maneira como você se relaciona com as pessoas e a cultura desse lugar, muda; e o mesmo acontece no caminho contrário, ou seja, em como ficam as coisas entre você e seu país de origem.
Quando você está a passeio tem (no sentido de deve) que aproveitar todo o tempo útil pra ver e fazer tudo de “melhor” que o lugar oferece, bem turistão, achando tudo diferente e, provavelmente, o máximo!

Se você vai pra pra fazer um curso curto, ou a trabalho, é provável que não tenha muito tempo de fazer turismo e acabe lidando com o dia a dia desse lugar, conheça seu trânsito, a vida e a visão corporativa que sua população tem…e meio que vai achar tudo normal, comum…

Se a viagem é pra um intercâmbio mais longo, acho eu, acaba misturando as situações: quer fazer muito turismo, mas sem o desespero, porque apesar de ter um tempo definido, não tem pressa, pode fazer quando quiser, contanto que seja antes do tempo X. Você experimento o novo e o ordinário do lugar, sente saudades “de casa”, mas sabe que o “agora” é pra aproveitar o novo e que o “casa” é pra daqui a pouco.

Mas tenho a sensação de que ir morar fora, com esse “peso do definitivo”, muda tudo!
Não dá pra sentir saudade “de casa” porque sua casa agora é ali, de forma que a saudade fica mais pesada, com gosto de “deixei pra trás”.
Turismo não é prioridade porque você tá muito ocupado com a vida e porque tem qualquer hora que quiser pra fazer (e na verdade tem grandes chances de acabar não fazendo, como acontece com a maioria em suas cidades natais).
O dia a dia do lugar e sua nova rotina são, ao mesmo tempo, normais e muito diferentes!
Você passa por momentos saudosistas – em que daria tudo por um decente e maravilhoso chuveiro “normal”- e por momentos de “brasileirismo”, em que tudo no mundo parece ser melhor – e mais barato – do que no brasil.

Antes de vir pro Chile um dos nossos objetivos era não ter aqui vida de estrangeiros, mas sim de chilenos mesmo; tentar ver e experimentar as coisas sob o ponto de vistas dos daqui… Em muitos pontos acho que nos saímos bem nisso (o que é super enriquecedor), mas em outros acho que não dá muito pra “se misturar” de verdade. (Percebo muito isso nas conversas com minha amiga que está noiva de um chileno e convive diariamente com ele e sua família. Ela sim tem experiências de (quase) puros chilenismos.) Nós não conseguirmos deixar de ser “brasileiros no Chile”, e hoje já nem acho que essa seja a idéia.

E tem mais uma diferença importante: nós saímos do Brasil com o peso do definitivo, mas não foi assim que chegamos aqui, porque uma hora nós vamos embora, vamos trocar de novo o “lá em casa” e ter mais um lugar com sua lista de saudades pra deixar pra trás e todo um “mundo novo” pra descobrir e chamar de nosso! rs
Frio na barriga? Super!

E por mais que uma hora a gente acabe montando definitivo em um lugar, por enquanto é muito legal pensar que logo estaremos começando de novo, montando casa, escolhendo novo bairro, novo piso, nova vista, novo sofá…
Esse “nomadismo” tem um lado divertido e um lado doído (qualquer dia eu escrevo sobre ter a saudade o tempo todo no pé), mas no final, acho que é uma vida de crescimentos infinitos…

ps.: acho que viciei nessa brincadeira e criei um blog novo. Vai lá dar uma olhada: http://www.amarumcaoe.blogspot.com

"(não) somos números – uhú, ahá"

Pode chamar de boba, babaca o lo que sea…

Mas acabo de ficar mó feliz por ter sido “censeada”!!!

Pensa: o último censo feito no Chile foi em 2002 – que parece que foi outro dia, mas já faz 10 (sim, DEZ) anos!
Nós só vamos ficar nesse país por 2 anos.

E por alguma manobra do destino (exagero? hahaha), o novo censo caiu justo nesse 2012 nosso – do Chile e do casal aqui! 
Fora que a moça resolveu passar no meu prédio justo numa quarta feira (único dia da semana em que fico fora o dia todo), mas tocou minha campainha exatamente 3 minutos depois que eu cheguei em casa!


Não posso deixar de considerar que exista algum tipo de “sorte” no fato de que, apesar da nossa rápida passagem pelo “país tripa”, não vamos passar em branco, estaremos oficialmente nas estatísticas chilenas – pelo menos até o próximo censo!

Não é lindo?! hehehe






"palavra de mulher"

Parece que faz um século que não escrevo…

Tô meio travada de novo… precisando de criatividade pra um trabalho da faculdade mas a danada insiste em evitar o tema, como é de praxe quando é solicitada – criatividade aqui só entra sem convite!
E pra não correr o risco de nenhuma escapadinha, ela tá fugindo de mim em todas as áreas…

Ando borocochô, saudadenta, comilona…
Hormônios combinados com o mês de junho e as festas juninas que vou perder esse ano, e o aniversário especial que perdi esse fim de semana, e o feriado que não vou ter essa semana…
E os últimos 50 dias de aula desse semestre, que, provavelmente, vão ser mais infinitos e intermináveis e longos do que o resto do semestre foi…

Curioso: há uns dez dias me deu um faniquito de vontade de cortar o cabelo. Na verdade a peruca já estava gigante, as pontas horríveis, eu super incomodada (deitava na cama e atropelava a mim mesma, passava mais horas do dia com o cabelo preso do que solto…), sabia que precisava e queria cortar, mas não tinha nenhuma idéia.
Até que vi um filme e decidi que queria meu cabelo “curto” de novo. Pesquisa do google imagens e pronto, tinha o corte definido!
Mas e aí? Como esperar até o fim do ano, minha próxima visita ao Brasil pra cortar o cabelo do cabeleireiro de sempre???

Deu faniquito e pensei em pedir indicações de bons peluqueros por aqui…
Mas sabe como é faniquito, né?! Nem deu tempo! A Carol (minha amiga e super companheira de aventuras! rs) lembrou de um salão aqui perto que tem cara boa, entrei no site dele e me convenci…

Terça passada fui lá e cortei o cabelo! Contando que ele estava quase na cintura, cortei bastante, vai?!




Achei o cúmulo da adaptação e do desprendimento: fui num salão x, um cara Y botou a mão no meu cabelo e eu deixei metade dele lá! Super orgulho!

Amei o corte novo! Tava com saudade desse tamanho de cabelo e cansada de parecer Maria-Mijona.

Mas apesar do cúmulo da terça, na quinta veio esse borocochismo… sonhos saudadísticos…bolo de chocolate…

Se eu achava que meu humor flutuava com os hormônios, ainda não sabia que os ares transandinos flutuariam o humor dos hormônios que flutuam meu humor!!!! 
Ferrou, né
?!?!
Hahahaha

Entre manias e melancolias…boa semana a todos!



ps.: aos que leram meu post de pedido de ajuda ao Adote um Gatinho, deixo agora o agradecimento que eles mandaram essa semana:
http://adoteumgatinho.uol.com.br/boletim_maio2012_agradecimento.htm

"Vai chover, de novo"

Uma das coisas que eu mais gosto em Santiago é a quase inexistência de chuva.

Porque dormir com barulhinho de chuva é uma delícia, mas acordar e ter que ir pra faculdade debaixo dela, passando o dia todo com o pé molhado e tendo que “nadar” pra atravessar certas ruas, além de ser desagradável, já fez parte do meu dia a dia por muitoooos anos! Chega, né?! rs

Pois bem, neste fim de semana Santiago está em “alerta amarilla” pela quantidade de chuva que se espera.
Em abril tivemos um dia chuvoso – em que choveu 15 milímetros – e foi meio caótico, com vários lugares alagados, comunas sem luz, trânsito maluco… essas coisas quem em São Paulo fazem parte da rotina….

Pra esse fim de semana se estava esperando 60 milímetros de água! O povo estava meio em pânico…rs
A cidade não é nada preparada pra chuva! Nada! Os pisos não tem inclinação pra água escorrer (nem na rua, nem nos shoppings, nem em lugar nenhum, arrisco..rs), os bueiros não tem quase vazão nenhuma – e estamos no outono, o que significa milhões de folhas no chão!!! Ou seja, mesmo que chova muito menos, quando acontece, o caos é igual ao das tempestades aí…

Mas o que me impressionou nesse fim de semana foi a mobilização da cidade pra esperar os 60 milímetros!
O governo estava soltando uns pedidos pra que a população só saísse de casa se fosse necessário, colocou equipes de resgate e “desentupimento” em alerta e plantão, fez limpeza e prevenção nos lugares que mais alagaram em abril, montou num estádio um albergue que vai acolher, durante todo o fim de semana, o contingente de moradores de rua que não conseguirem vagas nos albergues já existentes…
Achei tudo muito legal!!! Espero que funcione na realidade e não só nas notícias, né?!

Ah! Quando chove o coração aperta ainda mais pelos milhares de “perros callejeros” que existem nesse lugar… =(
 
Hoje o dia todo ficou feia e chovendinho, nada de tempestade… Pelo que eu li, eles esperam o pior pra essa madrugada, o que eu acho ótimo… no quentinho da minha cama, com a trilha sonora perfeita!

Vamos acompanhar….rs




ps.: enquanto eu escrevia esse post a luz acabou e demorou horas pra voltar, atrasando a postagem…rs

"Você não gosta de mim"

Já vou logo avisando que não tô pedindo confete!

Mas tava aqui pensando…nessa coisa de amizade, carinho, amor… Como sempre digo, sou chata e anti-social, e gosto muito de ficar sozinha. Mas às vezes bate a solidão e a carência, confesso…

Nessa vida de outro país a distância do Brasil e, principalmente, as voltas ocasionais ao Brasil me fizeram olhar as amizades com outros olhos. Quem são as pessoas que realmente importam? E, mais ainda, quem são as pessoas que realmente se importam???
Nesses 15 meses de Chile eu cansei de escrever emails e mensagens mandando e pedindo notícias, mandando e pedindo abraços… Mas quantos são aqueles que lembram de mim, que sentem minha falta e colocam os dedinhos em movimento pra me procurar e me dizer isso – espontaneamente???
A anti-social aqui nunca se importou de dar o braço a torcer e escrever pedindo encontros virtuais… Mas ela cansou!

Não tenho ciúmes do meu marido e nunca tive dos ex-namorados – nesses eu sempre confiei e sempre me entreguei, mesmo tendo quebrado a cara algumas vezes, isso em mim não mudou.
Mas com os amigos eu sempre fui ciumenta e insegura…
Acho que faz parte da consciência de que sou chata… Justamente por me virar bem sozinha na maior parte do tempo, tenho o maior medo de que nessas minhas ausências meus amigos acabem descobrindo alguém mais legal pelo caminho e/ou acabem se esquecendo de mim, e não estejam lá quando eu precisar ou quiser…

Essa é uma ótima explicação do porque esse blog e porque minha presença tão intensa nas redes sociais desde que vim pro Chile… Deve ser a forma que encontrei de estar longe sem me perder, ou melhor, sem que me percam.
 Mas ultimamente esse método tem me soado fraco e falso… Como disse, cansei de ficar pedindo atenção e saudade! Eu sei que todo mundo por aí segue com suas vidas agitadas, corridas, atribuladas… Mas eu também tenho minha vida cheia aqui e não por isso deixo de sentir e anúnciar minhas saudades e meus carinhos…
Ou melhor, não deixava… porque, agora, cansei!


Feijoada Completa

“Feijão podre! Um símbolo de nosso regime, da podridão de nossos governantes e políticos. O Brasil, Clare, é um país saqueado. De fora para dentro. De dentro para fora. De cima para baixo… Ninguém nunca é responsabilizado por coisa alguma. Ninguém vai para a cadeia. Ó não! Somos encantadores, temos corações de ouro maciço! Inventamos as anedotas mais engraçadas do mundo. Achamos que todos devem nos adorar, pois não somos hospitaleiros e bos causeurs? Fazemos troça de todos, inclusive de nós mesmos. Temos remédios infalíveis para os males de todos os países, menos para os do nosso. A simpatia no Brasil é a grande panacéia. E é nessa simpatia, Clare, nesse nosso bom-mocismo (que torna o convívio com o brasileiro individualmente tão agradável), que reside nossa desgraça como nação! No Brasil tudo está bem se um sujeito é simpático. Por simpáticos (e também irresponsáveis e levianos) esperamos que as coisas no caiam do céu. Por simpatia votamos em homens incompetentes e ou desonestos para os cargos públicos. Se somos governantes ou políticos, por simpatia dizemos sim a tudo que nos pedem, embora depois não cumpramos o prometido. Por simpáticos damos empregos ou concessões rendosas (nem sempre lícitas) a parentes, amigos, compadres, afilhados, protegidos… e, que diabo!, por simpáticos fazemos as maiores concessões a nós mesmos, e satisfazemos a todos os nossos apetites. E essa nossa simpatia, sinal, repito, dum coração de açúcar, nos impede de fazer cumprir a lei, de sorte que bandidos e ladrões andam às soltas e podem ser senadores, deputados, governadores e até presidentes da República. Por simpáticos achamos que todos nos devem ajudar sem nunca no pedir contas de nada. Por simpáticos (ah! e por inteligentes, espertos e mestres na arte da improvisação) não panejamos, e confiamos sempre nas soluções mágicas. Porque no Brasil se acredita que até o deus ex machina é brasileiro. Ah, Clare! Como somos simpáticos! Você já tinha notado isso, não? Pois é. Somos tão simpáticos que nos acostumamos à miséria em que vivem mais de dois terços da população total do país… uma miséria abjeta que, no nosso Nordeste, é igual ou pior que a asiática… E como somos simpáticos e caridosos e, às vezes, vamos aos domingos à missa, durante a qual sorrimos e acenamos de longe pra Deus (que deve ser um sujeito simpático), de vez em quando damos esmolas aos mendigos, vagamente convencidos de que assim estamos contribuindo para resolver o problema social…”

Trecho do livro “O Senhor Embaixador” de Erico Verissimo, de 1965

Um belo tapa na cara de nós brasileiros, não é?!

Fiquei pensando que talvez um pouco por isso eu seja tão anti-social e antipática… Faz sentido se juntar com essa vontade toda de morar fora do Brasil…

Mas aí o tapa na cara é maior ainda!
Aquele velho blábláblá: “você pode tirar o sujeito do Brasil, mas não pode tirar o Brasil do sujeito”…

Aliás, ganhei o livro do meu tio Milani, depois de ter pedido um “clássico que não se pode deixar de ler”. Escolha perfeita!
Tapa na cara dolorido, daqueles que a gente precisa tomar de quando em quando…

Acabo de terminar a leitura e adorei! Recomendo muito!

"Pra quem você tem olhos azuis?"

Talvez porque por um bom tempo éramos as duas e só.
Talvez porque sempre estivéssemos as duas – com ou sem mais alguém.
Talvez porque nós, de alguma forma, crescemos juntas.
Talvez porque eu não seja muito boa de amigos novos.
Ou talvez simplesmente porque sempre foi assim.
De qualquer jeito, assim é o melhor jeito!


Legalmente ela virou “adulta” exatamente 15 dias depois que eu nasci. Imagino que na prática tenha sido um pouco diferente… Antes ou depois ou durante… ou os três.

Outro dia, num cartão de aniversário ela fez a matemática de quanto, na porcentagem da vida dela, eu estive presente.
Pois pense bem, se eu estou com você a mais de um terço da sua vida, o que dizer da minha, que tem 100% de você?

Não precisa me conhecer muito a fundo pra reconhecer em mim seus pedaços. Seja no nariz de tomada, na maçã do rosto que tá mais pra manga, no Chico Buarque, no Lô Borges, no Gênesis, no Trem de Pirapora, no Balão Trágico… Na jeito de pensar, de chorar, de dirigir… Na dificuldade de enxergar ou nas trapalhadas do dia a dia…

O blábláblá de “eu não existiria sem você” é bastante redundante no caso filha-mãe; e eu sei que sou suspeita pra falar, mas realmente acho que nossa relação é mais especial do que as que estão por aí…

Correndo o risco de ser repetitiva – ou melhor, já sendo – nas datas especiais é mais difícil estar longe; e o coração dividido dessa vida de expatriada fica ainda mais apertado em dias como hoje…
Queria estar aí, dando e ganhando colo, comendo comidas gostosas, fazendo programa de “nós 4”. Queria dar todos os beijos e abraços que estão faltando e mais vários especiais pelo dia.

Eu não posso te responder a última pergunta que você me fez quando nos despedimos da última vez, porque eu não sei a resposta. Mas uma coisa eu garanto: por mais feliz que eu esteja longe, um pedaço do meu coração sempre vai estar dolorido (de saudade, de culpa, de amor…)
E mais: por mais longe que eu esteja, não importa os quilômetros de cordilheira ou os infinitos litros de mar que possam tentar nos separar… Eu sei que sempre estaremos juntas!
Você está sempre no meu coração e na minha cabeça – e no meu iPod, e no meu fogão…

Te amo porque você é minha mãe, porque você é minha amiga, porque é uma pessoa incrível, porque tem os olhos mais azuis e mais expressivos que eu já conheci, porque tem o sorriso mais “iluminador de ambientes” da história (tá, vai…acho que só não ganha do Gael Garcia Bernal…hahaha), porque é uma profissional impressionante, porque é um ser humano especial… Te amo porque você é você – em mim, nos outros e em você!

O dia já tá acabando, mas durante todo ele eu te desejei um feliz aniversário. E desejo – todos os dias, mas hoje especialmente – que cada dia da sua vida seja melhor, que as dificuldades tenham uma razão de ser, que os motivos pra comemorar sejam infinitos, que o coração esteja sempre inundado e que você seja cada dia um pouco mais feliz!

Te amo, mãe! Parabéns!!!