"Pra quem você tem olhos azuis?"

Talvez porque por um bom tempo éramos as duas e só.
Talvez porque sempre estivéssemos as duas – com ou sem mais alguém.
Talvez porque nós, de alguma forma, crescemos juntas.
Talvez porque eu não seja muito boa de amigos novos.
Ou talvez simplesmente porque sempre foi assim.
De qualquer jeito, assim é o melhor jeito!


Legalmente ela virou “adulta” exatamente 15 dias depois que eu nasci. Imagino que na prática tenha sido um pouco diferente… Antes ou depois ou durante… ou os três.

Outro dia, num cartão de aniversário ela fez a matemática de quanto, na porcentagem da vida dela, eu estive presente.
Pois pense bem, se eu estou com você a mais de um terço da sua vida, o que dizer da minha, que tem 100% de você?

Não precisa me conhecer muito a fundo pra reconhecer em mim seus pedaços. Seja no nariz de tomada, na maçã do rosto que tá mais pra manga, no Chico Buarque, no Lô Borges, no Gênesis, no Trem de Pirapora, no Balão Trágico… Na jeito de pensar, de chorar, de dirigir… Na dificuldade de enxergar ou nas trapalhadas do dia a dia…

O blábláblá de “eu não existiria sem você” é bastante redundante no caso filha-mãe; e eu sei que sou suspeita pra falar, mas realmente acho que nossa relação é mais especial do que as que estão por aí…

Correndo o risco de ser repetitiva – ou melhor, já sendo – nas datas especiais é mais difícil estar longe; e o coração dividido dessa vida de expatriada fica ainda mais apertado em dias como hoje…
Queria estar aí, dando e ganhando colo, comendo comidas gostosas, fazendo programa de “nós 4”. Queria dar todos os beijos e abraços que estão faltando e mais vários especiais pelo dia.

Eu não posso te responder a última pergunta que você me fez quando nos despedimos da última vez, porque eu não sei a resposta. Mas uma coisa eu garanto: por mais feliz que eu esteja longe, um pedaço do meu coração sempre vai estar dolorido (de saudade, de culpa, de amor…)
E mais: por mais longe que eu esteja, não importa os quilômetros de cordilheira ou os infinitos litros de mar que possam tentar nos separar… Eu sei que sempre estaremos juntas!
Você está sempre no meu coração e na minha cabeça – e no meu iPod, e no meu fogão…

Te amo porque você é minha mãe, porque você é minha amiga, porque é uma pessoa incrível, porque tem os olhos mais azuis e mais expressivos que eu já conheci, porque tem o sorriso mais “iluminador de ambientes” da história (tá, vai…acho que só não ganha do Gael Garcia Bernal…hahaha), porque é uma profissional impressionante, porque é um ser humano especial… Te amo porque você é você – em mim, nos outros e em você!

O dia já tá acabando, mas durante todo ele eu te desejei um feliz aniversário. E desejo – todos os dias, mas hoje especialmente – que cada dia da sua vida seja melhor, que as dificuldades tenham uma razão de ser, que os motivos pra comemorar sejam infinitos, que o coração esteja sempre inundado e que você seja cada dia um pouco mais feliz!

Te amo, mãe! Parabéns!!!




"É um rio em correnteza"

Estava lá, meu professor de animação com o bla bla bla de auto ajuda que toda sexta feita compõe a aula de “Animação” – acaba de me ocorrer que ele entendeu errado…acha que o contrataram pra animar o povo do quarto ano, que em geral já tá muito preocupado e desesperançado com o mercado cinematográfico que em breve os espera… hahahaha


Bom, ele nos pediu que desenhássemos um boneco, um personagem nosso, para o qual criaríamos uma biografia, pra, quem sabe, fazermos um comic e, talvez, assim, se der tempo, tentarmos animar uma hora…
E no meio do pedido, o bla bla bla… o discurso de que toda criança é um desenhista, mas que acaba se inibindo por bons trabalhos de coleguinhas que praticam mais, ou o bla bla bla de que criatividade é igual músculo, tem que ser exercitada, ou com a história de “vocês tem que valorizar o trabalho de vocês”….etc etc etc…

Eu, como costuma acontecer na faculdade (rs), tava achando tudo um saco… e eis que praticamente “pula” em mim uma espécie de biografia. Não do personagem ridículo que eu criei – a “Dulce, la hormiga”, mas do professor chatonildo…
Como essa não vai servir pra entregar de “tarefa” pra ele, foi parar lá no meu outro blog.


Achei curioso esse jeito como a coisa aconteceu, inesperadamente, provocando ao professor e a mim mesma, por isso achei que valia um pouco a pena vir aqui contar…rs

Beijos


"Vem, va’mbora"

Não sei se foram os hormônios, a idade, o inferno astral ou a pontinha de solidão e saudade (que apertam especialmente nessas datas especiais), mas ontem me emocionei com várias das mensagens de parabéns que recebi… Olhos cheios de lágrimas desde a hora em que acordei, até a hora em que fui dormir.

Fosse por facebook, whatsapp, facetime, skype… ou mesmo os abraços dados pessoalmente. Me emocionei! Aquele obrigada aos responsáveis!!!



Completei 26 anos, o que significa que estou mais perto dos 30 do que dos 20 – UGH! rs – o que significa também que estou ficando mais mole do que sempre fui – de carne, de energia e de coração. 

Segundo aniversário passado no Chile, dessa vez sem colinho e bolinho de mamãe – só virtuais – mas cheio de carinho também. Cheio de amor. Cheio de lembranças. Algumas surpresas. Um bolo delicioso e totalmente alienígena (na visão dos chilenos, que não queriam de jeito nenhum obedecer à encomenda do Lucas e fazer um bolo de doce de leite com coco!!! hahaha)



Confesso que não estava animada pra fazer aniversário esse ano. Não é medo de ficar velha, não, juro! Mas é que ele caiu bem numa quarta feita, dia que tenho aula o dia todo, dia que passam séries que eu gosto de ver na tv, dia tão no meio da semana que desanima…
Mas no final, tive um ótimo dia!



Acho que todos os desejos, boas energias e carinhos que todos aí pensaram e mandaram pra mim fizeram efeito!



Sinto uma ponta de renovação. Um pique novo de ficar mais velha. Uma pontada nova nas costas que nunca foram muito boas. 



Passou minha data simbólica do ano. Passou inferno astral (que eu só senti quando misturou com tpm…hahaha). E fiquei eu. 26 anos. Cada vez mais cabelo branco na cabeça (quanto mais será que consigo fugir da tinta???). Mais responsabilidade na cabeça. Mais carinho no coração. Mais saudade na alma e no estômago. Mais expectativas a cumprir (minhas e dos outros).

Como o pessoal costuma dizer no facebook: “Vamo que vamo”.

Já foi ano novo, carnaval, páscoa e aniversário. Já foi férias e volta às aulas. Não falta mais nada pra 2012 engrenar…

“Vamo”?



"Até o rei fez uma careta!"

Nesse “fin de semana largo” fomos com dois amigos – Duilio e Sergio –  até La Serena, uma praia um pouco pro norte de Santiago.

Encontrou no mapa? rs




Fomos pra lá por recomendação de vários chilenos, que nos diziam “vocês tem que ir pra La Serena, ver o que é uma boa praia no Chile!” e por uma boa promoção da LAN…rs

40 minutos de vôo (todo aquele transtorno de aeroporto e viagem pra tão pouco tempo no avião! rs) na quinta feira a noite e lá estávamos! Num frio da p∞£¢¶!!! hahaha
Bom, a praia é realmente mais bonita que as que estão aqui pertinho… A areia mais branquinha, mais plana, o mar mais azul… bastante tentadora!
Mas com o frio que estava, nem pisamos na areia, né?! rs

O fim de semana acabou sendo gostoso: comemos muito, dormimos muito, passeamos um pouco, rimos bastante… (claro que isso tudo poderíamos ter feito em qualquer outro lugar, rs, mas foi bom mudar de ares!)

Mas o que eu quero mesmo contar aqui é sobre um episódio que aconteceu na sexta a noite!
De novo, por recomendação dos amigos, tínhamos deixado reservado para a sexta a noite uma visita ao Observatório Mamalluca. Uma hora de carro, subir uma montanha, assistir uma palestra e observar estrelas…parecia promissor! 

Acabou sendo tudo SUPER simples..apresentação com imagens do google, um telescópio pequenininho em que todos tinham que se revezar pra ver alguma coisa…
Os meninos estavam achando tudo um pé no saco, ou, em bom chileno, estavam achando aquilo “una wea muy fome!”.
Eu tava me divertindo, achando tudo muito legal e impressionante (hahaha..sou muito fácil) e fiquei completamente encantada com a imagem da lua no telescópio!!!! Completamente!!! 




Aí veio a melhor parte do feriado todo!
O guia estava explicando sobre a lua, contando sobre o “dark side of the moon”, sua crateras e etc, até que alguém lhe pergunta quantas vezes o homem já esteve na lua. Quando o guia respirou fundo e disse “veja bem”, me preparei pra ouvir aquelas clássicas teorias da conspiração sobre a simulação da tal viagem à lua em 1969…
Mas foi muito pior!!! hahaha

Ele nos explicou a teoria conhecida e depois nos confessou o que ele realmente acha que aconteceu:
Sua teoria é que o homem foi mais de uma vez à lua (porque já foram os americanos e os russos), mas com missões diferentes das que eles clamam… Na verdade as viagens à lua serviriam para encontros misteriosos, justamente nesse lado obscuro da lua, entre os homens e seres de outros planetas. Nesses encontros os homens levariam DNA humano para pesquisas interplanetárias e receberiam novas tecnologias super inovadas – como foi o caso dos Sistemas Integrados e dos Micro-Chips!!!!
Ele acredita que a troca foi ainda mais rica, com mais tecnologia top, mas como seriam novidades ainda muito avançadas, os cientistas responsáveis por essas trocas estariam guardando muito do que foi recebido, para que a cada 25 anos se divulgue uma parte dela, assim a humanidade iria aos poucos lidando com o super desenvolvimento!

As pessoas ficaram super interessadas! Mesmo!!! Começaram a fazer várias perguntas e comentários, do tipo “como eram esses seres?”, “o que mais eles deram?”, “por que não deram mais?”, “porque somos muito torpes pra receber isso, imagina o estrago que faríamos com as coisas que eles sabem?!”, “e como foi?”, “você sabe mais detalhes?”… assim por diante!

Na hora eu virei pro Lucas e disse (falando sério) “espera…acho que me distrai ou não ouvi alguma parte…porque isso que eu tô entendendo não tá fazendo sentido… que que ele tá falando??”… Quando o Lucas confirmou que eu tinha entendido certo, fomos contar pro Duilio e pro Sergio, que tinham ido até o carro e aí, juro, nós 4 tivemos um ataque vergonhoso de riso!!! Vergonha alheia ao nível máximo!!!
Pelas coisas que o guia dizia, pelas perguntas que as pessoas faziam, pela situação em que estávamos..
Começamos a imaginar a cena e rir muito… os americanos trocando emails pra combinar com os ETs de se encontrar do outro lado da lua, a preocupação deles de estar no lado escuro, porque afinal, imagina se alguém tá espiando o lado claro e descobre tudo! A troca sem gravidade, o interesse imenso dos ETs no nosso DNA, a ponto de trocar isso por tecnologias tão impressionantes que de fato, nenhum ser humanos seria capaz de criar…(microchip e sistema integrado, lembrem-se! rs)
Enfim, HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!
Rimos muito dessa história durante todo o resto do feriado! De chorar!

Sério, acredite no que você quiser, mas se você é um guia de um tour que deveria servir pra ensinar astronomia aos leigos…no mínimo tem que tomar um cuidado com o que sai falando por aí… Não?! rs




Bom, tem tanta frase dessa música que poderia ser o título desse post que os deixo com ela inteira!

“Brigando na Lua”
Premeditando o Breque


Existem fatos que acontecem por aí
E a gente até nem desconfia
Coisinhas da teosofia
Estava eu andando numa rua deserta
Sem população
Tipo das de televisão
De repente no céu vi um fulgor clarante
A resplandecer
Foi quando comecei a crer
Que estava sonhando
Que aquilo era um pesadelo
Nada estava se passando, perdão?

Então na minha frente apareceu
Uma coisa verde, um tanto louca
Tinha três olhos, duas bocas
Disse assim para mim entrar
Na sua nave intergalática
Pra fazer uma turnê lunática
Me convenceu ao mostrar
Sua pistola de raio lazer
E apontando pro meu blazer
Reforçou o convite
Me mostrando um cavaquinho
Com pedal phase
Inovação de japonês
E ao chegar na lua
Recebeu-me o presidente
E sua comititiva
Falando sua língua nativa

Num entendi nada
Porque aqui na Terra não tem curso de lunês
É só alemão, francês, inglês
Tentei falar outros idiomas
Sânscrito, esperanto, bizantino
Latim, hebraico, nordestino
Me senti acoxambrado
Apelei pra mímica
Que é o idioma dos calados

Fiz todos os sinais que aprendi
Na longa estrada da minha vida
Lembrei da minha infância querida
Mas depois de improvisar um positivo
Aí que coisa ficou preta
Até o rei fez uma careta
É que na lua este sinal significa
Falta de hombridade, ih barbaridade
Fiquei apavorado ao ver
Naquelas verdes faces o ar de inimizade
Aí que eu briguei sem gravidade

Ponta-pé, soco no olho e cascudão
Tudo em câmera lenta
Tem pouca gente que agüenta
Saltei de banda, chamei um táxi
E com sorriso varonil
Disse “eu quero ir pro meu Brasil”
Desci no Ipiranga, às margens plácidas
E como ainda era dia
Contei a história pra minha tia
Que mais do que correndo
E me achando louco
Me mandou pra delegacia

Qualé o ploblema com o cidadão aí ô meu?
Ô Denílson, leva o rapaz aqui pra conhecer a sala de

massagem 






"canções de amor se parecem" ?

Não consigo muito explicar poque, mas costumo desconfiar de declarações exageradas de amor.

Outro dia tinha alguém reclamando no facebook sobre esse povo que vira e meche tá atualizando o “status de relacionamento”, sempre afirmando que “agora é pra sempre” com a nova pessoa… Pode ser que isso seja uma grande fé infinita no amor, ou o contrário…

Que o facebook é uma ferramenta narcisista onde cada um faz questão de dilatar a própria felicidade pra divulgar a vida perfeita que leva, isso tem sido muito dito ultimamente.
Meu pensamento de agora passa pelo facebook mas vai um pouco além.

Desconfio, sim, do amor de quem tem que ficar postando com um frequência esquisita o quanto está apaixonado.
Mas desconfio, principalmente, da necessidade de declarações intermináveis, enfeitadas demais, frequentes, demais, floreadas demais…seria falta de romantismo da minha parte?

Sei não…

Eu prefiro o amor sutil, o amor sabido e seguro que não precisa de flores ou posts semanais. O amor que se percebe em um toque, em um ataque de riso, em uma bufada de “ai, isso é tão típico de você”.
 O amor que compartilha um olhar que diz tudo e não precisa de um milhão de linhas (num cartão ou numa rede social).

Sim, sim. Eu sei que andei postando por aqui longas e melosas declarações. Mas foram declarações comemorativas,  porque eu sou sim muito a favor de celebrar o amor!

O que me deixa com o pé atrás é a sensação que algumas declarações me passam de pura insegurança, necessidade de autoafirmação por puro medo… Especialmente no caso de relacionamentos mais novos…
Sei lá, pode ser preconceito meu (e provavelmente é..rs), e pode ser um pouco de inveja também (será?).

Mas o fato é que os pequenos gestos me encantam infinitamente mais do que os grandes “eventos”. Especialmente porque eles preservam a proximidade e a pessoalidade dos envolvidos!

Talvez por isso eu goste tanto da rotina da vida de casada…
🙂

"Quem teme o tapa não põe a cara na tela"?

Tava aqui pensando que esse meu blog meio que ganhou vida própria…

Li em algum lugar que se o blog dura mais de 5 meses (acho), significa que ele deu certo.
Bom, o meu já completou um ano sem nunca ter sido totalmente abandonado – por mim ou pelos leitores…parece bom, né?!

Claro que já não existe mais aquela curiosidade que fazia com que vááárias pessoas x visitassem o blog quando eu divulgava uma postagem. O número da média de visitas mensais caiu bastante do surgimento do blog até agora, mas o interessante é que mesmo em dias (ou semanas…mea culpa!) que fico sem escrever, ou que fico sem divulgar post, há um fluxo de visitas ao blog. Fluxo pequeno, é verdade, mas só de ele existir fiquei feliz!

O que eu notei nessa vida de “blogueira” é que existe uma espécie de “comunidade blogueira”. 
Funciona assim: você tem um blog, aí você começa a pesquisar sobre outros blogs, encontra alguns que você gosta e começa a segui-los. 
Até aí tudo bem, cumpro bem essa parte.
O problema são os passos seguintes: você vai nesses blogs e deixa comentários, é simpático com o escritor, comenta e elogia seu trabalho e, por que não, o convida pra dar uma passadinha no seu blog.
É só fazer isso em um número relativamente pequeno de blogs e pronto, você tá na rede! Se algumas dessas pessoas gostarem do seu blog vão te “seguir de volta”, comentar no seu blog e, com sorte, divulgar seus textos no próprio blog!
Paraíso de um blogueiro novo: ser citado em um blog que já está “nos meios”! E é assim que se faz a fama no mundo virtual! hahaha


Nada contra esse processo, mesmo! O problema é que eu não sou uma pessoa social ou sociável (lembram???). Nem no mundo real, nem no mundo virtual!!!
Aproveito, inclusive, pra pedir desculpas às pessoas que chegaram aos meus blogs por não sei que caminho, que deixaram comentários bacanas e não receberam a retribuição.
Não é falta de educação, nem falta de vontade… é só falta de tato mesmo…hahaha
Até entro no blog de volta, leio, gosto… mas aí fico pensando… vou escrever o que?? Me apresentar como?? Deixar meu link??? aaaahhhh… Não consigo! hahaha

Talvez isso signifique pro meu blog que ele vá continuar nessa vidinha de tráfego baixo…
Mas como eu disse desde o princípio dele, escrevo baboseiras (principalmente do dia a dia) para aqueles que tem paciência comigo…ou aos que tem carinho por mim, também vale!
E a esses, sempre, meu muito obrigado pela “presença”!


Às novas visitas… bom, bem vindos, claro!!!
Desculpem o mau jeito… uma hora quem sabe, me acostumo com vocês por aqui, ou com a dinâmica desse novo mundo..deixo a timidez de lado e entro na onde, né?!? Um dia, quem sabe…


"Finja que agora eu era o seu brinquedo"

Lembro como se tivesse sido ontem. 
Lembro do arrepio na espinha quando te via de longe, destacado no meio da multidão, se aproximando de mim.
Do frio na barriga que vinha quando sentia seu cheiro mais de perto.
Das festas sem sentido que eu ia só pela companhia. 
Lembro da festa Hawaiana com a nada discreta e bastante provocante brincadeira de me sujar de neon. Da colega “intrometida a cupido” que provavelmente só atrasou o processo todo. Da carona oferecida (mesmo sem espaço no carro) e aceita (pra ganhar um pouquinho mais de tempo).
Lembro da noite, véspera de feriado, de horas infinitas, de jogos infinitos, chocolates saborosos e amigos demais – na sala que já deveria ter sido só nossa.
Do ônibus antes das 6 da manhã, que chegou cedo e rápido demais. E da aflição de, pela primeira vez, me despedir de você e ver da janela o distanciamento…

Lembro do nervosismo do primeiro encontro (sim, sempre fui bobinha!). Da desculpa esfarrapada de ir ao teatro. Da ajuda amiga na “rebolada” pra conseguir chegar naquele cinema no fim do mundo.
Lembro do joguinho de aproximaçãoXdistanciamento nas cadeiras do tal cinema. De ter sido “sequestrada” pro seu carro e conhecido de fora sua casa.
Lembro dos seus amigos muito simpáticos, bastante bêbados e/ou nada discretos.

Lembro do toque no cabelo mais macio que já conheci. Dos piercings no meio do caminho. Das horas de conversa. E das horas e horas e horas do colo confortável e mega paciente. 
Lembro do cafuné carinhoso que gentil e espertamente se transformou no tão esperado Primeiro Beijo.
E me lembro do frio na barriga que veio deliciosamente congelante e das borboletas que vieram definitivamente morar no meu estômago.
Lembro de, mais uma vez, ter que me despedir cedo demais de você, mas com direito, agora, ao beijo de despedida.

Lembro tão claramente das cores e das luzes, tão intensamente dos cheiros e tão perfeitamente dos gostos que chega a ser difícil acreditar que isso tudo aconteceu há 7 anos!

7 anos de história é história pra caramba!

E como todo bom livro, é uma história que começa com as melhores páginas possíveis, pra prender o leitor logo de cara e fazer com que ele não consiga mais largar o livro, esperando sempre saber o que mais vai acontecer. Mesmo que esse livro se proponha ao “viveram felizes PARA SEMPRE” e mesmo que o interessante da história seja o caminho até esse “sempre”.

Vamos lá!


2005


"Hora de ir embora"

“Arte de deixar algum lugar
Quando não se tem pra onde ir”

Minha visão do paraíso é um show eterno do Chico Buarque…

Esse de hoje foi especial demais! Fiz questão de não ler antes a setlist e fui me encantando a cada começo de música. Foi perfeito! Pérola atrás de pérola!
Acho que quem montou essa setlist conversou antes com meu iTunes, ou é alguém que me conhece muito bem e sabe direitinho o que eu gosto… Impossível não chorar ao ouvir algumas “primeiras notas”…
Típicos “agora que ouvi isso ao vivo, já posso morrer”. rs
Na verdade comecei a me emocionar logo que chegamos na mesa…hahaha
Chorei um monte o show inteiro e mais um bocado quando acabou…
E claro que agora faltam palavras pra descrever a maravilha, desculpem!

Fica a pergunta de sempre: “por que tem que acabar???”
Sair da beirada do palco (sim, eu assisti o bis debruçada no palco!!!), virar as costas e ir embora…putz! Chega a ser cruel…

Mas não tem jeito…o show acaba, o palco vai sendo esvaziado e em algum momento preciso sair. Por mais que eu gostaria de ficar lá, fantasiando que posso sentir o perfume do Chico, babando no copo de água babado por ele, procurando algum possível fio de cabelo que tenha caído e me sirva de material pra uma futura clonagem, sei lá (rs), alguma hora preciso ir embora.

Mas ir embora já tá virando rotina pra mim…

Acabou o show como acabou a viagem.

Volto amanhã pro Chile com a alma lavada pelo show apaixonante, o coração aquecido pelos abraços e beijos recebidos, a barriga cheia de todas as delícias saudosas comidas, a mala pesada com alguns presentes ganhados, algumas saudades que ficaram sem solução…
E já volta aquela característica divisão de sempre.

Quero ir mas fico triste por não ficar, sabe como é?



“Hora de ir embora
 quando o corpo quer ficar
Toda alma de artista quer partir…”


Então, como disse o Chico: “Adeeeeuuuussss””




"quando o homem exagera"

Peguei o certificado de Pedigree da Maní pra passar os dados pro atestado de saúde que ela precisa pra ir pro Brasil e tava prestando atenção numas coisas…

Ela só tem uma avó, que é mãe do pai e da mãe, ou seja…seus pais são irmãos!
E não pára por aí, vários outros nomes se repetem na pequena árvore genealógica de (apenas) 4 gerações…

Esse tipo de coisa me revolta muito!

Carrego comigo uma culpa, que vivo tentando esconder de mim, por ter uma cachorra de raça.
Minha justificativa racional faz sentido pra mim: nunca tive cachorro e nunca gostei de cachorro, portanto, quando escolhi ter um, precisava garantir algumas características pra que pudesse aprender a viver com esse novo animal.
Eu não podia correr o risco de pegar uma vira lata que cresceria demais ou que latiria demais…ou que exigisse de mim coisas e paciências que eu não sabia se teria com um cachorro. 
Porque desistir depois de ter JAMAIS seria uma opção pra mim, mas viver com um bicho que não me agradasse também não faria nenhum sentido…
Como expliquei outras vezes, por causa do novo estilo de vida – expatriada, com país de origem pra visitar e país novo pra conhecer – não daria pra ter meus favoritos gatos. E não ter bicho nenhum, nem pensar!
Decidido que seria cachorro, fiz uma mega pesquisa, li um monte, pesquisei na internet, conversei com veterinários…tinha que ser o cachorro certo. E foi assim que escolhi o Shih Tzu.

É uma raça incrível e que sempre recomendo pra quem tem o estilo de vida parecido, ou mora em apartamento ou tem criança em casa…é excelente!
Mas é de raça, é criada e é comprada!

Um dos momentos em que isso mais pesou pra mim foi quando cheguei em casa e encontrei a Maní tremendo, como se tivesse engolido um celular no vibracall; tremedeiras fortes e ritmadas que vinham, tremiam e passavam…
Liguei assustada pro veterinário e ele me deu uma lista de sintomas pra prestar atenção, disse que poderia ser uma convulsão já que, nas palavras dele, “epilepsia é uma doença comum nessa raça”.

Putz, além do susto de ver sua filha com provável epilepsia, fiquei muito puta comigo! Porque independente da pesquisa e da raça escolhida, minha filha é a Maní e saber que ela estaria sujeita à uma doença tão séria por causa do egoísmo do ser humano que fica fazendo essas criações bizarras – seja pra “melhorar” a raça, seja pra ganhar dinheiro… Putz, que raiva! Raiva disso existir e raiva de compactuar com isso!
No final a tremedeira era um sintoma bizarro da gravidez psicológica em que ela estava, portanto, nada sério, susto deixado pra trás, ufa!

Mas fora isso, ela tem vários outros defeitinhos genéticos, como o dedo a mais no pé direito ou as mil e uma alergias ou o problema dos vômitos inexplicáveis..


Amo minha pequena, com raça ou não, do jeitinho que ela é, não troco por nada e tô pouco me lixando pra esses “defeitos”, mas realmente me revolta pegar a árvore genealógica dela e saber que isso tudo poderia ter sido se não evitado, pelo menos amenizado, se esses criadores de merda não fizessem esses cruzamentos ridículos pra garantir uma coisa qualquer que dê dinheiro pra eles…

Pensar que ela pode vir a sofrer por causa disso é de revirar o estômago, mas não tem muito o que fazer agora, a não ser cuidar dela da melhor forma que posso.

A maior vantagem dessa história é que a Maní, raça escolhida, acabou me ensinando que muita coisa que eu queria garantir depende muito do “indivíduo cachorro”, mais do que qualquer raça. E me ensinou também, claro, a gostar de tudo que é cachorro! (apesar de, confesso, ainda não ter paciência pra latição nenhuma! rs)