“O leite do peito” – 2

O que eu aprendi nesses 6 meses é que amamentação depende de quase tanto do empoderamento materno quanto o parto (eu disse ‘quase’!)
A gente cresce achando que amamentar é natural, no sentido de que é só plugar o bebê ali e pronto!, ele mamará feliz e ficará satisfeito! Só que não é bem assim! Amamentação é aprendizado, é relacionamento – e cada dupla mãe-bebê tem que aprender a se relacionar assim!
O bebê nem sempre nasce sabendo mamar da maneira correta – Se não tiver nascido muito prematuro, o reflexo da sucção ele tem, claro, mas isso não quer dizer que ele saiba mamar de maneira eficiente… Como a mãe nem sempre sabe amamentar direitinho…
É preciso paciência, é preciso que se ensine e que se aprenda – muitas vezes é necessário que se tenha uma ajuda externa mesmo…
Mas ao mesmo tempo, amamentar É natural! Eu realmente acredito que a grande maioria das mães é capaz de amamentar (como a grande maioria é capaz de parir, mesmo não sabendo disso)!
E além do aprendizado (ou só com o aprendizado!), a amamentação depende do correto funcionamento dos hormônios ali, naquela bat-hora, naquele bat-canal! Depende da prolactina e da ocitocina (olha ela aí de novo!!) sendo excretadas no momento da mamada pra que o leite possa ser produzido e ejetado (por cada hormônio desses, respectivamente)!

E justamente o que torna a coisa tão incrível é o que a torna tão frágil, eu mesma ja vivi mais de uma vez na pele e posso testemunhar: se há algum stress ou algum nervoso maior, o corpo da mãe passa a excretar adrenalina (grande inibidora de ocitocina!) e o leite que estava ali jorrando lindamente, puf!, some! Some mesmo, é uma questão de instinto de preservação, gente – mamíferos não se alimentam e não alimentam suas crias em “situações de perigo”!
É preciso – especialmente no comecinho – que a mãe esteja tranqüila, num ambiente em que se sinta bem, babando e lambendo a cria pra que o bebê também possa estar tranquilo e então os dois se conectem como é necessário e a amamentação aconteça! Além disso é preciso que o bebê mame sempre, estimulando o peito e garantindo que haja produção – “peito não é estoque, é fábrica”, dizem sempre as especialistas no tema!

E o processo é frágil porque rapidinho vira uma bola de neve: uma mãe muito cansada, que ainda não conseguiu se acertar com a amamentação e está com os mamilos feridos, um bebê que sente o nervoso da mãe e fica nervoso por tabela, chora bastante, não se acalma pra pegar o peito como deve… Enfim, a coisa não flui, claro…o bebê não mama como deveria, e logo aparece alguém de fora pra dizer que aquele choro é fome, ou um pediatra pra pesar e fazer careta…
E aquela mãe, que está cansada e insegura vai ficando com medo, mais insegura, descrente de si, desesperada pra ver sair alguma gota de leite do próprio peito…e aí não há como esperar que o sistema de liberação de hormônios + produção de leite funcione, né?!
Só que o fulano que te disse que seu filho ta com fome não vai te explicar tudo isso e vai ter um montão de gente pra te indicar leites artificiais pra “acalmar” seu bebê – e acalma, não tenho dúvidas!
E é aí que a tendência é a bola de neve virar avalanche: quanto mais mamadeira o bebê toma, menos no peito ele fica, menos estímulo o corpo da mãe recebe, menos leite ela produzirá, de mais mamadeiras o bebê precisará…… Deu pra entender, né?!?

E é por isso que eu digo que amamentação depende de empoderamento: a mãe precisa querer e precisar saber que “só” querer não basta!!! É por isso, aliás, que eu acho que a via de parto está muito associada ao sucesso ou não da amamentação: eu acho que mulheres que passam pela luta necessária atualmente pra parir aprendem a confiar em seus próprios corpos e na natureza; aprendem a buscar informações em fontes confiáveis; aprendem a não escutar a primeira dificuldade que aparece (ou o diabinho no ombro que aparece junto com ela) e aprendem a buscar soluções alternativas – tanto quanto aprendem a reconhecer quando é necessário pedir ajuda e ainda a recorrer ao “menos natural”, porém às vezes indispensável, como seria uma cesárea ou um leite artificial…
(Isso não quer dizer, é óbvio, que uma mãe que passa por uma cesárea não seja plenamente capaz de passar pelo mesmo processo de aprendizado sobre aleitamento e/ou amamentar satisfatoriamente!!)

Mas, repito, ter todas as informações não garante sucesso absoluto, só é um começo com um pouco mais de garantias e segurança, né?!
Afinal, a teoria é sempre mais fácil e simples do que a prática, mas a prática é muito mais possível quando temos uma boa bagagem de teoria!!!

***Ps. importante: grande parte das informações postadas aqui no blog sobre o tema da amamentação eu aprendi no “Grupo Virtual de Amamentação” (do facebook) e no site “Amamentar é…“, que eu adoro!
Por enquanto os deixo citados como fonte e recomendação, mas faço questão de depois voltar e contar “minha relação” com essas páginas!

Ah!!! Quer saber porque eu resolvi falar de tudo isso?
Oh:

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10 pensamentos sobre ““O leite do peito” – 2

  1. Tô adorando essa série. Também vivo escrevendo sobre amamentação no blog e adoro amamentar. Mas é uma luta e concordo contigo que precisamos estar preparadas. Acho que a informação tem esse papel de nos deixar ligadas, atentas, em contato com aquilo que queremos. Não garante tudo, mas ao menos nos coloca num clima propício, né? Beijocas, Alessandra

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  2. Com certeza!!!! Muito do fracasso da minha amamentação se deve à falta de informações que eu tive, muito embora o Thomas soubesse sugar e mamar desde o começo. Num próximo filho, vou usar as conchas rígidas desde a descoberta da gravidez, pra garantir que eu tenha bico e possa amamentar e mandar as fórmulas pro espaço! 😉
    bjosss

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  3. Ah Gabi… como eu fico feliz de ler essas coisas por aqui.
    Pretendo amamentar os gêmeos exclusivamente com leite materno, e isso meio que já me deixa preparada pra uma guerra, com a maternidade que insiste em dar o complemento (o que eu já deixei claro, que se complementarem as crianças contra a minha vontade sem indicação real, eu vou processá-los), dos pediatras aqui no Rio que insistem em complemento com leite artificial, enquanto aqui temos o maior banco de leite do Brasil, e principalmente contra os “pitacos” familiares… Que viveram a época de ouro da amamentação com leite artificial.
    E posso dizer com todas as letras, mamãe me amamentou pouquissimo… Ela teve hemorragia puerperal, perdeu peso demais, o leite secou… ou seja, como vc disse lá em cima, adrenalina demais no corpo. E eu sou uma das pessoas menos saudáveis que conheço. Tenho alergia alimentar e pulmonar, além de outras cagadinhas de aparelho respiratório eeeeee tive que usar aparelho por anos.
    Por isso, como mamãe ficará aqui comigo, já deixei anotado no meu pinguim de geladeira com telefones de emergência do Fernandes Figueira, se der algum problema, afinal, ajuad profissional nessas horas é o que há.

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    • Pois é, Carol… De certa forma, essas barreiras externas atrapalham mais do que as “dificuldades naturais” (que aparecem mesmo, não tem jeito!)
      Estar preparada para a “luta” é um grande passo e saber onde pedir ajuda, outro enorme!!!
      Tô torcendo aqui pelo sucesso – amamentação de gêmeos é coisa linda demais e seus pequenos merecem os benefícios! (E vc merece as delícias! 😉 )
      Beijos

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  4. Gabi, você falou e disse tudo! Olha, a ocitocina é tudo de bom, né?!
    Concordo plenamente contigo sobre a informação e sobre o parto. Li muito antes de parir a Liana e isso me ajudou demais. Mas não foi só isso que me levou ao sucesso de amamentação que estamos tendo – foi também o meu parto lindo que liberou o hormônio do amor no meu corpo, foi a ajuda dos profissionais no hospital, as enfermeiras eram como anjos me ajudando e incentivando a amamentação. Se os profissionais tivessem me tratado mal, como infelizmente vejo em tantos relatos de mulheres que são tratadas sem respeito algum em hospitais do Brasil, eu duvido que teria sido como foi comigo.
    Eu nunca passei por algo que fizesse diminuir meu leitinho, e espero que assim continuemos – muito leite e muito amor! E é isso que desejo a você e e todas as mães!!
    Beijos, Rita 🙂

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    • Siiiimmm, Rita, muito bem lembrado!! A “mágica hormonal” que é o parto faz uma batia diferença no sucesso da amamentação!
      É ser mau tratada, ou simplesmente mau orientada nesse comecinho pode ser fatal para o processo… Uma droga saber que tem tanto disso por aí ainda, né?! =\
      Beijos e muuuito leite pra nós!!

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  5. Que perfeito seu texto! Essa coisa da teoria e prática é realmente um longo percurso a ser percorrido. A gente vê mães amamentando seus bebês lindamente e, quando chega a sua vez, vc se sente exausta, com peitos feridos e duros, cheios de leite, um bebê afoito querendo aprender, estressado… É necessário todo um apoio emocional de sua família pra te acalmar num momento como esse e te dizer “calma, vc vai conseguir. É só um período de adaptação”.
    Lá em casa a falta de informação foi geral e a constatação do baixo peso da pediatra no primeiro mês fez todo mundo aceitar de imediato a introdução do leite artificial. Inclusive eu – a contragosto, mas de acordo. Depois que essa fase crítica passou, o empoderamento voltou (graças a Deus!). E Elis ama demais o pepê dela. Fico muito feliz em vê-la procurando meu peito, tentando arrancar minha blusa quando chego do trabalho, deitando ela nos meus braços e vendo ela relaxar mamando. Agradeço muito a Deus por poder viver essa etapa – mesmo não alcançado a exclusividade até o sexto mês.
    Bjs

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    • Realmente, Naty, é importante ter gente em volta informada tb, né?? Mesmo que a gente tenha “estudado”, na hora do aperto é fácil esquecer toda a teoria..importante ter alguém do lado pra nos lembrar…
      Putz, adoro acompanhar a maturidade e independência com relação ao mama!! Essa fase da Elis deve ser gostosa demais!!
      Beijos!

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