Porque sim, Zequinha

Talvez seja ainda reflexo do livro “Na terra somos belos por um instante”, talvez seja porque estou reassistindo “Sex and the City” (não pergunte, não sei explicar) ou ainda talvez seja algum tipo de acordo que assinei comigo mesma sem saber. Não sei.

Sei que ontem foram dois textos. E hoje cá estou pra mais um.

Dessa vez não tenho nada pronto na cabeça ou um assunto pré definido pra destrinchar. Acho que vim pro ar não faltar. Vim pra inspirar – não é bonito que inspiração tenha esses dois sentidos que tem?

É como se a casa (essa, específica, que nunca me viu “escritora”) pedisse pelos sons do teclado. Ou como se o café e o gato em cima da mesa tivessem sido escolhidos a dedo pela direção de arte, pra complementar o ambiente deste trabalho.

Escrevo porque preciso. Hoje, escrevo porque quero simplesmente escrever.

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Fazendo (muito) ponto cruz ano passado eu descobri que não sou perfeccionista, mas porque será que insisto em buscar uma única resposta certa quando volto pra esta pergunta básica?

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Talvez a última frase devesse ter sido conjugada em outro tempo, porque a verdade é que aprendi a arriscar e a tentar antes da certeza – e olha que dizem que sou ariana de signo e ascendente! – mas por algum motivo, esses dias me peguei novamente no “tudo ou nada”.

Deve ser por isso que estou aqui hoje, simplesmente digitando o que quer que saia. Pra não ter que esperar a resposta certa. Pra não ter que ficar parada esperando. Pra simplesmente permitir – Ser.

Digito como quem coloca ar nos pulmões

Eu choro porque quero voltar a escrever ao invés de sentar a bunda e digitar. Sofro porque as ideias não fluem, mas não dou momentos de vazão pra elas.

Sofro do “tudo ou nada”. Quero ser. Não sou. Será? Fui? Serei?

É uma vida inteira de viver porque escrevo, enquanto circulo por aí tentando inventar do que viver. Morro de saudades. E, afinal, o que me impede de retornar?

Há algumas semanas li um livro que me encantou absolutamente. Romance escrito por um poeta; uma carta para a mãe analfabeta. Triste e lindo. De uma poesia narrativa que me emocionou diversas vezes. A beleza da linguagem me trouxe com força a vontade de (voltar a) narrar a vida.

Já tem um tempinho que faço aparições esporádicas nesse blog. Escrevo meio que falando sozinha (tem alguém aí?? Manda um sinal de fumaça se estiver lendo 😛 ), com uma liberdade – de assunto e número de caracteres que o instagram não comporta.

Não é de hoje o conflito de “escrevo pra ninguém, mas quero ser lida”. Tampouco é nova a pergunta “escrevo pra quê?”.

A conclusão também se repete: Escrevo pra entender a mim mesma, ao mundo e à mim mesma no mundo. Escrevo pra pensar. Escrevo pra existir.

Deve ser por isso que nas fases em que quero viver anestesiada e alienada a escrita some de mim… E também por isso que o desejo de voltar a escrever é o primeiro suspiro na volta à superfície (ou seria profundidade?)

Enquanto digito essas linhas, o som do teclado me comove, me faz sentir em casa, me dá oxigênio e me traz também uma certa tristeza pela ausência tão longa…

Me agarro em todas essas sensações prometendo a mim que desta vez o retorno será constante. Será?

Dezembro 2021

Dezembro de 2021 começou com gostinho de “vida pós pandemia”. Fomos ao cinema e à restaurantes, as crianças iam à escola (de máscara, mas com tranquilidade), recebíamos amigos em casa e não faltava quase nada pra chegar a data da tão esperada ida ao Brasil.

Depois de quase 2 anos sem poder ir eu estava desesperada pra correr ao abraço dos meus amados na terrinha. Durante o primeiro par de ano pandêmico, pior do que não estar no Brasil era não ter perspectiva alguma de quando isso aconteceria. A passagem estava comprada há alguns meses e sentir o gosto do “retorno da vida” aumentava ainda mais as expectativas sobre a viagem.

Mas cerca de 10 dias antes do nosso embarque vimos chegar ao Canadá a tal da nova e terrível variante do vírus. Aí, minha gente, o pânico se instaurou em mim. A vontade era trancar a nós 4 numa bolha pra não corrermos risco de um contágio de última hora – numa tentativa meio maluca de “ignora que o problema some”.

Como a bolha não podia existir, fomos seguindo os dias…que nos brindaram com um misto de alergia e resfriado que me enlouqueceu ainda mais, óbvio. Eu queria entrar num avião e ir correndo viajar antes que descobrissem o catarro nos nossos narizes. Eu queria cancelar tudo porque que egoísta seria entrar num avião doente. Eu queria voltar no tempo e ter de fato colocado todo mundo na tal bolha.

Entre muitos choros entalados e alguns colocados pra fora, muita ansiedade, angústia, medo e nervoso, chegou o dia da viagem. Com vários testes negativos, um restinho de catarro e um tanto de medo de que nos jogassem pra fora do avião se as crianças começassem a tossir, voamos! Uma viagem agitada – como estava eu todinha por dentro – que nos levou pra onde eu queria tanto estar.

Em São Paulo, ainda não tinha variante nova e o gosto pós pandêmico pairava no ar. Um tanto por isso a chegada teve abraços e muitos suspiros de alívio.

Como sabíamos que ainda tinha mais pandemia pra vir, optamos por diminuir ao máximo a circulação – as saudades matadas seria só as mais essenciais.

E assim foi: Um mês e 2 dias de terras brasilis. Pouca ação e muito amor. Convivência, papos ótimos, abraços, comidas, risadas, choros, colos…aquela sensação toda que conheço tão bem, de estar em casa, na terra que não é mais lar. Sentir refúgio e acolhimento nas pessoas e no ar.

Terminamos a estadia em isolamento, com medo do vírus que se espalhava como água que as tempestades tropicais tanto derramam por lá.

De novo aquela vontade assustada de se trancar longe do mundo, mas dessa vez com menos desespero e mais consciência.

Segunda feira, metade do primeiro mês do novo ano, voltamos. Com o coração minúsculo – ainda que com muita vontade de voltar pra casa, chorei doído as despedidas. No Canadá caía uma quantidade de neve histórica e eu me sentia mesmo afundar na bagunça branca das emoções. Nossa casa nos esperava coberta, nossos bichinhos, carentes, nossos amigos ainda distantes (porque: lockdown).

Voltamos.

À vida já conhecida. De lockdown já conhecido. De pandemia já conhecida. De tarefas repetitivas já conhecidas. De coração confuso e aliviado e cansado e feliz e apertado e….

Voltamos.

E pra cá? Eu sempre volto… ufa!

(não sei mais escolher título porque no instagram isso não existe)

Há quase 2 meses resolvi deletar instagram e facebook do meu celular. Aquela história meio clássica de perceber que a quantidade e o tipo de informações que estavam vindo de lá estavam me gerando mais angústia do que as boas sensações de conexão interpessoal que eles propõe, sabem?!

Deletei do celular, mas mantive ambos no tablet, porque não estava exatamente preparada para lidar com crises de abstinência..hahaha. Acontece que naquele momento as crianças estavam em casa, tendo aulas online e quase todas as mil vezes que eu sentia vontade de entrar pra dar uma olhadinha nas redes, o Dante estava em aula no tal tablet e eu não podia usar.

E assim, uma vontade frustrada por vez – mas não todas, eu fui me desintoxicando…rs

E o negócio é muito louco: quando fico uns dois dias sem entrar, esqueço um poucos que as redes sociais existem. Mas a cada vez que eu entro, a vontade de voltar lá fica me assombrando durante o dia.

Atualmente estou entrando mais ou menos uma vez a cada dois dias. Mas quando estou lá quase nada me prende. Não gasto mais do que 5 minutos e tchau.

Passei por uma fase em que estive expert na previsão do tempo, porque, por hábito, abria o celular várias vezes e ao me deparar com a falta de timeline, ia parar no aplicativo do tempo! hahahaha Depois veio a fase de perder o celular pela casa 500 vezes por dia, porque simplesmente não tinha utilidade pra ele na maior parte do tempo. Hoje estou meio adaptada a essa nova relação com a tecnologia…rsrs

É estranho, confesso. Me sinto um pouco por fora do mundo. Me sinto alienada e, politicamente isso me incomoda. Me sinto afastada de algumas pessoas queridas com quem meu contato era quase exclusivamente pelas redes.

Mas ao mesmo tempo tenho muitíssimo mais tempo livre na vida: Estou aprendendo a tocar teclado, fazendo ponto cruz e exercícios físicos… (ou melhor, estava, pois depois de um curto período presencial, as crianças acabam de voltar para as aulas online e minha rotina está toda uma bagunça novamente).

Enfim, tem sido uma boa experiência que, de quando em quando, me pergunto quanto vai durar. (Ao começar esse texto me surpreendi com a constatação de que já foram quase 2 meses – a noção do tempo tá maluca demais!)

E esse texto tá vindo parar aqui porque, ainda que as vantagens de estar fora das redes esteja compensando as perdas, tenho sentido falta de ter meu lugar pra escrever. Eu podia postar isso aqui lá e sair correndo, claro. Mas não é assim que as redes funcionam, né?! Os likes, as notificações…tudo aquilo fica alimentando minha ansiedade, me chamando pra ir olhar quem viu, quem viu curtiu, quem postou, quem gravou vídeo, quem brigou….e aí, puf, me perdi num buraco infinito outra vez! hahaha
Aí me lembrei desse espaço aqui. Minha “tela primordial”. Meu cantinho amado de que eu sinto tanta falta!

De vez em nunca eu apareço aqui e prometo que “voltei”. Dessa vez não tem promessa, só espaço, folha em branco, tempo e oportunidade. Veremos o que acontece com tal encontro!

Prazer, Gabi.

Eu moro no silêncio.

Me alimento de vazio.

Me recarrego na solitude – no lado de dentro.

Quando falta espaço fora, eu crio.

Quando o fora sobra, eu piro.

Respiro um ar só meu, não gosto de dividir oxigênio.

Compartilho, isso sim, o colo. Ofereço suspiros.

Só expando quando posso introjetar primeiro.

Sou lenta, não peço pressa.

Eu paro pra ver. Estou sempre escutando.

Preciso aprender a desligar.Acho que já ensinei a esvaziar.

Quero guardar cada gota do que vivi. Tenho medo de não caber.

Tenho origem, mas não tenho raíz.

Me movo e procuro para não encontrar.

Quero tecer a cama das memórias sem grudar o futuro em minha teia.

Vou. Não sei ficar.

Vôo. E já posso pousar.

Ouve: sou feita de silêncio e música!

Dança comigo?

Qué pasó?

Como o tempo de ausência foi grande e a vida andou um tanto nesse intervalo, desta vez ao invés de fingir costume com o sumiço (ao qual este blog já está, na verdade, mais do que acostumado…rs) vou vir aqui dar uma atualizada nas coisas.

Desde a última vez que escrevi aqui, já mudamos de país mais uma vez! rs Depois de pouco mais de um ano e meio morando de volta no Brasil, eu e o Lucas já estávamos com bastante vontade de sair de lá (essa história pode dar outro post, topam?) e começamos a mexer os pauzinhos…rs Não demorou muito pro Lucas ser aprovado numa vaga no Google de Toronto (Canadá) e é aqui que vivemos, então!

Cecília chegou aqui com quase 5 anos e Dante com 2 e meio. A adaptação foi como sempre é…hahaha. Difícil, claro, mas nenhum bicho de sete cabeças pra quem já fez tantas… Dante ficou meio perdido com o processo todo, mas sem grandes crises. Pra Cecília essa deve ter sido a mudança mais complexa até agora – ela já tinha muitos vínculos que fizeram a distância doer! Diria que demorou uns 5 meses até as coisas estarem mais ajeitadas pra todos…

Agora, 1 ano e 7 meses depois da chegada, tenho dois filhotes bilingues que falam inglês melhor que eu (adoram me corrigir, aliás) e super adaptados à vida Canadense!

Quer dizer, agora, agora mesmo, tenho dois filhotes adaptados à vida dentro de casa, porque, né, pandemia!

Já passamos por quarentena bem fechada, a fase das pequenas saídas só ao ar livre, nas horas de ninguém mais na rua e agora Toronto já está na fase 3 de reabertura, então a vida tá, sim, voltando ao normal e estamos até vislumbrando volta das escolas em setembro. Veremos!

Outra novidade fresquinha é que vamos mudar de novo! HAHAHA

Calma, agora é só de casa (e tecnicamente, de cidade, porque vamos sair de Toronto e ir pros subúrbios…rs). Na prática isso significará escola nova, casa maior, piscina no quintal e amigos queridos beeem pertinho (com filhos na mesma escola e tudo).

Lucas continuará trabalhando de casa por provavelmente mais um ano, então achamos que faria sentido ir um pouquinho mais longe, pra desfrutar algumas vantagens…

Eu continuo trabalhando NA casa (rs), mas estou traçando novos caminhos que faço questão de voltar pra contar logo menos!


Manísoca está aqui, firme e forte! E velhinha! rs Já faz bastante tempo que ela não “quase morre”, a saúde tá ótima, mas ela já está pra fazer 10 anos e a idade está dando seus sinais no corpo… O coração aperta de perceber que ela está enxergando super mal, por exemplo, mas fica quentinho toda vez que ela vem se aninhar pertinho de mim! ❤

E acho que era isso que tinha pra atualizar!

Aos pouquinhos venho entrar mais nos detalhes e, logo logo, aparecer aqui será tão costume que a vida toda estará bem atualizadinha! hahahha

Beijos


“A volta do Malandro”

Já tem quase dois anos que eu não entro nessa página em branco do wordpress. Sinto um frio na barriga que tem sabor familiar, ainda que a ausência prolongada o traga com um tempero diferente.

Esse blog deixou de ser alimentado porque as redes sociais tomaram um pouco seu lugar, porque a vida tomou um pouco seu lugar…. Mas já tem um tempo que sinto uma saudade louca de escrever mais rotineiramente. Saudade de anotar aqui as coisas corriqueiras da vida, de ter esse espaço de compartilhamento mas, principalmente, de registro e memória.

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No começo desse ano eu havia decidido apagar esse blog, mas antes quis garantir ter guardado comigo tudo o que já postei por aqui. Como não encontrei nenhuma forma mais prática e rápida de salvar os posts em forma de texto, comecei a fazer manualmente, copiando post a post e, claro, aproveitando pra reler tudinho. Ainda estou vivendo esse processo (que vai longe, por enquanto só copiei o ano de 2011 hahahaha) – e talvez um pouco daí venha toda essa saudade e vontade de retomar.

Tem sido muito lindo reencontrar essa Gabi de quase 10 anos atrás. Recém casada, recém expatriada, ainda na faculdade, recém mãe da Maní, sem filhos, etc. Eu vou me reconhecendo em várias linhas, me estranhando em tantas outras… vou enxergando caminhos traçados e recordando de passos que eu já não lembrava de ter dado.

E aí que no meio dessa experiência e dessa vontade, uma amiga querida (conquistada justamente aqui nesse blog!), a Marina, abriu um grupo de escrita chamado “A memória dos dias”. Um convite para resgatar o hábito de escrever e registrar o agora. Uma trajetória de escrita afetiva, curativa e emocionante!

Amei a sincronicidade do convite e fui correndo participar!

Quando a Marina nos perguntou qual era nossa intenção no processo e quando nos convidou a ter um lugar especial pra fazer os exercícios da jornada, eu não tive dúvidas de que aquela era minha porta de retomada pra esse lugar aqui e que não há outro caderno ou arquivo em branco que mereça mais esses escritos do que o canto tão amado que é esse blog!

Então, sim, estou voltando pra casa! Pra registrar o banal, o mundano, o vivido, o sonhado… pra colocar meus mimimis de sempre, pra dividir as conquistas, pra guardar o agora nesse potinho de memórias!

Termino esse post como quem entra num lugar familiar que há muito não visitava… reconhecendo os cheiros, procurando manchinhas novas nas paredes e encontrando as marcas já conhecidas… Espero ficar bastante por aqui. Puxa uma cadeira, vamos fazer um chá? Acho que dessa vez vai ter bolo! Fica?

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{não pretendo voltar àquele padrão de divulgar os posts no facebook, mas se você é uma das poucas pessoas que acabou chegando a esse post por email ou por notificação do wordpress, bem vindo de volta! 🙂 }

“Risonho e terno”

Segunda feira dessa semana a Grazi , secretária da escola do Dante veio me contar que, sem querer, tinha descoberto (e adorado! ❤ ) esse blog!

Hoje a Pati, uma amiga querida, me disse que as coisas que eu escrevo plantam sementinhas que reverberam em forma de muitas coisas positivas… ah, que amor, gente!!!

E esses dois acontecimentos me deram força (e cara de pau) pra reaparecer aqui como se não tivesse sumido por tantos meses, sem me desculpar, justificar nem nada do tipo…

Vim continuar esse papo sempre tão bom que temos, como se ele nunca tivesse sido pausado… Vamos?!
E vou retornar contando que tenho usado esses tempos sombrios que estamos vivendo pra ter umas conversas muito lindas e importantes com a Cecília.

Enquanto eu acompanho os bafafás acabo abrindo vídeos barulhentos que chama a atenção dela. Ela vem correndo se pendurar em mim pra ver junto e, claro, as perguntas surgem: “porque ela está cantando “ele não”?”, “porque essas pessoas estão gritando?”

“o que é protesto?’ , etc…

E eu tenho tentado explicar pra ela o que está acontecendo…

Já disse que estamos em período de eleição, expliquei que estamos escolhendo presidente (entre outros), mas que está bem difícil porque há muita briga e muitas opniões opostas em jogo. Também contei que tem um homem querendo ser presidente e que tem muita gente – eu inclusive – achando que ele não deveria ser, porque ele fala coisas muito, muito erradas.

Claro que ela quis saber quais coisas (por sorte as perguntas vão chegando aos poucos e dá pra ir conversando devagar, explicando uma parte por vez…rs).

Conversamos então sobre racismo, sobre homofobia , sobre feminismo!

Sim, ela não tem nem 5 anos. E, sim, estou tendo essas conversas com ela.

Uso, claro, argumentos e vocabulários que caibam no seu entendimento e na sua experiência (aproveitando pra expandir um pouquinho onde dá) e tenho o apoio de um livro maravilhoso:

 

 

 

E sabe o que é mais legal?! Cecília adora esse livro, vive escolhendo histórias pra ler, mulheres pra conhecer… às vezes chega com várias de uma vez marcadas, ansiosa pra saber quem são…

E é ela mesma que está fazendo as associações das histórias dessas mulheres com os preconceitos que eu vou explicando, não eu, juro! Às vezes surge quando estou explicando um tema como as questões LBTQ+  (“sei, sei..tipo aquela menina que era um menino mas se sentia menina então era menina”). Às vezes é lendo a história à noite que ela se lembra da explicação da manhã…

É uma delícia ver a cabecinha dela funcionando, entendendo o mundo, entendendo o que é (ou deveria ser) justiça, igualdade, honestidade…

Hoje eu disse pra ela com todas as letras: “a coisa mais importante que eu quero te ensinar é respeito! Que vc respeite aos outros e que respeite a si mesma – pra também ter direito de ser respeitada!” ( tudo bem que foi depois de ela dar umas pancadas no Dante…ética é um negócio que a gente vai ensinando mil vezes ao dia, né?! hehehe)

 

Enfim, esse texto sou eu respirando fundo, encontrando força, comendo chocolate (como bem orientou a maravilhosa Eliane Brum nesse texto aqui, tão, tão necessário), dando um jeito de não ser engolida pela desesperança e pela tristeza!

As conversas com a Cecília (e em breve com o Dante) são um grande de jeito de fazer também algo pelo mundo, espero!

Esse blog é um jeito de fazer algo por mim. É o meu refúgio, mas também meu ativismo.

É meu lugar de gritar #elenão.

 

É minha casa e é uma delícia estar de volta ao lar!

 

 

 

“Flores e espinhos”

Hoje eu tive uma manhã difícil.

Gritei, briguei, bufei, saí de perto, tive vontade de chorar, senti muita, muita raiva.

Dos meus filhos. Por motivos totalmente questionáveis, tipo uma bagunça que dois dias atrás eu deixei ser feita e não arrumada. Uma bagunça que não me causou nada há dois dias, mas que hoje me tirou do meu “normal”.

Hoje eu explodi.

Gritei, briguei, bufei, “saí de perto”, tive vontade de chorar, senti muita, muita raiva.

De mim.

Hoje eu explodi.

Às vezes acontece. Cada vez menos já, ufa!

Essa explosões – por motivos questionáveis – começaram quando o Dante era bebezico.

Até hoje suspeito de uma depressão pós parto.

(Na verdade, com o tal bebezico beirando os 2 anos (sim, juro, ele tá beirando os 2 anos!) eu me pergunto se ainda dá pra chamar de “pós parto” esses “ataques de nervos” que me acometem às vezes.)

Estou me tratando, acho que já contei aqui que voltei pra análise há um tempo, lá atrás, quando percebi que as tais explosões eram minhas e não “por causa dos outros”. Desde então elas diminuíram muito, mas às vezes ainda acontecem.

E às vezes ao invés de vir como raiva, vêm como falta de energia ou como tristeza mesmo.

Quando ele vem, ainda é difícil sair do turbilhão. Por mais que eu perceba no meio da gritaria que não é com/pelas crianças que eu estou gritando, ainda não consigo respirar fundo e virar a chavinha, sair daquilo e voltar a ser mais “normal”. Sair do caos é lento, envolve muita respiração e uma mudança gradual de humores. Normalmente consigo chegar pra deixá-los na escola exausta e triste, mas já sem toda aquela raiva me revirando.

Hoje foi assim.

Quando me vi sozinha na rua, soube que não queria voltar pra casa, pra “cena do crime”; saí andando, precisava passar a tarde sozinha e longe da (minha) realidade. Acabei parando num café e fiquei lá lendo, terminei meu livro e me debulhei em lágrimas. Senti meu peito mais leve a cabeça latejando. Senti uma vontade louca de ir correndo abraçar a Cecília (a mais atingida pela tempestade matinal). Mas me segurei até a hora da saída. rs

Então, quando me viu de longe ela veio correndo com gosto, se pendurou no meu pescoço e me agarrou, parecia até que ela sabia do meu desespero! Que alívio! Que emoção!

Voltamos pra casa e passei o resto da tarde/noite pedindo – e ganhando sem pedir – muitos abraços e beijos dela.

Mais tarde, antes do banho eu precisava cortar sua franja e ela começou a insistir pra que eu cortasse o cabelo todo. Fui cortando e Cecília pedindo pra cortar mais e mais curto! Ela queria na altura da orelha e eu dizendo que não conseguia, que não confiava, mas ela continuava pedindo.
E aí me caiu a ficha: ela confia! Em mim! Totalmente!

Mesmo quando eu explodo. Mesmo quando “eu chovo” nela. Ela confia seu cabelo Chanel nas minhas mãos, como confia seu abraço no meu e sua vida inteira em mim!

Ufa!!!

Caramba!!!

Que forte isso! E que lindo e que rico e precioso e gratificante!
E que baita responsabilidade!

Escrevendo agora percebo que é porque ela confia que eu posso querer ser – e sou – melhor! Ufa!

O mínimo que posso fazer é tentar merecer e retribuir essa confiança, né?!

Por ela. Pra ela. Por nós. E por mim.

Que importante é ser amada e acreditada com tanto coração, não é?!

❤️

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O cabelo novo – que mesmo com muita confiança dela, não tive coragem de cortar na altura da orelha..rs

“De coisas naturais”

Prestes a completar um ano inteiro de chegada a São Paulo, tomada por reflexões sobre esse retorno com tanta cara de novo começo e sobre o longo caminho que tem sido a adaptação aqui, hoje fiz uma pausa.

Hoje olhei pra trás e fiz a homenagem, já há tanto planejada, para os dois anos que vivemos na Espanha:

Lá eu entendi que a vida é feita de ciclos, dentro e fora. Inverno, Primavera, Verão e Outono. Dentro e fora.

De começo, meio e fim. E (re) começo.

Quantos forem necessários.

Lá eu me apaixonei pelas roseiras com que cada primavera me presenteava, me diverti com a pouca neve e o muito frio dos longos invernos, reforcei meu amor pelo outono com seu céu de azul tão profundo e aprendi a me deliciar com as cerejas maravilhosas daqueles verões que beiravam o insuportável! rs

Aprendi a viver cada temporada com intensidade e a esperar sempre ansiosa pela próxima.

Dentro e fora.

O inverno pra se guardar, a primavera pra florescer, o verão pra se derreter e o outono pra se preparar.

Dentro e fora.

Experiências.

Ciclos.

Paixões.

Saudades e ansiedades.

O novo, o velho, o de novo.

Over and over and over…

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