"Pelo cordão perdido"

Desde antes de engravidar resolvi mergulhar de cabeça no mundo teórico da maternidade: passei a ler mil textos, ver mil programas e vídeos, acompanhar um milhão de blogs…
Foi assim que descobri (ou entendi) alguns conceitos que já me atraiam, mas sobre os quais eu sabia muito pouco, como o que é maternidade ativa, criação com apego  ou ainda amamentação em livre demanda… (todos linkeados com sites que eu gosto muito, pra quem quiser saber mais a respeito!)
Fui lendo, me informando, dividindo com o marido (que também se interessa um monte por essas coisas) e tirando de cada um o que nos interessava como bacana ou possível pra nossa casa…e é assim que vamos, aos poucos, planejando como será nossa vida em alguns meses mais…

Foi assim também que descobri que o desconforto que sentia com a idéia de uma cesariana tinha fundamento – e muito, e que outras maneiras de parir eram possíveis e, acreditem, na grande maioria dos casos, muito melhor!!!
E, claro, descobri junto que parto normal no Brasil, de normal já não tem mais nada!

Entrei nesse mundo e fiquei assustada com os depoimentos e histórias, com todo o lenga-lenga (aliás, esse blog linkado aqui tem um montão de conteúdo bacana sobre o assunto!) que os médicos “cesaristas” não se cansam de jogar nas gestantes que, num dos momentos mais vulneráveis de suas vidas, quase nunca conseguem mesmo fugir… 
Entendi que teria que me entupir de informações e ir armada lutar pelo parto normal que quero (e vou!!!) ter! Por isso continuo lendo tudo o que aparece pela frente sobre o assunto!


Aí, mês passado fui pro Brasil (já grávida, claro..rs) e nas conversas sobre a gestação, quando dizia que vou ter parto normal as respostas eram sempre as mesmas: “você vai tentar, né?! não dá pra saber”, “ah, mas não confia muito porque é muito difícil conseguir normal”, “daqui uns meses a gente conversa”, e etc, etc, etc… Todos vindo de pessoas queridas, inteligentes, informadas, cultas… a enorme maioria mulheres já mães…
No começo eu até tentei argumentar, defender meu ponto de vista, mas, verdade seja dita, eu não sei ser ativista de nada e logo cansei… ouvia os comentários com o clássico “sorri e acena” e ok…

Depois, pensando, fiquei super chocada ao perceber que, com exceção de um número mínimo de amigas (4 que consegui pensar até agora) NINGUÉM do meu círculo social teve parto normal! NINGUÉM! E estou falando de diferentes classes, idades, gerações, formações, ocupações, cidades de origem e cidade de parto… estou falando de um monte de mulheres que “tiveram que ir pra cesárea”. Todas foram convencidas pelos médicos que haviam motivos reais para a necessidade da cirurgia. Todas! E, claro, todas acreditaram nos médicos e foram operadas com a convicção de que assim foi melhor para mãe e bebê… E todas me contaram suas histórias… e eu, que não me canso de ler sobre o assunto, ouvi todas as histórias sabendo que a enorme maioria delas incluía justificativas que hoje em dia são sabidamente erradas, mentiras, maldade do médico ou não, não importa… De todas essas mulheres, penso em pouquíssimas (talvez 1 ou 2) que, baseado nos critérios que se sabem hoje, realmente precisariam ter feito a cesárea. 
E quem sou eu pra dizer isso pra elas, não é?!

Pois é…

Só que eu fico pensando em todos os partos que ainda virão – os meus inclusive – e me assusta pensar que essa cultura está tão bem incrustada na nossa sociedade que essa lógica ainda tende a continuar se repetindo quase que infinitamente…
E aí eu percebo que eu, que não sou ativista de nada e que odeio me meter em polêmicas, preciso também fazer alguma coisa… preciso dizer – pra quem quiser me ler, não importa – que está errado! Que não é assim! Que parto normal é normal, sim! Que a natureza é incrível e nós somos sim capazes!
Que anormal é o número assustador de partos cirúrgicos que são feitos no Brasil! Anormal e antinatural é ter que, literalmente, lutar pra poder parir da maneira que fomos feitas pra parir!!! 
A responsabilidade talvez não seja de nós, mães e filhos(as), mas a mudança pode estar nas nossas mãos, sim!

E, militante ou não, as informações estão aí e sinto que preciso ajudar a divulgá-las: são informações jornalísticas, científicas… com bases e pesquisas que deveriam ser suficientes pra que fossem levadas a sério!

Os deixo, pra começar a pensar no assunto, com um texto excelente que saiu na Época semana passada: “A luta pelo parto normal” – atentem-se para os benefícios do parto normal e para o números chocantes: a OMS recomenda que uma média de 15% dos partos sejam cesáreas, casos em que realmente há complicações e a cirurgia se faz necessária! No Brasil esse número é absurdamente mais alto e nas regiões sul e sudeste, na rede particular, a porcentagem vai lá pra casa dos 90%! 90!!!! Não é possível!! Qual a justificativa? Que as mulheres dessas regiões sofreram algum tipo de mutação genética e, por isso, 90% delas tem problemas em seu corpo que impossibilitam o nascimento de seus filhos por partos vaginais normais?? Não é possível e é absurdo!!!

Deixo-os também com a informação de que está em cartaz em várias cidades do Brasil o documentário “O renascimento do parto”

Imagem que me enche os olhos de lágrima! Daqui



No site você encontra as informações de onde assistir, além dos dados científicos em que se baseia o filme e os mitos todos que, não sei você, mas eu estou cansada de ouvir!!!

Aqui, o trailer:



O filme está sendo selecionado pra uma série de festivais, sendo super bem falado pelo público e me deixando morrendo de vontade de ver…
Infelizmente vou ter que esperar sair em dvd (e alguém me mandar por correio..rs), mas se estivesse em São Paulo, não perderia por nada!!!
E aproveitaria e levaria um monte de gente pra ver…começando pelas mulheres que ainda serão mães, pra depois tentar levar também todas essas mulheres de quem falei lá em cima…
Imagino que assisti-lo seja um experiência difícil, assustadora e ao mesmo tempo, libertadora (aliás, imagino, não! Isso é o que tenho lido em um montão de depoimentos de mãe e pais que já assistiram…rs)

Bom, agora que cutuquei a ferida, sei que vou voltar a falar do tema… aguardem – ou fujam… como preferirem…rs

Beijos!

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19 pensamentos sobre “"Pelo cordão perdido"

  1. Linda Gabi! Que bom que você encontrou esse caminho! Lute pelo seu parto normal e uma dica que você já deve ter lido por aí é ter alguém para falar por você no dia do parto (doula, mãe, marido, mas que fale com determinação por você), eu não tive essa oportunidade e fez MUITA falta. NO parto domiciliar é mais fácil, mas no hospitalar é muito difícil se expressar e ser respeitada. Também passei por isso de todo mundo ficar falando que talvez eu não conseguisse o parto normal e o que sempre tinha em mente é que ia ser normal, sem nenhum “e se” na frente, e olha que eu não tinha toda essa informação que tenho acesso hoje dos blogs, facebook e afins. Assim como na amamentação, eu tinha isso como certo, como natural e ponto.
    E esteja pronta para um monte de reações bizarras, do tipo você dizer que cesárea é ruim e alguém te xingar ou te excluir achando que é pessoal porque essa pessoa fez cesárea e o filho dela não morreu e você é uma chata!rs
    Ah e já que o assunto é a maternagem um dos presentes que disse que estão na minha pequena lista pra vocês é um livro muito, muito bom, mas é surpresa!rs
    Beijão
    Viviane

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  2. Pois é, parto virou um comércio, é absurdo!
    O pior são as mães que se deixam enganar e se recusam a entender que o normal é melhor, simplesmente porque é fisiológico. a cultura das brasileiras precisa de um chacoalhão e nós, que estamos em busca de uma coisa que deveria ser o padrão, precisamos nos munir de informação, equipe boa, dinheiro para conseguir termos o que a princípio deveria ser o padrão….é triste, só podemos lamentar! Acho que o Renascimento do PArto deveria passar na Globo, na hora da novela, pra ver se eesse pessoal acorda! rs

    bjoks
    Carol
    http://www.meuparasita.com

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  3. Fiz como vc, assim que surgiu a vontade de ter um filho comecei a pesquisar sobre tudo relacionado ao mundo da maternidade, e foi por ter dados concretos e muito bem embasados que me decidi pelo parto natural domiciliar =).
    Esse empoderamento é muito importante e vc está certíssima em abordar esse tema no seu cantinho, é um passo para essa discussão chegar a cada vez mais mulheres.
    Bjuss

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  4. É Vi…ainda vou visitar a clínica “oficialmente” pra entender como funcionam as coisas na hora do parto, mas de fato, o acompanhante é importante não só pelo apoio emocional, mas pra garantir algumas coisas que na hora a gente não consegue, né?!
    Sobre as falas dos outros e as reações bizarras…bom, a gente sorri e acena! rs Paciência…

    Aaaahhh….assim vc me mata de curiosidade e carinho!!! =)

    Beijão!!!

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  5. Oi Carol, que bacana vc por aqui!!

    É triste mesmo!! E queria saber #comofaz pra dar esse chacoalhão coletivo – a idéia de passar no “horário nobre” é excelente!!! hehehe
    Andei lendo sobre passarem em escolas tb…acho bacana!

    E que bom saber que seu parto está encaminhado com uma equipe bacana!!

    Beijo

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  6. Oi Gabi! ótimo post!
    Sabe, eu por muito tempo me apeguei à dor que senti no nascimento do Tomás (parto natural), mas quer saber? eu chorava muito mais minhas dores emocionais do que as físicas. Hoje eu afirmo categoricamente que ter parido meu filho foi a melhor, a maior, a mais importante e a mais intensa experiência da minha vida. E eu acho que quem quer, não só deve, como merece passar por um parto também.
    Com certeza você vai conseguir parir Cecilia!
    Beijo

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  7. Gabi, corri lá no seu blog e deixei um comentário, mas quero repetir aqui:
    Que bom que o tempo vai passando e a gente vai podendo olhar pra experiências e re-significá-las, não é?!

    Me dá frio na barriga, mas não há dúvidas de que o que eu quero é essa intensidade toda! =)

    Obrigada pelo apoio!

    Beijo!

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  8. Bom senso, liberdade e ocasião. Eu falei sobre esse tema em meu blog tb, e acho que a ocasião é importante tb. Meu irmão e eu estamos vivos graças a cesarianas. E ambos bem também. Cada vida carrega expectativas, desejos e as vezes, outras vidas. Que a cesariana é mal usada é fato, mas não devemos impor neste caso qual a melhor solução,mas sim, a ideal. O ativísmo não pode cair nos “ismos” que se tornaram demodês. 🙂 abs

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  9. Oi Jorge!
    Isso mesmo! A gente tem que confiar que somos capazes (no plural mesmo, pai e mãe capazes), mas ter consciência de que as coisas nem sempre são como sonhamos…
    Estou super de acordo! Ativismo pode fazer bem – e faz! mas tenho medo de extremismo (e outros ismos)!!!
    Um abraço e bem vindo!

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