Minha escrita anda travada.
Acho que cansei de bater tanto na mesma tecla… e as últimas coisas que escrevi – que fugiam do assunto de sempre – ficaram bem mal escritas!
Escrever estava sendo minha maneira de esclarecer, de limpar a cabeça, enxergar melhor os pensamentos (literalmente, já que aí eles estavam na tela pra serem “vistos” e lidos).
E estou em um momento de não querer pensar. Um momento em que minha vontade é simplesmente sentir, sem ter que entender o porquê.
Eu disse que briguei com o Freud, e é bem isso esse momento. Depois de tanta tempo de análise é difícil se desvencilhar desta forma de pensar. Sempre procurando um significado mais profundo, um motivo escondido, uma razão obscura, um porquê antigo, uma repetição sintomática…
Cansei!
Tô com vontade de levar a vida mais leve! De querer uma coisa só porque estou com vontade dela. De não saber de coisas grandes da vida, simplesmente porque eu não sei. De odiar um lugar porque o lugar me dá motivos, não porque eu sou problemática.
Queria ser mais simples, mais normal, mais comum… Cansei de ser assim, confusa, complexa
Será que é possível? Será que dá pra girar um interruptor na cabeça?
Não pra desligar de vez – até porque sinto bastante falta de escrever – mas pra tirar os ruídos e deixar a parte bonita e sossegada…Será?
Arquivo do autor:Gabi Ramalho
"Se fosse permitido, eu revertia o tempo"
Mãe de primeira viagem sofre!
A Maní tá doentinha e eu com o coração apertado – de preocupação e um pouco de culpa…
Ela nunca foi fácil pra comer. Quando chegou em casa estava com inflamação de ouvido e de garganta e não conseguia comer porque sentia dor. Mas mesmo depois que isso tudo passou, continuou fresquinha…
Tem dia que ela não tá com vontade e só come um pouquinho, na hora que quer…
Eu troquei comida, dei só arroz com frango um tempo, inventei mil e umas artes pra divertir/enganar e ver se ela comia – fingir que estava comendo a ração dela, dar na boca um a um, jogar e deixar ela caçar cada grão….
Até que me convenci de que ela é assim, difícil pra comer, sem que isso seja ruim – puxou a mãe! (eu fazia minha mãe e minha vó se desdobrarem pra comer quando era bebê)
Também desde que chegou aqui ela tem um “vômito” estranho que acontece de quando em quando. Não sai comida, é uma gosma amarela com uma espuma, também amarelada. A inexperiente aqui achava que era catarro – como é normal da raça ter problemas de respiração, achei que fazia parte! Ela faz barulhos igual ao de um gato vomitando bola de pelo, só que cospe a gosma amarela…
Mas aí isso começou a aumentar a frequência e eu percebi que nos dias em que ela vomitava, ela ficava sem comer nada. Aí fiquei preocupada e falei com o veterinário.
Ele veio aqui e examinou. Apalpando achou que não tinha nada errado com os órgãos internos e, ao invés de fazer o exame de sangue (que seria muito agressivo, especialmente no cão mega agitado quando tem gente nova em casa), resolveu ir pelo método mais simples.
Como o comportamento dela não mudou e tal, ele resolveu apostar que seria um refluxo ou uma gastrite e tratou pra isso. Mas os remédios não adiantaram nada! Ela continuou com o mesmo padrão de vômito e não comida, e o veterinário resolveu fazer o exame de sangue.
Ele tinha me dito pra ficar tranquila, porque se fosse alguma coisa mais séria teria afetado o desenvolvimento dela, e como ela é normal, ele achava que seria ainda alguma coisinha no estômago…
Ela não gostou nada de fazer o exame, chorou pra caramba enquanto o elástico apertava a pata dela e – segundo o veterinário – o sangue não corria pra fora por causa do estresse. Tivemos que furar a outra pata também e ficamos massageando até sair o sangue. Mas apesar do chororô, ela é um anjinho…não tentou morder, nem tirar a pata!
Na sexta saiu o resultado e saiu alterado… (o GGT saiu um pouco alto)
Agora ele pediu uma ecografia de abdomen, com atenção especial no fígado. Vamos fazer amanhã, então dedos cruzados.
A Maní também anda dormindo bastante, muito mesmo.Tá passando várias horas na caminha dela, na maior preguiça… e a mãe inexperiente aqui não sabe se isso é porque ela tá ficando adulta (mês que vem já completa 1 aninho) ou se é algum sintoma de alguma coisa…
Aí eu fico aqui preocupada, ansiosa pra saber logo desse resultado e culpada, porque se tivesse investigado antes a história dos vômitos, poderia ser mais fácil… fora que me mata não saber se ela dormir tantas horas é normal ou não!
Uma droga isso!
Tadinha…
Torçam pra que não seja nada sério e que ela fique bem logo, logo!!!
"O futuro não é mais como era antigamente"
“Con motivo de su aniversario 25, la copia ha sido digitalmente remasterizada por lo que tanto los fans como las nuevas generaciones, podrán disfrutar de la imágen y sonido en alta definición.”
“De volta pro Futuro” completou 25 anos! E claro que a gente foi assistir no cinema!!!
Foi uma experiência emocionante!
A estréia aconteceu no dia 29/09 e apesar da vontade de ir correndo ver, resolvi esperar um pouco pra evitar a fadiga da multidão. Mas não adiantou muito…rs
Domingo, 19h30 – véspera de feriado, ok – e cinema completamente lotado!! Uma das maiores salas de cinema que eu já estive, cheia de gente de todo o tipo: famílias completas, casais, grupos de adolescentes, velhinhas de muletas, jovens de corpo e jovens de espírito! E até os que eram velhos de espírito certamente saíram da sessão com o frescor das novas primaveras!
A remasterização deixa o filme incrível e combinada com a tela enorme traz à vista detalhes que parece que nunca estiveram lá! E olha que assisti esse filme incontáveis vezes na televisão!!! (acho que foi a primeira vez que vi inteiro sem estar dublado..rs)
Claro que essa dupla também faz saltar aos olhos a tosquices como a da maquiagem que envelhece todos os atores, por exemplo; e que os sons de tiros e dos efeitos do DeLorean em alta definição Dolby chegam a fazer rir… mas notar essas coisas faz parte da diversão!
Re-assistindo agora fica quase óbvio o porque de o filme ter sido tamanho sucesso na sua época e em tantas outras depois (se ele está completando 25 anos, nasceu no mesmo ano que eu e mesmo assim foi um dos marcos da minha infância – vários anos depois!)
O roteiro é super redondinho: primeiros 10 minutos tudo que você precisa saber já está aí e tudo que está aí vai voltar e fazer sentido depois! Fora os atores, o efeito, a idéia gracinha, a quantidade de acontecimentos importantes e cheios de ação…
Marty volta 30 anos no tempo e cá estamos nós, 25 anos depois (55 anos depois do passado dele)… acho incrível ver o que era super moderno na tal década de 80, sinto mais ou menos o mesmo encanto que o personagem tem quando chega em 55, sabe?!
Como eu disse, o cinema estava lotado. Lotado de gente que já tinha visto o filme antes; e muitos que estavam levando alguém pra ver pela primeira vez, porque é o tipo de experiência que traz tanta lembrança e emoção que você quer dividir com “os que não tiveram essa chance maravilhosa na época certa”.
Sabe minha birra com o cinema? Então… esse tipo de experiência me faz lembrar a tal magia do cinema e o quanto ela realmente pode tocar as pessoas…
Pela primeira vez na vida (em uma situação não de festival, não com os realizadores presentes) vi um filme ser aplaudido na sala de cinema! E não foi só no final, não! Era um público realmente envolvido com o filme – pelas emoções antigas que ele carrega, mas também pela emoção que a ação em si ainda consegue trazer!
Quando o George toma coragem pra salvar a Loreane do Piff, aplauso. Quando eles finalmente se beijam, aplausos. Quando a viagem de volta para o futuro dá certo, aplausos. Quando o Doc não está morto de verdade, aplausos. E no final, então…APLAUSOS!!!
Espero que essa versão remasterizada chegue nos cinemas aí do Brasil tb.. aqui tá fazendo o maior sucesso, certeza que aí daria mais do que certo! E, concordemos, merece, né?!?!!
Como eu disse, foi emocionante ter estado lá. Estar no futuro vendo um filme do passado sobre uma viagem pro passado e a volta pro futuro!!! hehehe
Incrível!!!!
"E o que você vai ser quando você crescer?"
Todo domingo é a mesma coisa.
A música do Fantástico com seu dom inigualável de deprimir os brasileiros.
Quem não fez nada no fim de semana pedindo mais tempo de sofá.
Quem passeou e se divertiu nos dois dias, comemorando a curtição e reclamando da falta de descanso.
Quem teve que trabalhar, implorando por uns dias de intervalo.
De alguma forma esse “drama universal” me fez pensar na minha história de crise profissional…
Esse segundo semestre tem, em geral, sido bem menos dramático que o primeiro. Continuo sem saco pra faculdade, mas tenho levado a coisa toda com mais leveza, o que é bom.
Mas andei reparando que o mais me faz odiar a faculdade é a sensação de que ela está puramente roubando tempo da minha vida útil. Perder tempo nas aulas ou, pior ainda, perder tempo extra fazendo coisas pra faculdade me irrita muito!
Porque todas as outras coisas são muito melhores do que as da faculdade. Todas mesmo, até limpar banheiro, juro!
E aí eu fico chateada por estar perdendo tempo. E a chateação me faz perder uma parte do que seria o tempo pra mim, minha família, minha casa…
(Eu percebi a idiotice da bola de neve e estou trabalhando nisso, não se preocupem..hehehe)
Mas voltando ao final de domingo…
Claro que entendo que todo mundo goste de um descanso, que todo mundo goste de dar uma pausa na “vida real de todo o dia”. E claro que depois não é fácil esquecer a vida boa e voltar pra labuta, por mais que você goste da labuta.
Eu não sei o que quero ser quando crescer, por mais estúpido que isso pareça, um pouco por causa dos finais dos domingos.
Tenho cada vez mais claro pra mim que eu não quero ter uma “vida real do dia a dia” que me faça deprimir a cada começo de nova semana. E mais, não quero ter um “dia a dia” que me roube da minha vida real, da minha família e da minha casa.
Sabe quando você está no final do colegial e/ou no cursinho, super perdida e fazendo um milhão de testes vocacionais? Bom, eu sei bem!
Na época, tinha consciência de que estes testes não me ajudavam muito, porque eles eram muito fáceis de se manipular e eu sempre conseguia que o resultado ficasse pendente pro lado ao qual eu estivesse mais pendente no momento. Isso além de tirar minha confiança nos testes, me trazia um conjunto de respostas bastante confuso.
Mas não me lembro de em nenhum momento durante esse processo ter parado pra pensar honestamente em como eu queria a minha vida no futuro (não sei se porque não me perguntaram, ou se porque fazia parte do mecanismo de defesa não “pensar honestamente” durante o processo).
Pois bem, precisei chegar aqui, nos meus 25 anos de vida, sexto ano de faculdade, vivendo em um país diferente, tendo virado dona de cachorro, casada e dona de casa, pra perceber, ou assumir pra mim mesma, que independente do que eu vá fazer da vida profissional, essa não vai ser (porque eu não quero que seja!) a parte mais importante da minha vida (importante em termos de tempo ou de valor)!
Conversando com a Mandy – amiga que tá meio no mesmo barco que eu e que descreve esse momento de crise dela com palavras mais do que perfeitas para a crise minha – estávamos falando sobre essa mania que nossa sociedade tem de definir as pessoas pelas profissões que elas têm. O que significa que nós, perdidas nas escolhas profissionais, acabamos perdidas na sociedade também!
Eu ando irritada com “a sociedade” por um milhão de motivos e esse é um deles!
Quase fui atriz, quase fui TO, serei (ou quase sou? ou quase fui?) Pós Produtora em Audiovisual… mas a verdade é que nada disso é o que eu sou, porque como estava dizendo lá em cima, cada vez tenho mais certeza de que não é esse título que quero pra minha vida. O que eu quero é a vida em si!
Esse texto parece uma grande viagem hippie, mas é mais um caminho pra essa descoberta pela qual venho passeando nos últimos anos.
Caminho que acaba de mudar de nome.
Antes eu achava que estava tentando – e precisando – descobrir o que eu queria ser quando crescesse, mas pensando bem, talvez esses últimos meses tenham sido um caminho pra descobrir quem eu sou e o que eu quero ser da vida – enquanto pessoa, não profissão!
Exclusão me parece um passo importante. Sabendo o que não quero pra minha vida é provável que fique mais fácil escolher o eu quero da vida, não?!
"És mãe gentil"
Qualquer um que tenha irmãos, especialmente mais novos, já sentiu; e os que não sentiram, já viram nos filmes:
“meu irmão me irrita, é uma praga na minha vida, castigo eterno que meus pais me deram, etc, etc, etc… Mas ai de quem se atrever a fazer algum mal pro meu irmão!!! Não sobra nem pedacinho pra contar história, acabo com ele! Falar mal e agredir irmão meu, é privilégio MEU!!!”
Essa semana tive algumas brigas feias com o Chile e tive vontade de voltar correndo pros braços do Brasil. Quem diria, depois das intermináveis comparações de como minha vida é melhor por aqui…
Claro que nos momentos de raiva nem pensei que o Brasil tem uma burocracia terrível, que a violência em São Paulo é medonha, que o trânsito é um pesadelo…
E se nesses momentos alguém se atrevesse a tentar me lembrar alguma dessas coisas, tomaria na cara! Sem dó! Onde já se viu, falar assim do meu país?
Porque nessa semana o Chile é todos os nomes mais horríveis que eu conheço e o Brasil é minha lembrança boa, meu irmão que precisa ser protegido pra que possa me proteger.
Eu e o Lucas não temos planos de voltar a morar no Brasil e me ocorreu, durante essa semana de ódio ao Chilito, que esse plano carrega uma vantagem que eu nunca havia notado.
Morar fora do Brasil preserva em mim um país “lar”, um colo pra eu ter pra onde voltar em momentos de briga, uma imagem bonita, nostálgica até, desse nosso país tropical, imagem que pode ser despida dos medos, preconceitos e críticas.
Acho que é parecido com quando a gente sai da casa dos pais. Já estamos na vida adulta, cada vez com menos espaço pessoal na casa que parece que não comporta tanta gente grande, irritados com o espaço e cansados das pessoas…
Nesse momento a melhor parte de sair é poder querer voltar depois. Não voltar de vez, mas voltar pra visitas específicas, pra matar a saudade repentina da comida da mamãe, da camisa bem passada pela empregada, do cheirinho de amaciante na cama limpa, das músicas escolhidas pelo pai…
Saber que ali não é mais seu lar de verdade, mas que é onde sempre estará uma parte da sua história e uma fatia imensa do seu coração.
Imagina então quando essa “casa dos pais” fica justamente nesse “Brasil”?
É bom ter vontade de voltar, é maravilhoso saber que você pode voltar (não consigo nem imaginar a angústia dos exilados), mas talvez, nesse momento, o mais importante seja não precisar voltar. Ter a segurança de que tudo isso está lá me esperando pra quando eu quiser ou precisar e continuar sendo forte pra resolver meus problemas (e minhas raivas) por aqui mesmo, sem correr e desistir de tudo e ficando muito bem com o abraço do marido e o skype com a mãe – colos deliciosos, diga-se de passagem!
"Deixa chover"
Fala-se muito sobre a poluição do ar de Santiago, ou simplesmente “contaminación”, como eles chamam.
Sempre é notícia e todos querem saber como está o ar, se vai ou não haver restrição de veículos ou de lareiras e fogões a lenha; fogos de artifício são proibidos até no ano novo! Da minha janela posso avaliar a cada manhã a qualidade do que vou respirar só por contar quantos dos morros consigo enxergar no horizonte e tem dia que é assustadora a capa marrom que está no meio do caminho!
Mas desde que cheguei aqui o maior impacto que percebi no ar não foi a sujeira, mas sim a falta de umidade! É impressionante como isso aqui é seco!!!
No calor muito forte eu imagino que seja vantajoso você não ficar na dúvida se é você ou o ambiente que está transpirando, ou simplesmente conseguir transpirar e secar em seguida… mas nas temperaturas que peguei até agora…putz! Que seco!!! Nem as mil garrafas de água – que aqui viraram 2.000 – que tomo por dia dão conta de umedecer as coisas…rs
Tive que entrar numa rotina e numa disciplina que nunca tive e nem nunca desejei ter! Nos primeiros meses, enquanto seguia firme na teimosia antiga, minha mão ficou parecendo a de uma mulher de uns 50 anos e quando eu sentava podia sentir a pele da minha coxa se esticando, célula por célula…
Aí não teve jeito! Primeiro comecei a tomar banho com dove, sabe como é, 1/4 de hidratante e tal..torci pra que fosse o suficiente, mas não foi!
Passo seguinte: óleo sève… também fez pouca coisa..
Depois: sabonete líquido para pele extra seca… com esse eu comecei a sentir um pouco de diferença e aí me dei conta de que teria que me render de verdade!
Comprei cremes e mais cremes…uns 4 diferentes só pra mão, que deixo espalhados pela casa (quarto, banheiro, sala e bolsa) pra lembrar de passar o tempo todo! Pelo menos a aparência normal da pele da mão eu consegui recuperar!
Mas o ritual completo eu dou conta de fazer no máximo umas duas vezes por semana…porque…fala sério!
– Creme pros olhos;
– Creme pro rosto;
– Creme pra mão;
– Creme pro pé e
– Creme pro resto do corpo.
Pergunto: pessoas normais conseguem fazer coisas assim todos os dias????
Às vezes eu vou dormir me sentindo um pouco culpada, sentindo a secura no corpo, mas acho que esses são os dias em que meu lado “menininho” prevalece… Aquele mesmo lado que odeia fazer compras, gosta de carros e detesta altas concentrações de mulheres, especialmente conversando sobre assuntos femininos..
É quase como se eu tivesse um Buck – pra quem assiste Unites States of Tara – dentro de mim! (e se você não assiste e não sabe do que eu tô falando, vá assistir! É um dos maiores espetáculos de interpretação da televisão!!!)
E o meu Buck, que eu talvez chamasse de “Gabão” em homenagem a um amigo meu, simplesmente DETESTA os cremes todos!!! Ele lida há anos com o vício da manteiga de cacau e acho que com isso já se acostumou, ou simplesmente deixa a tarefa de reclamar sobre esse assunto com o Lucas…rs
Mas os cremes…ah, os cremes… Fico na dúvida se o Gabão detesta mais os cheiros que se misturam ou a textura macia-artificial que fica na pele! Coitado!
Pelo que parece ele vai que ter que aprender a lidar com essa sacanagem por pelo menos mais uns 15 meses, né?!
Quem sabe ele não se revolta e declara independência…
E falando em independência, domingo, dia 18, comemora-se as Festas Pátrias por aqui (sim, a independência) e desde o começo do mês essa cidade tá pior que o Brasil em Copa do Mundo! Juro!
Carros e casas enfeitados, prédios com suas bandeiras voando, bandeirinhas pelas ruas, gente vendendo coisas temáticas em cada semáforo, a Escuela Militar aqui do lado ensaiando loucamente (eu já sei as músicas da banda deles de cor…hahaha) e etc.
São diferenças assim que me surpreendem no povo Chileno com relação a nós brasileiros… a mesma capacidade que eles têm pra amar o Chile nas comemorações de setembro, eles têm pra ir pra rua brigar pela educação, ou pra se emocionar com a queda de um avião e a morte de 24 pessoas – uma delas, um apresentador importante da televisão.
Acho cada vez mais que as condições externas, além das históricas, claro, influenciam as pessoas mais do que a gente imagina. O Chile, esse paísinho comprido e bem delimitado, com a Cordilheira o isolando e o protegendo, com esse seu clima seco…
E as coisas aqui se sentem tão intensamente! Talvez porque eles estão só com eles mesmos, em um clima em que nem deles saí “água”… nem o céu Chileno, nem a população Chilena choram..
E da mesma maneira que o céu mantém a secura e a poluição, pra sangrar nossos narizes semanalmente, os chilenos retém as mágoas, as raivas e as dores, de forma que elas continuam a sangrar por ano e anos…
Faz sentido que eles gostem tanto do Brasil…terra de mares forte e quentes, que lavam sua alma, levando consigo seu peso e depois jogam tudo fora em uma bela tempestade de verão…
"É a vida"
Ontem acordamos com a notícia de que o marido da Carmen, uma senhora que trabalha com o Lucas, tinha morrido.
Ele estava muito doente há uns 8 anos já, mas na última semana uma pequena gripe levou seu problema no pulmão a um estado terminal e em menos de 5 dias ele se foi…
Eu não conhecia a Carmen e menos ainda seu marido, mas fiquei mal com a notícia. Definitivamente eu não sei lidar com a morte, com a perda de pessoas amadas e morro de medo só de pensar (ou saber) que isso faz parte da vida de todo mundo – ir e, pior, ficar.
O Lucas passou um bom tempo da manhã de sábado avisando todo mundo no banco, passando o endereço da igreja onde seria o velório e tal, e depois saímos pra fazer nossas coisas.
Ir buscar a carta de motorista do Lucas, comprar uma bolsa nova pra mim (à prova de roubos e sem traumas..rs), encontrar o melhor caminho de carro até minha faculdade, ir dirigindo até lá pra praticar e etc.
Por volta de umas 15h30 passamos em uma floricultura e fomos ao velório. Conheci várias das pessoas que trabalham no banco, conhecemos os filhos da Carmen, conversamos amenidades, abraçamos os familiares…
Ficamos algumas horas na igreja e eu me arrepiava e meus olhos enchiam de lágrima cada vez que a Carmen falava de como estava, da incapacidade de dormir, do medo de voltar pra casa, de entrar no quarto do casal, do estado de inanição em que ela se sentia… Não faria sentido algum pras pessoas ao meu redor, por isso segurei muitas vezes o choro que quase veio.
Choro pela empatia com aquela nova viúva, choro pela lembrança dos que já perdi e choro de medo!
(Não tenho medo de morrer, de verdade. Mas morro de medo da morte dos meus!)
Depois dessas horas na igreja reunimos um pequeno grupo e resolvemos fazer alguma coisa.
Primeiro fomos jogar sinuca. Depois, já que estávamos ali mesmo, jogamos uma hora de boliche. Em seguida, brincamos em várias máquinas do playland do shopping, máquina de dança, basquete, matar castores, pular, escolher nossa recompensa…
Por volta de onze da noite nos animamos pra ir dançar! Algumas ligações feitas e decidimos por um bar colombiano em que poderíamos comer comidas típicas e dançar uma boa música latina, onde resistimos bravamente até o dj resolver entrar nas músicas eletrônicas chatas de sempre. E ufa!
Foi um final de dia super eclético, diferente e divertido! Ótimos lugares, ótimas companhias, ótimas comidas…
Mas não pude não pensar de onde raios veio todo esse pique…
Tínhamos acordado cedo com a ligação sobre o marido da Carmen e não dormimos mais…mesmo assim emendamos um programa ao outro, nos divertindo de verdade.
Eu diria que esse é um jeito saudável de lidar com a morte: celebrar a vida!
Acho que todos ficam impactados com notícias assim, mesmo que não seja alguém próximo a você, porque nos faz ter que lidar com a noção da finitude da vida. E faz bastante sentido que, frente à finitude dela, resolvamos sair e aproveitar o que temos de vida nossa e o que temos de companhias.
Talvez a gente devesse celebrar a vida com mais freqüência, sem precisar desses chacoalhões nos assustando, mas sei lá, no dia a dia é mais agradável esquecer dessa necessidade (especialmente por causa do lembrete que ela traz) e seguir na normalidade….
No final das contas, talvez um pouco do susto e da graça esteja justamente na não permanência dessa sensação…
"No sinal fechado"
Primeiro os fatos:
Terça-feira eu estava no ônibus voltando pra casa, num misto de alívio com irritação (por acontecimentos pontuais e pelo meu espírito da semana), determinada a relaxar e curtir meu livro, sentada na frente da porta. Até que o ônibus pára num ponto, um moleque desce o colega dele agarra minha bolsa e desce correndo atrás dele!
Fiquei alguns micro-segundos parada, sentada ali com uma cara de inconformada, sem acreditar que aquilo tinha acabado de acontecer e por um impulso que não sei de onde veio, desci do ônibus. Mais alguns micro-segundos parada na calçada; tempo suficiente pra pensar: “quais as minhas opções agora? Não tenho celular, nem carteira, nem cartão do ônibus…acho um telefone público (raríssimo nessa cidade) pra avisar o Lucas e vou andando pra casa (não, eu não estava perto)”. Mas aquele mesmo impulso de antes, misturado com um inconformismo ao máximo nível, me fizeram gesticular e gritar qualquer coisa (99% de certeza que em português). Eu ainda via os caras correndo na minha frente, e simplesmente não sabia o que fazer!
Até que vejo passando por mim, correndo, um menino que, tenho quase certeza que tinha acabado de descer do mesmo ônibus que eu, sacou o que tava acontecendo e saiu correndo atrás dos dois ladrões! Aí percebi que tinha que sair correndo atrás dele, que estava atrás dos ladrões, que estavam fugindo com a minha bolsa, que tinha todas as minhas coisas dentro.
Eles viraram a esquina e nós atrás, mais um quarteirão de correria e o meninos que estava me ajudando pára, me olha e diz: “não estou mais vendo eles!”. Putz, de novo, “e agora?.
Aí me dei conta de que todo mundo na rua tava participando da história. Quando pensamos em parar um cara sai de dentro de um carro forte e aponta “eles foram pra lá” e todas as outras pessoas em volta também apontando e ajudando. Nessa hora surge um outro cara correndo, sei lá eu de onde, muito mais rápido que eu e o outro menino. Nós dois voltamos a correr também, mas já sem fôlego e ficando cada vez mais trás.
Até que esse segundo cara que entrou na correria – vou chamá-lo de Baiano, depois explico – surge dentro de um taxi, me chamando pra entrar. Agradeci o primeiro menino e corri pro taxi, que subiu na calçada, fez uma virada maluca e começou a ir atrás dos moleques.
Tinham sido duas quadras e meia correndo, depois mais uma e meia perseguindo eles no taxi até que vemos os dois virando outra esquina e o farol na nossa frente fechando. Pois o Baiano não pensou duas vezes: pulou do taxi, que ainda não tinha parado de vez, e saiu correndo. Quando o farol está pra abrir vejo que ele pegou uma carona numa moto, que não sei de onde surgiu, e ia, em pé nela, gesticulando e pedindo ajuda de outras pessoas.
Ele conseguiu pegar os dois, o taxista desceu atrás e juntaram mais umas três pessoas que estavam passando – uma delas de carro.
Eles deitam os dois no chão, o Baiano tira o cinto, o taxista vai até o carro pegar um cacetete e os dois começam a bater muito nos dois moleques.
E foi juntando gente, uns gritando “mata! mata!”, uns gritando pra chamar a polícia e um menino, com uniforme de colégio pedindo pra eles pararem.A ponto de se jogar em cima dos moleques e levar umas pancadas também, pra conseguir fazer a pancadaria parar.
Eu, desesperada, tremendo mais do que sei lá o que, pedia pra alguém chamar a polícia, olhava pra todos os lados e ficava repetindo “que que eu faço? não sei o que eu faço!”
Os moleques já não estavam mais com a minha bolsa, disseram que tinha jogado no meio da caminho durante a perseguição (que nem fez o que roubou minha carteira na primeira semana aqui no Chile, lembram?)
Enquanto eles estavam todos preocupados em bater, xingar ou intimidar os moleques, eu só queria saber onde estava minha bolsa! No meio da correria eles deixaram cair a caixa dos meus óculos escuros, com eles dentro, e eu consegui “parar” pra recolhê-los. Mas e o resto das minhas coisas???
Bom, os moleques já estavam sangrando a essa hora e o Baiano – um cara baixinho e magrela – estava muito puto! Xingava muito os dois, dizia pra eles: “olha como vocês deixaram a menina!”, chutava, gritava…tava bravo pra caramba!!!
Resolveram levar os moleques até uma esquina, sentaram os dois numa banca de jornal, tiraram tênis e cintos dos dois…
Algumas pessoas vinham me perguntar o que eles tinham roubado e se eu estava bem. Mas veio um senhor muito fofo (enquanto levavam os dois pra esquina), pegou no meu braço, pediu pra que eu ficasse calma, chamou uma mulher que estava participando da coisa toda e disse: “você entendeu que é dela que você tem que cuidar agora? Deixa que os outros cuidam dos dois..”. Ela me pegou pelo braço e foi caminhando comigo até a esquina. Achei o gesto daqueles dois uma coisa linda!
Quando cheguei na esquina estavam chamando a polícia.
Bom, eu continuava querendo saber da minha bolsa, os dois apontavam onde tinha jogado e eu fui lá, acompanhada de um outro cara, pra procurar. Reviramos todos os arbustos que encontramos e nada da bolsa! Voltamos pra esquina e os dois insistiam que tava lá, então voltei a procurar. E nada!
Comecei a perguntar pras pessoas na rua mas ninguém tinha visto a bolsa, só os moleques passando correndo, mas não sabiam dizer se ainda estavam com a bolsa ou não.
O Baiano se irritou de novo e voltou a bater nos dois pra eles falarem onde estava a bendita bolsa; levantou um deles pra que ele fosse mostrar onde estava e eu fui indo na frente. Aí veio uma mulher falar comigo, com uma cédula de identidade na mão, me perguntando o que tinha acontecido. Ela perguntou meu nome, comparou com o documento que tinha na mão e disse que tinha achado a bolsa, jogada numa esquina anterior. Veio um pouco do alívio!
Corri pra trás pra avisar o Baiano que tinham encontrado a bolsa, que ele podia voltar com o moleque. E nessa hora o maldito do moleque vem querer colocar a mão no meu ombro pra me pedir desculpas! Que ódio!!!!
Voltei pra mulher que estava com a bolsa e tinha se juntado a ela uma outra senhora – elas trabalham juntas no lugar onde a bolsa tinha sido jogada – que ficava me dizendo: “eu já liguei pra lucas, você tem que falar com lucas”. Eu achei que aquilo era algum outro apelido chileno pra “polícia” (serve polícia, carabineiro, paco…pq não lucas?) e respondia: “sim, já chamaram os carabineiros, eles estão vindo”. Até que ela: “Lucas! Não é seu marido?”
Hahahahaha
Naquela confusão toda eu nunca teria pensado sozinha que o Lucas que ela estava falando era o meu Lucas ou como ela tinha conseguido falar com ele..hahaha
Elas acharam meu celular na bolsa e ligaram pra ele pra avisar que estavam com minhas coisas!
Me recomendaram que esperasse a polícia chegar antes de ir lá buscar a bolsa, pra não voltar pra muvuca com as minhas coisas todas. Me emprestaram um celular, de onde consegui falar com o Lucas, que já estava num taxi indo até mim!
Voltamos então pra esquina e a polícia estava chegando!
As coisas foram se acalmando, conversei um pouco com as pessoas que estavam ali ajudando. Descobri que o Baiano já morou em São Paulo um tempo e é casado com uma baiana – pronto, apelido explicado! Apesar de ele estar muito nervoso e de ter batido muito nos caras (violência com a qual eu não concordo), ele foi muito meu herói, era muito simpático e bacana!
Bom, os moleques foram colocados na viatura da polícia, a multidão se dispersou, o Baiano soltou seu último ato de raiva, jogando os tênis e cintos dos ladrões no meio da rua, um carabineiro foi com a moça buscar minha bolsa..
Os carabineiro pediram que eu fosse com eles até a delegacia, mas antes essa moça que achou a bolsa e o Baiano deram o depoimento deles ali mesmo, assinaram tudo e tal..Me abraçaram e foram cuidar da vida.
Falei com Lucas, passei o endereço da delegacia e combinamos de nos encontrar lá.
Entrei na viatura e só aí respirei fundo. Primeiro me acalmei. Depois fiquei com medo que me levassem pro mesmo lugar que os dois moleques.
Na delegacia não vi os dois, mas soube que estavam lá, que tinham 16 e 17 anos e que não era a primeira vez que roubavam, mas era a primeira vez que os pegavam em flagra, com o item roubado. Os policiais pareciam bem felizes de ter os dois lá.
Aí foi aquela burocracia, espera, depõe, assina, tiram fotos de tudo que tinha na bolsa, estimando preços das coisas mais valiosas…aceitar ir depor em tribunal caso isso vá pra juízo, o aviso de que se isso acontecer eles me fantasiam pra me colocar na frente do tribunal (“que nem filme americano”, como disse o carabineiro).
E foi isso.
Chamem de mimada ou privilegiada, mas acho que essa foi a situação de maior nervosismo, maior medo e maior violência pela qual já passei. Violência pra todos os lados.
Enquanto os meninos eram espancados eu sentia muita raiva da situação; se não tivesse sentada tão perto da porta, se não tivesse tão distraída, se tivesse visto eles jogando a bolsa lá trás…..Nada daquilo estaria acontecendo!
Odiei e amei os chilenos muito forte ao mesmo tempo! Os dois moleques que me roubaram estavam muito bem vestidos e não eram peruanos ou bolivianos – como diz a lenda/preconceito daqui! Todas as pessoas em volta se envolveram e ajudaram, diziam que eles mereciam ser presos, ou continuariam fazendo a mesma coisa por aí e eu concordo plenamente! Mas não acho que tinham que ter batido tanto nos dois, como também não acho que eles vão de fato ficar presos – não por um roubo, sem ameaça ou agressão – como o policial fez questão de destacar.
Pois foi esse roubo, sem ameaça ou agressão que mexeu horrores comigo! Fiquei algumas horas tremendo. Estou até agora com dores no corpo – pelo nervoso e pela correria! Posso caminhar umas duas horas sem o menor esforço, mas não agüento correr nem 5 minutos. Correr desesperadamente perseguindo minha bolsa, então… destruiu minha garganta, eu sentia muito gosto de sangue na boca e estou ainda com uma tosse de cachorro morto!
Voltando pra casa, saímos pra jantar, tomei um banho e deitei.. achei que já estava mais calma. Mas, não…
Consegui dormir quase rápido, mas tive uma hora inteira cheia de pesadelos e imagens repetitivas rodeando minha cabeça. Aí acordei de vez e não dormia mais. Resolvi levantar e ler pra me distrair, mas quando peguei meu livro me lembrei que, na correria, tinha perdido meu marcador de páginas. E não era um qualquer, era um flyer do primeiro Baile do Baleiro que eu fui, em 2007. Tinha um significado especial pra mim! E eu acho que vi ele caindo e voando pra trás, mas não podia voltar pra buscar.. Que ódio!!! Foi só aí que caíram minhas primeiras, e poucas, lágrimas.
Logo que desci do ônibus achei que ia chorar, mas não chorei. Quando entrei na viatura da polícia de novo, e de novo, nada.
Na verdade, acho que estou entalada com isso até agora. Continuo sentindo frios desagradáveis na barriga, por exemplo quando liguei meu iPod e percebi que aquela música era a que eu estava ouvindo quando o maldito pegou minha bolsa. Ou quando achei a página do livro em que tinha parado no momento da confusão. Ou quando, em casa, abri minha bolsa pra procurar alguma coisa que eu sabia que poderia não estar lá, ou quando peguei pela primeira vez meus óculos escuros.
Ou quando eu penso que esses caras passaram mais de meia hora comigo, apanhando dos outros, indo presos, sentindo raiva. E que o ônibus em que eles me encontraram é o ônibus que eu pego todos os dias! Continuo vendo a cara de um deles quando penso no assunto e isso me arrepia – no pior sentido possível!
A conclusão dessa história toda é que é melhor eu começar a ir de carro pra faculdade.
Entre um medo e outro… acho que o trauma da violência foi maior.
Hoje, pela primeira vez, sai de carro, dirigindo, sozinha! Sem ninguém do meu lado pra prestar atenção e me prevenir das cagadas.
Fiquei mega nervosa, tremendo pra caramba. Mas nada comparado com o nervoso de terça feira… Espero que consiga superar os dois medos e que no final, alguma coisa de positivo venha disso tudo! (nessas horas eu invejo quem acredita de verdade que tudo na vida tem um sentido e uma razão de ser)
Ah! Claro que apesar de medo e nervosismo, acabou tudo bem! Recuperei minha bolsa com tudo dentro!
"Tenho por princípios nunca fechar portas"
Tivemos os últimos dez dias com visitas em casa; já estava com saudades da casa cheia!
"depois que eu me encontrar…"
Tô de mau humor. Tô de mau espírito. Tô de má vontade.
Pensei em escrever um daqueles textos auto-reflexivos pra aliviar, mas decidi livrar vocês do meu blábláblá reclamão. Pelo menos por hoje.
Pelo menos por hoje quero ficar quieta. Quero poder chorar se sentir vontade, sem ter que descobrir o porquê. Quero poder não sair na rua e não ver ninguém, pra não ter que fingir ser simpática, mas sem acabar ofendendo ninguém.
Quero ganhar colo sem que tenha feito por merecer (não hoje, ok?)
Não quero fazer nada e não quero ter que justificar meus não-quereres.
Hoje eu não tô nem pra mim, nem pro meu cão de amor e rabo balançante incondicionais.
Se quiser me encontrar hoje, procure num quarto escuro. Ou numa música bem alta. Ou dentro de um livro.
Estarei em um desses lugares me procurando também.





