"que dá medo do medo que dá"

Acho que esse é o título mais explicativo que já coloquei numa postagem. 
Porque é sobre isso que quero falar: sobre o medo do medo que senti. Sobre o medo de sentir medo. E, especialmente, sobre o medo de ter mais medo do que o resto dos sentimentos possíveis.

Com a gravidez e o aborto eu entendi rápido que nessa história de maternidade não tem nada de “morno”, vem tudo fervendo!!!”.

E apesar de ter logo conseguido levantar e ficar bem, fiquei com medos queimando em mim…
Porque afinal, se perder um bebê com uma semana é difícil assim, imagina depois de mais semanas, ou até meses?! E imagina perder um filho depois que nasce?!?! E imagina perder um filho depois de grande?!?!

Conheci logo de cara (no melhor estilo “bater a cara no poste”, eu diria. rs) o que é coração de mãe doendo (porque coração de mãe apertado a Maní já tinha me mostrado..rs) e soube que ser mãe é colocar-se sempre em risco de sofrer!
Soube que, sendo mãe, sempre terei medo pelo meu filho. Medo de que ele não seja saudável, que ele não coma bem, que fique doente, que não tenha juízo na tal festa, que não saiba se cuidar quando deve, que saia de casa sem casaco, enfim… todas essas coisas que sempre cansamos de ouvir das nossas próprias mães e que de repente passam a fazer muito sentido!
E, no fundo, essa tensão toda é um pouco inútil porque prática não serve pra evitar problemas, só pra deixar as mães mais tensas, não é?! rs
E mesmo assim (e mesmo com os enjôos, a canseira, a falta de sono, etc,etc,etc) o mundo tá cheinho de mães por aí dizendo que ser mãe é incrível, que é o maior amor do mundo e que TUDO vale a pena! 
E eu acredito nisso! E quero isso pra mim! 
E sim, mesmo descobrindo que a presença desses medos todos será uma constante, continuo querendo isso pra mim!!! Porque sei que o resto todo é muito maior que o medo!

E aí vem a segunda parte da história…
Porque depois que aprendi que terei que conviver com esses “montrinhos”, pude colocá-los num patamar muito menor e de menos importância (no diminutivo, até..rs). Mas aí sobrou em mim um medinho específico…

O médico logo me liberou pra continuar tentando engravidar de novo. Só que eu ainda tinha medo. Tinha medo de engravidar e perder de novo, claro. Mas, mais do que tudo, tinha medo de ter medo demais! Tinha medo de, mesmo tendo uma nova gravidez tranquila, passar o tempo todo muito tensa, com muito medo, sem conseguir curtir nada e colocando peso demais no pobre novo bebê…
E eu não queria isso pro meu filho(a)! Nem ele(a), nem eu merecíamos passar por uma coisa dessas.

Depois de um tempo eu soube que isso significava que eu não estava pronta pra engravidar de novo, eu não podia estar… a dor já podia ser fraca, o trauma podia parecer que tinha passado… meu corpo talvez estivesse pronto, mas eu sabia que ainda não era hora de continuar… e quando eu entendi, aceitei. Fiz as pazes comigo.

E eu só posso escrever isso agora porque passou! Porque agora eu estou em paz e, digo mais, estou pronta! Pronta para o que der e vier!

Não, não quer dizer que eu virei uma otimista, sem medo algum e achando que tudo vai dar muito certo e ser absolutamente lindo. Não! Mas quer dizer que eu (re)descobri em mim outros sentimentos mais fortes e mais importantes do que medo algum pode ser! Eu encontrei de novo o desejo, a esperança e, acima de tudo, o amor!
E, amor, eu quero mais!
Porque afinal, amar é sempre assim: é colocar-se em risco pra poder se entregar inteira! É arriscar cair e se machucar, mas correndo o risco também de ser MUITO FELIZ!!!

E é isso:
Estou entregue. Estou pronta. E já estou amando – mais e de novo! Que venham as próximas emoções!!!





(percebi que há um “ps.” importante: estou pronta pra poder engravidar de novo. estou amando “a nova possibilidade” aberta. não estou dando nenhuma notícia “entrelinhas”, ok?! hahaha)

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4 pensamentos sobre “"que dá medo do medo que dá"

  1. Gabi, muito bom te ver assim, animada, pronta, entregue.
    Ah os medos, esses não tem jeito mesmo, como você disse nos acompanham sempre, mas é preciso aprender ser mais fortes que eles, eu ainda estou tentando, a passos lentos confesso, mas muito firmes.
    Logo logo vem o post com uma linda noticia, bem direta, sem entrelinhas =)
    Bjuss

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