"Saiba"


Escrevendo uma mensagem pra um amigo, eu deveria escrever “acabo sempre enrolando”, mas, como um belo ato falho, escrevi “acabo sendo enrolando”!
Se eu ainda usasse orkut e msn colocaria essa frase lá, como “quem sou eu: ACABO SENDO ENROLANDO”.

Viu, só?! Em plena briga com Freud e psicanálise vem meu inconsciente e joga essa na minha cara! A melhor definição da minha vida nos últimos tempos – definição do que quero dela e do que eu faço das outras coisas…

Adorei!

"Me cansei de você"

Minha escrita anda travada.
Acho que cansei de bater tanto na mesma tecla… e as últimas coisas que escrevi – que fugiam do assunto de sempre – ficaram bem mal escritas!

Escrever estava sendo minha maneira de esclarecer, de limpar a cabeça, enxergar melhor os pensamentos (literalmente, já que aí eles estavam na tela pra serem “vistos” e lidos).

E estou em um momento de não querer pensar. Um momento em que minha vontade é simplesmente sentir, sem ter que entender o porquê.

Eu disse que briguei com o Freud, e é bem isso esse momento. Depois de tanta tempo de análise é difícil se desvencilhar desta forma de pensar. Sempre procurando um significado mais profundo, um motivo escondido, uma razão obscura, um porquê antigo, uma repetição sintomática…

Cansei!

Tô com vontade de levar a vida mais leve! De querer uma coisa só porque estou com vontade dela. De não saber de coisas grandes da vida, simplesmente porque eu não sei. De odiar um lugar porque o lugar me dá motivos, não porque eu sou problemática.

Queria ser mais simples, mais normal, mais comum… Cansei de ser assim, confusa, complexa

Será que é possível? Será que dá pra girar um interruptor na cabeça?
Não pra desligar de vez – até porque sinto bastante falta de escrever – mas pra tirar os ruídos e deixar a parte bonita e sossegada…Será?

"depois que eu me encontrar…"

Tô de mau humor. Tô de mau espírito. Tô de má vontade. 
Pensei em escrever um daqueles textos auto-reflexivos pra aliviar, mas decidi livrar vocês do meu blábláblá reclamão. Pelo menos por hoje.
Pelo menos por hoje quero ficar quieta. Quero poder chorar se sentir vontade, sem ter que descobrir o porquê. Quero poder não sair na rua e não ver ninguém, pra não ter que fingir ser simpática, mas sem acabar ofendendo ninguém.
Quero ganhar colo sem que tenha feito por merecer (não hoje, ok?)
Não quero fazer nada e não quero ter que justificar meus não-quereres.
Hoje eu não tô nem pra mim, nem pro meu cão de amor e rabo balançante incondicionais.

Se quiser me encontrar hoje, procure num quarto escuro. Ou numa música bem alta. Ou dentro de um livro.
Estarei em um desses lugares me procurando também.

"Sem me entender em mim"

Eu sou difícil de conhecer.
Eu sou difícil de conquistar.
Eu sou difícil de gostar.
Eu sou difícil de ler.
Eu sou difícil de acompanhar.


E isso me dá algumas garantias.
Não dá pra gostar mais ou menos de mim. Ou gosta ou não gosta. 
Por isso eu sei que quem gosta, gosta de verdade. Gosta conhecendo todas as chatices, as manias, os mau-humores, a paciência flutuante, a capacidade de escuta, o humor ácido, os momentos de doçura…
E o contrário também vale: quanto eu gosto, gosto pra valer! E – por mais que eu seja indecisa em muita coisa nessa vida – quando eu gosto, sou fiel a esse gosto.
E assim como eu gosto de poucos, sei que pouco gostam de mim.
E fiz tanta análise nessa vida que já nem ligo pros que não gostam! 




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Ontem minha mãe e meu irmão me apresentaram um negócio bacana: http://www.inspiira.org/
Tem um teste bem legal de “personalidade” nesse site. É um pouco longo, então tem que ter paciência, mas vale a pena fazer!
Claro que nem todos os resultados batem 100% mas, por exemplo, o do meu irmão foi até engraçado de tanto que fazia sentido.


Indico que façam e leiam o resultado com bastante atenção. Dá pra se surpreender, se divertir e aproveitar pra fazer umas boas auto-reflexões… rs


Boa sorte!

"Agora eu era herói…"

Na semana passada veio me visitar minha prima e grande amiga de infância, Nathalia:





E dentro do pouco que conseguimos conversar estávamos comentando sobre a imagem que temos de nós mesmas ao longo dos anos… 
Aquela sensação quando olhamos pra um primo ou irmão mais novo e pensamos: “nossa, ele é tão criança, eu era tão mais adulta nessa idade; na verdade eu era quase o que eu sou hoje”.


Acho que nem sempre percebemos que crescemos, o quanto crescemos e o que mudou em nós. Talvez com um pouco de reflexão (e/ou análise. rs) isso fique mais claro, mas na maioria das pessoas com quem converso sobre isso, persiste essa sensação do “eu já era como sou”, sem se notar muito as “evoluções da idade”. rs


Mas sabe aquelas peças que a memória prega na gente? Como quando sentimos um cheiro e instantaneamente vamos parar em algum lugar longínquo, ou quando ouvimos uma música e nos sentimos ao lado de determinada pessoa?


Hoje essas duas coisas aconteceram comigo e, além delas, uma terceira ainda mais potente:
Meu pai e família estão de visita nessa semana e hoje subimos a montanha pra ir até Farellones pras crianças conhecerem a neve e brincarem um pouco de congelar. No final do dia, ainda lá em cima, encontrei um amigo que não via a muitos anos, da minha época de adolescência…
Na hora do encontro foi aquela coisa boa de “Nossa, quanto tempo! Tá fazendo o que aqui? O que já fez de bom no Chile? Fica até quando?Etc”, mas a onda de lembranças, sensações, sentimentos, até músicas e cheiros que esse encontro inusitado traria, viria só mais tarde…
E junto com tudo isso veio também pensamentos que eu nem sabia mais que poderia ter. Pensamentos que ao mesmo tempo que me habitam, não fazem mais parte de mim.


Meus 18 anos nem parecem tão longe assim (ok,ok…assumo que estou ficando velha…rs), tanto que posso reconhecer tais sensações como minhas, tanto que os sentimentos que vem com as lembranças apertam de leve o coração. Mas vem ao mesmo tempo a noção de que o que afeta é a lembrança, a nostalgia pelo que passou; não a emoção em si pois esta, claramente, ficou lá trás. 
E quer saber? É muito bom notar que a adolescente também ficou pra trás. Que apesar de às vezes eu achar que sou a mesma pessoa que era quando entrei pela primeira vez na faculdade (meo deos! meu irmãozinho é tão jovem pra Federal! rs), sou (não “estou”, “sou” mesmo!) na verdade completamente diferente, muito mais forte e resistente e crescida e gordinha e madura e chata (tá vai, isso eu sempre fui) e bonita por dentro e por fora (porque não custa nada agradar o ego! hahaha)


E nessas horas agradeço por ter os cabelos brancos na cabeça e os calos no coração! 
“Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”, sim, mas cada dor e cada delícia no seu tempo certo!
Ainda bem!!!

"Metablogagem"*

Descobri, há não muito tempo o blog Adorável Psicose e nos  últimos dias passei algumas horas lendo em ordem cronológica os posts dele – já cheguei em 2010 – e me divertindo bastante.
Mas preciso confessar (aliás, esse blog deveria mudar de nome pra algo como “confissões de ex-adolescente”, porque haja confissões por aqui, hein?!) que comecei a leitura com uma pontinha de inveja/esperança/curiosidade.  Fui lá fuçar e descobrir como é que um blog tinha virado uma série de tv…


Bom, primeiro descobri que não foi exatamente como eu imaginava. Não é que uma pessoa qualquer escreveu textos de tanto sucesso que a convidaram para fazer a série; na verdade a Natalia Klein já era roteirista do Zorra Total, já estava no meio e tal… Quando começou a surgir a possibilidade de virar série o blog tinha só uns 20 posts e ainda não era tão famoso assim…
Atenção, não estou desmerecendo o sucesso de ninguém! O blog é ótimo e com o passar do tempo foi ganhando mais e mais visibilidade e fãs e leitores e etc. Tudo merecido! E quando o programa realmente saiu, aí sim, a coisa já era enorme!


Bom, meu lado egoísta, que não é muito grande, mas existe com cada vez mais força, traçou algumas reflexões e constatações…


Primeira constatação: o “ibope” do meu blog vem diminuindo….
Primeira reflexão: será que depois de receber vários elogios fiquei metida e transformei meus textos em chatos e pedantes? 


Segunda constatação: o Adorável Psicose faz sucesso, principalmente, porque a autora sabe fazer piada das suas próprias “desgraças” – principalmente amorosas – e, com bastante sinceridade, faz com que a grande maioria dos leitores se identifiquem com diversas situações e psicoses.
Segunda reflexão: minha vida amorosa é o que se considera, atualmente, a coisa mais sem graça do mundo: sou apaixonada, casada e feliz! Quem quer ler sobre isso hoje em dia??? No máximo vão me achar metida e um pouco mentirosa…rs


Além do que meus textos não são muito sobre assuntos universais. Esse blog, na verdade, é ultra auto-referente e auto-reflexivo. É mais ou menos aquilo que meu professor de Historia del Arte chamaria de “el arte moderno”(aliás, como é que eu nunca estudei isso antes??). Em outras palavras: um grande mi-mi-mi!


Conclusão: esse aqui tem mesmo é continuar com o nome que tem, porque vão continuar sendo meus “queridos curiosos e pacientes” os leitores fiéis que me acompanham e me elogiam pra levantar o ego da escritora que vos pentelha…


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Epa! Peraí! Eu tava realmente me comparando com o Adorável Psicose??? Que loucura, Gabriela!
Que otimismo!
E comparando com invejinha?
O quê? De onde veio essa vontade repentina de ser lida?
Só falta agora pedir pros amigos divulgarem seu texto na internet! Pffff!






(*ps.: título roubado, descaradamente, do blog do meu irmão)

"Faça parte da minha rede no LinkedIn"

Já recebi várias vezes esse tal convite e nunca nem pensei em aceitá-lo.
Nenhum problema de ser “amiga” dos meus amigos em mais uma rede; na verdade o problema é muito mais banal:
Eu não tenho o que colocar sobre mim na tal “rede profissional”. Não tenho!
Não que eu não tenha um currículo ou alguma experiência de trabalho pra colocar, isso eu tenho.
Eu só não tenho profissão! 


Quando se é estudante universitário você dá o seu check no quadrado do “Estudante” e acrescenta lá o curso, ou seja, você não é só estudante, você é um futuro advogado, professor ou médico.


Mas eu não, eu sou só estudante. E apesar de estar de saco cheio de ser estudante, não faço a menor idéia do que vou ser depois disso.


Pensei em fazer uma experiência e criar um perfil no Linkedln com toda essa minha sinceridade: “estou na terceira faculdade; já fui “Atriz”, quase Terapeuta Ocupacional, Técnica de Som, Montadora, Editora, Diretora de Arte… mas não sei pra que vai me servir tudo isso. Um abraço apertado, Gabriela””


Conheço várias pessoas que já receberam propostas de emprego por causa do perfil neste site, e por isso conclui que o meu seria perigoso.
Já até vejo os emails com propostas mágicas, vantajosas e super tentadoras pra ser revendedora Herbalife (“uma filosofia de vida!”), striper on line (“ganhe muito sem sair de casa!”) ou assistente em uma editora de livros de auto-ajuda (“você entende as necessidades de nossos leitores”)!


Nhã!


Por enquanto continuo sem fazer parte da rede de ninguém mesmo!

"Para ver e mostrar o nunca visto; o bem e o mal, o feio e o bonito"

Alguns dias atrás pensei com um pouco de raiva, confesso, sobre essa mania que o cinema adquiriu de adaptar tudo que é livro que sai e faz sucesso.


Disse há uns meses que estava num período de leitura louca; pois o “período” virou quase permanente. Continuo lendo loucamente, um livro atrás do outro e do outro, do outro, do outro…
Independente dos motivos e interpretações disso, tem sido uma experiência ótima, acho que nunca li tanto e tenho aproveitado bastante.

Fui pro Brasil agora com uma mala grande um pouco vazia pra ter espaço pra trazer pra cá um monte de livros. Alguns que meus pais têm e que li durante toda a vida, achei que mereciam ser meus agora; fiz uma super compra num sebo, somei estes com alguns outros meus que já estavam lá e a mala veio cheia!

Pois bem, eu gosto de ler e eu gosto de ir no cinema. Mas as duas coisas separadamente!
Quando fui assistir o Budapeste, adaptação pro cinema do livro do Chico Buarque, dirigido pelo Walter Carvalho, lembro-me de ter sofrido fisicamente, de verdade!
Li o livro umas 8 vezes ou mais e ver na tela a “realização” de tudo que eu tinha construído e imaginado sozinha tantas vezes, foi literalmente doído. Tava tudo errado! Tudo! As imagens não batiam, os personagens não eram aqueles… nem os lugares (que eram reais no filme) eram os certos!!! Foi uma experiência horrível!

Hoje fui no cinema assistir “X-Man first class” e vi antes dele o trailer do último Harry Potter que está pra sair… As imagens de ambos são de tirar o fôlego, as produções muito boas e redondinhas, mas não pude deixar de pensar no esforço que o cinema faz pra colocar em imagem imagens que somos totalmente capazes de construir sozinhos. Pra quê?

Tantos efeitos, maquiagens e o caramba a quatro… pra quê?

A gente estuda no cinema aqueles filmes “clássicos”, naturalistas que querem, mais do que tudo, representar o mundo “exatamente como ele é”. 
Vi hoje na tela o cinema “fantástico”, se aprimorando mais e mais pra tornar “reais” nossas imaginações, pra fazer “palpável” as fantasias “de cada um”.
Aí tem o cinema simbólico, onírico, subjetivo… o que não quer reproduzir a realidade, mas sim expressar as partes “profundas do ser humano”. Mais uma vez, tornar “concretos” na tela grande os sentimentos e situações que todo mundo tem dentro de si.

Sério, pra quê???

Sabe aquele discurso de que as pessoas estão mais burras e menos inventivas, já que as tecnologias de hoje em dia entregam tudo mastigado pra todos e ninguém tem que pensar muito?
Pois bem, acho que o cinema tem contribuído com a “planificação” de nossas mentes! Se está tudo lá, materializado, pra que sonhar? Pra que criar? Pra que gastar tempo lendo e imaginado, se depois alguém certamente vai colocar na tela tudo aquilo que você iria pensar sozinho antes (e desfazer suas imagens, colocando as que seriam a expressão da realidade)?

Pois é. Pra quê?

Claro que eu entendo a vontade que os cineastas têm de contar suas histórias e entendo que o cinema seja mais um meio de comunicação e expressão…
Mas ultimamente aquilo que seriam os grandes êxitos do cinema me dão uma preguiiiiiçaaaa….

Porque aquilo que “dá trabalho” nos meus amigos livros é tão mais estimulante! rs


Eu sei, eu sei…estou em crise com a escolha da profissão no audiovisual e isso explicaria a briga com o cinema… Eu sei, eu sei, é difícil separar as coisas… 
Mas falo sinceramente como leitora e espectadora, mais do que como “realizadora”; até porque tenho me saído melhor em pensar do que em realizar….


Desculpem o gostinho de amargura. Boa noite e ótima semana a todos!

(ps.: Título retirado de um discurso do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, musicado pela Adriana Calcanhotto com o nome de “Por que você faz cinema?”)

"Tantas palavras que eu repetia só por gostar"

Eu nunca fui muito boa em comunicação. Falar sobre meus sentimentos era missão quase impossível. Eu tentava, ficava com as frases repetindo, repetindo, repetindo (como diz a música), mas só dentro da cabeça, porque colocar pra fora que era bom, nada! Criava e recriava possibilidades de diálogo, me preparava pra diversas reações do interlocutor, sempre em vão, porque na hora H: garganta travada!
Só muito recentemente consegui melhorar, falar o que eu sinto e simplesmente lidar com as conseqüências – boas ou más – depois.
Pois bem, em algum momento dos longos anos de mudez descobri que tinha uma maneira um pouco mais fácil de dizer as coisas, eu podia escrevê-las e deixar um bilhete. 
Apesar da dor de barriga ao imaginar a pessoa lendo e do tremor de saber que ela viria até mim com a resposta, só por não ter que dizer frente a frente, eu já conseguia soltar melhor, e acabou que eu utilizei muito essa ferramenta na vida.
Escrever era minha maneira de dar a cara tapa com a cara escondida, era como eu podia fugir sem deixar de fazer o necessário. Não que “o necessário” fosse sempre ruim; algumas vezes eram coisas difíceis, como “estou brava por isso”, “isso me chateou”, “me desculpe por aquilo”. Mas algumas vezes também eram besteiras como pedir autorização pros pais pra fazer alguma coisa com amigos (que eu desconfiava que eles não deixariam), ou dizer pro namoradinho do colégio que, sim, eu aceitaria ficar com ele. 
O problema não era o peso do que precisaria ser dito, mas a fraqueza da minha voz ao expressar qualquer coisa um pouco mais pessoal.


Eu tive diário uma única vez na vida, acho que por volta dos 12 anos e a experiência foi bastante frustrante… me sentia boba escrevendo para o caderno: “querido diário, não conte para ninguém, mas acho que amo aquele menino da 6aB”. Durou pouco.
Esse tipo de “segredo muito importante” foi direcionado pra cartas imensas que eu trocava quase diariamente com as amigas da escola. Mesmo que elas fossem da mesma sala e passássemos o dia todo lado a lado, antes de ir embora quase sempre cada uma tinha um calhamaço pra entregar. Não sei o que as incentivava na brincadeira, talvez os segredos, as fofocas e as banalidades estivessem mais bem guardados no papel do que nas nossas bocas, talvez a graça fosse gastar tempo escrevendo, lendo, respondendo… Mas eu, sem dúvida, seguia no meu terreno seguro!
No primeiro colegial eu e mais duas amigas, Ju Vg e Ju Dalto, criamos um “Livro”: um bloco de fichário que servia pra ficar rodando entre as nossas mãos durante todas as aulas, pra podermos bater papo a vontade, sem nenhum colega ou professor encher o saco; cada uma tinha uma cor de caneta sua e podia escrever o quanto quisesse. Era divertidíssimo trocar confidências e falar besteiras assim, quase um precursor do msn! (não sei se já existia o ICQ nessa época, acho que sim, mas nenhuma de nós tinha acesso a ele ainda…). Sem contar que reler tudo depois era risada garantida! Com elas, o terreno já era seguro e ponto!


Alguns meses depois conheci a Ana em uma viagem, foram alguns dias juntas em um hotel em Águas de Santa Bárbara para a passagem de 2001 pra 2002 em que nos aproximamos um pouco e trocamos endereços. Ela já tinha o hábito de trocar cartas com algumas amigas e sugeriu que fizéssemos o mesmo. Veja bem, 2001 faz bastante tempo, mas naquela época trocar cartas (do jeito tradicional, via correio mesmo!) já era antiquado e “charmoso”, porque a moda mesmo era o telefone. Hmmmm…. falar ou escrever???
Não preciso nem dizer que adorei a idéia das cartas, né?! rs
Durante muito tempo trocamos cartas, cartões de aniversários, desabafos do coração, coisas sérias da família, fofocas sobre pessoas que a outra nem conhecia… enfim, papo de adolescente, com suporte de velho e nos aproximamos bastante!


Aí a internet chegou com tudo e os anos foram passando, terminei o colégio, fui pro cursinho, entrei na primeira faculdade… E além de todas as besteiras para as quais usamos a internet, descobri nela um jeito de ficar mais perto das pessoas que fui deixando pra trás. Primeiro email, depois orkut, pra alguns escrevia longos depoimentos (o mais longo que o orkut permitisse), pra outros, poucas palavras bastavam…
Essa coisa de redes socias foi virando moda e ficando popular demais, e eu aderi, claro. Entrei no twitter e no facebook também, onde escrevo bastante, mas nada muito pessoal, profundo. Elas servem pra reclamar, pra se gabar, pra tentar matar um pouco de saudades…
Trocas profundas por escrito, continuam existindo algumas em emails pra grupos muito pequenos de amigos “próximos-distantes”… mas como aprendi a falar, fui deixando a escrita um pouco de lado.


O “Livro” com as Ju’s já era história antiga, as cartas com a Ana foram se perdendo aos poucos, bilhetinhos pra pais não se faziam mais tão necessários… e, fora os emails com a linguagem boba da internet, fui esquecendo que eu sabia escrever…


Aíííí…. 
Aí eu vim morar no Chile e fiz uma enquete: qual seria a maneira mais fácil de enviar notícias pras pessoas que não vieram comigo? O blog ganhou a votação e foi assim que surgiu o “Aos queridos, curiosos, e pacientes”. E foi assim que eu voltei a escrever. 
A idéia inicial era escrever textos superficiais, descritivos, só pra ir contando objetivamente o que vinha acontecendo por aqui (vide o “Começando…”), mas acabou que este blog foi tomando outros caminhos e eu, que por toda a vida escrevi pra não me expor, que escrevia pra poder desafogar sem sair debaixo da água, virei “blogueira” e comecei a colocar na internet (Sim! essa rede louca onde todos têm acesso a tudo!) coisas que muitas vezes nem sabia que seria capaz de dizer pra uma simples pessoa, quanto mais pra qualquer um que quisesse ler.
Acabei adotando a escrita não mais como armadura, mas sim como porta de escape, ou melhor “porta de escancarar”.
E essa escrita acabou servindo pra me aproximar de verdade ou ainda mais de algumas pessoas, como da mesma “Ana das cartas” que também está recém casada e com quem, portanto, acabo compartilhando experiências e situações comuns. Ou como o querido Edsel que está passando (de alguma forma, junto comigo) pela experiência de ir morar muito longe de todo mundo – ele foi pra Teresina – e com quem divido também a paixão e o encantamento pelas aventuras lingüísticas.


Já recebi diversos comentários sobre o quanto as pessoas “sentem-se mais próximas de mim com o blog”, ou o quanto lendo-o elas sentem que me conhecem melhor do que pessoalmente.
É, aparentemente eu aprendi a falar dos meus sentimentos quando é preciso, mas pra me expor de verdade… talvez nisso eu ainda seja melhor escrevendo… 
Como eu comentei aqui um dia desses, acho que com o blog vocês me conhecem melhor porque eu “me deixo conhecer” mais… E porque, na verdade, a experiência de vir morar fora vem fazendo com que eu me conheça melhor também.


E não posso deixar de pensar que re-encontrar a paixão pela escrita facilita isso tudo; porque eu não quero escrever pra me mostrar. Eu quero escrever porque escrever é uma delícia!
Quase diariamente surge algum assunto sobre qual eu penso que seria bacana escrever, pena que não tenho tempo de colocar todos em prática (estou fazendo uma listinha com essas coisas e aos poucos os novos textos vão saindo).


E essa é a história longa do porquê você está lendo essa história longa.


Chega, né?! rs


Beijos queridos aos pacientes que chegaram até aqui!

Cordilheira

Não, esse não é aquele prometido post sobre a beleza onipresente da Cordilheira dos Andes em Santiago. Não!
Essa é só uma metáfora boba, pra ver se alivia…


Perdi meu sono hoje umas 2 horas mais cedo do que planejava acordar. Estava preocupada com um trabalho que tenho que fazer pra aula de “Post-Producción”, que já adiei muito tempo mais do que deveria. Bom, levantei super cedo pra um domingo, fiz minhas coisas pessoais, e 1h30 depois sentei na frente do computador.


O trabalho foi passado pelo professor já faz quase duas semanas e consiste em criar um vídeo com efeitos de animação feito no After Effects. Enquanto eu apanhava pra conseguir baixar o programa não pensei sobre o que seria meu trabalho, achei que ele sairia naturalmente….
Pois aqui estou eu, mais de 8 horas depois de ter “começado”, sem na verdade conseguir começar nada. Já iniciei uns três projetos, mas ou ficaram ruins, ou bobos, ou insuficientes, ou não iria adiante…enfim… Não sai nada!


Eu diria que não se trata de um bloqueio criativo, mas de uma cordilheira imensa entre mim e a capacidade de criar esse trabalho.


Já tentei mudar o foco, fazer outra coisa pra me distrair um pouco (como dar banho na Maní)  e depois voltar e tentar. Já desliguei internet, liguei de volta, fucei nos meus arquivos e em outros coisas da internet procurando ideias…e nada!!! Nada flui, nada aparece, nada vem…


Acho que eu nunca tinha travado desse jeito num assunto tão prático. Não é nenhuma grande decisão da vida, é só um trabalho a ser entregue!


O Lucas já me perguntou: “você tá com medo de que não fique bom?”
(Hahahaha. Tá querendo me interpretar, o rapaz! Acho que é porque ontem nós compramos e assistimos “A Máfia no Divã”! hehehe)


Pois então…eu sei que não vai ficar bom, After não é pra mim, e nem ligo.






Na verdade talvez eu até entenda um pouco desse bloqueio todo…


Mas não acho que meu professor vai se importar com isso… hahaha


Conclusão: tô pagando. Alguém quer fazer pra mim??? hahahhahahaha