"Metablogagem"*

Descobri, há não muito tempo o blog Adorável Psicose e nos  últimos dias passei algumas horas lendo em ordem cronológica os posts dele – já cheguei em 2010 – e me divertindo bastante.
Mas preciso confessar (aliás, esse blog deveria mudar de nome pra algo como “confissões de ex-adolescente”, porque haja confissões por aqui, hein?!) que comecei a leitura com uma pontinha de inveja/esperança/curiosidade.  Fui lá fuçar e descobrir como é que um blog tinha virado uma série de tv…


Bom, primeiro descobri que não foi exatamente como eu imaginava. Não é que uma pessoa qualquer escreveu textos de tanto sucesso que a convidaram para fazer a série; na verdade a Natalia Klein já era roteirista do Zorra Total, já estava no meio e tal… Quando começou a surgir a possibilidade de virar série o blog tinha só uns 20 posts e ainda não era tão famoso assim…
Atenção, não estou desmerecendo o sucesso de ninguém! O blog é ótimo e com o passar do tempo foi ganhando mais e mais visibilidade e fãs e leitores e etc. Tudo merecido! E quando o programa realmente saiu, aí sim, a coisa já era enorme!


Bom, meu lado egoísta, que não é muito grande, mas existe com cada vez mais força, traçou algumas reflexões e constatações…


Primeira constatação: o “ibope” do meu blog vem diminuindo….
Primeira reflexão: será que depois de receber vários elogios fiquei metida e transformei meus textos em chatos e pedantes? 


Segunda constatação: o Adorável Psicose faz sucesso, principalmente, porque a autora sabe fazer piada das suas próprias “desgraças” – principalmente amorosas – e, com bastante sinceridade, faz com que a grande maioria dos leitores se identifiquem com diversas situações e psicoses.
Segunda reflexão: minha vida amorosa é o que se considera, atualmente, a coisa mais sem graça do mundo: sou apaixonada, casada e feliz! Quem quer ler sobre isso hoje em dia??? No máximo vão me achar metida e um pouco mentirosa…rs


Além do que meus textos não são muito sobre assuntos universais. Esse blog, na verdade, é ultra auto-referente e auto-reflexivo. É mais ou menos aquilo que meu professor de Historia del Arte chamaria de “el arte moderno”(aliás, como é que eu nunca estudei isso antes??). Em outras palavras: um grande mi-mi-mi!


Conclusão: esse aqui tem mesmo é continuar com o nome que tem, porque vão continuar sendo meus “queridos curiosos e pacientes” os leitores fiéis que me acompanham e me elogiam pra levantar o ego da escritora que vos pentelha…


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Epa! Peraí! Eu tava realmente me comparando com o Adorável Psicose??? Que loucura, Gabriela!
Que otimismo!
E comparando com invejinha?
O quê? De onde veio essa vontade repentina de ser lida?
Só falta agora pedir pros amigos divulgarem seu texto na internet! Pffff!






(*ps.: título roubado, descaradamente, do blog do meu irmão)

"Faça parte da minha rede no LinkedIn"

Já recebi várias vezes esse tal convite e nunca nem pensei em aceitá-lo.
Nenhum problema de ser “amiga” dos meus amigos em mais uma rede; na verdade o problema é muito mais banal:
Eu não tenho o que colocar sobre mim na tal “rede profissional”. Não tenho!
Não que eu não tenha um currículo ou alguma experiência de trabalho pra colocar, isso eu tenho.
Eu só não tenho profissão! 


Quando se é estudante universitário você dá o seu check no quadrado do “Estudante” e acrescenta lá o curso, ou seja, você não é só estudante, você é um futuro advogado, professor ou médico.


Mas eu não, eu sou só estudante. E apesar de estar de saco cheio de ser estudante, não faço a menor idéia do que vou ser depois disso.


Pensei em fazer uma experiência e criar um perfil no Linkedln com toda essa minha sinceridade: “estou na terceira faculdade; já fui “Atriz”, quase Terapeuta Ocupacional, Técnica de Som, Montadora, Editora, Diretora de Arte… mas não sei pra que vai me servir tudo isso. Um abraço apertado, Gabriela””


Conheço várias pessoas que já receberam propostas de emprego por causa do perfil neste site, e por isso conclui que o meu seria perigoso.
Já até vejo os emails com propostas mágicas, vantajosas e super tentadoras pra ser revendedora Herbalife (“uma filosofia de vida!”), striper on line (“ganhe muito sem sair de casa!”) ou assistente em uma editora de livros de auto-ajuda (“você entende as necessidades de nossos leitores”)!


Nhã!


Por enquanto continuo sem fazer parte da rede de ninguém mesmo!

"Para ver e mostrar o nunca visto; o bem e o mal, o feio e o bonito"

Alguns dias atrás pensei com um pouco de raiva, confesso, sobre essa mania que o cinema adquiriu de adaptar tudo que é livro que sai e faz sucesso.


Disse há uns meses que estava num período de leitura louca; pois o “período” virou quase permanente. Continuo lendo loucamente, um livro atrás do outro e do outro, do outro, do outro…
Independente dos motivos e interpretações disso, tem sido uma experiência ótima, acho que nunca li tanto e tenho aproveitado bastante.

Fui pro Brasil agora com uma mala grande um pouco vazia pra ter espaço pra trazer pra cá um monte de livros. Alguns que meus pais têm e que li durante toda a vida, achei que mereciam ser meus agora; fiz uma super compra num sebo, somei estes com alguns outros meus que já estavam lá e a mala veio cheia!

Pois bem, eu gosto de ler e eu gosto de ir no cinema. Mas as duas coisas separadamente!
Quando fui assistir o Budapeste, adaptação pro cinema do livro do Chico Buarque, dirigido pelo Walter Carvalho, lembro-me de ter sofrido fisicamente, de verdade!
Li o livro umas 8 vezes ou mais e ver na tela a “realização” de tudo que eu tinha construído e imaginado sozinha tantas vezes, foi literalmente doído. Tava tudo errado! Tudo! As imagens não batiam, os personagens não eram aqueles… nem os lugares (que eram reais no filme) eram os certos!!! Foi uma experiência horrível!

Hoje fui no cinema assistir “X-Man first class” e vi antes dele o trailer do último Harry Potter que está pra sair… As imagens de ambos são de tirar o fôlego, as produções muito boas e redondinhas, mas não pude deixar de pensar no esforço que o cinema faz pra colocar em imagem imagens que somos totalmente capazes de construir sozinhos. Pra quê?

Tantos efeitos, maquiagens e o caramba a quatro… pra quê?

A gente estuda no cinema aqueles filmes “clássicos”, naturalistas que querem, mais do que tudo, representar o mundo “exatamente como ele é”. 
Vi hoje na tela o cinema “fantástico”, se aprimorando mais e mais pra tornar “reais” nossas imaginações, pra fazer “palpável” as fantasias “de cada um”.
Aí tem o cinema simbólico, onírico, subjetivo… o que não quer reproduzir a realidade, mas sim expressar as partes “profundas do ser humano”. Mais uma vez, tornar “concretos” na tela grande os sentimentos e situações que todo mundo tem dentro de si.

Sério, pra quê???

Sabe aquele discurso de que as pessoas estão mais burras e menos inventivas, já que as tecnologias de hoje em dia entregam tudo mastigado pra todos e ninguém tem que pensar muito?
Pois bem, acho que o cinema tem contribuído com a “planificação” de nossas mentes! Se está tudo lá, materializado, pra que sonhar? Pra que criar? Pra que gastar tempo lendo e imaginado, se depois alguém certamente vai colocar na tela tudo aquilo que você iria pensar sozinho antes (e desfazer suas imagens, colocando as que seriam a expressão da realidade)?

Pois é. Pra quê?

Claro que eu entendo a vontade que os cineastas têm de contar suas histórias e entendo que o cinema seja mais um meio de comunicação e expressão…
Mas ultimamente aquilo que seriam os grandes êxitos do cinema me dão uma preguiiiiiçaaaa….

Porque aquilo que “dá trabalho” nos meus amigos livros é tão mais estimulante! rs


Eu sei, eu sei…estou em crise com a escolha da profissão no audiovisual e isso explicaria a briga com o cinema… Eu sei, eu sei, é difícil separar as coisas… 
Mas falo sinceramente como leitora e espectadora, mais do que como “realizadora”; até porque tenho me saído melhor em pensar do que em realizar….


Desculpem o gostinho de amargura. Boa noite e ótima semana a todos!

(ps.: Título retirado de um discurso do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, musicado pela Adriana Calcanhotto com o nome de “Por que você faz cinema?”)

"Tantas palavras que eu repetia só por gostar"

Eu nunca fui muito boa em comunicação. Falar sobre meus sentimentos era missão quase impossível. Eu tentava, ficava com as frases repetindo, repetindo, repetindo (como diz a música), mas só dentro da cabeça, porque colocar pra fora que era bom, nada! Criava e recriava possibilidades de diálogo, me preparava pra diversas reações do interlocutor, sempre em vão, porque na hora H: garganta travada!
Só muito recentemente consegui melhorar, falar o que eu sinto e simplesmente lidar com as conseqüências – boas ou más – depois.
Pois bem, em algum momento dos longos anos de mudez descobri que tinha uma maneira um pouco mais fácil de dizer as coisas, eu podia escrevê-las e deixar um bilhete. 
Apesar da dor de barriga ao imaginar a pessoa lendo e do tremor de saber que ela viria até mim com a resposta, só por não ter que dizer frente a frente, eu já conseguia soltar melhor, e acabou que eu utilizei muito essa ferramenta na vida.
Escrever era minha maneira de dar a cara tapa com a cara escondida, era como eu podia fugir sem deixar de fazer o necessário. Não que “o necessário” fosse sempre ruim; algumas vezes eram coisas difíceis, como “estou brava por isso”, “isso me chateou”, “me desculpe por aquilo”. Mas algumas vezes também eram besteiras como pedir autorização pros pais pra fazer alguma coisa com amigos (que eu desconfiava que eles não deixariam), ou dizer pro namoradinho do colégio que, sim, eu aceitaria ficar com ele. 
O problema não era o peso do que precisaria ser dito, mas a fraqueza da minha voz ao expressar qualquer coisa um pouco mais pessoal.


Eu tive diário uma única vez na vida, acho que por volta dos 12 anos e a experiência foi bastante frustrante… me sentia boba escrevendo para o caderno: “querido diário, não conte para ninguém, mas acho que amo aquele menino da 6aB”. Durou pouco.
Esse tipo de “segredo muito importante” foi direcionado pra cartas imensas que eu trocava quase diariamente com as amigas da escola. Mesmo que elas fossem da mesma sala e passássemos o dia todo lado a lado, antes de ir embora quase sempre cada uma tinha um calhamaço pra entregar. Não sei o que as incentivava na brincadeira, talvez os segredos, as fofocas e as banalidades estivessem mais bem guardados no papel do que nas nossas bocas, talvez a graça fosse gastar tempo escrevendo, lendo, respondendo… Mas eu, sem dúvida, seguia no meu terreno seguro!
No primeiro colegial eu e mais duas amigas, Ju Vg e Ju Dalto, criamos um “Livro”: um bloco de fichário que servia pra ficar rodando entre as nossas mãos durante todas as aulas, pra podermos bater papo a vontade, sem nenhum colega ou professor encher o saco; cada uma tinha uma cor de caneta sua e podia escrever o quanto quisesse. Era divertidíssimo trocar confidências e falar besteiras assim, quase um precursor do msn! (não sei se já existia o ICQ nessa época, acho que sim, mas nenhuma de nós tinha acesso a ele ainda…). Sem contar que reler tudo depois era risada garantida! Com elas, o terreno já era seguro e ponto!


Alguns meses depois conheci a Ana em uma viagem, foram alguns dias juntas em um hotel em Águas de Santa Bárbara para a passagem de 2001 pra 2002 em que nos aproximamos um pouco e trocamos endereços. Ela já tinha o hábito de trocar cartas com algumas amigas e sugeriu que fizéssemos o mesmo. Veja bem, 2001 faz bastante tempo, mas naquela época trocar cartas (do jeito tradicional, via correio mesmo!) já era antiquado e “charmoso”, porque a moda mesmo era o telefone. Hmmmm…. falar ou escrever???
Não preciso nem dizer que adorei a idéia das cartas, né?! rs
Durante muito tempo trocamos cartas, cartões de aniversários, desabafos do coração, coisas sérias da família, fofocas sobre pessoas que a outra nem conhecia… enfim, papo de adolescente, com suporte de velho e nos aproximamos bastante!


Aí a internet chegou com tudo e os anos foram passando, terminei o colégio, fui pro cursinho, entrei na primeira faculdade… E além de todas as besteiras para as quais usamos a internet, descobri nela um jeito de ficar mais perto das pessoas que fui deixando pra trás. Primeiro email, depois orkut, pra alguns escrevia longos depoimentos (o mais longo que o orkut permitisse), pra outros, poucas palavras bastavam…
Essa coisa de redes socias foi virando moda e ficando popular demais, e eu aderi, claro. Entrei no twitter e no facebook também, onde escrevo bastante, mas nada muito pessoal, profundo. Elas servem pra reclamar, pra se gabar, pra tentar matar um pouco de saudades…
Trocas profundas por escrito, continuam existindo algumas em emails pra grupos muito pequenos de amigos “próximos-distantes”… mas como aprendi a falar, fui deixando a escrita um pouco de lado.


O “Livro” com as Ju’s já era história antiga, as cartas com a Ana foram se perdendo aos poucos, bilhetinhos pra pais não se faziam mais tão necessários… e, fora os emails com a linguagem boba da internet, fui esquecendo que eu sabia escrever…


Aíííí…. 
Aí eu vim morar no Chile e fiz uma enquete: qual seria a maneira mais fácil de enviar notícias pras pessoas que não vieram comigo? O blog ganhou a votação e foi assim que surgiu o “Aos queridos, curiosos, e pacientes”. E foi assim que eu voltei a escrever. 
A idéia inicial era escrever textos superficiais, descritivos, só pra ir contando objetivamente o que vinha acontecendo por aqui (vide o “Começando…”), mas acabou que este blog foi tomando outros caminhos e eu, que por toda a vida escrevi pra não me expor, que escrevia pra poder desafogar sem sair debaixo da água, virei “blogueira” e comecei a colocar na internet (Sim! essa rede louca onde todos têm acesso a tudo!) coisas que muitas vezes nem sabia que seria capaz de dizer pra uma simples pessoa, quanto mais pra qualquer um que quisesse ler.
Acabei adotando a escrita não mais como armadura, mas sim como porta de escape, ou melhor “porta de escancarar”.
E essa escrita acabou servindo pra me aproximar de verdade ou ainda mais de algumas pessoas, como da mesma “Ana das cartas” que também está recém casada e com quem, portanto, acabo compartilhando experiências e situações comuns. Ou como o querido Edsel que está passando (de alguma forma, junto comigo) pela experiência de ir morar muito longe de todo mundo – ele foi pra Teresina – e com quem divido também a paixão e o encantamento pelas aventuras lingüísticas.


Já recebi diversos comentários sobre o quanto as pessoas “sentem-se mais próximas de mim com o blog”, ou o quanto lendo-o elas sentem que me conhecem melhor do que pessoalmente.
É, aparentemente eu aprendi a falar dos meus sentimentos quando é preciso, mas pra me expor de verdade… talvez nisso eu ainda seja melhor escrevendo… 
Como eu comentei aqui um dia desses, acho que com o blog vocês me conhecem melhor porque eu “me deixo conhecer” mais… E porque, na verdade, a experiência de vir morar fora vem fazendo com que eu me conheça melhor também.


E não posso deixar de pensar que re-encontrar a paixão pela escrita facilita isso tudo; porque eu não quero escrever pra me mostrar. Eu quero escrever porque escrever é uma delícia!
Quase diariamente surge algum assunto sobre qual eu penso que seria bacana escrever, pena que não tenho tempo de colocar todos em prática (estou fazendo uma listinha com essas coisas e aos poucos os novos textos vão saindo).


E essa é a história longa do porquê você está lendo essa história longa.


Chega, né?! rs


Beijos queridos aos pacientes que chegaram até aqui!

Rapidinha

Volta de feriado em São Paulo. Esperava pegar um bom trânsito pra conseguir chegar em Guarulhos. Mas não. Pegamos trânsito pra sair de Guarulhos. No avião!
Foi mais de uma hora depois do “Tripulação, portas no automatico” pra conseguir o “Tripulação, decolagem autorizada”. Porque o tráfego aéreo estava caótico em Cumbica.
Depois foram as 4h e pouco de um vôo conturbado. Não por turbulências, mas por grupinhos de pessoas achando que estavam na Vila Madalena. Em pé no corredor, copo de vinho na mão, falando alto e rindo (um deles exatamente na fileira de trás). E crianças fazendo birra. E aeromoças lentas.
Mas a comida tava gostosa.
E chegar em casa e finalmente dormir na minha própria cama… Delícia!
Sem falar na recepção querida da Maní querida!




Bom, a semana de Brasil foi ótima e merece um post com mais atenção – mas sem fotos, porque, pra variar, esquecemos de tirar. Esse de hoje é só pra avisar que estamos em casa.


Dia frio, sol brilhante e a tranquilidade na rua lá fora…. é, de volta a Santiago!

Espera passar o avião

São 4h30 de uma manhã gelada em Santiago e me encontro sentada em frente ao portão de casa com mala e cuia (quase literalmente) esperando o Lucas conseguir um taxi pra levar-nos ao aeroporto.
Ao mesmo tempo em que constato que estamos escapando da primeira semana mais fria do ano em Santiago, fantasio sobre o que fazem os vizinhos dos prédios em volta que a essa hora estão com as luzes acesas… e percebo então um novo “aperto no coração”.
Além da dorzinha (que já vinha há alguns dias comigo) por deixar a Maní em Santiago e ficar uma semana longe dela, noto que vou sentir saudades de casa. O curioso é que há pouco tempo atrás estava já imaginando o tweet de quando chegasse no Brasil, qualquer coisa como “em casa…” ou “Querida, cheguei!”. E agora o “em casa” tinha ficado dez andares acima, com a Maní dentro, logo menos estaria há uma cordilheira de distância e eu me preparando pra voltar pra um Brasil que não via há mais de 4 meses…

No ônibus de guarulhos pra São Paulo acordei quando passava em frente à Pinacoteca – um dos meus lugares favoritos na cidade – e ri sozinha ao ver que está tendo uma exposição lá chamada “Aos curiosos”… Ou seja, só uma parte dos meus leitores pode ir…hehehe
Não demorei mais do que cinco minutos pra ver com os olhos dos chilenos as tais cores mais intensas do nosso país – caramba! Que céu azul, que árvores verdes e que prédios cinzas!!! Aliás, caramba, quanto prédio em um lugar só!!! Como e pra que amontoar tanto prédio, tão altos e tão pertos um dos outros???
Pensei tudo isso com sinceridade, com a “frescura” de um olhar quase estrangeiro.
Durante as primeiras 24h aproximadamente continuei respondendo às pessoas nas ruas com “gracias”, “perdon” e “permiso”… meu radar de “opa! Escutei português, tem brasileiro por perto” ficou bem louco…
Nessas mesmas 24h comi tanto, tantas coisas gostosas das quais estava com saudades que a previsão de volta pro Chile é com sobrepeso de bagagem. Isca de frango, salame, pão da la ville, mortadela, ovomaltine, etc, etc, etc…
Cheguei na casa dos meus pais e achei tudo mais claro do que me lembrava. Os gatos estavam um poucos desconfiados com a minha presença e os copos não estavam no lugar de sempre.

Hoje é o terceiro dia de Brasil e ainda ontem a gata veio deitar no meu colo pra assistir filme, no sábado os amigos me divertiram como só eles sabem fazer, hoje o trem andou na mesma linha velha conhecida e o shopping Eldorado estava exatamente igual.
Rapidamente voltei pra posição de cidadã daqui e estou tentando aproveitar ao máximo pra matar as saudades (de pessoas, animais, comidas, lugares…)
Mas de quando em quando vem aquela pontada, a lembrança saudosa de que por mais que eu me sinta em casa aqui por uma boa porcentagem do tempo, minha casa está em outro lugar. Um lugar lindo e querido, mais civilizado, mais poluído, mais frio (fora) e mais quente (dentro), o lugar onde nasceu minha filha e onde ela me espera (que saudade!!!), o lugar que hoje é meu lar!

E aquela esquizofrenia (lembram dela no meus discurso de casamento?) de estar aqui estando lá e estar lá estando aqui, de não saber qual idioma usar, de sentir saudade quando vai e quando vem…
Tudo isso faz parte da vida que escolhi levar… a tal vida dos “expatriados”.
Tudo isso me faz crescer (inclusive pelas dificuldades), faz dar mais valor a cada uma das coisas pequenas que dão prazer e podem fazer falta.
Tudo isso me faz ser hoje uma pessoa diferente da que eu era 4 meses atrás (mesmo que não completamente).
Tudo isso enriquece as experiências dessa nova vida.
E eu amo muito tudo isso. (será que ganho uma grana pelo merchand?? hehe)

E você, quando vem?

Lhes apresento o Hotel MaLuGa, lugar de ser feliz em Santiago!


Aqui você pode ficar tranquilo e só desfrutar tudo que essa cidade incrível tem de bom!





Oferecemos aos nossos hóspedes confortáveis acomodações em quartos dobles com camas de solteiro ou casal. 



Contamos ainda com um Kit-Turista montado com todo carinho para melhorar a estadia de nossos visitantes e incrementado pelos queridos que já passaram por aqui!
Nele constam:


– Guias de tours e passeios pra fazer na cidade e nos arredores dela.





– Celular pré-pago local pra facilitar a comunicação com o que (ou quem) quer que seja por aqui

– Chave da casa com chaveiro típico da Ilha de Páscoa – Presente do Celso Bal


– Porta moedas (presente da Marina Malta) pra facilitar a vida de todos com os pesos trocados



– Cartões Bip da Transantiago pra aproveitar o ótimo transporte público


– Caderneta de anotações onde os hóspedes podem contar sobre sua estadia e deixar dicas e opiniões para os próximos que vierem (presente da Marina)



Outro diferencial de nosso hotel é o Rock Band, pra entreter e divertir as reuniões de amigos na recepção.







De fundamental importância para o sucesso de nosso trabalho é a Maní, uma cachorra de companhia que estará sempre disposta a te dar carinho e ajudar com a saudade de casa!



Isso sem falar nos anfitriões mais bacanas do planeta!





Agora….você que está aí no computador…o que falta pra programar sua vinda a Santiago???


Nós estamos te esperando!!!


Vem!!!!!!


(favor agendar as datas de estadia por email)



Morando em Santiago eu aprendi que…

Aprendi que todos os dias vc tem que olhar esperançosamente para o horizonte.


Não importa como esteja o tempo, a temperatura, a poluição ou o seu humor. Você tem que olhar pro horizonte.


Muitas vocês você se decepciona, se depara com uma grande massa marrom de poluição que te lembra como é ruim o ar que você respira diariamente.
Às vezes não faz muita diferença, porque você olha e simplesmente não tem nada pra ver.
Mas às vezes…..aaahhh!!!!
Às vezes você olha e simplesmente perde o ar!!! E fica com torcicolo porque não pode parar de olhar. E quase é atropelada. E atropela outros pedestres.


Morando em Santiago eu aprendi que não importa se você vê todo dia ou não. Mesmo assim é importante lembrar que logo ali ao lado está uma montanha de beleza, um muro de confiança, pedras pra te proteger – ou pra te segurar e não deixar que você saia correndo no primeiro sinal de fraqueza.


Eu aprendi que a Cordilheira é ruim para o sistema respiratório não só porque ela retém a poluição no ar, mas porque ela pode assim, inesperadamente, me tirar completamente o fôlego!
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Hoje, pela primeira vez desde que chegamos, a Cordilheira amanheceu branquinha, coberta de neve! Um espetáculo!!!


Nossa visita do momento, a Marina Malta, teve a sorte de ter reservado o dia pra ir fazer o passeio aos Andes e ver bem de pertinho os 40 cm de neve que caíram!









Eu vi só aqui de baixo, mas fiquei boba o dia inteiro!!!


Pena que nas minhas fotos não fica nem de perto tão lindo quanto é pessoalmente… mas acho que dá pra ter uma noção:



(na hora do almoço, quando consegui tirar essas fotos, o céu tava azulzinho, mas a nuvens estavam bem cobrindo a cordilheira.. =/ )

Fazendo minha parte

Essa semana começou a “bombar” na (minha) web uma coisa muito legal e que merece ser divulgada:
trata-se de uma série criada por veteranos meus, do AV2006, chamada 3%.
Não vou entrar no mérito do “que trata de” porque fica bem claro logo nos primeiros minutos dela e recomendo fortemente que matem a curiosidade assistindo!


Eles têm toda a temporada escrita e o piloto produzido, estão agora na correria, buscando apoio pra produzir e veicular a série completa; o que seria mais do que justo e merecido! Pra ajudar nessa etapa, divulgamos!


Aqui está o piloto no youtube – divido em três partes – pra você verem (preferencialmente em HD, pois o cuidado com os detalhes merece!)









Acho “engraçado” (de um jeito preocupante)  que a maioria  dos comentários de quem gosta é a surpresa ao constatar que a produção é brasileira… Parece que a galera vai ter que assistir muito mais coisa desse tipo pra começar a acreditar de verdade e largar de vez esse preconceito velho e ultrapassado… rs

Portanto, se assistiu e gostou, ajude a divulgar, ok? O audiovisual brasileiro agradece!!! hehehe

Aqui vocês os encontram:


Ah! Sem esquecer, é claro, dos parabéns pros colegas que mandaram muito bem!!!


Besos e bom fim de domingo pra todos!


"Românticos são limpos e pirados"

Alguém no twitter postou esse vídeo hoje:





Apesar do pânico e da vontade de desligar várias vezes por causa da voz e do jeito bizarro da mulher falar (hahaha, eu sei, sou má…), achei o texto bonitinho e concordei com várias partes dele… Mas fiquei pensando…
Tolinha! Tá colocando na balança, comparando e escolhendo de forma excludente paixão X amor porque não sabe a delícia que é ter os dois juntos!!


Há pouco tempo reparei que virei uma romântica, não sei bem como ou quando… mas agora vídeos de pedidos de casamento fofos me fazem chorar, histórias de amor da vida real me emocionam e histórias de separações próximas a mim rompem um pouquinho meu coração também! 
Vou então abusar dessa nova característica:


Na rotina do dia a dia fica difícil lembrar com frequência da sorte que se tem por todos os dias acordar do lado do seu grande amor; mas sentir friozinho na barriga todo fim de dia quando ouve a chave na fechadura – depois de 6 meses de casados e 6 anos de namoro – aaaahhh…. isso é impagável!!!


Ter a tranquilidade e a certeza do amor te fortalecendo, dando ganas e vontade de viver mais e mais pra poder experimentar tudo que é tipo de experiência juntos, mesmo as mais rotineiras… Isso foi o amor que eu descobri, que construi com meu querido e que não troco por nada!


Mas sentir o coração acelerar com bobeiras como atender um número desconhecido no celular e ouvir o “alô” dele…aaahhh isso é paixão pura e deliciosa!


A moça do vídeo diz que não quer alguém que lhe tire o chão, mas alguém com quem compartilhar o chão…bom, ela não sabe o que está perdendo da experiência de perder juntos o chão e construir seu piso particular no lugar que bem entender!




Eu era cética e não acreditava nesse papo dos românticos, tinha medo de me iludir demais e quebrar a cara, então evitava a entrega. Mas aprendi – depois de alguns anos, sofrimentos, análise, brigas, conversas, reconciliações, etc – que amor e paixão existem sim e podem caminhar juntos! Não idealizados como nos filmes ou nas novelas; não a receita pronta até o “viveram felizes para sempre”. Bom mesmo é tudo que vem depois dessa parte, as partes fáceis e divertidas e as mais trabalhosas também. Aprendi que “construção” é a palavra chave, e que quatro mãos trabalham melhor que duas!






Agora chega de romantismo virtual que eu vou ali namorar meu marido!!!