“Tornar azeite”

Cecília,

Nossos últimos dias (e noites) tem sido bem difíceis! E eu preciso me desculpar por isso, mas também quero muito que você entenda.

Estávamos caminhando lentamente pelo processo do desmame gradual, mas a lentidão, a inconsistência e os “retrocessos” desse caminho acabaram levando a mamãe a atingir alguns limites importantes e doídos – e eu sinto muito por isso…

Depois de bater a cara muitas vezes contra os muros desses limites eu precisei tomar a dura decisão de ser mais “assertiva”, ser mais coerente com a minha decisão do desmame e mais firme com os meus nãos.

E mesmo que (ainda?) não se trate de um desmame total, está sendo muito difícil, filha, pra você e pra mim! Muito mesmo! Me desculpe…. Está estressante, frustrante, irritante, chateante… temos chorado um bocado e brigado outro bocado… Não é o tal do desmame natural e tranquilo que eu gostaria que fosse, infelizmente…

Mas apesar de tudo isso, sigo mantendo firme minha decisão e quero te explicar o porquê:

Eu fiquei dias, talvez semanas, sabendo que precisaria tomar uma atitude assim mas sem conseguir “bater o martelo”, até que uma conversa com a querida Alessandra me abriu os olhos e me tocou fundo a alma. (Obrigada por isso, Ale!!!)

Ela me mostrou que se eu não fizesse assim “ela (você) ia aprender que a gente pode não se respeitar para agradar o outro”  e, caramba!, isso mexeu muitíssimo comigo! A Ale me fez entender que respeitando a mim mesma eu estaria (e estou!) te ensinando a se respeitar.

Depois disso eu passei a ver que o meu choro é tão importante quanto o seu e que, por isso, não é justo que eu ceda a te amamentar quando não posso (mesmo que psiquicamente falando), em meio às minhas lágrimas, para cessar as suas.

É duro e às vezes me parece cruel te negar o que você pede – e sempre teve! Mas a verdade é que eu quero te mostrar que eu importo, que o meu querer também conta. E quero que você tenha claro que, no futuro, quando você estiver vivendo um grande amor e/ou quando (e se) for mãe, você será (ainda e sempre) MUITO importante!

É porque você é MUITO importante pra mim que eu estou me dando importância também, entende?!

E é também pra que você aprenda que NÃO significa NÃO, especialmente quando se trata de nosso próprio corpo!

Eu sei que é difícil, tenho vivido essa dificuldade com força também, mas há uma outra lição que estou te dando agora: nem sempre posso te dar tudo o que você quer, nem sempre estaremos em paz uma com a outra, mas isso não muda em absolutamente nada o amor imenso que eu sinto por você. Nunca! E não muda o fato de que o meu colo sempre será seu.

Mesmo que você não tenha o seu mamá todas as vezes que você deseja, você tem sua mãe do seu lado. Sempre! Você tem amor, você tem colo, você tem chamego, tem carinho, tem música, tem “dança de ninar”, tem meu ombro pra chorar…Sempre!

Porque o seu choro também importa eu o acolho – sempre! E sempre o acolherei! Prometo!

Nota de rodapé importante escrita no dia seguinte:

Agradeço o carinho e acolhimento que estou recebendo sobre o texto de ontem !!
Mas queria acrescentar que discordo de alguns comentários que surgiram! rs
Dores e rupturas nos fazem crescer, sem dúvida nenhuma, mas eu realmente não acho que essa ruptura seja necessária pra que a Cecília cresça!!
Acredito muitíssimo na amamentação prolongada – e há um monte de provas científicas dos benefícios nutricionais, emocionais e imunológicos para a amamentação no segundo ano de vida (o que a Cecília está vivendo agora)!!
Aqui em casa o desmame precoce (sim, antes dos 2 anos ele é, tecnicamente, precoce) está sendo necessário POR MIM, porque eu cheguei em um ponto que se continuasse como estava acabaria estragando a belezura que é o momento da amamentação! E essa belezura eu não quero perder nunca!

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11 pensamentos sobre ““Tornar azeite”

  1. Gabi, esse mundo dos blogs é um ovo! Lendo teu post, descobri que você conhece a Alessandra – quem eu não conheço, mas é super amiga de uma amiga minha também chamada Alessandra e que morava aqui em Madrid. Minha amiga Alê me recomendou o blog da outra Alê quando eu estava fazendo a tese sobre blogs e maternidade!! Passei também para recomendar a expo da Ana Casas que termina nesse domingo e é sobre maternidade, claro! No Círculo Bellas Artes 🙂

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    • Lari, que vergonha, menina…tô há 7 meses te devendo um email pra irmos tomar um café…
      Mas se eu te contar quão poucas vezes fui pra Madrid, vc não vai acreditar! rs
      (já perdi a exposição, até… =/ )

      Acho que não sabia da sua tese sobre blogs de maternidade… Conta mais!! (ou conta no tal café….hehehe)
      E a Alê é uma querida que esse mundo ovo colocou no meu caminho!! Só posso agradecer, né?!

      Beijão

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  2. Gabi, uma pessoa me disse esses dias que amamentação é ótima quando é prazerosa para mãe e bebê.
    Quando um dos dois se desinteressa ou se sente incomodado com aquilo, talvez não valha a pena ultrapassar os próprios limites.
    Quero te dar meus parabéns por estar lidando bem com isso, mesmo que aos trancos e barrancos, afinal eles fazem parte.
    Que quando o desmame aqui acontecer, se for guiado por mim, que eu tenha o mesmo discernimento.

    E Alê, sempre sendo a Alê.

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    • Alê é a Alê, né, Carol?! Quem conhece sabe! =)

      Foi difícil admitir pra mim mesma que tinha chegado nesse momento, viu… mas foi também fundamental!
      Tomara que os trancos e barrancos não durem muito mais, porque já tô “toda ralada”! hahahaha

      E parabéns pelo primeiro aninho da sua dupla linda!!!

      Beijão!!!

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