Your 2023 Wrapped

Tenho certeza que não sou a única assombrada com o “como assim esse ano já acabou?!”.

Hoje comecei um dia um pouco esvaziada, com a impressão de que perdi um ano inteiro sem nem ver. Mas aí fui lembrada que esse é o problema de fazer tanto trabalho invisível na sociedade que quer tanto pro-du-ti-vi-da-de: a gente acaba esquecendo do é que enche os nossos dias e faz o ano passar…

Ri, então, imaginando meu “extrato” do ano, à lá Spotify:

  • Esse ano você limpou 457 vômitos! (mãe de duas crianças, 3 pets AND doula )
  • Você acolheu 893 minutos de choros (again, mãe, doula, etc)
  • Você tirou 39 fotos das árvores no outono e se emocionou com sutilezas por um total de 16 horas.
  • Foram 467 refeições preparadas (e tantas outras providenciadas)
  • 1.329 ‘Obrigadas’ ditos e escutados em 4 línguas diferentes
  • Roupas, louças e cabelos são seus favoritos quando se trata de ‘lavar’
  • Leitura – solitária ou compartilhada – parece ter um lugar especial no seu coração
  • Foram 15 novos bichinhos de crochê, uau!
  • Mas seu hit do ano, definitivamente, foi: Abraços

Enfim, fica aí esse lembrete pra quem, como eu, às vezes escorrega um pouquinho e se esquece do tamanho do espaço que a vida ocupa quando a gente tá ocupado em viver!

Me deixe mudo

“Sou feita de silêncio e palavra”

O coração trepida – batimentos que simulam um corpo em franco movimento são, dessa vez, sinal de uma mente que não consegue encontrar a próxima orientação do google maps interno.

“Eu não sei o que estou sentindo”.

Angústia sem nome às vezes parece pinicar mais.

“Esse é o tanto que eu não estou querendo ficar com meus pensamentos”.

Busco perdidamente distrações suficientes que permitam a mente encontrar um sofá e o coração freiar um pouco.

Queria acelerar o corpo pra ver se a cabeça encontra o outro pedal.

Mas nada…

E aí…não dá pra fugir de dentro da gente.

Me perco entre palavras e silêncios.

Entre conquistas, orgulhos, parcerias e felicidades tropeço no comichão constante.

Não há pomada pra essa coceira. Não há remédio pro que não é diagnosticado.

Lidar com os enroscos humanos é dolorido e bonito e fétido e poético e difícil e aliviante e exaustivo e etc.

Que saco isso de ser-humana.

Especialmente nos momentos em o corpo não dá conta do gás que me acostumei a pedir dele, porque aí a fumaça sobra só pra mim…

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Inspiro – fumaça também.

Há anos eu sei e há anos esqueço: deixar a palavra sair é o único jeito de absorver o silêncio de fato.